quinta-feira, 19 de junho de 2014

Como Não Podia Deixar De Ser, Colômbia E Costa Do Marfim Fazem Jogaço Pelo Grupo C

 Se o Brasil é o país do futebol, Brasília é a capital da Copa do Mundo.

Após um jogo fantástico entre Suíça e Equador no último domingo, foi a vez de Colômbia e Costa do Marfim se enfrentarem no estádio Mané Garrincha, para delírio do público que coloriu as arquibancadas. Coloriu predominantemente de amarelo, amarelo vivo, de tom colombiano, num jogo de muitas nuances entre a forte seleção sul-americana e a marfinense, que também mostrou grande potencial e diversas qualidades.

O jogo é jogado, como diz o óbvio ditado, mas seu encanto começa antes de a bola rolar. Em caso de Copa do Mundo no Brasil, muito antes de a bola rolar. Desde a atmosfera no entorno do estádio até os hinos nacionais, cada momento carrega consigo um pedaço do eterno e faz perpetuar a magia de um esporte apaixonante, que resiste a qualquer intempérie que possa ousar atingí-lo.

Com bola rolando, tivemos uma partida de contrastes mais fortes que o amarelo e laranja das arquibancadas e o amarelo e verde no campo de jogo: se o primeiro tempo foi por vezes enfadonho, dada a previsibilidade das jogadas trabalhadas de ambas as partes, o segundo trouxe consigo uma bela transformação, com as duas seleções subindo de produção e promovendo um dinamismo que colocou o confronto entre as grandes partidas dessa Copa.

A reconhecida qualidade técnica de jogadores como James Rodríguez e Yaya Touré foram acompanhadas de atuações maiúsculas como as dos defensores Yepes e Zokora e também de dois jogadores que vieram do banco: Quintero (que marcou o segundo gol colombiano) e Drogba (que promoveu uma festa incrível nas arquibancadas, sendo ovacionado pelas múltiplas torcidas no estádio).

No final, a Colômbia viu a sorte lhe sorrir: abriu o placar em lance de bola parada com James Rodríguez e ampliou a diferença em contra-ataque num momento em que os Elefantes eram melhores em campo. Só que a Costa do Marfim descontou através de um golaço de Gervinho e chegou perto de alcançar o empate, esbarrando na defesa colombiana e nas decisões pra lá de esquisitas do árbitro da última final de Copa, o inglês "marombado" Howard Webb.

São duas seleções que vieram para o Mundial e que farão muito bem ao evento se nele permanecerem pelo máximo tempo possível. Seja pelo mar amarelo colombiano com enorme quantidade de adeptos nas arquibancadas, seja pela festa da torcida marfinense, seja pelo belo futebol que ambos os conjuntos mostraram ser capazes de apresentar. Sejamos apreciadores dessa arte que é o futebol. Sejamos cidadãos do mundo. Com muito orgulho e com muito amor.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Não Viu A Croácia De 1998? Veja Essa!

A Croácia mostrou força na estréia diante do Brasil. Mas, naquela ocasião, não tinha Mandzukic (suspenso) e ainda esbarrou no árbitro japonês (foi tenso).

Na segunda rodada, contando com a presença do atacante goleador e a ausência do cidadão que a roubou, a seleção da camisa quadriculada não tomou conhecimento de Camarões (Cama quem?) e aplicou uma goleada de 4a0 que traz grandes expectativas para o confronto direto diante dos mexicanos por vaga nas oitavas.

É fato que a situação croata foi facilitada pelos próprios erros camaroneses (o maior deles a agressão que justificou a expulsão do ótimo volante Song). Mas há muitos méritos no time comandado por Niko Kovac. O setor de meio-campo é particularmente muito interessante. A zaga é firme e séria até dizer chega. O ataque tem muitos recursos. E o bom time começa com um bom goleiro, no caso, Pletikosa.

Só que na qualificada seleção de Mandzukic, Modric e Rakitic, o destaque foi outro: Perisic. Com uma atuação fantástica, o meia-ponta (não confundir com o movimento do balé, embora tenha arte no jogo do camisa quatro) foi talvez aquele elemento-surpresa para sacramentar a vitória da equipe. Pela falta de empenho e irregularidade, Camarões também surpreendeu - só que negativamente. Houve até troca de agressões entre companheiros de time. O astro da companhia, machucado, assistiu tudo do banco. Mas, diante da forte zaga croata, provavelmente nem Eto'o teria sucesso.

Agora é aguardar para ver como o ótimo setor ofensivo croata encarará a muralha mexicana Ochoa na rodada derradeira.

Saiu Da Copa Mas Já Entrou Na História

Embora não tenha assistido o jogo entre Espanha e Chile (tá, acompanhei por uma tela de telefone celular o segundo tempo, em pleno horário de expediente no serviço público federal, o que sugere um envolvimento muito abaixo do que o jogo merecia), não poderia deixar passar em branco esse momento histórico que está atravessando o futebol mundial.

A vitória chilena por 2a0 combinada aos outros três resultados anteriores nesse grupo B (Holanda 5a1 Espanha, Chile 3a1 Austrália e Holanda 3a2 Austrália) selaram um fato inédito: pela primeira vez na história das Copas, uma atual campeã mundial é eliminada na segunda rodada. E não estamos falando de uma campeã qualquer, mas de uma campeã que antes e depois do título em 2010 ganhou as duas Eurocopas que disputou. De uma campeã que ofertou ao mundo um estilo de jogo encantador. De uma campeã que montou times e elencos com jogadores de altíssimo nível técnico e que traduziam suas aptidões em um volume de jogo como jamais visto na história. De uma campeã no campo e no conceito.

Com todos esses atributos, me recuso a dizer que essa eliminação seja o fim de uma Era. Essa eliminação é muito mais uma perda para a Copa 2014 e para o futebol do que para a própria Espanha. É evidente que a Espanha procurará se reconstruir, mas não há qualquer necessidade de uma reformulação conceitual. Há, sim, o desafio de trazer para o dia seguinte a essa derrota a renovação pontual para promover a proposta de jogo e continuar marcando época. Foi um trabalho de muitos anos até saborearmos 2008, 2010, 2012. E desejo de todo coração que outras gerações possam também assistir a Espanha com a cara dessa Espanha trazida por Aragonés e Del Bosque, em sintonia com Guardiola. Mas isso é assunto para o futuro. No presente, cabem duas colocações: obrigado, Espanha! E parabéns, Chile! Há que se respeitar essa talentosa seleção, que mostrou ótimo gosto ao trazer técnicos como Marcelo Bielsa e Jorge Sampaoli. Podemos estar vendo nascer uma potência na América do Sul. Mas isso é assunto para o futuro. No presente, cabe uma colocação: viva o futebol!

Tudo Azul Para A Laranja

A Holanda avassaladora da estréia em Salvador diante da Espanha deu lugar a uma Holanda novamente eficiente, mas sem conseguir repetir aquela enorme quantidade de ocasiões de gol vista na partida anterior. Não que os comandados de Van Gaal tenham tido uma grande queda de rendimento, mas a maior dificuldade em confirmar a vitória se deu provavelmente porque a Austrália conseguiu mais uma boa atuação no Mundial. Por falta de sorte para a representante da Oceania (que disputa as eliminatórias asiáticas, é verdade), os australianos não conseguiram o resultado positivo, a exemplo do que ocorreu diante do Chile. Mas o futebol apresentado pelos Socceroos é digno de elogios, pois, com todas as limitações técnicas, apresentou algo mais que aquele estilo antigo de simplesmente alçar bolas para o alto e ver no que vai dar.

No primeiro tempo, dois gols em seqüência. Aliás, dois golaços um atrás do outro. Primeiro, Robben deu arrancada de quase cinqüenta metros e anotou seu terceiro gol na Copa do Mundo, confirmando a ótima fase técnica (o que não é novidade) e física (o que é uma ótima novidade). Craque. Depois, Cahill acertou um chute estupendo, anotando um dos mais belos gols nessa edição do Mundial, o segundo do camisa quatro.

Na etapa final, o jogo teve momentos maravilhosos, principalmente no período entre o pênalti inventado para a Austrália (segundo jogo seguido que a Holanda vê um árbitro anotar um pênalti pra lá de duvidoso a favor do adversário) e a virada holandesa.

Janmaat não aparentou qualquer intenção de tocar com a mão na bola, mas o árbitro argelino Djamel Haïmoudi deu um chega pra lá no bom senso e indicou penalidade (no susto, no grito, sem qualquer convicção, como sugere a imagem do lance). Talvez seja mais fraqueza de personalidade do que má-fé. De toda forma, um perfil perigoso para se apitar jogos.

Se a Austrália virou o jogo aos nove, a Holanda devolveria a virada pouco tempo depois. Aos treze, Van Persie recebeu de Memphis e finalizou ao seu estilo, com força e precisão. Dez minutos mais tarde, Memphis, que entrou no finalzinho do primeiro tempo no lugar do contundido Bruno Martins Indi (que infelizmente deixou o campo para passar a noite no hospital), marcou o terceiro em chute de fora da área. É importante frisar que o gol de Memphis foi uma jogada de contra-ataque após Leckie quase recolocar a Austrália em vantagem no placar.

Essa vitória combinada ao resultado da partida seguinte acabou classificando a Holanda para a fase oitavas-de-final e eliminando os australianos. São duas seleções que vêm fazendo um belo Mundial e colaborando para a alta média de gols na Copa. Para a Austrália, resta "cumprir tabela" com a atual campeã. Para os holandeses, o confronto diante do Chile vale a liderança numa das chaves mais fortes do torneio. Jogará sem Van Persie, que cumprirá suspensão. Talvez seja o momento certo para tentar alguma variação na formação e tentar resgatar o bom futebol de Sneijder, que pode vir a ser um ótimo diferencial para conduzir a Holanda ao sonho do título, afinal, Robben e Van Persie estão voando e o sistema de jogo parece encaixado principalmente para os contra-ataques.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Guillermo Ochoa: O Dono Da Bola, Senhor Da Baliza, Nome Do Jogo

Sabe quando o dia é do goleiro? Dezessete de junho de dois mil e catorze, em Fortaleza, o dia foi do goleiro. Guillermo Ochoa, que está em sua terceira Copa do Mundo, sendo a primeira na condição de titular no México, atuou magistralmente para proteger a baliza de sua pátria.

De perder a conta a quantidade de intervenções importantes. De defesas difíceis. E o que é melhor: fazendo tudo isso de maneira discreta, usufruindo de um ótimo posicionamento e agindo da maneira mais simples possível para cumprir o difícil ofício que é o de ser goleiro. Fez parecer fácil!

Seria um mundo muito melhor esse em que vivemos se houvessem vários Ochoas espalhados pelo planeta. Imagina só um presidente que, de maneira objetiva e direta, defendesse os interesses da população de seu país. Ou um juiz que agisse única e exclusivamente visando defender a aplicação da justiça. Ou que tal pensarmos num policial que, em vez de defender os interesses do capital, voltasse seus olhos para os oprimidos e reféns da ditadura empresarial? Daria para enumerar exemplos e mais exemplos, mas fiquemos com o de Ochoa, o goleiro. Foi um 0a0 com encanto, porque quando lembrarmos desse placar, lembraremos de sua performance. Não teria a mesma graça se a partida terminasse 1a1, por exemplo.

Claro que houve um outro grande facilitador para o jogo terminar sem gol: Luiz Felipe Scolari, aquele indivíduo que comanda a seleção brasileira e que muitos acham apropriado chamar de "técnico". Eu sinceramente me sinto mais seguro de chamar Ochoa de goleiro do que Felipão de técnico. Goleiro é aquele que está lá para defender, e Ochoa sabe fazer isso. Técnico é aquele que está lá para organizar, dar padrão de jogo, transformar o time quando necessário. Não vejo nenhuma dessas características em Scolari. Não vi no ano do título de 2002, não vejo doze anos depois. Mas sigamos em frente, o futuro a Deus pertence. Quem diria que uma ex-guerrilheira se tornasse presidente para defender o grande capital em detrimento de gente? Pode ser que um dia Felipão vire técnico. Só acho que não dará tempo de fazê-lo nessa Copa. Enquanto isso, deixo os aplausos para Ochoa, goleiro.

Copa 2014: Seleção Da Primeira Rodada

A Copa do Mundo 2014 começou com bons jogos (destaques para as estréias de Holanda e Alemanha diante de Espanha e Portugal), boa média de gols (somente um 0a0, num total de dois empates em dezesseis jogos) e algumas agradáveis surpresas (a vitória da Costa Rica sobre o Uruguai talvez tenha sido a maior delas). Porém, há que se ressaltar que falta organização no acesso ao estádio, sobra repressão e covardia policial nas manifestações, muitos gramados estão abaixo do nível do aceitável e as arbitragens beiram o caos. Até a propagandeada tecnologia da linha do gol levanta suspeitas. Quem tem que entrar é a bola ou o chip? Sensores nos árbitros já!

Bora para a seleção da primeira rodada no Mundial 2014. Foram assistidos catorze jogos inteiros, além do segundo tempo de México e Camarões e quase nada de Irã e Nigéria.

Titulares
Goleiro: Pletikosa (Croácia)
Defensor direito: De Vrij (Holanda)
Defensor centro: Kolasinac (Bósnia & Herzegovina)
Defensor esquerdo: Rodríguez (Suíça)
Primeiro volante: Luiz Gustavo (Brasil)
Segundo volante: Inler (Suíça)
Meia: Müller (Alemanha)
Meia: Oscar (Brasil)
Meia: Messi (Argentina)
Meia: Robben (Holanda)
Atacante: Campbell (Costa Rica)
Técnico: Van Gaal (Holanda)

Suplentes
Goleiro: M'Bolhi (Argélia)
Defensor direito: Uchida (Japão)
Defensor central: Hummels (Alemanha)
Defensor esquerdo: Alba (Espanha)
Primeiro volante: Matuidi (França)
Segundo volante: Pirlo (Itália)
Meia: Cuadrado (Colômbia)
Meia: Dempsey (Estados Unidos)
Meia: Sturridge (Inglaterra)
Atacante: Benzema (França)
Atacante: Van Persie (Holanda)
Técnico: Löw (Alemanha)

Destaque: Arjen Robben.

Com muita velocidade, habilidade e perfeita noção de posicionamento em campo, o carequinha canhoto da Holanda bagunçou a defesa espanhola, sendo figura protagonista na construção da surpreendente goleada por 5a1 da seleção comandada por Louis Van Gaal diante dos atuais campeões do mundo, numa reedição da final jogada na África do Sul há quatro anos. O lance do gol em que arrancou a mais de 37 quilômetros por hora aos 35 minutos do segundo tempo e deixou Casillas esticado no gramado foi algo de antológico.

Mantendo esse nível, não há como duvidar das possibilidades de a Holanda levantar o troféu no Maracanã em julho. É muito difícil conseguir deter alguém com tamanha forma técnica e física, o que é particularmente comemorável em se tratando de Robben, pois sua brilhante carreira só não foi (ainda) mais longe por causa de seguidas lesões.
Arjen Robben comemora: com atuação de gala, camisa onze foi um dos destaques na goleada da Holanda sobre a Espanha, em Salvador, num dos melhores jogos de Copa do Mundo nos últimos tempos.

Após Falha De Akinfeev E Alterações De Capello, Rússia Reage E Empata Com A Coréia Do Sul

Para fechar a primeira rodada na Copa do Mundo 2014, nada como um jogo que traga algo de diferente, não é verdade? Russos e sul-coreanos diferem-se entre si desde suas características físicas até a maneira de jogar. O estilo leve e veloz dos asiáticos contrasta com o jogo viril do maior país do mundo, que conta com um italiano de mão cheia no comando, o treinador Fábio Capello.

E o encontro em Cuiabá, com todos esses ingredientes, não poderia deixar de ser interessante. Principalmente no segundo tempo, quando a maior intensidade da Rússia obrigou o goleiro Jung Sung-Ryong a participar ativamente do jogo. Só que a Coréia do Sul também buscava a vitória, o que deixava o jogo lá e cá. Para infelicidade do ótimo arqueiro Igor Akinfeev, um chute de Lee Keun-Ho acabou escorregando em suas luvas e caracterizando uma falha bisonha. Acontece com os melhores do mundo, e para desolação do camisa um russo, aconteceu com ele em plena estréia de Copa.

A partir daí, a Rússia se lançou definitivamente ao ataque para buscar retomar a igualdade no marcador. Capello foi muito feliz nas substituições, trazendo Dzagoev, Kerzhakov e Denisov e aumentando o poder ofensivo da equipe. Em bate-rebate na área sul-coreana, Kerzhakov conseguiu concluir o lance mandando para a rede e reestabelecendo o empate no Mato Grosso.

Hong Myung-Bo, ex-jogador da Coréia do Sul e atual treinador da equipe, procurou alternativas para conter o ímpeto adversário e retomar a frente no placar. Mas os esforços de ambas as seleções acabaram anulando uma a outra e o 1a1 se manteve até o apito final. Está tudo aberto no grupo liderado pela Bélgica. Que venham as próximas rodadas!

Banco Belga Quebra Argélia

Uma das seleções mais aguardadas para se assistir nesse Mundial (pelo menos por esse que vos digita) deu o ar da graça no Mineirão. Talvez seja a única equipe que dê para afirmar com convicção: trata-se da melhor geração da história do país.

Por um lado, a Bélgica decepcionou um pouco, pois faltou aquela autoridade para ganhar de um adversário menos qualificado. Por outro, a grande atuação do goleiro argelino M'Bolhi e a valente atuação da equipe do norte da África valorizaram a virada belga, que aconteceu somente no segundo tempo após o treinador Marc Wilmots efetuar as três substituições por direito.

O público brasileiro presente no estádio em Minas Gerais, que teve a chance privilegiada de testemunhar uma equipe que vem disposta a fazer história, preferiu vaiar a Bélgica como forma de "apoiar o mais fraco". Se isso é ser brasileiro com muito orgulho e com muito amor, faltou apoiar aquela parte fraca que foi removida de suas casas durante a preparação (leia-se usurpação) para a Copa da FIFA, que definitivamente não é de todo mundo.

De toda forma, o saldo da partida em Belo Horizonte foi de mais um belo jogo, definido nos detalhes, apesar da superioridade do time vermelho no tempo de posse de bola, na quantidade da troca de passes e no número de oportunidades criadas. A Argélia saiu na frente em jogada onde Feghouli foi acionado, sofreu pênalti de Vertonghen e o próprio camisa dez tratou de cobrar e converter, aos vinte e cinco.

Na etapa complementar, a Bélgica conseguiu começar a se impôr, embora sem apresentar um futebol dos mais vistosos. Vindos do banco de reservas, Mertens (que entrou no lugar de Chadli), Origi (que substituiu Lukaku) e Fellaini (que ocupou a vaga de Dembélé) ajudaram a transformar a equipe dentro de campo. Após cruzamento de De Bruyne, Fellaini cabeceou com precisão para empatar, aos vinte e cinco. Dez minutos depois, um contra-ataque avassalador: Hazard recebeu, conduziu e abriu na direita para Mertens concluir com força e colocação. É a virada vermelha e o que pode ser o início de uma arrancada histórica na Copa, independentemente de até onde a Bélgica consiga chegar - seus cruzamentos nas eventuais fases seguintes prometem ser complicadíssimos. Aos argelinos, cabe manter acesa a luz verde de sua bandeira. O verde da esperança de que, se foi possível medir forças com a seleção mais forte na chave, o sonho da classificação precisa continuar vivo.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Em Mais Um Jogaço No Mundial, EUA Vencem Gana Em Natal

Estados Unidos da América e Gana fizeram um jogaço em Natal. Perfilados para os hinos nacionais, já mostravam uniformes de muito bom gosto. Com bola rolando, marcaram o gol mais rápido nessa Copa (o quinto mais rápido na história das Copas). E o final foi... memorável. Uma das partidas mais emocionantes na rodada inaugural no Mundial.

Em linda jogada individual, Dempsey abriu o placar anotando um golaço com vinte e sete segundos. Segundos! Altidore teve também uma boa chance de marcar para os EUA, só que a defesa ganesa conseguiu bloquear. Mais ou menos a partir dali, a seleção africana passou a crescer no jogo. E no segundo tempo encontrou na referência de Asamoah Gyan o caminho mais seguro para finalizar com perigo. Em duas jogadas pelo alto, o atacante da camisa três assustou os estado-unidenses.

Mas foi pelo chão que pintou o empate. E não com Gyan, mas com Ayew. Ou melhor, com os dois: após tabelar com Gyan, Ayew descolou pelo remate para superar Howard e igualar o placar, aos trinta e seis minutos na etapa final. Justíssimo pela alta produtividade dos comandados de James Kwasi Appiah, que viu seu time dominar a partida principalmente após a entrada de Kevin-Prince Boateng.

Só que a alegria de Gana durou pouco: quatro minutos depois, em jogada de escanteio, Brooks, que entrou no intervalo, cabeceou de maneira inapelável para recolocar a seleção da América do Norte mais uma vez em vantagem, para delírio do mais norte-americano dos alemães: o treinador Jürgen Klinsmann. Foi linda a cena da comemoração de Brooks, que contrastava com a tristeza de Muntari. O futebol é o esporte das múltiplas sensações, talvez por isso seja uma modalidade sensacional.

O resultado aproxima os Estados Unidos da classificação. O próximo jogo, com Portugal em Manaus, pode selar a passagem para a próxima fase. Já Gana tem o desafio duríssimo de medir forças com os alemães. Pelo nível de jogo apresentado por essas duas seleções, é mais uma das partidas imperdíveis nessa Copa do Mundo. Coloque na agenda.

O Caminho Do Tetra Começa Com Um 4a0

Gigante.

Esse foi o futebol apresentado pela Alemanha em sua estréia na Copa do Mundo 2014. Sorte dos torcedores que estiveram em Salvador para assistir o baile de Müller e companhia, que não tomaram conhecimento da seleção portuguesa e aplicaram um 4a0 incontestável.

Pepe perdeu a cabeça. Cristiano não se encontrou. Portugal sucumbiu. E a Alemanha deitou e rolou. Joachim Löw conseguiu conciliar a intensidade com a qualidade na posse de bola, mostrando que sua marca como técnico é exatamente essa: buscar o gol com o máximo de objetividade.

Para a qualidade do espetáculo, essa é uma combinação formidável. E de quebra, a fortíssima seleção alemã conserva uma característica do seu passado que já parece acoplada ao seu DNA: a eficiência no jogo aéreo. Isso sem falar na enorme disciplina tática. Não resta dúvidas de que estamos aqui falando de uma das mais sérias candidatas ao título nesse Mundial. O hat-trick de Müller foi a azeitona no topo da empada. Mas os maiores méritos ficam o cozinheiro desse deleite gastronômico: o técnico Joachim Löw.

Até onde irá a Alemanha? Só Deus sabe. Mas uma boa dica aos amantes do futebol arte é: vá com ela onde ela estiver. Boas chances de a última parada ser no Maracanã, dia 13 de julho.

domingo, 15 de junho de 2014

Maracanã, Messi. Messi, Maracanã.

O Maracanã recebeu na noite desse domingo seu primeiro jogo no Mundial. E foi um jogo com clima de clássico nas arquibancadas, com intensas manifestações de ambos os lados. De um lado, a paixão do torcedor argentino, que exaltava sua própria seleção e incentivava os comandados de Alejandro Sabella. De outro, o medo do torcedor brasileiro, que chegou a vaiar a seleção argentina numa total demonstração de "vocês são importantes para mim e eu não sei lidar com isso de maneira esportiva". Claro que entre argentinos e brasileiros anti-Argentina havia também um grupo de bósnios e de brasileiros pró-futebol. Todos eles devem ter se divertido com a partida: seja pelo bom nível do jogo, seja pela surpreendente atuação da Bósnia, que se mostrou um time sólido.

Foi um confronto que começou de maneira atípica, pois logo na primeira bola que a Argentina colocou na área bósnia, uma infelicidade do defensor Kolasinac abriu o placar em gol contra. Um baque grande para uma seleção que estreava em mundiais. Só que os europeus que se livraram de uma guerra sangrenta em nome da independência da nação são fortes o suficiente para administrar uma situação como essa. E o próprio Kolasinac mostrou-se elemento importante, com ótima atuação na linha de defesa. Ousada na proposta de pressionar a Argentina, a Bósnia & Herzegovina teve as maiores chances de gol no primeiro tempo, dando bastante trabalho para o argentino mais efetivo naquela altura do jogo - o goleiro Romero.

Na volta do intervalo, a Argentina veio com Gago e Higuaín nos lugares de Campagnaro e Máxi Rodríguez, conseguindo ganhar dinamismo no ataque e, o mais importante, dar relevo à atuação de Lionel Messi. Messi foi encontrando espaços em campo e gente com quem trabalhar a bola. Num dos seus momentos de genialidade, tabelou com Higuaín, limpou o lance e chutou sem qualquer chance de defesa para o bom goleiro Begovic: 2a0 no placar.

Foi então que os espaços apareceram ainda mais e as oportunidades, idem. Safet Susic mexeu três vezes na equipe européia e a tornou mais ofensiva do que nunca. O preço que isso cobra é um sistema defensivo exposto a um adversário que contra-atacava com jogadores da qualidade de Messi, Di María, Agüero e Higuaín. Só que a valente defesa da Bósnia & Herzegovina resistiu. Lá na frente, o camisa nove Ibisevic, que entrara no segundo tempo, aproveitou a oportunidade e descontou.

A partir dali, a Argentina viu sua vitória sendo colocada em risco a ponto de Sabella aumentar a marcação no meio-campo para garantir o resultado. Conseguiu garantir mais que isso: também estava assegurada a alegria de uma torcida apaixonada. Os modinhas ficaram aos gritos pseudo-patrióticos de que têm amor e orgulho de nascerem no país que nasceram, embora não estivessem se manifestando nas ruas - essa tarefa ficou com brasileiros que não precisam desse tipo de cântico para se auto-afirmarem cidadãos de uma nação. Talvez fosse bom aos brasileiros anti-Argentina que torceram pela Bósnia & Herzegovina conversar com argentinos e bósnios sobre o que é o patriotismo na opinião dessas pessoas. É possível que seja um passo na direção de começar a cantar alguma coisa diferente no interior de um estádio.

Imune a tudo isso, o talento de Messi foi exaltado de todos os lados. Em sua primeira aparição num dos estádios mais místicos do planeta, não houve quem não se rendesse à sua capacidade de encantar. Esse sim dá orgulho e amor de ver jogar. Que sua participação na Copa seja longa, gênio!

França Mostra Força E FIFA Mostra O "Chip": Pobre Honduras...

A última vez que a França estreou numa Copa do Mundo com vitória havia sido em 1998, ano do título dos Bleus. Após derrota em 2002 e empates nas duas últimas edições, os franceses fizeram sua estréia no Brasil com um desempenho muito bom, obrigado. É bem verdade que dá para contestar a atuação do árbitro brasileiro e até mesmo a tecnologia da linha do gol, mas esses eventos não tiraram o brilho do consistente meio-campo francês (Pogba e Matuidi estiveram muito bem) e a atuação maiúcula de Benzema. É como se Ribèry não fizesse falta - é claro que faz, mas é como se não. Aplausos para o treinador Deschamps, que montou uma França forte e determinada.

Honduras começou o jogo pressionando. Os primeiros cinco minutos foram de domínio da seleção da América Central. Só que aos poucos a França foi fazendo a leitura de como conter o ímpeto hondurenho e se sobressair na partida. Parou em Valladares e no travessão. Até Sandro Meira Ricci ajudar em dose dupla, ao marcar pênalti longe de ser uma unanimidade (na opinião desse blogueiro o pênalti aconteceu) e aplicar um cartão amarelo que gerou uma expulsão numa decisão, no mínimo, contestável (na opinião desse blogueiro o árbitro jamais faria isso se a jogada fosse com os uniformes invertidos).

A partir daí, Benzema conduziu a França à vitória. Converteu o pênalti supracitado e estufou a rede para fechar o placar em 3a0. Entre um lance e outro, deu um chute cruzado que bateu na trave esquerda e retornou ao canto direito, sendo desviada pelo goleiro Valladares e supostamente atravessado a linha final. Será que atravessou? A tal tecnologia da linha do gol garantiu que sim. Mas, na opinião desse que vos digita, não foi mostrada nenhuma imagem que convença a legalidade  do que foi apontado pela tecnologia e pelo árbitro. Quer dizer, não duvido que o chip-padrão-FIFA tenha ultrapassado a linha-de-fundo. Mas a bola? Ah, essa daí acho que não passou inteira, não...

Portanto, pela primeira vez na história, parece que tivemos uma seleção futebolística ser prejudicada pelo árbitro e pela tecnologia. A quem Honduras poderá recorrer?