sexta-feira, 13 de junho de 2014

Laranjástico!

Aconteça o que acontecer em todos os futuros jogos, nenhum se comparará ao Espanha e Holanda. As atuais finalistas da Copa do Mundo proporcionaram um belo espetáculo em Salvador que reservou boas jogadas, lindos gols e uma grande surpresa: a goleada impactante da Oranje que jogou de azul diante da Roja que jogou de branco. 5a1 de virada com direito a um atropelamento no segundo tempo. Detalhe: o gol espanhol saiu num pênalti que não houve, mantendo o índice de jogos contaminados com erros capitais de arbitragem em... 100%.

Sensacionalistas plantonistas jornalistas já repetem discurso semelhante àquele que sucedeu a também surpreendente derrota espanhola na estréia diante dos suíços na Copa passada. Naquela ocasião, ouviu-se de tudo um pouco e se você tiver curiosidade de relembrar algumas das declarações apocalípticas, pesquise nesse mesmo blógui sobre os comentários referentes àquela partida de estréia na África do Sul. Clique para ver o resumão da Espanha na Copa do Mundo 2010.

Vejo a Espanha de 2014 com as mesmas possibilidades de título mundial que a Espanha de 2010. Um déficit grande é que Xavi não é mais aquele - embora ainda seja um jogadorzaço. Diego Costa jamais será um David Villa - embora possa ser útil em algumas variações táticas. A zaga se enfraquece sem Puyol. Mas David Silva parece melhor. Iniesta, idem (se é que isso possa ser humanamente possível). E Del Bosque tem uma grande capacidade de se reinventar sem perder o estilo. Em suma: é preciso respeitar a Espanha. Mesmo que as circunstâncias sugiram qualquer coisa diferente disso.

E o que dizer da Holanda? Só restaram sete jogadores vice-campeões mundiais - os outros dezesseis convocados são "novidades". A equipe rejuvenesceu. O ótimo Bert van Marwijk caiu após o mau rendimento na Euro 2012, quando a Laranja foi eliminada logo na primeira fase. Só que aí está a Holanda, senhoras e senhores. Firme, forte, sólida, leve, envolvente, destemida. Com personalidade. A Holanda é mais que um conjunto de bons jogadores: é uma escola de futebol. Uma escola que ensinou ao mundo o quão bonito é jogar com dois pontas, seja quando for, contra quem for. Um sistema que atravessa décadas e permanece novo, pois foge do usual. E quando você tem jogadores do nível de Sneijder, Robben e Van Persie, tudo fica mais fácil. E belo.

Entre algumas das cenas emblemáticas da partida na Bahia, destaco os gritos de "Olé" das eufóricas arquibancadas: os espanhóis, ironicamente, viveram a situação do touro. Ooooooolé!
 
O futebol deve à Holanda um título mundial. Talvez o "país do futebol" seja o lugar ideal para essa dívida ser acertada. Tivemos um bom indício de que ela poderá ser quitada em breve. Obrigado, Oranje! E boa sorte em suas viagens pelo Brasil!

P.S.: a Espanha vive e isso é bom. Principalmente para o futebol.

Apesar Da Arbitragem, México Vence Camarões

A Copa do Mundo começou catastrófica dentro e fora de campo. Nosso relato sobre os fatos que cercaram Brasil 3a1 Croácia rendeu um recorde recente de acessos (222 até o presente momento na postagem a respeito).

E o jogo que completou a primeira rodada no grupo A seguiu tônica parecida: novamente a arbitragem envolvendo a partida acabou tendo papel influente no resultado final. Pelo menos, dessa vez, a equipe prejudicada conseguiu sair com a vitória e o México passou por Camarões com o placar de 1a0.

Disputado sob chuva, o jogo em Natal foi bastante corrido e cheio de alternativas. Mais pelos esforços dos atletas do que propriamente por algum sinal de consistência tática. Mas o que vem chamando atenção até aqui não são os jogadores, cabendo a pergunta: até quando toleraremos árbitros e auxiliares como protagonistas em espetáculos futebolísticos? Eu, já há algum tempo, não aguento mais. Mais do que na bola, precisamos colocar um chip é nos árbitros. De preferência com uma tecnologia fora do "padrão FIFA", pois é aí que mora o perigo...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Brasil 3a1 Croácia? Só Pra Constar: É Feio Roubar

Começou a Copa do Mundo 2014, a segunda no Brasil. O país mudou desde a primeira edição do Mundial nesse solo, em 1950. Nesse intervalo de 64 anos, nos tornamos uma das mais robustas economias no planeta, conquistamos cinco títulos mundiais, atravessamos ditaduras militares e hoje vivemos uma democracia falsa, que defende o latifúndio e criminaliza a pobreza, concentra renda e reprime manifestante, dedica fortunas aos juros e amortizações da dívida e sucateia os serviços públicos. Toda a revolta a esse modelo excludente é justa, compreensível e legítima.

É como se o gramado em Itaquera fosse um espelho. Um espelho que refletia a imagem do quadro político brasileiro que envolve esse evento chamado Copa do Mundo. Os furtos aos direitos dos cidadãos (moradia e ir-e-vir, para só citar dois exemplos), os furtos aos cofres públicos (passarela para "VIPs" foi o cúmulo na terra da Lei Geral da Copa), os furtos à democracia (detenção arbitrária de manifestantes lembra os tempos de ditadura formal) foram refletidos nos furtos da arbitragem. Um pênalti inexistente para o Brasil ficar em vantagem no placar. Um gol legítimo anulado para evitar que a Croácia empatasse uma partida onde fazia jus à vitória. Mas o que são esses lances perto da realidade fora dos estádios? Ali dentro mesmo daquela arena em Itaquera, São Paulo, trabalhadores perderam a vida e tiveram suas tragédias encaradas com uma brutal indiferença inclusive por parte do "rei do futebol", Pelé. Nem um minuto de silêncio. Nem uma oração pelos mortos. Estão todos preocupados com a infraestrutura dos aeroportos.

Placar moral: vitória da Croácia. Mas moral está fora de moda. Queremos saber de resultados. E o saldo do primeiro dia de mundial foram truculências policiais com muita espreada de pimenta e bala de borracha. Dá para chamar isso de vitória do Brasil? Só se formos muito modinhas...

Observação: com o futebol apresentado nesse doze de junho, a única possibilidade de o Brasil ganhar o título do campeonato organizado pela FIFA de Joseph Blatter é contar com a benevolência das arbitragens. Mais ou menos como ocorreu em 2002, quando a seleção brasileira se aproveitou dos "erros" na estréia com a Turquia, nas oitavas-de-final com a Bélgica e nas quartas com a Inglaterra. Nenhuma delas com a mesma intensidade que essa partida diante da Croácia. Croatas, manifestem-se! É moral e tá na moda!

sábado, 24 de maio de 2014

Real Dança O Vira Em Portugal: "La Décima" Européia

A final madrilenha em Lisboa foi de arrepiar. O Atlético fez 1a0 e soube se comportar em campo, voltando a exibir uma equipe compacta e determinada na busca pelo triunfo. O adversário, porém, se agigantou no segundo tempo - sobretudo após a ótima entrada de Marcelo, que conseguiu dar outro ânimo ao setor esquerdo merengue.

Os colchoneros resistiram bravamente até onde puderam. Até quando puderam. Aos 48 minutos do segundo tempo, em lance de bola parada, não puderam evitar: Sérgio Ramos foi à rede com cabeceio irrepreensível, empatando a partida.

Aquilo transformou a final, elevando o moral do Real e fazendo o Atleti sucumbir no gramado. No fim, uma goleada por 4a1 - falaciosa, é verdade, porém conquistada com méritos. É estranho proferir essa frase, pois como algo pode ser falso e meritoso? Sei lá, foi assim que senti. A diferença de três gols não traduz o equilíbrio do confronto, mas o fato é que o time branco chegou lá por competência. E tem que ser muito competente para superar uma defesa como aquela que conta com Miranda e Godín.

Carlo Ancelotti conseguiu reinventar a equipe que era comandada pelo arrogante José Mourinho. Cristiano Ronaldo, apesar do gol derradeiro, foi mero coadjuvante num time liderado por Modric e Di María. Mas o que empolga mesmo é a entrega física e tática da limitada equipe comandada por Diego Simeone: faltaram pernas, mas sobrou coração aos alvirrubros. Talvez por isso a dor possa ser maior. Mas o orgulho deve ficar nas alturas.

Em poucas palavras, vão os parabéns aos finalistas - campeões e vices. Se o Real faturou a Liga dos Campeões, o Atlético conquistou a Europa. A noite foi espanhola na capital portuguesa. Quem diria isso seis séculos atrás?

sábado, 17 de maio de 2014

Ponto Final Na Agonia: Com Título, Arsenal É Só Alegria


Teve fim a seqüência de quase uma década sem títulos oficiais. Fiel ao estilo de posse de bola com velocidade e infiltração, o Arsenal demorou para acordar para o jogo. Só que, depois de despertar, partiu pra própria felicidade: virou o jogo diante de um valente Hull City e, após prorrogação, gritou "é campeão" em Wembley.

As coisas começaram altamente favoráveis aos Tigres: com duas chegadas ao ataque, a equipe aproveitou-se de vacilos na marcação adversária para já abrir 2a0 com oito minutos. Os autores dos gols foram os defensores Chester e Davies. Porém, nove minutos depois, Cazorla foi muito feliz em cobrança de falta e diminuiu o impensável prejuízo para um gol de diferença.

O que era uma partida até então frenética foi se tornando um jogo mais estudado. Ou seja, um andamento no mínimo inusitado para uma partida de futebol - sobretudo se tratando de uma final, quando costumamos ver o confronto sendo primeiro "pensado" e depois "jogado".

No segundo tempo, o Arsenal passou a mostrar quem é que manda. E subiu visivelmente de produção após a primeira mexida de Wenger: Sanogo no lugar de Podolski. O atacante francês marcou presença em campo com estilo e causou diversos transtornos a até então aparentemente tranqüila defesa do Hull. O empate veio com Koscielny, que sentiu as dores do choque com o goleiro McGregor e não pôde comemorar o gol com o entusiasmo que a ocasião merecia: era o início da redenção de um zagueiro que ficou marcado por vacilar numa final de Copa da Liga Inglesa.

O destino da final era a prorrogação. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, Wenger fez outras duas substituições: saíram Cazorla e Özil, entraram Wilshere e Rosicky. Ganhou solidez no meio a ponto de assumir quase que inteiramente o controle das ações. E o prêmio pela superioridade caiu para aquele que mais merecia: Aaron Ramsey, que, embora bastante tempo afastado por lesões, foi o grande destaque do clube na temporada. Aliás, vai saber até que ponto a saída da disputa pelo título na Premiership não tenha sido derivada exatamente da contusão do meio-campista galês. Pois foi de Ramsey o gol do título. Título que só se confirmou com o apito final de Lee Probert. Houve tempo ainda para o Hull quase empatar a partida, em lance que contou com escorregão de Mertesacker, saída em vão de Fabianski e quase-gol-contra de Gibbs após a finalização/cruzamento de Aluko, que ainda apareceu bem em finalização de média distância muito bem defendida por Fabianski.

Quem não infartou, celebrou. O Arsenal é campeão na Copa da Inglaterra 2013-4. E que venha a próxima temporada.
 Aaron Ramsey com o troféu de campeão na Copa da Inglaterra (a "FA Cup"): meia galês marcou o gol do título e foi um dos destaques na temporada.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Libertadores Da América: Bolívar Fazendo História

Na história do continente americano, um personagem de nome Simón Bolívar foi marcante para a libertação perante a opressão do império espanhol. Na América Latina, Bolívar é visto como um revolucionário e libertador. O maior torneio de futebol ao sul da linha do Equador o homenageou no próprio nome: Taça Libertadores da América.

Nessa edição da competição, os livros de História encontraram um par perfeito: o Club Bolívar, sediado na capital boliviana La Paz. Pela primeira vez na história, um clube deste país consegue avançar à fase semifinal no torneio continental. Curiosamente, o técnico que desempenha brilhante trabalho na equipe é espanhol: só que longe de repetir a opressão de seus compatriotas séculos atrás, Azkargorta está conduzindo o time azul celeste ao infinito e além, de maneira heróica a ponto de honrar o nome de Bolívar.

É absolutamente incerto fazer previsões num esporte imponderável como o futebol. Mas uma coisa pode-se dizer repleto de convicção: é por merecimento que o Bolívar chegou até esta fase e não será nenhum espanto se chegar na final e levantar o troféu de campeão. Não será espanto nenhum. Será lindo, isto sim.

Se em 1813 Simón Bolívar entrou em Mérida e lá foi proclamado El Libertador, 201 anos depois chegou a vez do Club Bolívar avançar em uma caminhada igualmente histórica. O destino final é a taça da Libertadores. Mais do que nunca, que os deuses do futebol possam caminhar ao lado da equipe boliviana. Sobretudo porque o próximo adversário será o San Lorenzo, time do papa. Vida longa, Bolívar!

Com campanha surpreendente e empolgante, o Club Bolívar passou pelo argentino Lanús em confronto sensacional e avançou para as semifinais na Libertadores da América: uma linda história está sendo escrita.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Bye, Bye, Bayern

A definição do primeiro finalista na Liga dos Campeões da Europa 2013-4 trouxe uma grande surpresa. Não que o Real Madrid passar pelo Bayern de Munique seja algum absurdo, mas fazendo 4a0 na Allianz Arena?

Pep Guardiola não conseguiu repetir o desempenho de seu antecessor Jupp Heynckes. Se na temporada passada o Bayern atropelou o Barcelona nas semifinais, dessa vez foi um time espanhol que castigou os alemães. Curiosamente, também no ano passado o Real Madrid havia caído nessa mesma fase no torneio levando uma sapecada do também alemão Borussia Dortmund.

Pelo menos uma conclusão dá pra tirar desses dois eventos (o sucesso do Bayern de Heynckes sobre o Barça e o fracasso do Bayern de Guardiola diante do Real Madrid): o jogo de velocidade com marcação adiantada e saída objetiva nos contra-ataques encaixa bem no modelo de intensas trocas de passes. Em outras palavras, para defrontar a escola barcelonista-guardioliana, não é necessário (nem viável) jogar na retranca, no feitio de José Mourinho. Carlo Ancelotti mostrou-se superior ao seu antecessor de Real Madrid, pois conseguiu encarar um estilo de jogo imponente de uma maneira eficaz sem abdicar do ataque.

Talvez o maior adversário do Bayern nem tenha sido o fortíssimo Real, mas o próprio Bayern. O incentivo de Pep para o time "jogar com agressividade" não parece ter sido assimilado ou, pelo menos, bem compreendido. Alemães costumar ser frios, estratégicos, disciplinados. Agressividade, no primeiro tempo, foi confundida com violência. Poderia até ter pintado um cartão vermelho para Dante, por carrinho imprudente em Cristiano Ronaldo. Aproveitando-se de erros de marcação dos donos da casa na bola parada, Sérgio Ramos marcou duas vezes e encaminhou a classificação. Num contra-ataque à la Bayern de Heynckes, Modric acionou Bale, que serviu Cristiano. O português aproveitou. Se ele agradeceu? Que nada, comemorou egocentricamente celebrando o recorde pessoal de quinze gols numa edição de UCL. Este é Cristiano: grande talento e um ego ainda maior.

No segundo tempo, o Bayern desenvolveu seu jogo na busca pelo improvável que o avançar dos minutos iam tornando impossível. A entrada do ótimo Götze aumentou a qualidade da equipe no meio-campo (Ribèry e Müller não renderam, restando saber até que ponto por influência da tal proposta de "agressividade"). No final, uma cobrança de falta de Cristiano por baixo da saltitante barreira selou a goleada merengue.

Vindo quem vier - Atlético de Simeone (clássico local) ou Chelsea de Mourinho (imagina só...) -, Ancelotti terá de conviver com o favoritismo na decisão de 24 de maio. Do jeito que o italiano é cascudo e vencedor, deve nesse momento estar tranqüilo e calmo, pronto pra mais uma. Se alguém ainda achava que faltava ao italiano ex-Milan, Chelsea e PSG
provar algo no futebol, acho que esse 29 de abril deixou um ponto final. O multicampeão mostrou que o rótulo de retranqueiro, que por tanto tempo o acompanhou, não lhe cabe. Pelo menos não se a idéia for desqualificá-lo.

Observação: a Alemanha pode ter sido a maior vencedora nessa história toda. A julgar pelo maior descanso que jogadores terão com a eliminação do Bayern e levando em consideração o esquema de jogo de Joachim Löw (que mescla um pouco de Guardiola com um pouco de Ancelotti, guardadas as devidas proporções), é bem provável que o técnico alemão tenha o antídoto para defrontar adversários que tenham a tendência de utilizar um estilo mais à exaustão. Seja de posse, seja de contra-ataque, seja de retranca. Pintou o tetra? Aguardemos.

domingo, 27 de abril de 2014

Tropeço Ou Escorregão - Liverpool Cai Diante De Muro Azul

O Liverpool, que vinha voando, tropeçou em Anfield Road. Tropeçou porque precisou caminhar, já que o aeroporto estava bloqueado por uma muralha azul. Dava no máximo pra fazer um check-in. Embarcar era tarefa complicada. Decolar, impossível. José Mourinho conseguiu fincar sua âncora no campo defensivo e vencer a partida graças ao acaso: um escorregão de Gerrard no final do primeiro tempo e uma bola recuperada ainda no campo defensivo no final do segundo. Coube ao goleiro Schwarzer fazer sua atuação mais importante com a camisa amarela dos Azuis e ratificar o resultado que mantém o Chelsea na disputa pelo título doméstico. Pela primeira vez desde 1986, podemos ter novamente 3 equipes com chances de título na última rodada na competição.

O jogo pode ser resumido pela frieza do Chelsea na arte (abusiva) de (só) se defender e pelo oportunismo dos dois únicos centroavantes da equipe visitante - Demba Ba e Fernando Torres, que entrou em seu lugar. Ba partiu para a rede após vacilo do capitão Gerrard. Torres também não desperdiçou a chance após erro de passe de Sturridge, servindo Willian numa investida dos dois contra o solitário goleiro Mignolet. E assim é o futebol: não importa quanto tempo você fica com a bola (o Liverpool teve em alguns momentos três vezes mais a posse do que o Chelsea), não importa quantas vezes você circule a área oponente (foram quatro vezes mais finalizações dos donos da casa e do jogo). "O que importa é o resultado", dirão os mais calculistas. E, no cálculo de Mourinho, os números bateram. 2a0, placar final. E o português bateu no peito, orgulhoso do que estava acontecendo. Uma comemoração bastante efusiva para quem se dizia fora da disputa pelo título.

Torcedores dos Reds terão uma tarefa dura pela frente: torcer pelo Everton no próximo sábado, quando o rival da cidade de Liverpool enfrenta o Manchester City, concorrente ao título, no estádio Goodison Park. Faz parte de uma caminhada para voltar a levantar um troféu que não é erguido no Anfield desde 1990. Que hora pra escorregar, Gerrard...
Montagem bem-humorada: Steven Gerrard escorrega, deixando escapar a bola, Demba Ba e... o troféu de campeão inglês.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Questão De Coragem

As semifinais na Liga dos Campeões da Europa na presente temporada permitem fazermos comparações entre dois treinadores muito badalados no futebol atual. Um é Josep Guardiola, do qual sou grande admirador. Outro é José Mourinho.

A maior semelhança entre ambos - além da grande quantidade de troféus levantados - está na grafia do primeiro nome: são quatro letras idênticas. Só que se o talento fosse medido dessa forma, poderíamos afirmar que a letra "P" é muito mais poderosa que o acento agudo.

Explicando e comparando. Mourinho e Guardiola viajaram para a capital espanhola. O Chelsea visitou o Atlético no Vicente Calderón e, no dia seguinte, o Bayern enfrentou o Real no Santiago Bernabéu. Tanto os Azuis de Londres quanto o Gigante da Baviera carregam consigo elencos milionários, que em nada devem aos adversários. Vale lembrar que esses dois clubes se enfrentaram na final continental apenas duas temporadas atrás (então treinados por Roberto Di Matteo e Jupp Heynckes). Ou seja, talento é o que não falta nesses plantéis. Saca só o nível: Cech, Neuer, Terry, Boateng, David Luiz, Dante, Lampard, Schweinsteiger, Ramires, Lahm, Willian, Robben, Hazard, Müller, Oscar, Götze, Ribèry, Schürrle, Torres, Mandzukic, Demba Ba, Kroos etc. Com esse material humano, Mourinho e Guardiola podem buscar diversas maneiras de jogar. E a cidade de Madrid viu bem isso.

Na terça-feira, um Chelsea covarde foi montado com uma linha de quatro na defesa (Azpilicueta, Terry, Cahill, Cole) e uma linha de cinco no meio (Willian, Mikel, David Luiz, Lampard, Ramires) e Torres na frente. Na frente e isolado, pois Willian e Ramires mais acompanhavam os laterais oponentes do que se aproximavam do atacante espanhol. Resultado: zero a zero numa partida com poucas emoções. Diria que beirou o entediante. Triste para o esporte.

Já na quarta-feira, outra conversa. O Bayern atuou com a posse de bola e ofensivamente, mesmo diante de um adversário fortíssimo nos contra-ataques (há que se respeitar um time que conta com Modric, Cristiano, Di María e Benzema, além de Bale). Mas covardia não é palavra para o vocabulário de Pep. A equipe atuou com Rafinha e Alaba se apresentando ao ataque de modo a deixar somente Boateng e Dante como autênticos defensores; Lahm e Scheinsteiger encostavam na trinca de meias (Robben, Kroos e Ribèry) enquanto Mandzukic, ao contrário de Torres no dia anterior, tinha com quem conversar. Resultado: um a zero para o Real numa partida repleta de alternativas. Tivemos um jogo. Um grande jogo. Ótimo para o esporte.

No final, os placares na Espanha dão aos times de Diego Simeone e Carlo Ancelotti a vantagem do empate na volta. Teoricamente, melhor para o italiano, que pode perder por um gol de diferença caso marque pelo menos uma vez. Porém, vejo mais possibilidades de sucesso para o argentino. O motivo? Seu adversário é Mourinho. Será muito mais difícil sobreviver ao Bayern de Guardiola. E olha que nem precisa de coragem para afirmar isso: basta ter algum bom senso. Coisa que por vezes falta para aqueles que têm medo.

sábado, 29 de março de 2014

Arsenal E Manchester City Empatam - Os Sonhos Continuam

Primeiro de tempo de um, segundo tempo de outro. Grosso modo, foi assim a síntese de Arsenal e Manchester City, em Londres. Se os visitantes se sobressaíram na primeira etapa (quando abriram o placar com gol de David Silva), a equipe da casa subiu de rendimento após o intervalo e buscou o empate diante de seus torcedores (gol marcado por Mathieu Flamini, que teve atuação destacada).

Era de longe a partida mais aguardada nessa rodada. Inclusive já a havíamos mencionado em tópico anterior (atenção também para Tottenham e Liverpool, nesse domingo). E as equipes comandadas por Arsène Wenger e Manuel Pellegrini não decepcionaram, proporcionando uma bela partida de futebol nesse sábado. Sábado que teve derrota do Chelsea, que parece perder o fôlego na liderança, mesmo após a contundente goleada por 6a0 sobre o Arsenal.

Ainda há muito o que acontecer nas jornadas vindouras, mas é difícil imaginar o Manchester City fora da disputa pelo caneco. Talvez o fiel da balança seja o Liverpool, forte concorrente que ainda tem pela frente confrontos com City e Chelsea, ambos em Anfield Road.

Para ver mais comentários sobre Arsenal 1a1 Manchester City, veja nosso Tuíter @jogandoagora.

Aqui, alguns breves pitacos sobre a partida.

- David Silva e Pablo Zabaleta tiveram ótimo início de partida, comandando as ações pelo lado direito de ataque azul celeste. Com o transcorrer dos minutos, o argentino passou a se dedicar mais à linha de defesa, enquanto o espanhol seguiu buscando jogadas de infiltração, só que variando também entre o centro e o lado esquerdo.

- Lukas Podolski errou no lance do gol do City, mas se redimiu com uma atuação premiada pela assistência para o gol de Mathieu Flamini. É bom lembrar que, no primeiro tempo, também aconteceu um cruzamento de Podolski para Flamini que também terminou na rede, só que o francês foi flagrado em condição de impedimento.

- Fernandinho esbanjou personalidade. Sólido na marcação e decidido quando no campo ofensivo, o meio-campista brasileiro foi um dos pontos de equilíbrio no esquema tático de Manuel Pellegrini. É nome plausível para a Copa do Mundo de 2014.

- Mathieu Flamini foi um dos melhores jogadores em campo. Marcou dois gols (um corretamente anulado), teve outra boa chance e esteve incansável na marcação diante de um adversário repleto de jogadores talentosos circulando pelo seu setor.

Na próxima rodada, o City receberá o Southampton e é favorito para somar três pontos, o que representaria importante passo em direção ao título. Já o Arsenal tem um desafio mais complicado: o Everton, em Goodison Park. Apenas a vitória deve ser encarada como um resultado que mantenha a esperança de título na equipe.

domingo, 16 de março de 2014

Campeonato Inglês Do Equilíbrio: 4 Equipes Buscam O Título

Old Trafford e White Hart Lane receberam dois clássicos nesse domingo. E em ambos os estádios, a festa foi dos visitantes, com a goleada do Liverpool sobre o Manchester United (3a0) e a vitória do Arsenal sobre o Tottenham (1a0).

A corrida pelo título inglês na presente temporada fica restrita a quatro clubes: o Chelsea (atual líder), o Liverpool (vice-líder e que vem mostrando atuações sólidas), o Arsenal (atual terceiro colocado e esbanjando determinação mesmo com muitos desfalques) e o Manchester City (em quarto lugar e sendo a equipe com melhor índice de aproveitamento no torneio).

Em Manchester, o Liverpool foi melhor que o United a maior parte do tempo. Mostrou maior articulação ofensiva, maior capacidade de manter a defesa protegida e as atuações dos goleiros confirmam tais afirmações: De Gea teve muito mais trabalho que Mignolet. A vitória foi construída na base dos pênaltis: dos três assinalados (dois reais e um simulado), Gerrard converteu os dois primeiros e desperdiçou o último, quando carimbou a trave. No final, o terceiro gol veio com Luis Suárez, que teve mais uma bela atuação e só não anotou um golaço porque De Gea impediu de maneira espetacular.

Em Londres, o Arsenal teve a felicidade de abrir o placar cedo. Muito cedo. Foi o gol mais rápido na história do confronto entre Tottenham e Arsenal pelo Campeonato Inglês: um minuto e doze segundos após o apito inicial, Rosicky abriu o placar no clássico da capital. O Tottenham até teve algumas chances claras de empatar a partida, mas parou na bem preparada defesa do Arsenal e também no goleiro Szczesny, que alternou momentos de quase entregar o ouro com defesas providenciais para manter a meta inviolável.

Se Liverpool e Arsenal mostram-se firmes na disputa pelo troféu na Premiership, resta a Manchester United e Tottenham tentar um lugar na próxima Liga dos Campeões da Europa - o Everton também é forte concorrente nessa empreitada continental. E se emoção pouca é bobagem, veja só alguns dos jogos que teremos pela frente nas próximas rodadas.

31ª rodada: Chelsea e Arsenal
32 rodada: Liverpool e Tottenham; Arsenal e Manchester City
33ª rodada: Everton e Arsenal
34ª rodada: Liverpool e Manchester City
35ª rodada: Everton e Manchester United
36ª rodada: Liverpool e Chelsea
37ª rodada: Everton e Manchester City
38ª rodada: cada um por si e de olho nos jogos dos outros pra ver como termina a tabela.

sábado, 15 de março de 2014

Sobre Maneiras De Anular Gols E Vidas

Se já temos condições de afirmar que uma bola entrou ou não entrou no gol por métodos seguros, por que insistimos num modelo de arbitragem baseado nas limitações humanas?

Não falo aqui apenas de Inglaterra e Alemanha na Copa do Mundo 2010 (Lampard) ou de Vasco e Flamengo no Campeonato Estadual 2014 (Douglas). Falo por todos os exemplos que acontecem em qualquer partida pelo mundo.

Sem entrar no mérito de haver má-fé por parte da arbitragem, fato é que o recurso eletrônico adentrou diversas modalidades esportivas mas continua à margem no futebol. Preferem inserir mais pares de olhos humanos do que buscar soluções efetivas.

Não há nenhum valor no futebol nem em nenhuma atividade que deve se sobressair à justiça. Se não é justo, já não serve. Cobram-se condutas para respeitar as regras do jogo, só que o jogo em si não caminha de mãos dadas com a justiça. Falta vergonha na cara para muitos dos indivíduos que hoje comandam e tomam decisões, tanto no futebol quanto em outras esferas da vida.

Caminhamos para uma Copa do Mundo no Brasil - a segunda nesse país - e podemos perceber como continuamos definindo erroneamente as prioridades para a consecução de um megaevento que seja coerente a uma vida digna em sociedade. Proibir manifestações, proibir a livre circulação, proibir o direito à moradia... Isso tudo é vergonhoso para a história da humanidade. Mas traz muitos benefícios para grupos minoritários que comandam as ações seja no esporte, seja no governo, numa parceria nefasta que é injusta com aqueles que sustentam esses sistemas: torcedores e populações.

Respeito é uma questão de justiça. Justiça é uma questão de respeito.

Para Eduardo Paes, Sérgio Cabral, Dilma Rousseff, Joseph Blatter e muitos outros, sejam indivíduos ou corporações, pessoas físicas ou jurídicas, que fazem parte destas e outras covardias.