quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Leicester City A Caminho Da 'Premiership'

Se a Premiership é a mais forte liga nacional européia, seria a Championship a melhor segunda divisão que se tem notícia? A julgar pelo jogo de hoje entre Leicester City e Wolverhampton Wanderers, talvez sim.

Estádio cheio, o que já é um diferencial altamente positivo. Torcida cantando forte, parecendo se tratar de um jogo eliminatório. E olha que o vice-líder Leicester nem está tão perto assim do topo da tabela: o Cardiff encontra-se dez pontos acima. Mas a vitória dos comandados de Nigel Pearson tem mais é que ser celebrada, não apenas pelos três pontos conquistados e pela manutenção do segundo lugar na tabela de classificação nesse competitivo torneio, mas também porque trata-se da quinta vitória consecutiva da equipe na competição. Pior para o Wolverhampton, recém-despromovido e que amarga a décima nona colocação.

Antes que você pergunte como foi o jogo, falemos logo dele. O Leicester tomou a iniciativa e teve as melhores chances, contando com o habilidoso meia francês Anthony Knockaert, jogador que mostrou bastante qualidade pelo flanco direito. Não por acaso, foi dele o primeiro gol. Após o goleiro Kasper Schmeichel (filho do lendário Peter) fazer ligação direta com Knockaert, ele partiu com a bola, entrou na área, fintou a marcação e chutou: Carl Ikeme até conseguiu desviar, mas não impediu a abertura no placar, aos vinte e três.

Organizando-se em campo de maneira a equilibrar o jogo, os Wolves terminaram o primeiro tempo melhores do que começaram e voltaram ainda melhores na etapa complementar. E empataram com o também francês Bacary Sako, que acertou lindo chute no canto esquerdo, de tamanha potência que não há como se responsabilizar goleiro nenhum, nem mesmo alguém que seja filho de Peter Schmeichel.

A partida estava equilibrada e bastante cadenciada, por vezes até burocrática. O blogueiro se deu o direito de sair da frente do monitor televisivo por alguns minutos e... perdeu o segundo gol dos donos da casa: David Nugent conduziu a bola e chutou cruzado, no canto esquerdo.

Os últimos minutos de partida foram de pressão dos visitantes, com Ebans-Blake tendo ficado perto de marcar o gol de empate por pelo menos duas vezes, ambas nos acréscimos. O apito final de Robert Madley foi para dar um alívio geral nas arquibancadas, onde o público celebrou a confirmação do momento positivo da equipe na temporada e a redução para sete pontos de distância em relação ao líder. Já o Wolverhampton, que está perto da zona de descenso, se conseguir apresentar um futebol parecido com o visto no final do jogo deve conseguir pelo menos se manter na Série B inglesa. Porque, cá entre nós, se um time que pressiona, cria as chances e vai pra cima de um adversário que disputa o título vier a cair para a terceira divisão, é porque tem alguma coisa estranha. Ou com a parte de cima ou com a parte de baixo da tabela.

Jogando Bonito, Botafogo Goleia Audax Em Moça Bonita

Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, mais conhecido pelo nome de Moça Bonita. Sede do Bangu Atlético Club, tradicional agremiação esportiva na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro - o Bangu é o último clube além dos quatro grandes que integram a Série A nacional a ser campeão estadual, feito conquistado no ano de 1966 (já havia faturado o torneio em 1933).

Fazendo uso do transporte ferroviário, o blogueiro partiu para lá e foi assistir a partida entre Audax Rio, "sensação dos pequenos" nas primeiras rodadas do Estadual 2013, e Botafogo, atual vice-campeão na competição. Dois times invictos na temporada: o Audax com duas vitórias e um empate; o Botafogo com uma vitória e dois empates.

Se houve equilíbrio no duelo válido pela quarta rodada na Taça Guanabara? Coisíssima nenhuma. Do início ao fim, domínio alvinegro no campo banguense. Era perceptível a fragilidade técnica do time do Audax, mas o que realmente importava era admirar o excelente nível de exibição botafoguense. Falo aqui de uma equipe escalada com uma linha de quatro na defesa, onde os laterais alternavam subidas ao ataque (o direito, Gilberto, se apresentava mais que o esquerdo, Márcio Azevedo). De uma equipe com um volante com grande poder de marcação e boa saída de bola - Marcelo Mattos, que tomava conta dos setores por onde transitava. De uma equipe com quatro meias que trocavam de posição, sendo possível ver Fellype Gabriel e Andrezinho revezando a função de segundo volante, Vitinho circulando pelos dois flancos e também pela parte central e Bruno Mendes, geralmente a referência ofensiva, recuando para permitir a inflitração de um companheiro, na maioria das vezes o hábil Vitinho. O goleiro Jéfferson e os zagueiros Antônio Carlos e Bolívar quase não precisavam participar. Mas faltou citar o nome de um jogador. Faltou citar o nome do jogador da partida: Nicolás Lodeiro, meio-campista uruguaio que teve atuação destacada, sobretudo no primeiro tempo.

Lodeiro abriu o placar com um golaço de fora da área (assista a comemoração aqui e sinta um pouco da atmosfera do estádio) e deu o passe para Fellype Gabriel marcar o segundo. No segundo tempo, o domínio alvinegro se manteve e outros dois gols aconteceram: Bruno Mendes anotou o terceiro, aproveitando rebote após finalização de Vitinho, e Bolívar fechou a conta, chegando ao terceiro gol em 2013, ótima marca para um homem de defesa. A festa ficou completa para o botafoguense que compareceu ao estádio quando Clarence Seedorf adentrou o gramado, adicionando categoria a uma partida que já estava resolvida em termos de resultado, mas que passou a ganhar algo mais com o deslumbrante talento do holandês. Qualquer viagem é válida para se ver atuações como essa.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Díaz Feliz Para O Deportes Iquique Na Libertadores

Quem acha que a Copa Libertadores da América começa com os jogos pela fase de grupos, engana-se. O torneio de clubes mais badalado no continente americano não apenas já teve início como também já reservou algumas emoções para o amante do futebol.

Pelos duelos eliminatórios que levam à fase de grupos, o Deportes Iquique recebeu o León, no estádio Tierra de Campeones, e conseguiu a classificação somente na disputa por pênaltis. Após empatarem por 1a1 em solo mexicano, o placar se repetiu no Chile. Os gols foram marcados no segundo tempo: pouco depois do intervalo, aos dois minutos, Yovanny Arrechea recebeu cruzamento de Luís Montes em cobrança de escanteio e emendou um chute em meio a muitos marcadores, conseguindo mandar a bola no canto esquerdo do goleiro Rodrigo Naranjo e abrindo o placar para os visitantes.

Se antes do gol adversário o 0a0 ia classificando os donos da casa, o Iquique passou a se ver na obrigação de marcar pelo menos um gol para levar a decisão para os pênaltis. E não demorou para conseguir encontrá-lo: aos doze, Leonardo Monje entrou livre na área, preparou o drible no goleiro Christian Martínez e caiu após o choque com ele. Pênalti marcado pelo árbitro paraguaio Antonio Arias e convertido pelo camisa dez argentino Rodrigo Díaz. 1a1 e festa no acanhado estádio chileno.

A partida, interessante com as três combinações de placares que foram vivenciadas no gramado, seguiu com chances de gol para ambos os lados. Hernán Darío Burbano, ligeiro meio-campista colombiano que veste a camisa número um do time mexicano, era o elemento mais participativo nos contra-ataques, mas sem conseguir sucesso nas articulações com o compatriota Arrechea e com o mexicano José Vázquez. A ausência de Rafa Márquez deve ter feito uma falta danada para o time comandado pelo uruguaio Gustavo Matosas: o experiente jogador ex-Barcelona daria aquela organizada na defesa e possibilitaria melhor saída de jogo para uma equipe que era dinâmica na movimentação mas vacilante na precisão dos passes.

No final, a expulsão de Juan Calderón deixou o León com um homem a menos e o que se teve foi um jogo de ataque contra defesa, onde o Iquique tentava o gol da classificação. Mas o rumo do confronto foi mesmo as penalidades máximas. E não demorou para a equipe local ficar em ótima situação, abrindo 3a0 na contagem através dos gols de Mauricio Zenteno, Manuel Villalobos e Sebastián Ereros, além das defesas de Naranjo nas cobranças de Burbano e Montes, se adiantando não sei quantos metros com o consentimento da arbitragem.

Vázquez finalmente converteu uma cobrança mexicana, diminuindo o prejuízo para 3a1. E aí o Iquique passou a ter pelo menos duas possibilidades de classificação. Falhou na primeira, quando Cristian Grabinski mandou a bola no travessão. Na segunda, que seria através do goleiro Naranjo, Arrechea marcou o segundo gol para o León. Então, coube a ninguém menos que Rodrigo Díaz a cobrança para selar a classificação do clube chileno. Afinal, ninguém melhor do que o autor do gol da equipe tanto no México quanto no Chile para ficar com a cobrança derradeira. E o argentino de trinta e um anos de idade mandou a bola na rede, indo comemorar com a torcida.

Agora, o Deportes Iquique junta-se ao grupo 4, encontrando Emelec, Peñarol e Vélez Sarsfield. Fará sua estréia dia treze de fevereiro, no estádio Tierra de Campeones, onde receberá o Peñarol.

Outro jogo

Pouco mais cedo, o argentino Tigre foi até a Venezuela e não teve grandes dificuldades para marcar 3a0 no Deportivo Anzoátegui, totalizando 5a1 na soma dos resultados. Botta, que marcou o primeiro gol em jogada individual e deu a assistência para o segundo, marcado por Santander, foi um dos destaques na partida. Maggiolo ainda marcou o terceiro no final, quando o Anzoátegui já não impunha qualquer resistência em campo. Desta forma, o Tigre, que protagonizou cenas raras e até hoje não suficientemente explicadas naquela final de Copa Sul-Americana de "um jogo e meio" com o São Paulo, passa a integrar o grupo 2. Lá, encontrará Libertad, Palmeiras e Sporting Cristal. A estréia será com o Libertad, em solo argentino, dia vinte e um de fevereiro. Mas a curiosidade-mor (ou seria curiosidade-mórbida?) está para os duelos com o Palmeiras, principalmente o segundo, pela quarta rodada, que será realizado em São Paulo. Lembranças do fatídico duelo pela Sul-Americana à parte, vamos combinar: é mínima a possibilidade de algo daquela natureza acontecer novamente. Assim como são mínimas as chances de a CONMEBOL tomar as providências cabíveis...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Lazio Elimina Juventus Em Jogo De Final Eletrizante

Pelo jogo de volta na fase semifinal na Copa da Itália, a Lazio recebeu a Juventus no estádio Olímpico de Roma e conseguiu a classificação de maneira dramática. A partida teve um contraste muito grande entre o que foi o primeiro tempo e os minutos finais da segunda etapa: de um duelo pegado e por muitas vezes preso no setor de meio-campo até um confronto dinâmico e repleto de emoções.

Na partida de ida, terça-feira passada, em Turim, Juventus e Lazio terminaram empatadas em 1a1. Ou seja, para o jogo de volta o empate sem gol favoreceria a Lazio, novo 1a1 levaria o duelo para a prorrogação e igualdades de 2a2 em diante classificariam a Juventus.

Após um primeiro tempo de poucas chances de gol e algumas reclamações (Mirko Vucinic reivindicou pênalti quando caiu em dividida com o goleiro Federico Marchetti), a segunda etapa logo viu o primeiro zero sumir do placar: Cristian Ledesma caprichou no lançamento e achou Álvaro González nas costas de Federico Peluso. O uruguaio aproveitou a oportunidade mergulhando para marcar de cabeça o primeiro gol da noite na capital italiana, aos sete minutos.

Menos de dez minutos após celebrar o tento, a torcida biancocelesti levou um susto: Hernanes caiu no gramado de maneira estranha e deixou o campo com sangramento na lateral da face. No lugar do brasileiro entrou o bósnio Senad Lulic, de mesma nacionalidade do treinador Vladimir Petkovic.

Em desvantagem e precisando de um gol para pelo menos tentar levar o jogo para a prorrogação, Antonio Conte mexeu na Juventus com o intuito de levar o time à frente. Porém, Andrea Pirlo, Claudio Marchisio e Fabio Quagliarella não conseguiram fazer os bianconeros se sobressaírem diante de uma equilibrada equipe da Lazio. Petkovic ainda colocaria Sergio Floccari no lugar do inoperante Miroslav Klose e Lorik Cana em substituição ao autor do gol único, González.

As chances de gol ainda eram escassas e o árbitro Luca Banti indicou seis minutos como acréscimo (talvez metade desse tempo em função do atendimento ao Hernanes no momento de sua lesão). E foi exatamente nesse relativamente curto intervalo de tempo que uma partida por muitas vezes apática caminhou para um desfecho sensacional. Quando o cronômetro ia dos quarenta e cinco para os quarenta e seis, o chileno Arturo Vidal chegou na área adversária e completou para a rede um cruzamento vindo da esquerda. Era o gol de empate juventino, para desespero de Petkovic, e a promessa de que o jogo iria para a prorrogação.

Só que, aos quarenta e sete, a torcida da casa voltou a ter um motivo para explodir em alegria: após cobrança de escanteio pelo lado esquerdo, a bola chegou até Floccari, que desviou no canto esquerdo, colocando um ponto final nas possibilidades de prorrogação.

Como emoção pouca é bobagem, a disputa pela vaga na final teve ainda um lance incrível: aos quarenta e nove, Vidal finalizou, Marchetti deu rebote e, em posição legal e sem goleiro no lance, Marchisio tinha a oportunidade de reestabelecer o empate e colocar a Juventus em vantagem no duelo. Repetindo: aos quarenta e nove minutos do segundo tempo, sem goleiro. Mas Marchisio mandou para fora. A Juventus teve mais uma chegada aos cinquenta e um, quando o goleiro Marco Storari estava na área adversária se apresentando como opção: Pirlo cobrou a falta pela direita e Vidal cabeceou à direita. Se passasse pelo chileno, chegaria ao goleiro-atacante. E sabe Deus o que poderia acontecer, ainda mais num jogo com final tão espetacular quanto esse.

Classificada para a final, que será disputada no estádio Olímpico de Roma, a Lazio aguarda o vencedor do duelo entre Roma e Internazionale. O jogo de ida terminou com vitória romana por 2a1 e a partida de volta está agendada para dezessete de abril, em Milão. Ou seja, é razoável a possibilidade de termos uma decisão de Copa da Itália entre os dois times mais populares de Roma e exatamente no estádio onde esses clubes mandam seus jogos. A Inter fará o possível para que isso não aconteça.

No Sufoco, Nigéria Vence Etiópia E Avança

Poucas vezes vi um grupo tão equilibrado quanto este. Sinceramente, remexo a memória e não recordo de nada assim. Das seis partidas disputadas na chave C pela Copa Africana de Nações tivemos quatro empates e duas vitórias. Zâmbia, atual campeã do torneio, não ganhou nem perdeu de ninguém e está precocemente eliminada - e invicta. Etiópia, que apesar de frágil tecnicamente mostrou grande disposição em atacar quem quer que fosse o adversário, perdeu duas e está fora - com dignidade, enfatizo. Burkina Faso e Nigéria, avançam. Empataram entre si, empataram com Zâmbia, mas conseguiram o que os atuais campeões não foram capazes de fazer: vencer os etíopes.

E não pense que tenha sido tarefa simples vencer a lanterna Etiópia. Hoje, no estádio Royal Bafokeng, o jogo esteve empatado até os trinta e três minutos do segundo tempo. Detalhe: sem haver em momento algum uma espécie de "pressão nigeriana" que pudesse caracterizar o 0a0 como um resultado que não refletisse a partida. Refletia, sim. Era uma Nigéria com muitas dificuldades de encarar a marcação etíope e uma Etiópia que acabava esbarrando nas próprias limitações de ordem técnica - do ponto de vista tático, diria que Sewnet Bishaw fez um trabalho elogiável.

Com o 0a0 aqui e também lá na partida entre Burkina e Zâmbia, a situação do grupo era simplesmente fora do comum: Burkina Faso liderava a chave com cinco pontos, Zâmbia e Nigéria apareciam a seguir (com três) e Etiópia era a quarta colocada, com dois. E como desempatar Zâmbia e Nigéria, se essas equipes empataram entre si, empataram com Burkina, empataram com Etiópia e somavam o mesmo número de gols pró uma em relação a outra? Resposta do regulamento na Copa da África: pelo menor número de cartões. Nigéria tinha uma expulsão a mais que Zâmbia e por isso estava fora da zona de classificação. Cada vez mais nervosa com o avançar do(s) cronômetro(s), a seleção nigeriana foi somando novos cartões amarelos, o que a distanciava da fase quartas-de-final. Até que Viktor Moses "resolvesse" a situação.

Foi ele próprio - Moses - que sofreu cada um dos dois pênaltis que acabaram decretando a vitória e a classificação de sua seleção. Primeiro, foi derrubado por Girma. Sete minutos depois, pelo goleiro Bancha. Nas duas vezes, Moses arrancava pelo lado esquerdo da área até receber as entradas de carrinho. Tratou ele mesmo de cobrar as penalidades. Na primeira, colocando a bola no canto esquerdo - Bancha se encaminhou para o lado direito. Na segunda, mandando no canto direito - Hintsa acertou o lado, mas não pegou a bola. Hintsa, sim, jogador de linha que terminou a partida como goleiro, pois Bancha recebeu o segundo amarelo no lance em que derrubou Moses, sendo expulso e com a Etiópia já tendo realizado as três substituições.

Vale mencionar que, entre um pênalti e outro, houve uma defesa sensacional de Enyeama, evitando o empate etíope em cabeceio frontal. Se a Etiópia empatasse a partida naquele lance aos trinta e cinco minutos do segundo tempo, a Nigéria continuaria avançando, pois teria mais gols marcados que Zâmbia. Mas a diferença é que os etíopes estariam a um novo gol de entrar entre os classificados, situação que se mantinha durante todo o tempo em que os confrontos finais seguiam zero a zero.

Zâmbia, atual campeã e eliminada com três empates em três jogos, poderia nas quartas-de-final reencontrar Costa do Marfim (primeira colocada no grupo D), naquela que seria uma reedição da final da última edição. Quiseram os deuses do futebol que não. E, no comparativo pelo que vi até aqui de nigerianos e marfinenses na competição, as Super Águias terão que bater as asas com mais vontade para terem alguma chance de fazerem frente aos Elefantes. Do contrário, serão presas fáceis.

Confira como foi a transmissão da partida entre Etiópia e Nigéria em tempo real através do Twitter (#CAN2013).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Gana Vence Níger, Avança Em 1º, Mas O Juiz...

A seleção de Gana não teve grandes dificuldades para vencer Níger e garantir o primeiro lugar no grupo B na Copa Africana de Nações 2013. Melhor tecnicamente, abriu o placar cedo, contou com erro da arbitragem a seu favor (foi anulado incorretamente o gol de empate nigerino, três minutinhos após os ganeses marcarem o primeiro) e ainda foi às redes outras duas vezes, sacramentando a vitória por 3a0, no estádio Nelson Mandela. Na fase quartas-de-final, Gana enfrentará a sensação Cabo Verde. Mali, que empatou com a República Democrática do Congo (1a1), avança na segunda posição e enfrentará a anfitriã África do Sul.

Falar dos gols de Gana nessa partida com Níger é falar necessariamente de Asamoah Gyan. Não, o atacante da camisa três não conseguiu um hat-trick. Até poderia, pois desperdiçou pelo menos duas chances claras. Mas contribuiu com um gol, uma assistência para Atsu e ainda participou diretamente do terceiro, pois foi em finalização sua que saiu o rebote aproveitado por Boye.

Três gols onde, de uma forma ou de outra, ficaram à mostra algumas das fragilidades de Níger, sobretudo defensivamente, onde a marcação acompanha mais a bola do que o jogador adversário. De toda forma, Níger em momento algum se deu por vencida. Muito pelo contrário: levou o gol de Gyan aos cinco minutos mas reagiu imediatamente, empatando a partida três minutos depois, em lance onde o árbitro senegalês Badara Diatta errou ao marcar infração favorável aos ganeses. Lamentável, pois um equívoco individual que não compete aos jogadores acabou influenciando diretamente no jogo, até porque não podemos saber até que ponto a igualdade no placar mudaria a postura de Gana, time que fica mais à vontade em campo quando em vantagem no marcador.

Atsu marcou o segundo aos vinte e dois (ótimo passe de Gyan pelo alto) e Boye, aos três minutos na etapa final, anotou o terceiro. Gyan poderia conduzir Gana à maior goleada na competição e conduzir a si próprio ao topo na lista de goleadores no torneio, mas não tornou a aproveitar as chances que lhe couberam. Níger, que poderia - e até merecia - marcar pelo menos um gol de honra, acabou parando no goleiro Fatawu Dauda.  Apesar de frágil tecnicamente, a seleção comandada por Gernot Rohr valorizou a vitória oponente, apresentando um estilo de jogo ofensivo, com Maazou dando trabalho ao lado esquerdo de defesa de Gana - pelo lado direito, o defensor Pantsil era soberano. Os 55% de posse de bola para Níger reforçam a idéia de que a superioridade de Gana não justificava um placar tão dilatado. Mas o fato é que Gana avança, tem qualidades perceptíveis e deveremos ter um jogo interessante entre os comandados de James Appiah e a seleção cabo-verdiana, nosso destaque na semana.

Equipe E Jogada Da Semana

No emocionante grupo A na Copa Africana de Nações, a seleção de Cabo Verde conquistou o segundo lugar na chave com uma campanha invicta. Estreou empatando com a anfitriã África do Sul (0a0), depois empatou com a seleção de Marrocos (1a1) e, finalmente, venceu Angola com uma virada onde o gol da classificação saiu nos acréscimos do segundo tempo.

O feito cabo-verdiano é digno dos mais ressoantes aplausos. O país, com cerca de meio milhão de habitantes, participa pela primeira vez na competição continental. Nas Eliminatórias, conseguiu a proeza de passar pela respeitada seleção de Camarões. E agora, em solo sul-africano, aparece para o mundo como exemplo de superação. E o que é melhor: jogando um belo futebol!

É difícil prever até onde essa seleção pode chegar na Copa da África. Mas o trabalho do treinador Lúcio Antunes tem que ser exaltado. A habilidade de jogadores como Ryan Mendes e Platini somada à determinação de toda uma nação que vem passando por cima de qualquer dificuldade que se apresente fazem de Cabo Verde a mais grata surpresa no torneio. Conquistou um torcedor brasileiro.

Jogada da semana

No primeiro clássico carioca em 2013, Botafogo e Fluminense empataram o jogo no estádio Engenhão. E vem dessa partida a jogada da semana. Perceba no vídeo como o lance estava confuso no início, num bate-rebate onde a bola não era de ninguém. O lance que era confuso, tornou-se limpo. A bola que não era de ninguém, encontrou alguém que a merecesse chamar de "minha". Com vocês, a genialidade de Clarence Seedorf, que com apenas dois toques na bola (dois toques de primeira), arrumou a jogada e deixou a redonda, a "sua" redonda na medida para Bolívar marcar o gol de empate.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Botafogo E Fluminense Empatam O Primeiro Clássico Carioca De 2013: 1a1

O Campeonato Estadual no Rio de Janeiro teve na noite do último domingo de janeiro o seu primeiro clássico no ano de 2013. O jogo envolvia simplesmente os atuais campeão e vice na competição. Mesmo assim, público de 10.500 pessoas, o que corresponde a cerca de 25% da capacidade do estádio Olímpico no Engenho de Dentro. Sinal de que o torneio necessita de reformulação em seu modelo de disputa.

A partida em si envolveu dois times desfalcados. O Fluminense mais que o Botafogo: não teve jogadores como Gum, Edinho, Deco e Fred, enquanto o Alvinegro não contou com Lucas nem Renato. Mesmo assim, o atual campeão brasileiro conseguiu desenvolver o seu jogo, até porque o estilo proposto por Abel Braga não tem nenhuma complexidade: marcação firme e saída em velocidade. O Botafogo esteve mais perto de abrir o placar, colocando Diego Cavalieri para trabalhar mais do que o Fluminense fazia em relação a Jéfferson. Só que quem abriu a contagem foi mesmo o Tricolor: Wellington Nem escapou pela direita aproveitando espaço concedido por Márcio Azevedo, tabelou com Bruno e chutou rasteiro, no canto esquerdo.

No segundo tempo, o Fluminense quase ampliou em toque de letra de Valência, defendido por Jéfferson. O excelente goleiro botafoguense ainda voltou a salvar a equipe em lance onde agiu espetacularmente, abafando remate de Wellington Nem e rebatendo a sobra de Jean. E se o Flu não conseguiu aumentar a diferença nessas oportunidades, passou a se ver em apuros com a atuação maiúscula de Clarence Seedorf, que entrou em campo aos sete minutos do segundo tempo. Já na primeira participação da fera nascida no Suriname, inversão de jogo digna de craque: sem olhar, abriu na direita com precisão espantosa. E o gol de empate deu-se em jogada do genial camisa 10 vindo do Milan: Seedorf tocou de lado de primeira, recebeu de volta e, em novo toque de primeira, lançou Bolívar na área. O zagueiro cabeceou para a rede e marcou seu segundo gol na temporada.

O jogo foi perdendo fluidez e ganhando nervosismo, com o acontecimento mais tenso envolvendo dois estrangeiros: Valência se descontrolou e agrediu Seedorf com uma cabeçada. Armou-se um princípio de tumulto, logo contornado graças a atitudes como as de Wágner e Marcelo Mattos, que chegaram para apartar. O árbitro aplicou um cartão amarelo para o colombiano e outro para o holandês. E a partida seguiu, com os ânimos um pouco menos exaltados, mantendo-se os vinte e dois jogadores em campo e os dois gols no placar.

3º colocado no grupo A, o Botafogo tem como próximo adversário o Audax Rio. Já o Fluminense, que lidera o grupo B com o mesmo número de pontos de Flamengo e Audax, enfrenta o Friburguense. Curiosamente, como os times de um grupo enfrentam nessa fase os times da chave oposta, uma vitória de Botafogo e Fluminense nessas respectivas partidas irá ajudá-los mutuamente. O que falta é ajudar o torcedor a encontrar motivos suficientes para marcar presença nos estádios.

Copa Africana De Emoções

Feito o desafio: procure um esporte no mundo, qualquer modalidade que seja, que proporcione mais emoções do que o futebol é capaz.

Hoje, o grupo A na Copa Africana de Nações 2013 justificou isso posto no parágrafo acima. Que desfecho sensacional na chave! Alternâncias na liderança, na dupla de classificados, no choro, na alegria, na lágrima que vem pelo êxtase e que se exala pela frustração. Futebol, você é unico!

Ao mesmo tempo em que Marrocos e África do Sul duelavam em Durban, Cabo Verde e Angola faziam encontro de língua portuguesa na cidade de Porto Elizabeth, extremo sul no continente africano. Aí você pergunta: "tá, e o que de tão interessante poderia sair daí?". Resposta: "tudo". E mais um pouco.

Numa partida bastante movimentada dentro de campo e barulhenta fora dela, sul-africanos, com as bênçãos da torcida vuvuzelante, e marroquinos, fora de casa mas bastante à vontade no gramado, travaram jogo de muitas oportunidades de gol. Marrocos abriu o placar aos nove minutos, quando El Adoua aproveitou cobrança de escanteio de Barrada e indecisão do goleiro Khune para cabecear pra rede. Mas quem ousaria criticar Khune? Ele já havia evitado outro gol adversário minutos antes, barrando tentativa de toque de cobertura de Barrada. Mais tarde, nova intervenção salvadora, dessa vez evitando o que seria um gol de El-Arabi, tendo inclusive abandonado a área para agir como se fosse um líbero.

A África do Sul também teve algumas aproximações do gol, mas não apresentava organização o bastante para ter um volume de jogo capaz de manter Marrocos sob pressão. Mas dos males o menor, pois Angola vencia Cabo Verde por 1a0, placar que colocava, nos intervalos de partidas, Marrocos e África do Sul, nessa ordem, como seleções classificadas. Só que o povo sul-africano em Durban queria festejar com a sua seleção mais do que com o resultado alheio. E pôde festejar aos vinte e cinco minutos do segundo tempo: Rantie deu o passe e Mahlangu, esbanjando categoria, colocou a bola na gaveta esquerda, fazendo do goleiro Lamyaghri mero espectador no lindo lance. Igualdade no placar que fazia os sul-africanos assumirem a liderança na chave, dando aos angolanos o segundo lugar no grupo.

Só que o mundo é dinâmico e o futebol mais ainda. Cabo Verde empatava a partida em Porto Elizabeth, recolocando Marrocos entre os classificados e trazendo Angola para a eliminação conjunta das antigas colônias lusitanas. E a situação marroquina ficou melhor do que nunca aos trinta e seis minutos do segundo tempo, pouco depois do gol cabo-verdiano: Hafidi, que entrou no segundo tempo no lugar de Kaddioui, recebeu cruzamento de Bergdich em liberdade dentro da área. Mais precisamente, dominou a bola na região onde fica a marca do pênalti. E não desperdiçou, recolocando Marrocos em vantagem no placar e na liderança na chave A. Foi linda de ver a imagem do treinador Rachid Taoussi se ajoelhando e beijando o solo, em reverência a Alah - ou seria aos deuses do futebol?

A apreensão passou toda ela para os jogadores - e torcedores - da África do Sul. Com a derrota aqui e o empate lá, bastaria um gol de Cabo Verde para eliminar os anfitriões. De eliminação na primeira fase jogando em casa, bastava aquela no grupo A na Copa do Mundo de 2010, não é verdade? Então, aos quarenta e um minutos, Durban explodiu em alegria: Mahlangu dividiu com a defesa marroquina e a bola chegou limpa até Sangweni, que descolou finalização parecida com a do autor da assistência, chutando cruzado no canto esquerdo, só que rasteiro em vez de pelo alto. Era a África do Sul mais uma vez alcançando o empate e retomando a liderança no grupo.

Só que a maior emoção na rodada estava guardada para os acréscimos. Em Porto Elizabeth, Cabo Verde virou o jogo diante de Angola, assumindo a vice-liderança na chave e ultrapassando Marrocos. Em Durban, o 2a2 se manteve, ratificando a primeira colocação para o país-sede. As vuvuzelas ressoaram e, tenho certeza, a população sul-africana está em festa até agora. Assim como festeja cada um dos quinhentos mil habitantes cabo-verdianos, que em plena primeira participação na Copa da África, arranca uma classificação digna dos grandes heróis. Isso é a vida. Isso é o futebol.
Heldon comemora o gol marcado nos acréscimos: Cabo Verde venceu Angola de virada e avançou às quartas-de-final na Copa Africana de Nações em sua primeira participação no torneio.

Napoli Vence Parma No Ennio Tardini E Encosta Na Juventus

Que jogão!

O Napoli foi até a cidade de Parma para tentar diminuir a distância que o separa do topo da tabela no Campeonato Italiano 2012-3, afinal, a Juventus havia empatado com o Genoa no dia anterior. Só que o Parma, em 10º lugar na tabela de classificação, planeja se aproximar da zona de classificação para as competições européias. De quebra, a equipe comandada por Roberto Donadoni estava invicta jogando em seu estádio, o Ennio Tardini. Pois é, estava. O Napoli foi lá é quebrou essa invencibilidade, vencendo o jogo por 2a1. Jogo não, jogão de bola.

Escalado ofensivamente, o Parma logo imprimiu um ritmo intenso na busca pelo gol. Belfodil, Biabiany e Sansone eram os atacantes que a todo momento procuravam se infiltrar na bem postada defesa napolitana. Recuado para atrair os donos da casa e preparado para avançar em contra-ataques, o Napoli era objetivo quando com a posse de bola. E conseguiu abrir o placar aos dezenove minutos: Dzemaili enfiou a bola rasteira e Hamsik, de carrinho, desviou a trajetória para tirar do goleiro Mirante. 1a0 para os visitantes.

Se o jogo já estava bom antes do primeiro gol acontecer, ficou ainda melhor depois disso. Morgan de Sanctis e Antonio Mirante fizeram defesas sensacionais, cada qual pelo menos duas vezes, evitando ou o empate ou a ampliação do resultado, respectivamente. E, num jogo tão frenético e de tanta busca pelo gol, não foram só os goleiros que realizaram intervenções salvadoras: o zagueiro Cannavaro, num determinado momento, foi heróico para tirar com a cabeça uma bola que já havia passado por De Sanctis, afastando praticamente em cima da linha final.

Veio e a etapa complementar e a partida continuou interessante. É sempre legal ver um jogo onde as duas equipes atuam pelo gol. O Parma, com a posse de bola. O Napoli, contra-atacando. Mas sempre buscando o gol. As chances mais agudas eram dos donos da casa que, aos vinte e quatro minutos, tiveram um reforço em seu ataque: entrou o centroavante brasileiro naturalizado italiano Amauri no lugar do meio-campista Rosi. E, cinco minutinho depois de entrar, Amauri fez o passe na esquerda, Sansone cruzou fechado e Cannavaro teve a infelicidade de desviar para a própria rede. 1a1.

Cannavaro tinha crédito, fazendo grande partida e, ao lado de Campagnaro e Britos, formando uma defesa de gigantes diante de um adversário que parecia não cessar de atacar. Só que, após chegar à igualdade no placar, o Parma diminuiu o ritmo - ou talvez a intenção de se expôr aos contra-ataques adversários, quase sempre perigosos. E passaram a ser do Napoli as chances mais acentuadas de chegar ao gol. Edinson Cavani, que na rodada passada atingiu a marca de 100 gols na Série A italiana, desperdiçou pelo menos três oportunidades nessa partida. Coisa rara para o uruguaio.

Walter Mazzarri fez uma última substituição onde conseguiu ampliar a velocidade de transição pelos dois flancos do campo numa tacada só: tirou Mesto e colocou Armero para fazer sua estréia, deslocando Zúñiga para o outro extremo de campo e deixando seu compatriota atuar pela esquerda, seu setor de origem. Mirante e Cavani faziam partidas opostas: o goleiro fechava o gol e o goleador ou parava na muralha ou errava a mira. Mas no futebol, nada é para sempre. E, aos trinta e nove, Cavani recebeu ótima enfiada de bola de Insigne, fintou Mirante e mandou pra rede. 2a1 Napoli.

As chances de gol continuaram acontecendo nos minutos finais de uma das melhores partidas na temporada italiana. Na maior delas, Cavani chutou longe. Mas, se alguém tem crédito com essa camisa azul celeste, esse alguém é Edinson Cavani. Agora, com quarenta e seis pontos, o Napoli fica a apenas três da Juventus. Na próxima rodada, recebe o Catania no estádio San Paolo - a Juve pega o Chievo, em Verona. Já o Parma, com trinta e um pontos, fará confronto direto em sua investida por uma competição continental: enfrenta a Fiorentina, sexta colocada, com trinta e seis, em Florença.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Genoa Arranca Empate Em Pleno Estádio Juventino

Futebol é futebol, e vice-versa. Hoje assisti ao segundo tempo de Lazio e Chievo e à totalidade da partida entre Juventus e Gênova. Vamos aqui focar no jogo que assisti inteiro, mas o recado inicial vale para ambas as partidas. A Lazio, terceira colocada, era favorita para enfrentar o Chievo. Tão favorita que poupou alguns titulares, pensando na partida que fará terça-feira, com a Juventus, pela Copa da Itália. Resultado: Chievo 1a0, em pleno estádio Olímpico de Roma. Melhor para o Chievo, que não tinha nada com as supostas prioridades e expectativas do adversário, venceu a partida no campo oponente e ultrapassou, pelo menos provisioriamente, o Torino, assumindo o 11º lugar. E a Juve? Falemos nos próximos parágrafos.

Atuando dentro de casa, contando com o apoio da barulhenta torcida que tanto apóia o clube, o atual líder no Campeonato Italiano (e atual campeão invicto) recebeu o Genoa, equipe situada na zona do rebaixamento, em 18º lugar. Não há nem o que se discutir sobre favoritismo para uma partida como essa. A Juve, mesmo desfalcada de jogadores como Chiellini, Pirlo (ambos no estádio, assistindo o jogo na fria noite de Turim) e Asamoah (com a seleção de Gana na Copa das Nações Africanas), possui time muito mais forte que o adversário da cidade de Gênova. Gênova, cidade onde também tem sede a Sampdoria. Lembram do jogo entre Juventus e Samp?

É, pessoal. Talvez a Juve não tenha aprendido as lições daquela partida com a genovesa Sampdoria. Fez um primeiro tempo burocrático, de poucas criações de jogadas, aceitando a marcação imposta pelo adversário. Teve duas chances claras de gol, uma com Marchisio e outra com Quagliarella, mandando ambas para fora. Assim sendo, fica (mais) difícil entender como um jogador do perfil de Giovinco não tenha sido escalado como titular - ou o que talvez seja pior, não tenha sido colocado já (leia-se ainda) no intervalo. Apesar de voltar com os mesmos jogadores, a Juve teve mais atitude no segundo tempo. Avançou suas peças, pressionou o adversário. E, com justiça, abriu o placar: aos oito minutos, Vucinic deu bela enfiada de bola para Lichtsteiner e do lateral suíço veio o passe rasteiro final, aproveitado por Quagliarella. Deveriam dar metade da assistência para ele e outra para o montenegrino.

Davide Ballardini deve ter percebido que não seria com aquela postura que o Genoa fosse conseguir alguma coisa naquele jogo. Então, trouxe para campo Andrea Bertolacci e Marco Borriello. Borriello é um jogador de área que circulou times expressivos na Itália, como Milan, Roma e... Juventus. Estava no grupo campeão italiano invicto, isto é, temporada passada. E, vindo do banco de reservas do Genoa, eis que, aos vinte e dois minutos do segundo tempo, Jurajo Kucka fez ótima jogada pela direita, se livrou da marcação de De Ceglie e cruzou... gol de Borriello, que nem comemorou, no que vejo como um excesso de respeito por uma instituição onde só atuou por seis meses. De toda forma, toda manifestação de respeito é bem-vinda, e a comemoração ficou por conta dos companheiros de time. 1a1.

Se Ballardini precisou ficar atrás no placar para mexer na equipe, Antonio Conte precisou ver a equipe ceder o empate para fazer uma alteração. E colocou Giovinco, tirando Quagliarella. Ou seja, pôs alguém que já deveria estar em campo e tirou alguém que poderia permanecer. De toda forma, a Juve criou chances para desempatar a partida. Giovinco colocou uma bola na trave em cobrança de falta. Sebastien Frey realizou grandes defesas em remates quase sempre dados com muita força. E o único brasileiro em campo, Matuzalém, também apareceu bem, evitando que um rebote após defesa de Frey pudesse ser alcançado por Vucinic. O Genoa passou os últimos minutos com um jogador a menos, pois Antonio Floro Flores deixou o campo de jogo contundido num momento em que já não podia ser substituído. E a equipe visitante, de maneira heróica, afastava o perigo do jeito que dava, com todos seus jogadores entre a intermediária defensiva e a própria área. Não havia mais atacantes, meias e volantes, eram todos defensores. Defensores que ainda contaram com a ótima atuação de Frey para garantir o ponto fora de casa diante da líder.

Após o apito final, o árbitro Marco Guida foi cercado por diversos juventinos, incluindo o treinador Conte, que esbravejou. Estava provavelmente reclamando de algum pênalti não marcado: houve um puxão de camisa em Vucinic, aos trinta e quatro, e um toque de mão de Granqvist, aos quarenta e sete. O segundo lance chamou mais atenção, tanto pela estética quanto pelo momento do jogo. Mas, pareceu-me involuntário, sendo correta a marcação de escanteio. Motivo para esbravejar mesmo quem tem são os torcedores bianconeros, que merecem uma explicação sobre algumas decisões do treinador.

E parabéns ao Genoa, que com esse empate ganha novo fôlego para fugir da zona de descenso.

No mais, futebol é futebol. E vice-versa.

Elefantes Esmagam Tunísia: 3a0

Respeitável público, a seleção da Costa do Marfim deixou ótimas impressões nesse blogueiro. Não apenas pelo já sabido forte elenco à disposição do francês Sabri Lamouchi, que conta com diversos jogadores titulares em seus respectivos clubes em torneios como a poderosa Premiership (o Campeonato Inglês), mas sobretudo pela maneira como consegue impôr ao jogo o ritmo desejado pelo time. Começou a partida em ritmo acelerado, mesclando jogadas pelo centro com investidas pelos flancos, marcou 1a0, diminuiu o ritmo, manteve a Tunísia longe de sua área, até que, no final, tratou de transformar a vitória em goleada. Há uma ou outra coisa a ser melhorada na equipe marfinense, mas pelo conjunto geral da obra, estamos aqui falando de uma fortíssima candidata ao título nessa Copa das Nações Africanas 2013.

Pra início de conversa, há que se dizer que o (aparentemente) simples fato de se colocar Didier Drogba no banco e se optar por Salomon Kalou entre os titulares já deve ter causado um impacto no que seria o jogo, principalmente os primeiros minutos de jogo. Afinal, qual tunisiano poderia imaginar o astro Drogba na condição de suplente? Com isso, a Costa do Marfim ganhou mobilidade no ataque e rapidamente conseguiu colocar a defesa adversária na roda, em apuros com tamanha troca de passes. Lacina Traoré e Gervinho se destacavam, conseguindo desenvolver a maioria das principais jogadas de ataque. Talvez todas, se bobear. E a abertura do placar acabou se dando em jogada linda envolvendo os dois: após rápida tabela com direito a toque de letra desconcertante de Traoré, Gervinho saiu na cara do goleiro e não desperdiçou, estufando a rede no canto esquerdo, aos vinte minutos.

A Tunísia não conseguia reagir para buscar o empate, até porque o setor de meio-campo marfinense era soberano territorialmente: Christian Romaric, Didier Zokora, Cheikh Tioté e Yaya Touré compunham o setor de maneira que a Costa do Marfim conseguia manter o controle das ações por completo. Talvez, se optasse por acelerar a transição ao ataque e retomar o ritmo percebido nos minutos iniciais, pudesse ter mais chances de ir para o intervalo com maior vantagem no placar. No segundo tempo, uma outra boa jogada envolvendo Gervinho terminaria em gol, mas o auxiliar errou ao marcar impedimento do jogador do Arsenal. Não havia e esse não foi o único erro do cidadão senegalês, que, a exemplo da defesa tunisiana, parecia não conseguir acompanhar o dinâmico ataque marfinense.

Porém, nem tudo são flores na seleção laranja: aos trinta e sete minutos, Tioté foi ao tornozelo de Youssef Msakini em entrada violenta. Para sorte do camisa sete da Tunísia, seu destino não foi o mesmo de Elano na Copa do Mundo 2010, que teve sua participação no torneio também realizado em solo sul-africano após dividida com o mesmo Tioté. Msakini foi atendido e conseguiu continuar não apenas na competição, como também no jogo. E dois minutos depois, participou de ótima jogada de ataque, que começou pela esquerda, foi ao lado direito e retornou após Tioté rebater mal (veja só), sobrando para Saber Khalifa, que emendou de voleio e parou em defesa de Boubacar Barry, bem posicionado.

No futebol as coisas acontecem muito depressa e a chance que uma seleção tem de empatar a partida, quando não aproveitada, pode não se repetir jamais. E foi o que aconteceu. Dois minutos depois daquela oportunidade tunisiana, Costa do Marfim se lançou ao ataque e tratou de marcar o segundo gol: após passe de Siaka Tiéné, Yaya dominou, arrumou e chutou. Tudo com o máximo de simplicidade e eficiência, mandando a bola caprichosamente no canto esquerdo, com a parte interna do pé, numa finalização que muitos não conseguem colocar aquela força nem pegando de bico. Golaço.

Enquanto a seleção marfinense comemorava o gol que naquele momento encaminhava a segunda vitória dos Elefantes na competição, Lamouchi conversava na beira de campo com Didier Ya Konan, preparando a última substituição no jogo (já havia colocado Drogba no lugar de Traoré e Max-Alain Gradel no lugar de Kalou). Ya Konan acenava positivamente com a cabeça, como quem concordasse com tudo que o treinador dizia. Parecia até algo do tipo: "deixa eu entrar logo em campo, a parada já tá resolvida e eu só quero participar da festa". Então, que tal "participar da festa" sendo abraçado pelos companheiros? Aos quarenta e quatro, Ya Konan recebeu assistência de Gervinho e chutou rasteiro, no canto direito, marcando o terceiro da equipe.

Os tunisianos até tiveram duas chances de diminuir a desvantagem e amenizar o prejuízo no saldo de gols, mas pararam em duas defesas de Barry: aos quarenta e seis, no mais puro reflexo após cabeceio para o chão e, no minuto seguinte, em chute rasteiro de média distância. Mas a Tunísia não tem muito o que lamentar, pois encarou um adversário visivelmente superior e, mesmo com o revés, a seleção comandada por Sami Trabelsi depende apenas de si para avançar às quartas-de-final, uma vez que estreou vencendo a Argélia (1a0). Costa do Marfim, com vinte e seis jogos de invencibilidade e a classificação encaminhada (se a Argélia não vencer Togo no jogo que completa a segunda rodada, já entrará em campo classificada), deve ser vista pelos outros quinze participantes como o maior adversário a ser superado. Na opinião deste blogueiro, já é.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Mesmo Com Homem A Menos, Burkina Goleia Etiópia: 4a0

Burkina Faso tratou de colocar um ponto final na sequência de empates por 1a1 que vinham tomando conta do grupo C na Copa Africana de Nações. Pior para a Etiópia, que levou uma goleada de 4a0 em jogo que estava totalmente em aberto até lá pros trinta minutos do segundo tempo.

Aliás, esse foi provavelmente o melhor jogo que este blogueiro assistiu até agora no torneio que acontece na África do Sul, dois anos e meio após o Mundial que também aconteceu por lá. Muito mais focadas em atacar do que em defender, as duas seleções proporcionaram uma dinâmica acelerada na partida disputada no estádio Mbombela.

Chances de gol não foram poucas, elaboradas muitas das vezes a partir de tabelas ligeiras. A primeira delas foi absolutamente sensacional: aos três minutos, os etíopes se lançaram ao ataque e, em rápida troca de passes envolvendo quatro jogadores, Salahdin Said Ahmed recebeu, deu maravilhoso passe de calcanhar desmontando a defesa burquinense e encontrando Shimeles Bekele Godo que, livre, colocou cruzado a bola caprichosamente na trave esquerda, por muito pouco não abrindo o placar.

A Etiópia tinha qualidades fáceis de serem percebidas. Talvez a maior delas fosse a capacidade de fazer o jogo fluir da defesa para o ataque. Aos dez minutos, o setor de meio-campo etíope teve uma baixa: contundido, Adani Girma deixou o gramado com os olhos lacrimejando. Behalu Assefa foi o escolhido para entrar na equipe em substituição ao camisa dezenove. Aos poucos, a flagrante superioridade da equipe comandada por Sewnet Bishaw foi dando lugar a um jogo equilibrado, onde Burkina Faso conseguia chegar cada vez mais ao ataque.

Aos vinte minutos, Wilfried Sanou aproveitou rebote e mandou para a rede, mas o auxiliar acertou ao alegar impedimento no lance, anulando o gol corretamente. Só que aos trinta e três, não teve jeito: após forte pressão que começou com ótima jogada pelo lado esquerdo, Burkina abriu o placar em Nelspruit. Aristide Bancé tentou primeiro, mas seu remate foi bloqueado na defesa etíope. Na sequência do lance, Charles Kaboré fez ótimo passe e Alain Traoré finalizou melhor ainda, chutando no canto direito. 1a0 Burkina Faso. Lembrando que Traoré foi o autor do gol de empate nos acréscimos da partida de estréia, tenho começado aquele jogo com a Nigéria na condição de suplente.

A partida manteve o resultado até o intervalo e, aos cinco minutos do segundo tempo, o goleiro Abdoulaye Soulama Traoré quase levou um gol bobo, sendo desarmado parcialmente por Shimeles Bekele e depois se recuperando no lance. Oito minutos depois daquele indício de lambança que quase custou o empate, Abdoulaye Soulama cometeu outro vacilo, saltando para recolher a bola com as mãos fora da área. Apenas alguns centímetros fora da área, mas o suficiente para caracterizar a infração, punida pelo árbitro Bernard Camille, de Seicheles, com o cartão vermelho. O jogo ficou pelo menos seis minutos parado até que se expulsasse Soulama, se realizassem duas substituições em Burkina Faso (Sanou saiu para a entrada do goleiro Daouda Diakité e Bancé deu lugar para Florent Rouamba) e se cobrasse, finalmente, a falta frontal - Assefa parou na primeira defesa de Diakité.

Se os três jogos anteriores haviam terminado em 1a1 e agora a equipe em vantagem por 1a0 jogava com um homem a menos, não eram poucos os motivos para crer que estava se desenhando mais uma vez o tão repetido placar, hegemônico na chave C. A Etiópia concentrava suas atenções ao campo de ataque e Burkina parecia condenada a passar o resto do jogo tentando aguentar a pressão que estava por vir. Só que não. Pelo menos não quando se tem alguém como Traoré: aos vinte e oito minutos, ele tabelou com Jonathan Pitroipa e descolou chute espetacular, pegando na veia para estufar a rede no canto direito. Golaço e 2a0 Burkina, no terceiro gol do atual goleador isolado na competição. Relembrando: era reserva até entrar e marcar o gol de empate nos acréscimos do jogo de estréia.

Se o 2a0 dava maior tranquilidade para a equipe comandada pelo belga Paul Put, o que dizer então quando, cinco minutos depois, o time alcançou o terceiro gol? A defesa etíope vacilou, Djakaridja Koné (nascido na Costa do Marfim) recuperou a posse de bola, tabelou com Patroipa e chutou rasteiro. 3a0 Burkina Faso e desespero da torcida etíope, que marcava presença em peso nas arquibancadas e a essa altura muitos já estavam às lágrimas, decepcionados com o anunciado revés numa partida onde o cenário se desenhava favorável para pelo menos buscar o empate.

A Etiópia não se entregou, mas também não conseguia criar chances mais agudas. Uma das poucas chegadas mais efetivas deu-se aos trinta e sete, quando Sahladin Said chutou forte e Diakité, com dificuldades, defendeu em dois tempos. Dois minutos depois, um homem entrou no gramado e se jogou na rede onde os etíopes buscavam colocar a bola. Parecia uma pessoa feliz, talvez mostrando o caminho do gol aos seus conterrâneos, talvez apenas celebrando a existência num momento de êxtase em meio a um esporte tão apaixonante. Foi pego pela força de segurança e levado para fora. Festejar já foi algo mais liberado do que é nos dias de hoje.

Aos quarenta e quatro minutos, a partida que era jogada de maneira limpa teve uma agressão lamentável de Siyoum Tesfaye Moges, que jogou a sola da chuteira num adversário que já estava caído e com o jogo parado. Siyoum Tesfaye já tinha amarelo, mas nem era necessário um para justificar expulsão, pois a ocorrência era para cartão vermelho direto. Só que Bernard Camille preferiu "resolver" a situação com uma rápida advertência verbal em Tesfaye, sinalizando que viu o que aconteceu. É evidente que, se viu mesmo, não aplicou a regra com o mesmo rigor de quando expulsou o goleiro, que sequer havia agredido ninguém. De toda forma, o rompante de Tesfaye foi um fato isolado e não houve nada que agravasse a situação: nem lesão nem confusão sucederam a entrada violenta.

Com a indicação de sete minutos de acréscimo (lembrando que foram seis minutos de paralisação só no lance da expulsão de Soulama), já não havia muito o que fazer. Mas faltava o gol de alguém. Mais precisamente de um jogador que havia dado as assistências para os dois últimos gols da equipe de Burkina Faso. E, em nova falha defensiva etíope, Wilfred Benjamin Balima, que acabara de entrar no lugar de Kaboré, recuperou a bola próximo ao meio-campo, avançou e serviu Patroipa, que fechou a conta, aos quarenta e nove. 4a0 Burkina Faso, única seleção a até agora marcar mais de dois gols num mesmo jogo nessa edição de Copa da África.

Said quase marcou o gol de honra aos cinquenta e um, com a bola passando perto da trave direita. O semblante de tristeza de elenco e torcedores etíopes contrastava com a alegria dos burquineses. Reações que denunciam a condição de lanterna e líder. Mas, dado o equilíbrio no grupo, tudo pode acontecer. Burkina Faso está a um empate da classificação (vitória sobre Zâmbia garante liderança no grupo). Já a Etiópia precisa vencer a Nigéria e torcer para que Zâmbia não vença Burkina. Ou seja, na terceira rodada, a alegria de Burkina poderá ser também a alegria etíope na África do Sul. Está nas mãos dos deuses do futebol.

Zâmbia E Nigéria Empatam Em Grupo 100% 1a1

A atual campeã africana Zâmbia e a tradicional Nigéria (duas vezes campeã no torneio) empataram por 1a1 no estádio Mbombela. Nos três jogos disputados nesse grupo C, todos os placares foram o mesmo. Ou seja, fortes emoções à vista para a última rodada, independentemente do resultado de Etiópia e Burkina Faso, que se enfrentam logo mais.

Não assisti o primeiro tempo dessa partida entre Zâmbia e Nigéria, mas vi um segundo tempo movimentado. Movimentação essa que se deve ao razoável poder de transição de ambas as seleções ao ataque e também ao número de faltas (27), bem abaixo da elevada média vista até aqui na Copa Africana de Nações 2013.

A Nigéria abriu o placar aos onze minutos da etapa complementar, com o participativo centroavante Emmanuel Emenike. Aliás, friso aqui que trata-se de um jogador interessante: porte físico avantajado, explosão, boa pontaria. O imagino atuando numa liga como a Série A italiana, até porque tem características parecidas com os homens de referência, mas não se limita a mera função de "trombador". Teve um lance simbólico, pouco antes do gol, onde ele conseguiu levar vantagem numa disputa de bola com três adversários mais o goleiro. Esticou o pé, encobriu o arqueiro e mandou a bola perto da trave direita, quase marcando um golaço. Enfim, aos onze Emenike foi recompensado pelo esforço incessante: aproveitou assistência de John Obi Mikel e colocou a bola no canto direito, com chute firme, indefensável. 1a0 Nigéria.

Senti Zâmbia crescendo na partida, mas crescer na partida não quer dizer necessariamente estar pronto para empatar o jogo. Ainda mais quando o goleiro oponente trata-se de Vincent Enyema. Impressionante como agarra bem o homem. É no jogo aéreo, é saindo por baixo, é saltando para espalmar, é do jeito que for. Esse aí é daqueles pra atuar num clube grande europeu.

Embora frequentando mais o campo de ataque do que antes (não sei no comparativo ao primeiro tempo), Zâmbia carecia de um poder de infiltração. Até que caiu do céu a maior oportunidade de empate: Emmanuel Mayuka se enroscou com Ogenyi Onazi, ambos caíram e o árbitro egípcio Ghead Grisha marcou pênalti no lance. Eram trinta e oito minutos do segundo tempo e dificilmente Zâmbia teria outra chance como essa. Bateu  um pressentimento no blogueiro de que era o contexto sob medida para consagrar o goleiro. O que não esperava é que isso se confirmaria de maneira diferente da imaginada: Kennedy Mweene, goleiro de Zâmbia, se apresentou para a cobrança. E com uma categoria impressionante, partiu pra bola olhando mais para Enyeama do que para a redonda e colocou o objeto esférico caprichosamente no ângulo esquerdo. Indefensável. Mweene deu dois ou três passos para o lado, se ajoelhou no gramado e agradeceu aos céus, repetindo "Thank you, God". Foi a consagração. Detalhe: Mweene já havia defendido penalidade de Mikel no primeiro tempo (lance que não vi, mas que acabo de ler na internet).

Na terça-feira, dia 29, Zâmbia pega Burkina Faso enquanto Nigéria enfrenta Etiópia. E a situação é simples: venceu, segue. Perdeu, adeus. Se empatar, vai saber. Mais empatado do que esse grupo está até o momento é matematicamente impossível.

1984 + 2013 = Santos Bicampeão Na Copa São Paulo

Um grande público presente no Pacaembu testemunhou, no dia do 459º aniversário da cidade de São Paulo, o segundo título do Santos na Copa São Paulo de Juniores. Com jogadores talentosos no elenco - e isso porque atletas como Victor Andrade, Felipe Ânderson e Gabigol já integram o elenco profissional e por isso não participaram no torneio -, a equipe do Santos foi quase sempre superior ao Goiás na partida derradeira.

Não que tenha sido um time envolvente, longe disso. Mas foi perspicaz o suficiente para construir a vitória por 3a1. Já no primeiro tempo, os santistas conseguiram dois gols, indo para o vestiário com uma vantagem relativamente confortável. Acontece que não demorou muito para o Esmeraldino demonstrar uma nova atitude após o intervalo. Se na etapa inicial a zaga goiana "bateu cabeça" e facilitou as coisas para o ágil ataque santista, no segundo tempo o time do Goiás se lançou ao ataque, diminuiu a desvantagem e teve grande chance para empatar a partida, mas desperdiçou a cobrança de pênalti a que teve direito. Mais tarde, o Santos conseguiu marcar o terceiro, reestabelecendo a vantagem de dois gols, que não mais se alterou até o apito final.

De destaque, colocaria ambos os goleiros (Gabriel Gasparotto e Paulo Henrique atuaram bem e evitaram novos gols na partida), os meio-campistas Pedro Castro (do Santos) e Túlio (do Goiás) também mostraram qualidade, jogando com grande aplicação tática e de cabeça erguida, pensando a partida. O meia Liniker oscilou, mas mostrou habilidade, tendo a infelicidade de chutar para fora o pênalti que poderia dar o empate ao Goiás no início do segundo tempo. Arthur, autor do gol goiano aos dois minutos do segundo tempo (entrou no intervalo), mostrou oportunismo e boa movimentação. Mas os dois elementos de ataque que mais "bagunçaram" as coisas foram Neílton e Giva. A jogada do último gol da Copinha deu-se em bela tabela entre os dois, concluída pelo segundo. E se este blógui tem ultimamente criticado as arbitragens, cabe agora um elogio: Leonardo Ferreira de Lima esteve bem e pareceu coerente tanto nas infrações assinaladas quanto na distribuição de cartões.

Espero que não demore para muitos desses meninos brilharem em jogos pela Série A nacional. Parabéns ao Santos e também ao Goiás, pois não é tarefa simples chegar a uma final numa competição que praticamente já nasce em caráter eliminatório e é disputada muitas das vezes em condições adversas (temperatura, tempo de descanso, qualidade do gramado etc).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Goleiros Garantem Igualdade Entre Níger E República Democrática Do Congo

Completando a segunda rodada no grupo B na Copa Africana de Nações (mais cedo houve o jogo em que Gana venceu Mali por 1a0), Níger e República Democrática do Congo não mexeram no placar em Porto Elizabeth, extremo sul sul-africano.

Foi mais um daqueles jogos em que tivemos chutes de menos e faltas demais. Pior para o futebol. Na rodada derradeira, tanto Níger quanto República Democrática do Congo entram com a obrigação de vencer para avançar no torneio. Seus respectivos adversários serão Gana e Mali.

Consegui enumerar oito chances claras de gol ao longo da partida. Nessas ocasiões, foram três remates para fora, quatro grandes defesas (duas de cada goleiro) e uma finalização na trave. Aliás, a finalização na trave aconteceu no início de jogo: aos três minutos, um vacilo na defesa congolesa (especialmente do zagueiro Larrys Mabiala) permitiu que Issa Sidibé avançasse livre. Ele avançou, pensou o lance e chutou consciente, carimbando o pé da trave esquerda, em remate cruzado que não entrou por detalhe. Aos doze, ótima resposta da República Democrática do Congo: Patou Kabangu fez cruzamento sensacional de trivela, Dieumerci Mbokani amorteceu no peito, ajeitou com a cabeça e, sem deixar a bola quicar, chutou cruzado. Seria um golaço. Não foi porque Daouda Kassaly fez excepcional defesa no canto esquerdo.

O primeiro tempo ainda teve pelo menos uma ótima oportunidade para cada lado. Na de Níger, Mohamed desperdiçou chance após novo erro de Mabiala, que parecia determinado a entregar o ouro aos adversários. Na da República Democrática do Congo, Mbokani ficou cara-a-cara com Daouda e teve a finalização bloqueada em nova grande intervenção do arqueiro nigerino.

Vi gente afirmando categoricamente que a seleção congolesa é bastante superior a de Níger. Talvez seja mesmo, embora não tenha se refletido nos acontecimentos dessa partida. Mas o comentário que realmente me incomodou foi o de Lédio Carmona, chamando a seleção de Níger de "fraquíssima", mesmo com a equipe mostrando boa organização tática e poder de aproximação. O time comandado pelo alemão Gernot Rohl deve ser valorizado principalmente pelo fato de se ter do outro lado, pelo menos teoricamente, um oponente mais qualificado. Não vi essa tal seleção "fraquíssima", mas ouvi um comentarista "fraquíssimo". Deveria haver da parte dele mais respeito com a equipe, no mínimo.

Enfim, as duas maiores chances na etapa complementar para se tirar o zero do placar foram... de Níger. Aos catorze, Moussa Maazou cabeceou buscando o canto direito e Muteba Kidiaba saltou para segurar, sem nem dar rebote. Muteba Kidiaba, aquele mesmo que fechou o gol do Mazembe diante do Internacional. Aliás, daquele time vice-campeão mundial e que eliminou o Colorado antes da final com a Internazionale, ainda haviam os autores dos gols - o já mencionado Kabangu e Dioko Kaluyituka, que o substituiu no segundo tempo. Mas a maior defesa de Kidiaba aconteceria no final da partida: aos quarenta e oito, o "quicante" goleiro congolês foi buscar chute de Boubacar Talatou no canto esquerdo, decretando a manutenção da igualdade no placar.

Para quem quiser relembrar como foi aquele Mazembe 2a0 Internacional, temos o tópico Do Congo Para Abu Dhabi - A Zebra Que Vem Quicando.

Eficiente E Ajudada, Gana Vence Mali Por 1a0

Gana e Mali fizeram duelo equilibrado no estádio Nelson Mandela Bay. A grande questão que se coloca sobre a vitória ganesa por 1a0 (gol de Wakaso Mubarak, cobrando pênalti aos trinta e sete minutos de jogo) é a seguinte: será que as coisas aconteceriam da mesma forma caso o árbitro marfinense Noumandiez Desire Doue tivesse aplicado a regra em lance-chave aos cinco minutos de partida? A pergunta é praticamente retórica: provavelmente, não.

O lance em questão deu-se quando Mali se lançou ao ataque e o sistema defensivo de Gana vacilou, em especial o goleiro Fatawu Dauda, que escorregou na saída da área e, fora dos limites da mesma, evitou a finalização de Cheick Diabate pegando a bola com a mão. Lance característico de cartão vermelho para o goleiro, por impedir ilegalmente uma ocasião clara e evidente de gol. Acontece que o árbitro Noumadiez Doue deu cartão amarelo, beneficiando Gana a permanecer com onze jogadores no gramado, para revolta do capitão malinês Seydou Keita, ex-Barcelona e um dos melhores em campo.

Na cobrança de falta originada nesse lance, Keita colocou a bola caprichosamente no canto direito. Talvez um gol para Mali nesse momento fosse uma espécie de redutor das injustiças, mas quiseram os deuses do futebol que a redonda passasse para fora, perto da trave direita. Aliás, muito perto da trave direita.

Mali era mais arisca e impunha maior velocidade, com Keita organizando bem as jogadas. Mas Gana, aos poucos, foi conseguindo encaixar seu jogo. O jogo de Gana, aliás, não é lá um jogo daqueles que estamos acostumados a ver no continente africano: trata-se de uma equipe calculista, bem distribuída em campo e que ataca com cautela típica das mais tradicionais escolas européias. Numa dessas investidas da tática e técnica equipe comandada por James Appiah, pintou um pênalti. Wakaso Mubarak cobrou firme no canto esquerdo e Mamadou Samassa acertou o lado, mas sem conseguir chegar na bola. 1a0 Gana em Porto Elizabeth, cidade onde a Holanda venceu e eliminou o Brasil na Copa 2010.

No segundo tempo, o ritmo imposto por Gana e pelas recíprocas entradas faltosas ditaram um andamento lento na partida. Diria até entediante. O estádio, com público de fazer lembrar a rotina do Engenhão, foi outro ponto negativo. Deu saudades do som das vuvuzelas. De toda forma, acho que devemos ter em mente que por mais que haja muita qualidade pela seleção de Gana (há no elenco diversos jogadores que ajudaram a levar a seleção até as quartas no Mundial 2010), precisa-se ressaltar a relevância daquele lance aos cinco minutos, o lance do vermelho que virou amarelo. São ruins as primeiras impressões que esse blogueiro vai tendo da arbitragem na Copa das Nações Africanas, o que remete a um cenário global onde as questões do apito não caminham bem.

Com a vitória, Gana lidera o grupo B, que hoje terá ainda o duelo entre Congo e Níger. Na última rodada, Gana se classificará mesmo empatando com Níger. Mali depende apenas de si: se vencer o Congo, garante vaga na fase quartas-de-final. Passe quem passar, que possamos falar mais de gols e jogadas de efeito do que de árbitros e auxiliares.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Cabo Verde E Marrocos Alternam Domínio E Empatam: 1a1


Fortes emoções à vista pelo grupo A na Copa Africana de Nações 2013. Concluída a segunda rodada, a África do Sul lidera com quatro pontos, seguida por Cabo Verde e Marrocos (ambos com dois pontos, um gol pró e um gol contra, isto é, com campanhas idênticas). Até a lanterna Angola (um ponto) irá para a última rodada dependendo apenas de si para se classificar. Os jogos serão entre África do Sul e Marrocos (sul-africanos a um empate da vaga) e Cabo Verde e Angola.

Hoje, a África do Sul venceu Angola por 2a0. Mais tarde, Marrocos e Cabo Verde terminaram empatados por 1a1. E é dessa partida que vamos falar um pouco mais agora.

Primeiramente, há que se dizer que jamais havia visto Cabo Verde jogar. Pra ser sincero, sequer sabia que o arquipélago colonizado pelos portugueses tinha uma seleção de futebol. Não apenas tem como fez belo primeiro tempo na cidade de Durban. Jogadores como Ryan Mendes e Platini tiveram atuação digna de elogios, por muitas vezes ditando o ritmo do jogo e envolvendo a defesa marroquina com tabelas e jogadas individuais.

Não poderia ter sido com personagens melhores que o placar fosse inaugurado: aos 35 minutos, Mendes fez o passe sob medida e Platini, com cavadinha categórica, encobriu o goleiro Nadir Lamyaghri. 1a0. Aliás, se não fosse o arqueiro do Marrocos, a essa altura já poderíamos estar falando do segundo ou terceiro gol cabo-verdiano.

No segundo tempo, porém, as coisas mudaram. E mudaram mesmo. O jogo, que já era faltoso antes do intervalo, ficou ainda mais violento no retorno. Talvez o maior responsável tenha sido o árbitro Janny Sikazwe, de Zâmbia. Para se ter uma idéia, nem quando Youssef El-Arabi colocou a sola da chuteira no rosto de Fernando Neves, houve expulsão. Para o árbitro, lance de amarelo. Uma vergonha. E não foi a única entrada estúpida, pelo contrário.

Com o avançar dos minutos, Marrocos foi crescendo em campo - tanto em rispidez quanto principalmente em volume de jogo. As mexidas de Lúcio Antunes em Cabo Verde recuaram demais o time, que ficou visivelmente enfraquecido nas ausências de Platini e Mendes. O que não sei é se Antunes os tirou de campo numa postura defensivista ou protecionista, pois a impressão que dava é que a qualquer momento poderia pintar alguma lesão.

O fato é que Marrocos chegou ao empate. Aos trinta e dois minutos, El-Arabi (aquele mesmo da solada no rosto), recebeu na área e mostrou porque veste a camisa nove de sua seleção, chutando rasteiro e estufando a rede. Dessa vez, não deu para Vozinha. Vozinha, goleiro de Cabo Verde, que havia realizado algumas boas defesas até aquele momento. Não me perguntem de onde veio o apelido, mas é assim que chamam o goleiro de Cabo Verde: Vozinha.

Com dois gols, 55 faltas e nenhum gravemente ferido, terminou o jogo entre Marrocos e Cabo Verde. Ambos estão a uma vitória da fase quartas-de-final. Se conseguirem, na última rodada, fazer em noventa minutos o que fizeram cada um numa metade de jogo, têm grandes chances de classificação. Mas por favor, confederação africana de futebol, não deixe de dar um cartão para o árbitro dessa partida. Acho que é caso de vermelho.

Ah! Uma coisa legal é que, enquanto o blogueiro narrava/comentava pelo Tuíter, acabou rolando uma espécie de profecia. Veja na imagem abaixo, com as tuitadas dos respectivos gols e, imediatamente abaixo de cada quadro, a "previsão". Merece um daqueles cartazes dizendo "Eu Já Sabia".

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Goleiros Brilham No Zero A Zero Entre Southampton E Everton

Fechando os jogos válidos pela 23ª rodada, Southampton e Everton empataram no Saint Mary Stadium. Analisando-se as defesas realizadas pelos goleiros Tim Howard e Artur Boruc, não tinha muito jeito de fugir do 0a0 na fria noite em Southampton, Hampshire.

Não que a partida em si tenha sido fria, longe disso. Principalmente o agitadíssimo primeiro tempo, dominado pelos donos da casa. Prova disso é o zagueiro do Everton, Phil Jagielka, que quase desviou duas bolas para a própria rede, ajudando o time com intervenções aos três e aos seis minutos de jogo. Aos doze, um novo chute a gol dos anfitriões foi desviado, dessa vez não por Jagielka e dessa vez não para fora e o goleiro estadunidense Tim Howard tratou de realizar sua primeira grande defesa na partida. Primeira de muitas, sendo que esse parece fácil se comparada com as que estariam por vir.

Aos dezenove, Howard voou para tentar defender uma linda cobrança de falta realizada por Rickie Lambert, que carimbou a trave direita, pouco abaixo do vértice. Aos vinte e um, foi a vez do polonês Artur Boruc intervir: Steven Naismith pegou sobra de bola em jogada onde havia marcação dobrada em Marouane Fellaini e chutou rasteiro, vendo a finalização ser segura pelo arqueiro.

A partir daí, Howard assumiria de vez o papel de protagonista no primeiro tempo de partida. Aos vinte e seis, Lambert recebeu de Gastón Ramírez, cortou Leighton Baines do jeito que quis e chutou, parando no bloqueio de Howard. No minuto seguinte, Lambert cabeceou e até agora não sei se Howard tocou na bola, mas é certo que Nikica Jelavic e também Baines foram fundamentais para evitar o primeiro gol. No rebote, Jos Hooiveld deu remate frontal e parou em Howard - Jelavic afastou em definitivo.

A torcida local estava empolgada e dava pinta de que o Southampton, de tão superior, iria abrir o marcador. Mas, quando não parava em Howard, esbarrava na falta de sorte: aos quarenta e dois minutos, após triangulação pela esquerda, Jason Puncheon cruzou e Lambert cabeceou caprichosamente uma bola que passou a centímetros (talvez seria melhor contar em milímetros) do poste direito. Essa Howard impediu de entrar com a força do pensamento.

Veio o intervalo e, a julgar pelos novos rumos vistos na partida a partir de então, o papo no vestiário do Everton foi bastante proveitoso. Se bem que pior do que as coisas estavam, só se Howard não estivesse lá. Com duas defesas aos cinco minutos (chute e cabeceio de Fellaini), Boruc foi o novo responsável pela manutenção da igualdade sem gol.

Com a contusão de Seamus Coleman, David Moyes tratou de fazer uma substituição que soltou mais o time visitante, promovendo a entrada de Victor Anichebe. Ele entrou aos doze e já aos quinze deu cruzamento rasteiro na medida para Jelavic. Tão na medida que o atacante croata conseguiu furar a finalização e acertar a bola com o calcanhar. É curioso pensarmos que Jelavic, atacante que não atravessa a melhor de suas fases, apareceu bem no primeiro tempo numa função que não é (ou não deveria ser) a sua de ofício, isto é, agindo como um defensor. Agindo muito bem, melhor do que como atacante nesse lance. Jelavic acabou sendo substituído aos vinte e um, dando lugar para Kevin Mirallas, na segunda mexida de Moyes, a segunda com efeito positivo. Cinco minutos antes, o estreante no comando do Southampton Mauricio Pochettino colocou Jay Rodríguez no lugar de Guilherme do Prado, que era o único brasileiro no gramado.

Aliás, cabe aqui fazer um parágrafo sobre o argentino que assumiu o comando do Southampton. Sem muita familiridade com o idioma inglês (inclusive dando a coletiva em espanhol e contando com tradutor para a preleção), Pochettino veio para St. Mary após a obscura demissão de Nigel Adkins, há 27 meses no cargo. Foram vistas nas arquibancadas diversas homenagens ao treinador anterior, em cartazes e camisas espalhadas pelo St. Mary's Stadium. Estável fora da zona de descenso - o que deve ser o objetivo do clube para a presente temporada -, soa como injustificável a demissão de Adkins, visivelmente bastante querido pelos adeptos. Talvez uma decisão política. Enfim, vamos encerrar esse parágrafo por aqui e retornar oa jogo em si.

Aos vinte e dois minutos, Fellaini deu belo passe para Anichebe. Com uma finalização forte e no contrapé de Boruc, sabe-se lá como é que o goleiro polonês conseguiu defender dessa vez. Mas defendeu, desviando para fora. Pochettino deve ter percebido que a situação se inverteu, sendo agora o seu goleiro a figura mais atuante para a manutenção do zero a zero. Aos vinte e cinco, trocou Ramírez por Steven Davies. Bem no jogo, creio que a saída do uruguaio foi mais uma opção física do que tática. Prefiro acreditar nisso. Três minutos depois, aos vinte e oito, Baines passou para Anichebe, que deu para Mirallas e deste saiu chute para fora.

O Southampton levava sustos na defesa, mas ficou perto do gol aos trinta e sete: após escanteio cobrado pela direita, Lambert, sempre ele, ganhou pelo alto e cabeceou pertinho do travessão. Esse camisa sete, de estrutura física avantajada e forte presença de área, pareceu-me jogador interessante. Acertou a trave, mandou duas bolas raspando o ferro, parou em grandes defesas de Howard. Isto é, participou bem, mostrou serviço, se colocou como opção no ataque.

A torcida da casa, que fazia do jogo algo ainda mais bonito quando cantava Oh When The Saints (foram pelo menos duas vezes no segundo tempo, pra coral de igreja nenhuma botar defeito), tentava empurrar o time para a vitória. Pochettino também procurava alternativas, realizando o terceiro cântico, digo, a terceira substituição aos quarenta e um minutos: entrou Steve de Ridder no lugar de Pucheon. Sem querer cornetar o estreante, mas agora ele desafinou de vez. Enfim, lá vou eu tentar acreditar que foi novamente uma questão de ordem física, porque naquele momento não via ninguém além de Pucheon capaz de acionar Lambert no campo ofensivo. E a última chance de gol do jogo foi... do Everton: Mirallas, aos quarenta e sete, em chute de fora da área. Se de pertinho estava difícil superar qualquer um dos dois goleiros, imagina de longe. Boruc defendeu e o placar continuou zerado.

No Campeonato Inglês, Southampton (15º colocado, com 23 pontos) e Everton (5º, 38) voltam a campo dia trinta, quando enfrentam Manchester United (em Old Trafford) e West Brom, respectivamente. Só que antes da partida em Goodison Park, o Everton tem compromisso fora de casa pela Copa da Inglaterra: enfrenta o Bolton, no Reebok Stadium.

Com Gol No Final, Burkina Arranca Empate Com A Nigéria

A Copa das Nações Africanas começou no sábado e, confesse, você não sabia disso. Mas isso não faz de você um fenotipista, que discrimina aquilo que vem do continente que conosco já fez fronteira (de acordo com a amplamente aceita teoria da tectônica de placas).

Fato é que a CAN não é tão badalada quanto a Copa América, menos ainda que a Eurocopa. Essas daí você com um leve esforço recorda de alguns fatos, como por exemplo a eliminação brasileira nas quartas-de-final (esse blogueiro estava lá, no estádio Ciudad de La Plata) e o título uruguaio. Tá, também se lembra da eliminação da anfitriã Argentina, também na fase quartas-de-final, também nos pênaltis. A Euro então é fácil de recordar: como esquecer da Espanha de Del Bosque, que joga de maneira similar ao Barcelona de Guardiola? Você talvez não lembre que a Croácia quase se classificou no grupo de onde saíram as finalistas, mas tudo bem. Comparado ao torneio que acontece na África do Sul, lembra-se de muito.

Falando por mim, não sabia que a estréia da Nigéria seria hoje. Claro que deveria pelo menos suspeitar, pois se a competição começou no sábado e hoje é segunda-feira, a margem de erro é pequena num torneio com quatro grupos de quatro seleções (idêntico à Euro quanto ao formato). Mas consegui, pelo menos, assistir o segundo tempo e ver como estão as Águias, seleção que encantou o mundo nas últimas duas décadas, sobretudo na última do século passado, quando "apresentaram" jogadores como Okocha, Ikpeba, Amokachi, Kanu, West, Finidi, Yekini, Amunike e alguns outros. Muita fera pra pouco espaço de campo - e pouca disciplina tática também. Muito gostoso vê-los jogar, vê-los ganhar, vê-los brincar.

Bem diferente da Nigéria atual. Não que a equipe comandada por Stephen Keshi seja rígida taticamente e isso aprisione os talentos ou qualquer coisa do gênero. Pelo contrário. O que faltam são os jogadores talentosos, que vimos à exaustão noutras épocas. Não vou com isso afirmar que tenha havido uma "decadência" no futebol nigeriano. Talvez aquelas seleções formadas na Copa-1994 e nos Jogos-1996, pra só citar dois exemplos, tenham sido algo fora-de-série. A Nigéria de hoje tem um jogador que provavelmente jogaria naquele(s) time(s) que devemos guardar com carinho na memória: o meio-campista John Obi Mikel, do Chelsea. Não fez uma partida, digo, um segundo tempo brilhante hoje diante de Burkina Faso. Mas mostrou novamente que tem uma leitura de jogo apurada, pouco comum, que o torna um jogador diferenciado. Só que quem merece destaque mesmo no time verde é o excepcional goleiro Vincent Enyeama. Possivelmente o maior arqueiro da história do país e, talvez o tempo dirá, do futebol africano. Já tinha me encantado com ele na partida entre Nigéria e Argentina, na Copa-2010, também em solo sul-africano. Hoje, ele agarrou demais. De novo. Não sei como não esteja num time de ponta do futebol mundial (leia-se europeu).

Mas, por mais que quase que automaticamente quisesse prestar atenção na Nigéria, haviam duas seleções em campo. E Burkina Faso comportou-se muito bem. Quando comecei a assistir o jogo (aos quatro minutos do segundo tempo), a Nigéria já vencia por 1a0 (depois vi que foi um golaço de Emenike, após magistral assistência de Ideye). E o que vi foi uma Burkina indo pra cima da Nigéria, trabalhando bem a bola, imprimindo velocidade, entrando na área. A expulsão de Ambrose, que recebeu o segundo cartão amarelo pessoal aos vinte e oito minutos do segundo tempo, facilitou as coisas para Burkina se sobressair nos minutos finais, não tenho dúvidas quanto a isso. Mas antes disso já era perceptível a superioridade da equipe comandada pelo belga Paul Put. A entrada de Alain Traoré, aos dezenove, deu nova dinâmica ofensiva a um time que só não conseguia empatar porque Enyeama fechava o gol.

O árbitro argelino Mohamed Benouza acrescentou quatro minutos ao tempo regulamentar, compensando aí o tanto de faltas cometidas e substituições, além, é claro, do lance da expulsão. O blogueiro já não sabia mais se torcia para o que seria um adequado gol de empate ou se pela inviolabilidade da meta tão bem defendida pelo goleiraço nigeriano. Não teve jeito: os deuses do futebol quiseram que, no fechar das cortinas, o placar final refletisse algo mais parecido com o que foi o jogo - ou pelo menos o segundo tempo. Uma bola chutada pro alto foi recolhida e a redonda chegou, de pé em pé, até a área adversária. Era a última empreitada de Burkina Faso. Pitroipa, pela direita e perdendo o equilíbrio, tocou rasteiro para trás. A bola passou entre as pernas de um jogador nigeriano que agora não sei precisar quem era, e chegou até um personagem que não há como esquecer o nome: Traoré, Alain Traoré. Com um chute rasteiro, conseguiu a proeza de fazer a bola passar por Enyeama. Aos 48 minutos e 57 ou 58 segundos no segundo tempo. 1a1 e um ótimo cartão de visitas da Copa das Nações Africanas. Tratemos ela com carinho, pois ela merece.

No outro jogo por este grupo - o C -, Zâmbia e Etiópia também empataram por 1a1. Isso quer dizer que as duas vagas desta chave para a fase oitavas-de-final serão conhecidas no último jogo. Quem sabe, no último lance...

Equipe E Jogada Da Semana

Na busca pelo título do Campeonato Italiano (é atualmente vice-líder na competição, atrás da Juventus em cinco pontos), o Napoli teve uma semana altamente positiva. Não foi uma semana perfeita, até porque o time não conseguiu vencer a Fiorentina (empatou por 1a1, em Florença, na rodada 21). Mas, na 20ª rodada, conseguiu golear o Palermo pelo placar de 3a0, se aproximando da Juve, que empatara com o Parma em 1a1.

E não foi apenas dentro de campo que os napolitanos somaram pontos. Fora dele, o clube recuperou dois pontos arrancados anteriormente, em punição por supostas apostas de resultados envolvendo atletas do elenco, algumas temporadas atrás. Acredito que existam meios melhores de se punir esse tipo de conduta e foi de bom senso devolver ao Napoli pontos conquistados em conformidade à regra do jogo, isto é, exclusivamente dentro de campo.

Em segundo lugar em praticamente tudo (segunda maior pontuação, segundo time com maior número de vitórias, segundo com menos derrotas, segundo melhor ataque e segunda melhor defesa, sempre atrás da Vecchia Signora), o Napoli fará, em Parma, jogo dificílimo contra uma equipe imbatível dentro de casa. E a equipe de Walter Mazzarri conta com os gols de Edinson Cavani. Este não é segundo, mas sim o primeiro na lista de goleadores na Série A, com 17 gols anotados.

Jogada da semana

Muitas vezes alvo de piadas (mais em função da nacionalidade exótica para o futebol brasileiro do que propriamente pelo futebol, já que poucos o viram jogar), o chinês Zizao protagonizou belo lance no domingo, na partida de estréia do Corinthians em 2013. No jogo pelo Campeonato Estadual Paulista, ele arrancou pelo flanco esquerdo escapando da marcação, carregou a bola até a linha final driblando mais um adversário após pedalada desconcertante e fez a assistência. No vídeo aparece escrito "Gol de Giovanni". Sim, foi. Mas o destaque fica para a participação de Zizao. Pode até não dominar o idioma que aqui se convencionou falar, mas de bola já mostrou que entende.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Liverpool Faz 5 No Norwich Em Jogo De Golaços

Chamem a defesa ambiental, os protetores dos animais, os abolicionistas todos! O Liverpool não tomou conhecimento do Norwich e atropelou os Canários no gramado de Anfield Road. 5a0, sem dó nem piedade.

O mais impressionante é a relativa naturalidade com que os Reds construíram a goleada. Fizeram uso da posse de bola sem afobação, variaram as formas de infiltrar na última linha de defesa e chegaram aos gols como se fosse um treino coletivo. Aliás, há que se dizer que foram gols muito bonitos, principalmente os três primeiros.

O placar teve sua primeira alteração aos vinte e cinco minutos: Luis Suárez não desistiu da disputa de bola - típico desse ótimo jogador uruguaio - e a redonda acabou sobrando para Jordan Henderson, que acertou lindo chute, de primeira. Daqueles que pegam na veia e vão parar na gaveta. Indefensável.

Dez minutos depois de inaugurar o marcador, veio o segundo gol do time da casa. Era a primeira vez que Daniel Sturridge (ex-Chelsea, contratado nessa presente janela de transferências) e "Luisito" Suárez começavam uma partida formando o ataque vermelho. E, como se tivessem um entrosamento de outras encarnações, deu-se uma jogada maravilhosa: Lucas Leiva enfiou a bola rasteira, Sturridge fez sensacional corta-luz e Suárez chegou em velocidade, livre, chutando cruzado para tirar do goleiro Mark Bunn.

Os comandados de Brendan Rodgers foram para o vestiário com a vantagem do resultado e do desempenho, controlando o placar e também os acontecimentos. E o que estava tranquilo virou festa completa no segundo tempo.  Aos treze minutos, Stewart Downing cruzou pela direita e Sturridge apareceu para completar, marcando seu terceiro gol em três jogos oficiais com essa camisa que tão bem lhe caiu.

Tudo muito bem, tudo muito legal, mas faltava o gol do capitão e ídolo máximo na instituição anfitriã. E ele aconteceu aos vinte minutos: Glenn Johnson fez o passe e Steven Gerrard acertou mais um daqueles chutes de fora da área nos quais o camisa 8 esbanja precisão.

Já não havia qualquer dúvida de que a vitória estava garantida e que o sistema de jogo proposto por Rodgers funcionou maravilhosamente diante da frágil equipe adversária. Quer dizer, diante de atuação coletiva tão eficaz quanto a do Liverpool nesse jogo, fica difícil atestar se a apatia do Norwich era mais fruto de falta de qualidade técnica, se era devido ao nó tático em que Chris Hughton se encontrava ou se, pura e simplesmente, era dia do Liverpool.

Fato é que, mesmo com as três substituições de jogadores que faziam boa atuação, o Liverpool manteve-se soberano em campo. As duas primeiras alterações foram simultâneas: saíram Lucas e Sturridge (este aplaudidíssimo), entraram Raheem Sterling e Fabio Borini. E foi em jogada entre esses dois que saiu o quinto gol: Sterling se livrou da marcação pela esquerda, cruzou e Borini fechava para empurrar para a rede. Só que no caminho da bola ao italiano estava Ryan Bennett que, sem muito o que poder fazer, acabou cortando e marcando contra, "roubando" a assistência de Sterling e o gol de Borini. 5a0 Liverpool.

Rodgers ainda colocaria Joe Allen para participar da festa, tirando Henderson. Com 34 pontos em 23 jogos, o Liverpool aparece em 7º lugar na tabela de classificação e tem todo o direito de sonhar com um retorno à Liga dos Campeões da Europa. O time parece encaixado, tendo marcado gol em todos os últimos doze jogos disputados na temporada. Nesse período, goleou Fulham, Queens Park Rangers e Sunderland, iniciando feliz o ano de 2013. O Norwich, caindo pelas tabelas, conheceu sua quinta derrota nos últimos seis jogos pelo Campeonato Inglês, estando agora na 13ª colocação (26 pontos em 23 partidas).

Acredito que o Norwich logo colocará fim nessa sequência negativa na Premiership, até porque fará três jogos em casa nas próximas quatro partidas no torneio (Tottenham, Fulham e Everton; visita o lanterna Queens Park Rangers). Já o Liverpool viverá um momento que pode ser considerado um divisor de águas na liga nacional: enfrenta o Arsenal em Londres e o City em Manchester. Se repetir a performance vista hoje, tem totais condições de somar pontos importantes na sua caminhada para a quarta colocação (zona que dá a chance de jogar a próxima Liga dos Campeões da Europa). Aguardemos para ver até onde pode chegar esse Liverpool de Rodgers. Mas, independentemente de onde chegue, tem sido divertido assistir esse time jogar.

Ah! Essa é a postagem número 800 na história do Jogada De (E)feito!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Santo Trio: São Paulo, Santa Cruz E São Pedro

São Paulo e Santa Cruz fizeram, pela fase 16-avos-de-final, um jogo com cara de Copinha. E quando aqui coloco "com cara de Copinha", é no sentido mais crítico do termo - que me desculpem os entusiastas da competição. É quase sempre muito legal ver a garotada jogando bola, competindo, buscando título. Digo "quase sempre" porque, convenhamos, não é nada razoável praticar futebol em condições que inviabilizem a prática da modalidade.

Geralmente, os jogos em janeiro no estado de São Paulo são marcados por altas temperaturas e o período da tarde é severo no ponto de vista térmico. Mas, as transmissões televisivas mandam e os organizadores obedecem. Dessa vez, nem foi o calor que complicou a qualidade do jogo: foi a chuva. Aliás, melhor dizendo, a chuva é uma das últimas responsáveis, pois nem tivemos um temporal daqueles. O campo de jogo é que não tinha a menor capacidade de drenar a água posta sobre ele.

Resultado: assisti um São Paulo e Santa Cruz sem saber o que cada tricolor seria capaz de fazer num gramado minimamente decente, pois a maior parte de partida foi disputada em cima de poças d'água. O clube pernambucano abriu o placar num lance incomum: para infelicidade do goleiro são-paulino, o escanteio cobrado fechadinho quicou pouco a sua frente e, dada a colaboração do arqueiro e a atuação da bola molhada sobre o gramado mal drenado, tivemos um gol olímpico de Wallacy (ou um "frango" olímpico de Felipe?).

Os elencos foram para os vestiários com aquela única mudança no placar. Seria difícil mexer mais vezes no resultado brigando contra onze adversários e contra o próprio terreno de jogo. De toda forma, ainda assim era possível vislumbrar jovens talentos no time comandado por Sérgio Baresi: o versátil Rodrigo Caio e o eficaz Lucas Evangelista se destacaram com a bola rolando (algumas das vezes boiando mesmo).

Na etapa complementar, a equipe de técnica mais apurada alcançou a virada e a classificação. O gol de empate saiu aos doze, numa triangulação feita pelo chão. É, pelo chão, desafiando as Leis da Física. Coube a Thiago concluir o lance, igualando o marcador e fazendo a alegria de um público razoável presente no estádio.

Onze minutos depois do gol, veio a virada. E talvez tenha sido o lance mais confuso de toda a partida, superando inclusive o gol pernambucano. É que, após a bola ter sido levantada para a área, tudo levava a crer que o goleiro Watson ficaria com ela. E creio que ficaria mesmo, não fosse a trombada forte que lhe foi imposta por Adelino. Árbitro nem auxiliar entenderam como falta e, no chão, Adelino empurrou a bola para o gol. Só que quem disse que a bola ultrapassou completamente a linha final no momento em que foi afastada por um jogador do Santa Cruz? O auxiliar. Falta no goleiro ele não viu, mas a bola atravessar a linha-de-fundo, sim. E veja bem, se atravessou, foi por questão de milímetros. Nem na repetição em câmera lenta e congelando a imagem foi possível ter convicção sobre até onde a bola chegou em relação à última linha.

Para revolta do time do Nordeste, lance validado como gol. Na sequência, o São Paulo conseguiu se sobressair e esteve perto de aumentar a vantagem. Pouco ameaçado por um adversário que raramente conseguia trocar passes (questão técnica ou operacional?), nem precisou de muito para administrar o resultado. Há quem diga que o São Paulo seja o melhor time da Copinha. Talvez seja. Espero poder vê-lo jogar num campo onde seja mais razoável para se jogar futebol.

O próximo adversário do São Paulo é o também tricolor Fortaleza, que eliminou o Botafogo com vitória por 2a0. O Santa Cruz, que a exemplo do Tricolor Paulista havia vencido todos os três jogos na fase de grupos, dá adeus ao torneio. E com um sentimento de que poderia ter ido mais longe. Parou num adversário superior, num gramado encharcado e numa arbitragem infeliz. Não necessariamente nessa ordem.

 Vídeo com lances de São Paulo 2a1 Santa Cruz, na Copa São Paulo de Juniores 2013

P.S.: a foto que ilustra essa postagem registra um momento pré-chuva e pré-alagamento. Mas não se iluda: ninguém que entrou em campo saiu de lá com o uniforme seco.