segunda-feira, 30 de abril de 2012

Após Clássico De Manchester, Inglaterra Tem Um Novo Líder

Se o Campeonato Inglês em sua temporada 2011-2 tinha uma final na disputa por pontos corridos, esta foi jogada nessa segunda-feira, no estádio Etihad, e vencida pelos Citizens no "clássico de Manchester". Não que o 1a0 e a liderança recém-assumida vá decretar o título aos comandados de Roberto Mancini - até porque o time terá no próximo domingo um jogo difícil em St. James Park - mas fica a sensação de que o outrora "primo pobre da cidade" mereça mais do que o United o título nessa temporada. Afinal, no encontro em Old Trafford já havia conseguido aquela histórica goleada por 6a1.

Restam agora duas rodadas em uma disputa que está igualada em pontos entre os azuis e os vermelhos de Manchester - o City lidera pelo saldo de gols. E aí vem a ironia: a diferença de saldo se deve basicamente àquela acachapante goleada no campo do adversário. Se somar seis pontos nos duelos diante de Newcastle (esse considero um desafio complicado) e Queens Park Rangers, o Manchester City voltará a conquistar a Premiership depois de quarenta e quatro anos.

O jogo como mandante, porém, foi marcado por um equilíbrio quase brutal. É bem verdade que, quando com a bola nos pés e no campo de ataque, o time da casa mostrava mais recursos para se aproximar do gol. Acabou abrindo o placar nos acréscimos do primeiro tempo, quando o zagueiro belga Vincent Kompany subiu (e como subiu!) sozinho (e como sozinho!) em plena cobrança de escanteio, marcando 1a0 e levando os adeptos à loucura. Antes que alguém possa responsabilizar o goleiro David de Gea por uma eventual saída em direção à bola, opino com todas as minhas forças que foi muito mais erro de marcação de Chris Smalling do que qualquer "omissão" do arqueiro espanhol.

No segundo tempo, Mancini foi confirmando as razões que me levam a não colocá-lo entre os grandes treinadores na atualidade. Tinha atletas como Dzeko e Balotelli no banco de reservas, mas mostrou sua vocação para acovardar-se, trazendo para campo Nigel de Jong, Micah Richards e James Milner. Pior: nos lugares de Carlos Tévez, David Silva e Samir Nasri! O City teve pelo menos duas grandes chances de marcar o segundo gol (uma com Yaya Touré e outra com Nasri), mas não aproveitou e o time apelou para aqueles atos nojentos de fazer o cronômetro correr via atrasos de reposição de bola em jogo e simulação de lesão (não é, Joe Hart?). Alex Ferguson, que queria pênalti de De Jong em Danny Welbeck, reclamou de forma tão contundente que, sinceramente, não lembro ter visto nenhuma outra vez na carreira do "Sir". Me pareceu ter razão na insatisfação, mas o descontrole denota que o experiente (e como é experiente!) técnico escocês, cuja história se confunde com a do próprio clube, sentiu que a derrota deve lhe custar um título. Tal como seria numa final de campeonato.

domingo, 29 de abril de 2012

Invicto Em 2012, Botafogo Vence Vasco E É Campeão Na Taça Rio

Num Engenhão 100% alvinegro, quem fez a festa no estádio foi a metade que tinha como emblema a estrela solitária. Por sinal, essa conquista da Taça Rio 2012 representa o primeiro título botafoguense na casa que administra desde o ano 2007.

A vitória por 3a1 sobre o Vasco confirma a boa temporada que vem sendo feita pelo Botafogo, que mantém-se invicto no ano, e coroa o belo início de trabalho do técnico Oswaldo de Oliveira, que vai implementando sua filosofia de trabalho e conquistando os exigentes torcedores com bons resultados e boas atuações.

O primeiro gol saiu no começo de partida, com participação relevante de uma gandula: ao entregar rapidamente a bola para Maicosuel, o camisa sete cobrou o arremesso lateral para Márcio Azevedo e este explorou a brecha deixada pela defesa vascaína, cruzando na medida para que Sebastián "El Loco" Abreu concretizasse a abertura no placar.

Os comandados de Cristóvão Borges não pareciam ter se abalado com o acontecimento e foram criando chances para tentar reestabelecer a igualdade no marcador. O sistema defensivo botafoguense, embora às vezes envolvido pelas trocas de passe oponentes, foi se encaixando e o público passou a ver grandes atuações de Antônio Carlos, Márcio Azevedo e, principalmente, de Fellype Gabriel, que substituiu Renato (contunido na semifinal diante do Bangu) na função de segundo volante e teve performance formidável.

Se no parágrafo anterior não foi citado o nome de Fábio Ferreira - que também marcava bem -, o nome do zagueiro entra agora como o autor da assistência para o segundo gol. No final do primeiro tempo, Elkeson cobrou falta levantando a bola na área e o camisa quatro cabeceou para Abreu simplesmente concluir o lance para o gol.

Com a desvantagem de 2a0, Cristóvão preparou uma dupla mexida no intervalo. Allan entrou, Alecsandro saiu; Felipe saiu, Juninho entrou. Analisando friamente, o Vasco perdia um elemento de ataque, com Diego Souza sendo adiantado para a função de centroavante e formando dupla de frente com Éder Luís, quando no primeiro tempo era mais responsável por, ao lado de Felipe, servir a ambos. E o Botafogo nem deu tempo ao Vasco de respirar essa nova formação tática, pois Maicosuel foi lançado e não desperdiçou a oportunidade, chutando cruzado e marcando 3a0.

A festa tomava conta dos setores Norte e Oeste e o avançar do cronômetro foi trazendo gritos de "olé", "vice de novo" e o tradicional "é campeão". Carlos Alberto, que entrou como última substituição de Cristóvão (Fágner deixou o campo, depois de levar muita canseira de Maicosuel), marcou o gol de honra cruzmaltino.

No final, um Botafogo combativo sem a bola e objetivo quando com ela sagrou-se campeão da Taça Rio e agora decidirá o título estadual diante do Fluminense, campeão da Taça Guanabara. Mas, antes do primeiro jogo de uma final de 180 minutos, tem o jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil, enfrentando quarta-feira o Vitória, em Salvador. Se o título na Taça Rio leva à disputa do caneco estadual, a conquista na Copa do Brasil leva à disputa da Copa Libertadores da América. O Vasco sabe muito bem disso e já deve estar pensando no confronto com o Lanús.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Salve O País Basco! Salve O Athletic Bilbao!

Athletic Bilbao e Sporting Lisboa fizeram um duelo emocionante no estádio San Mamés, que estava lindamente lotado e testemunhou um momento histórico para o clube basco: depois de trinta e cinco anos (foi vice-campeão para a italiana Juventus na temporada 1976-7), o Athletic Club chega a mais uma final de Liga Europa (naquela época chamada Copa da UEFA).

Sou um grande apreciador dos trabalhos de Marcelo "El Loco" Bielsa, técnico argentino que está a frente do Athletic nessa temporada. E o que Bielsa vem desenvolvendo no país basco é, mais uma vez na carreira desse estrategista, digno de elogios. Seu sistema de jogo funcionou bem e o Bilbao conseguiu ser superior ao adversário. Um bravo adversário, que ajudou a nivelar por cima o confronto semifinal continental.

Apesar da eficácia do rendimento coletivo da equipe da casa, não há como falar da classificação do time sem rasgar elogios a Fernando Llorente. Não vou aqui me limitar a dizer que Llorente foi o melhor em campo. Vou além: vou dizer com todas as letras que o camisa nove basco teve uma atuação digna dos grandes centroavantes da história do futebol. Por sua presença marcante no campo de ataque, que mostrava o grande senso de posicionamento desse jogador de vinte e sete anos de idade. Pela sua sapiência e objetividade para dar ao objeto esférico um destino adequado para que ocorra a melhor jogada possível para sua equipe. Pelo seu poder de finalização avassalador, sem precisar nem de muito tempo nem de muito espaço para concluir. E por sua entrega, pela sua emoção, pela sua comunhão com o clube que veste o uniforme e com a torcida, que foi um espetáculo à parte no confronto. Aliás, o "papel" da torcida no San Mamés foi muito bem analisado por Marcelo Bielsa, que declarou ter sido o público fundamental no jogo porque "criou responsabilidades aos jogadores no sentido de não decepcionar os adeptos". E não houve decepção. Houve, isto sim, manifestação de um futebol de alto nível. De um autêntico finalista europeu. De um time que dá gosto de ver jogar. De um time com a cara e a alma de Bielsa.

Na construção do placar de 3a1 (o jogo de ida terminou com vitória portuguesa por 2a1), o Athletic soube variar suas jogadas pelos flancos do campo e, ocasionalmente, também pela zona central. Mostrou uma grande disciplina tática sobretudo no momento de recuperar a posse de bola, encurtando o espaço do jogador que detinha o controle da redonda consigo. O primeiro gol saiu aos dezesseis minutos, em jogada que teve origem numa dividida dura ganha por Andoni Iraola, a meu ver com falta sobre Stijn Schaars. Só que a jogada seguiu, Iraola passou para Iker Muniain e este cruzou para Fernando Llorente. Inteligente e ligeiro, Llorente fez com louvor o papel de pivô, amortecendo a bola com o peito e servindo Markel Susaeta, que também mostrou astúcia ao finalizar de primeira, ao chão, dificultando o trabalho do goleiro Rui Patrício e estufando a rede no canto esquerdo.

A bravura do Sporting, que mostrava competência principalmente nos remates de fora da área (até porque não era missão simples penetrar na defesa basca), rendeu o gol de empate aos visitantes na marca de quarenta e três minutos. Em jogada de bate-rebate, André Martins chutou de longe, a bola bateu em Xandão e ficou sob medida para Ricky van Wolfswinkel, que com a perna esquerda tratou de, também de primeira, mandar a bola no canto esquerdo de Gorka Iraizoz.

Mas o Athletic de Bielsa é forte demais para se deixar abater e o time tratou de retomar a frente no placar ainda no primeiro tempo: aos quarenta e cinco minutos, uma jogada muito bem trabalhada no ataque mostrou o quão eficaz é uma equipe bem treinada e bem aplicada. Ander Herrera passou rasteiro, Iraola fez o corta-luz e a bola chegou em Llorente. E quando a bola chega em Llorente, alguma coisa boa acontece. Naquele momento aconteceu algo mágico: com um controle de bola desconcertante e um passe preciso, o camisa nove deixou a marcação de João Pereira no chão e serviu Ibai Gómez, que ajeitou e concluiu no contrapé de Rui Patrício, que ainda tocou na bola. 2a1 Bilbao, placar que levaria a partida para a prorrogação.

O Bilbao era melhor em campo e fazia um bom segundo tempo. A torcida, espetacular, vibrava nas arquibancadas de maneira contagiante. Mas o futebol é um esporte muitas das vezes duro com aqueles que parecem atuar melhor (vide a eliminação do Barcelona para o Chelsea, dois dias atrás) e um gol do Sporting poderia sacramentar a eliminação de um time brilhante. Só que os deuses do futebol tinham algo de mais belo reservado ao Athletic, que havia colocado uma bola na trave direita em jogada aérea. E, aos quarenta e dois minutos, Ibai Gómez recebeu a bola pela esquerda e tratou de retribuir o presente recebido por Llorente no final do primeiro tempo. Tudo bem que o passe dado por Ibai não tenha saído com a mesma qualidade que aquele ofertado por Fernando. Nem precisava. Afinal, a redonda encontrou alguém que sabia muito bem como lidar com ela. Encontrou o nome do jogo. Encontrou Fernando Llorente, que mesmo bem marcado, conseguiu direcionar o objeto esférico para o objetivo máximo do futebol, fazendo desabar o goleiro Rui Patrício (ou guarda-redes, se preferir).

Llorente, emocionado, vibrou muito com o gol. Aliás, vou pedir licença e encerrar esse artigo com as palavras dele após o jogo.

"Foi um gol dos sonhos, não posso pedir mais. Isso é histórico, faz 35 anos da final da Uefa. Foi incrível poder desfrutar desses momentos. Não posso expressar a felicidade que tenho agora. Quando passar o tempo nos daremos conta do que fizemos"
Outro resultado

Valencia 0a1 Atlético de Madrid (2a5 na soma dos resultados)

Zzzero A Zzzero Sob Medida

Foi de dar sono a partida entre Internacional e Fluminense. A começar pelo horário "pós-novela", escolhido pela emissora detentora dos direitos de transmissão. Até quando teremos de conviver com essa tirania? Fugindo das questões extra-campo (embora isso provavelmente gere influência no jogo em si), Inter e Flu não atuaram bem no estádio Beira-Rio. Aplicados na marcação, muitas das vezes iam com excesso de força nas disputas de bola - para se ter uma idéia, com vinte e sete minutos o time visitante havia cometido pelo menos dez faltas assinaladas pelo árbitro Paulo César de Oliveira.

Com a bola nos pés, os conjuntos de Dorival Júnior e Abel Braga mostravam dificuldades para criarem jogadas envolventes. Talvez isso se deva às ausências de Andrés D'Alessandro e Wellington Nem, mas acho que dava para esperar mais do sistema de jogo de ambos os times, pois haviam outros jogadores talentosos de um lado e de outro. As tentativas até aconteceram, mas a execução das jogadas era problemática. Ilustra essa afirmação a estatística de que, de treze bolas levantadas por cada equipe, nenhuma foi cabeceada a gol. Nenhuma. De treze. E estamos falando de times que contam com Leandro Damião e Fred...

No segundo tempo, o Internacional teve duas grandes chances de tirar o zero do placar. Mas Diego Cavalieri, que disse ter assistido a partida entre Real Madrid e Bayern de Munique, horas antes de entrar em campo, parece ter se inspirado no alemão Manuel Neuer e no espanhol Iker Casillas, que haviam pego cada um duas penalidades. Pois bem, Cavalieri escolheu o canto esquerdo e lá foi buscar o pênalti cobrado por Dátolo, que ainda bateu na trave antes de sair em escanteio. Detalhe no lance é que Dorival teria orientado o goleiro Muriel a pedir para que Nem efetuasse a cobrança. Mas o argentino bateu assim mesmo e deu no que (não) deu.
Diego Cavalieri defende cobrança de pênalti efetuada por Jesús Dátolo: qualquer semelhança com Manuel Neuer e Iker Casillas pode não ser mera coincidência.

A oportunidade derradeira deu-se no último minuto, quando Jô, que entrou no segundo tempo, chutou, a bola desviou na marcação e tomou o rumo da trave esquerda. Cavalieri, totalmente batido no lance, parece ter defendido com a força do pensamento. Talvez não muito diferente do que seu companheiro de profissão, Neuer, fizera na hora da cobrança de pênalti isolada por Sergio Ramos. E por falar em goleiros, vamos aqui deixar um feliz dia do goleiro registrado. Zero a zero é o típico placar que muitas das vezes não agrada o torcedor, mas que certamente soa bem para aqueles encarregados de evitar que a bola entre.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sorriam, Bávaros: A Final Terá O Bayern Em Munique

O Gigante da Baviera não se intimidou com o estádio Santiago Bernabéu e tratou de fazer na capital espanhola aquilo que faz de melhor: atacar o adversário. Apresentou falhas na defesa, é verdade, mas contou com o ótimo goleiro Manuel Neuer para, na disputa por pênaltis, conseguir a vaga na final da Liga dos Campeões da Europa 2011-2, que será disputada sabe onde? Na Allianz Arena, casa do Bayern.

Bayern que viu o Real Madrid abrir o placar com gol de Cristiano Ronaldo, cobrando pênalti aos cinco minutos. Penalidade essa que ocorreu num lance complicado, diria até interpretativo: Ángel Di María chutou, David Alaba mergulhou virando-se de costas pra bola e acabou cortando a finalização com o braço. Se por um lado ganhou espaço projetando o braço, por outro não pareceu intencionado em usá-lo para bloquear o chute. O fato é que Viktor Kassai assinalou a infração e o Real passou a ficar em vantagem no duelo.

Vantagem que terminaria logo, mas Arjen Robben, que surgiu como uma flecha na pequena área e foi parar dentro da rede tamanha velocidade, não conseguiu direcionar para o gol um cruzamento de Alaba, que fez grande jogada pelo flanco esquerdo, pronto para se redimir de um pênalti que nem sei se ele cometera.

Quem trataria de mandar a bola pra dentro era novamente Cristiano: aos treze minutos, o português recebeu de Mesut Özil e, livre de marcação, chutou no canto direito. É difícil explicar como o Bayern permite que um jogador adversário receba a bola em liberdade naquelas condições, em erro de posicionamento reincidente no duelo com os merengues.

Mas as coisas melhorariam para o Bayern, que, por sinal, era melhor em campo. Aos vinte e seis minutos, a bola foi cruzada na área e Pepe empurrou Mario Gómez. Pênalti que Robben cobrou e converteu, no seu retorno ao estádio Santiago Bernabéu.
Arjen Robben, que disputara a final da Liga dos Campeões nesse mesmo estádio em 2010, converte cobrança de pênalti: torcedores do Real Madrid devem sentir saudades do holandês.

O placar que levava o jogo para a prorrogação veio relativamente cedo e a partida frenética sugeria que novos gols acontecessem. Mas a segurança de Neuer, o mau aproveitamento de Gómez quando acionado, as boas atuações de Pepe e Marcelo, além da maior solidez defensiva do Bayern após o primeiro intervalo sustentaram o 2a1 até o 120º minuto.

Restou desempatar o duelo nos pênaltis. E quem iria abrir a série de cobranças? Cristiano Ronaldo, figura bastante ausente durante o jogo, embora tenha a seu favor as estatísticas oportunas de ter marcado dois gols e descolado alguns outros remates. E Cristiano parou em Neuer, que foi fantástico ao chegar no canto direito. Kaká também teve sua cobrança defendida por Neuer, novamente no canto direito. Os desperdícios de Toni Kroos e Philipp Lahm - ambos parando em defesas de Iker Casillas, que no tempo normal por muito pouco não evitou o gol de Robben - deram maior emoção ao confronto. Até que Sergio Ramos isolou por cima do travessão e, para fechar, Bastian Schweinsteiger, que não jogava noventa minutos há algum tempo e dessa vez não somente jogou os cento e vinte como manteve-se em bom nível, estufou a rede para classificar os bávaros.

Munique ficará pequena em dezenove de maio. Os Azuis de Londres devem ter certeza disso: a Baviera é vermelha.

Outro resultado

Terça-feira

Barcelona 2a2 Chelsea (2a3 na soma dos resultados)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Caiu, Em Pé, O Melhor Time Do Mundo

Barcelona e Chelsea fizeram um duelo que nasceu, cresceu e morreu com ares de épico. O confronto começou muito antes de ser dado o apito inicial hoje no Camp Nou (confira como foi a transmissão da partida em tempo real) ou semana passada em Stamford Bridge - a polêmica semifinal de 2009 se fazia presente, mesmo que de maneira oculta. O embate se desenvolveu com um domínio absoluto por parte dos Blaugranas, visto tanto em Londres quanto em Barcelona. Esse domínio traduziu-se em diversas chances de gol, incluindo bolas batendo na trave, sendo defendidas magicamente por Petr Cech, rebatidas salvificamente por defensores, enfim, um autêntico duelo de ataque contra defesa. Mas gol mesmo o Barça foi conseguir fazer aos trinta e quatro minutos desse jogo de volta, em jogada com a cara do time de Guardiola, isto é, de intensa troca de passes à procura de espaços, finalizada por Sergio Busquets após assistência de Isaac Cuenca.

Uma agressão de John Terry em Alexis Sánchez rendeu cartão vermelho ao experiente (?) defensor inglês, fato que naquele momento sugeria maiores facilidades para os donos da casa, afinal, os espaços tenderiam a aparecer com maior frequência. Aliás, mais cedo, Gary Cahill, parceiro de Terry na zaga, havia deixado o campo por motivos clínicos e José Bosingwa havia entrado em seu lugar, com Branislav Ivanovic sendo deslocado para o miolo de defesa (se bem que no Chelsea tudo parecia um "miolo de defesa"). Após a expulsão de Terry, Ramires, que fazia boa partida na penúltima linha de defesa, foi recuado para a zaga. E, aos 42 minutos, aquilo que estava bom para o Barcelona, ficou ainda melhor: Andrés Iniesta recebeu de Lionel Messi e marcou 2a0.

Ramires recebeu cartão amarelo no minuto seguinte e já não poderia ser relacionado no caso de uma improvável presença do Chelsea na final da competição. O que ninguém imaginava é que, ainda antes do intervalo, o meio-campista brasileiro marcaria um golaço, no melhor estilo Messi: ele recebeu de Frank Lampard e encobriu Victor Valdés com um toque sensacional. Com isso, os Azuis tomaram o rumo do vestiário novamente em vantagem no confronto. E não demorou para o Barcelona ter nova grande oportunidade no jogo: no terceiro minuto do segundo tempo, Didier Drogba cometeu pênalti ao derrubar Francesc Fàbregas. Só que Lionel Messi cobrou no travessão.

O jogo era uma festa no gramado e nas arquibancadas. Dentro de campo porque o Barcelona desfilava talento no trato com a bola, esbanjando um entrosamento formidável em seu jogo coletivo. Fora dele porque os culés cantavam sem cessar, dando como fundo sonoro gritos incentivadores para manter o time no ataque. Mas o cenário foi ficando tenso, pois o tempo corria e o terceiro gol não ocorria. Aos trinta e sete minutos, uma finalização rasteira de Messi carimbou a trave esquerda, mas não sem antes ser desviada pelo excepcional Cech.

As tentativas de superar a retranca armada por Roberto Di Matteo pareciam incessantes ao mesmo tempo que parecia ser a defesa do Chelsea uma muralha intransponível, sobretudo quando a bola chegava no goleiro. Javier Mascherano descolou bom chute aos 44 minutos, mas também parou em intervenção de Cech. Nos acréscimos, um contra-ataque fatal terminou em arrancada e gol de Fernando Torres, selando a classificação inglesa.

Muito se especula na imprensa que o presidente do Chelsea, Roman Abramovich, tenha como sonho de consumo o técnico Pep Guardiola, estando disposto a oferecer ao barcelonista quantias jamais vistas na profissão. E veja como são as coisas no futebol: o time de um treinador interino eliminou a equipe de Guardiola.

Não sei o que esperar da final, mas estimo que o Chelsea terá de ser novamente heróico para, sem Terry, Ramires nem Raul Meireles, conseguir medir forças com Bayern de Munique ou Real Madrid. Mas uma certeza eu tenho: não dá para ver como "perdedor" um time que joga a bola que joga o Barcelona. São mais do que campeões: são exemplos.

Parabéns ao Chelsea, finalista da Liga dos Campeões da Europa após eliminar um adversário que vem marcando época. Parabéns ao Barcelona, fiel a um estilo de jogo que encanta, inspira e funciona. Independentemente do resultado.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

O Atlético de Madrid conseguiu vencer todos os seus últimos três jogos, realizados entre o domingo retrasado (dia 15) e o passado (ontem, 22 de abril de 2012). Tudo começou com uma vitória fora de casa sobre o Rayo Vallecano (1a0, gol de Falcao García). Na quinta-feira, 4a2 pra cima do Valencia no jogo de ida pela fase semifinal na Liga Europa (Falcao marcou duas vezes, com Miranda e Adrián anotando os outros gols dos Colchoneros). E, nesse último domingo, vitória por 3a1 sobre o Espanyol (dois gols de Arda Turan e um de Diego Godín). Com esses resultados, o Atlético chegou aos quarenta e oito pontos e encostou na zona de classificação para a próxima Liga dos Campeões da Europa - está três posições e três pontos abaixo do Málaga, equipe que está na quarta e última colocação que leva um time espanhol à competição máxima do futebol europeu.

Muita coisa pode acontecer nessas últimas quatro rodadas no Campeonato Espanhol, mas tudo leva a crer que a partida entre Atlético de Madrid e Málaga, na penúltima rodada, poderá definir uma vaga na próxima Champions League. Até lá, os Rojiblancos têm outra decisão: já na próxima quinta-feira, 26.04.2012, será disputada a partida de volta pela semifinal na Liga Europa. A equipe comandada pelo argentino Diego Simeone se classificará para a final mesmo perdendo por um gol de diferença no estádio Mestalla. Resta saber se conseguirão suportar a provável pressão do Valencia, que nos últimos três jogos dentro de casa emplacou três goleadas (4a0 sobre o AZ Alkmaar, 4a1 no Rayo Vallecano e 4a0 pra cima do Real Bétis).

Jogada da semana

Não sei quantas vezes você ouviu falar no nome de Arda Turan, jogador turco de vinte e cinco anos de idade que atua no Atlético de Madrid. Confesso que se vi dois jogos desse meio-campista foi muito. Mas hoje você terá a oportunidade de (re)ver os dois gols que ele marcou na partida diante do Espanyol, vencida pelo Atlético por 3a1, conforme citado anteriormente nesse mesmo tópico. A jogada da semana é uma só, particularmente achei mais interessante o segundo gol de Turan. Mas, em se tratando de belas pinturas, não é nada demais apreciar dois quadros diferentes.


Acima, o primeiro gol de Arda Turan na partida diante do Espanyol, naquele momento recolocando o Atlético em vantagem no placar (2a1). Abaixo, o gol que fechou o placar no estádio Vicente Calderón, a jogada da semana: depois de uma bicicleta, nada como verificar os freios dos adversários.

domingo, 22 de abril de 2012

Vasco Vence Flamengo De Virada E De Novo

Que "o Vasco é o time da virada", muita gente já sabe - seja de já ter ouvido esse cântico da torcida cruzmaltina, seja por ter passado nesse blógui anteriormente. E, a exemplo do ocorrido na semifinal da Taça Guanabara, a equipe comandada por Cristóvão Borges virou o jogo pra cima do Flamengo de Joel Santana e marcará presença numa final de turno no Campeonato Estadual.

A partida teve ritmo frenético, sobretudo no primeiro tempo. O Flamengo teve a felicidade de aproveitar sua primeira oportunidade de gol: no terceiro minuto de jogo, uma trama rápida e precisa envolvendo Ronaldinho Gaúcho (que fez o lançamento), Kléberson (que deu a assistência com um toque de primeira) e Vágner Love (que dominou e chutou para a rede) colocou o 1a0 no placar no Engenhão.

A resposta vascaína foi ligeira, e só não rendeu o empate no minuto seguinte porque Júnior César evitou que a bola chutada por Éder Luís atravessasse a linha derradeira. O Vasco só fazia subir de rendimento e pressionar o Flamengo. O prêmio pela superioridade em campo veio aos treze minutos: Felipe chutou de fora da área e Éder Luís aproveitou o rebote do goleiro rubro-negro. 1a1.

Por falar em chutes de fora da área, faz-se necessário citar um terceiro Felipe: o volante de sobrenome Bastos. A força e precisão nos remates de longa distância deste jogador chegam a impressionar. Até cobrança de falta de antes da intermediária ele estava mandando direto pro alvo, obrigando o goleiro que lhe é xará a intervir. Mas foi do Felipe camisa seis, e não de Bastos, o gol da virada: aos quarenta e um minutos, quando o Vasco seguia melhor em campo, o jogador calvo chutou no canto esquerdo, mas tão no canto esquerdo, que a bola bateu naquela trave e foi encontrar a rede no canto oposto. 2a1, virada vascaína.

Aos quarenta e quatro minutos, houve pênalti de Welinton em Rodolfo naqueles lances de escanteio, tão rotineiros no futebol. Achei curioso o comentário de Arnaldo Cezar Coelho a respeito do lance e até tomei nota: "agarra-agarra sempre há, mas houve agarra-agarra". O agarra-agarra comentado por Arnaldo, ex-árbitro que inclusive apitou a final da Copa do Mundo de 1982, nada mais era que Welinton agarrando e Rodolfo sendo agarrado. Em 2008, o árbitro Marcelo de Lima Henrique (o mesmo escalado para essa partida que estamos aqui analisando), marcou pênalti de Ferrero no agarra-agarra com Fábio Luciano. A diferença básica é que a camisa puxada era do Flamengo, na então final da Taça Guanabara.

No início do segundo tempo, Alecsandro recebeu de Thiago Feltri, tocou na bola forte demais e caiu em choque com o goleiro Felipe. Pênalti marcado, em lance difícil de atestar ter havido a infração. Mas como os flamenguistas poderiam reclamar de algo, pergunto. Na cobrança, Felipe mandou a bola pro lado esquerdo e Felipe mandou-se para o lado direito. 3a1 Vasco.

Mas o Flamengo tinha a seu serviço o melhor jogador da noite: Kléberson. Aos sete minutos, o meio-campista campeão mundial com a seleção brasileira em 2002, descolou chute maravilhoso de longa distância e superou o goleiro Fernando Prass. Chute tão bem dado que mesmo se o arqueiro vascaíno estivesse melhor posicionado, dificilmente conseguiria evitar que a bola tomasse o rumo da rede.

O placar de 3a2 deixava tudo em aberto, mas Joel Santana complicou as coisas aos vinte e nove minutos, quando trocou Kléberson por Renato Abreu, numa troca dupla que também envolveu a entrada de Negueba no lugar de Luiz Antônio (no intervalo, havia trocado Muralha por Darío Bottinelli). Mesmo com a mudança radical no setor de meio-campo e a saída de Kléberson, o Flamengo teve chances de empatar a partida. Uma das mais agudas ocorreu após descida de Leonardo Moura pela direita, com Ronaldinho Gaúcho chegando de carrinho para tentar completar o cruzamento, mas não conseguindo desviar o curso da bola para dentro da baliza.

Coube ao Vasco administrar a vantagem, algo que foi feito da melhor maneira possível: atacando o Flamengo. A entrada de Carlos Alberto deu nova dinâmica ao ataque vascaíno, mas nenhuma oportunidade foi convertida - nem precisava, a virada já estava consumada. Agora, Botafogo e Vasco decidem a Taça Rio 2012. O Fluminense, que faturou a Taça Guanabara mas não avançou para a semifinal na Taça Rio, aguarda o campeão para a decisão do título estadual. O Flamengo, eliminado na fase de grupos da Libertadores e fora da decisão do segundo turno estadual, aguarda o início do Campeonato Brasileiro para voltar a atuar em uma partida oficial.

Outro resultado

Sábado
Bangu 2a4 Botafogo

Superior, Botafogo Passa Pelo Bangu Em Noite De Abreu

O Botafogo é o primeiro finalista na Taça Rio 2012 - o segundo turno do Campeonato Estadual no Rio de Janeiro. A vaga na decisão foi conquistada com vitória por 4a2 sobre o Bangu, com direito a hat-trick de Sebastián "El Loco" Abreu. O camisa treze uruguaio ainda perdeu um pênalti (o sexto dos últimos sete cobrados por ele) e foi substituído por Germán Herrera, sendo ovacionado pelos botafoguenses.

A partida foi dominada pelo Alvinegro de General Severiano que, empurrado por uma animada torcida, marcou presença no campo de ataque. O Bangu, em lua-de-mel com uma torcida que dias atrás temia pelo rebaixamento, teve dificuldades de encontrar sua melhor maneira de jogar, mas nem por isso os banguenses presentes no setor Sul do estádio Engenhão desanimaram.

O Botafogo, embora vitorioso no duelo tanto no desempenho quanto no resultado final, cometeu alguns vacilos que, se não corrigidos até o próximo domingo, poderão lhe custar o título da competição e o direito de jogar as finais com o Fluminense (campeão no primeiro turno, a Taça Guanabara). Um desses vacilos atende pelo nome de Elkeson, que teve atuação apática e quase comprometedora.

Agora, o Botafogo aguarda o vencedor do duelo entre Flamengo e Vasco, que se enfrentam nesse domingo, no mesmo estádio. O Bangu, embora eliminado, deve comemorar a transformação vivida após a chegada do treinador Cleimar Rocha: de lanterna sem pontuar na Taça Guanabara a líder no grupo B na Taça Rio. Um trabalho curto mas que merece ser elogiado pelos frutos terem sido colhidos tão depressa.

Napoli Vence Novara Em Jogo "Diferente"

Napoli e Novara fizeram, na 33ª rodada do Campeonato Italiano, um jogo, por assim dizer, diferente. Diferente antes da partida iniciar, pois as arquibancadas do estádio San Paolo tinham homenagens em diversos pontos a Piermario Morosini, que desencarnou em plena partida do Livorno diante do Pescara, causando comoção mundial dentro e fora do âmbito esportivo. Diferente logo no primeiro minuto de jogo, pois aconteceu algo absolutamente inusitado: o árbitro Daniele Doveri levou a mão esquerda ao ombro direito e acusou uma lesão. Foi atendido por médicos do Napoli, ficou deitado, sumiu de cena como se tivesse tomado o rumo dos vestiários e... retornou para apitar normalmente a partida! Tudo isso num período de tempo de cerca de vinte minutos, com direito ao quarto árbitro Gennaro Palazzino fazendo aquecimento no sentido de que passaria a assumir o apito. Diferente até no lance do primeiro gol: aos vinte minutos, o goleiro Alberto Fontana recebeu recuo de bola e, na tentativa de mandá-la para longe, presenteou Blerim Dzemaili. O volante suíço agiu rápido e serviu Edinson Cavani, que completou para o gol vazio.

O Novara, até aquele fatídico lance, se defendia bem. Não que não fosse ameaçado pelos napolitanos, mas pelo menos conseguia, aos poucos, encontrar uma maneira de manter a bola fora de sua área. Após o gol que praticamente caiu do céu, o Napoli passou a ter o privilégio de atuar da maneira que mais gosta: em contra-ataque. E, aos trinta e seis minutos, chegou ao segundo gol: Cavani chutou cruzado, Fontana espalmou e o zagueiro Paolo Cannavaro, livre, tratou de aproveitar o rebote e estufar a rede. 2a0 Napoli.

O Novara foi dar sua primeira finalização a gol aos vinte e quatro minutos do segundo tempo, em cabeceio bem defendido pelo goleiro Morgan De Sanctis. Aí muitos napolitanos podem pensar: 'bem, jogo 2a0, o adversário só coloca nosso arqueiro para trabalhar na marca de 69 minutos corridos, está tudo bem com o Napoli, obrigado'. Pois eu diria que o Napoli precisa abrir o olho na corrida pelo objetivo de participar da próxima Liga dos Campeões da Europa. Desfalcado de Ezequiel Lavezzi e Goran Pandev, Walter Mazzarri poderia tranqüilamente escalar o chileno Eduardo Vargas entre os titulares, mas o hábil jogador ex-Universidad de Chile só foi entrar aos vinte e cinco minutos do segundo tempo. Mazzarri preferiu escalar o time com Dzemaili, Walter Gargano e Gokhan Inler atrás de Marek Hamsik, com somente Cavani mais a frente. Pouco para um time que joga em casa diante do vice-lanterna. Pouco, principalmente, por considerar que Vargas estava disponível. Seria Walter Gargano - que atuou bem, justiça seja feita - o substituto de Lavezzi na cabeça de Mazzarri?

Na próxima rodada, o Napoli visita o Lecce no estádio Via del Mare. Lecce que, tentando escapar do rebaixamento, emplacou no empate com a Lazio, em Roma, seqüência de seis partidas de invencibilidade. Já o Novara, que não vence há cinco jogos e está seriamente ameaçado pelo descenso, recebe a Lazio em partida que interessa diretamente ao Napoli.

Clássico Londrino Zerado No Placar: Sorte Do Chelsea

Se no duelo em Stamford Bridge pela Premiership o jogo entre esses dois times teve oito gols (vitória dos visitantes por 5a3), o reencontro entre Arsenal e Chelsea, dessa vez no estádio Emirates, não saiu do zero a zero. Mas engana-se quem pensa que a ausência de gol na partida tenha se dado por falta de oportunidades. Pelo contrário: a exemplo de quando enfrentara o Barcelona pelo jogo de ida na semifinal da Liga dos Campeões, o Chelsea viu a sorte lhe sorrir para não ser vazado pelo Arsenal. Duas bolas na trave e pelo menos duas grandes defesas de Petr Cech sacramentaram a igualdade no placar nesse clássico londrino.

O Chelsea foi a campo utilizando somente três atletas titulares diante do Barça: o goleiro (leia-se paredão) Cech e a dupla de zaga composta por Gary Cahill e John Terry. No segundo tempo, as entradas de John Obi Mikel, Juan Manuel Mata e Ashley Cole não melhoraram o time comandado por Roberto Di Matteo a ponto de tornar o Chelsea mais produtivo que os donos da casa.

Pelo lado do Arsenal, a participação incisiva de Robin van Persie merece destaque mesmo com o holandês não convertendo algumas chances que costuma colocar para dentro. Laurent Koscielny não somente foi muito bem como comandou com maestria todo o sistema defensivo da equipe dirigida por Arsène Wenger, conseguindo ajudar a conter as investidas do quarteto Malouda-Sturridge-Kalou-Torres. Tomás Rosicky também teve atuação destacável, sobretudo na grande qualidade do tcheco quando o assunto é posse de bola. E, como o departamento médico do Arsenal parece não parar quieto, Theo Walcott deixou o campo mal conseguindo caminhar, aparentando alguma lesão muscular na coxa.

O resultado final de 0a0 certamente foi muito mais comemorado pelo Chelsea, até porque a escalação do time denuncia que a Premiership foi colocada em segundo plano em relação ao cobiçado torneio europeu. De toda forma, a derrota do Tottenham para o Q.P.R. trouxe uma alegria para os torcedores de ambos os times.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sábado Decisivo Pros Semifinalistas Da Liga Dos Campeões

Os deuses do futebol capricharam, ou melhor, estão caprichando nesse ano.

Na terça-feira, Barcelona e Chelsea duelam no Camp Nou procurando uma vaga na final da Liga dos Campeões da Europa. Na quarta-feira, Real Madrid e Bayern de Munique medem forças com o mesmo ideal.

Só que, por mais importantes quem sejam tais confrontos, nenhuma das quatro instituições pode (ou pelo menos não deveria) desprezar seus respectivos compromissos no próximo sábado. Sábado que para nós, brasileiros, já é especial por sua própria natureza - afinal, 21 de abril trata-se de uma data que homenageia Tiradentes, um dos maiores brasileiros de todos os tempos.

Então vamos analisar a situação de cada um desses quatro times semifinalistas na Liga. Com um detalhe: dois deles se enfrentam em confronto direto no sábado.

Bayern de Munique. Vice-líder na Bundesliga, o time do Bayern não tem outra alternativa para evitar o praticamente certo título do Borussia Dortmund no Campeonato Alemão: vencer e secar. A equipe vai até Bremen enfrentar o Werder e, caso não consiga a vitória, não terá mais chances de alcançar o Borussia, pois os oito (ou sete, em caso de empate) pontos de diferença seriam maiores que os seis disputados nas duas últimas rodadas. Então, a missão dos bávaros é simples e direta: vencer o Werder e torcer para o Dortmund não vencer o "duelo de Borussias" com o Mönchengladbach.

Chelsea. Os Azuis irão até o estádio Emirates fazer o clássico londrino com o Arsenal. Chances de título na Premiership inexistem para ambos - essa disputa está restrita aos "Manchesters" United e City. Mas o duelo na capital inglesa é mais do que relevante, afinal, uma vitória do Arsenal praticamente tira do Chelsea qualquer chance de chegar ao 3º lugar (última posição no Campeonato Inglês a dar vaga direta na fase de grupos na próxima Champions League). Vencendo, o Chelsea não somente fica a quatro pontos do Arsenal (e com um jogo em atraso), como não permitirá que Tottenham e Newcastle, dois pontos a frente, se afastem na disputa pela 4ª colocação (lugar que dá direito a disputar a fase eliminatória da Champions que antecede a fase de grupos).

Barcelona. Correndo atrás do prejuízo para chegar ao topo na tabela no Campeonato Espanhol, o Barcelona já reduziu para quatro pontos uma desvantagem que era de dois dígitos. E tem no confronto direto com o Real Madrid a oportunidade de diminuir para um único ponto essa diferença. Após a disputa desse clássico (ou superclássico, se preferir), restarão quatro rodadas. E o Barça sabe que será difícil tirar quatro ou sete pontos em relação ao Real. Portanto, só a vitória interessa aos catalães nesse sábado.

Real Madrid. Líder com quatro pontos de vantagem em relação ao Barcelona, o Real Madrid provavelmente tem em mente que um empate no Camp Nou terá sabor de vitória e cheiro de título, afinal, a manutenção da diferença em quatro pontos lhe daria a margem de tropeçar uma vez sem poder ser alcançado. A vitória praticamente dará o caneco espanhol ao time da capital, que dificilmente permitiria deixar escapar sete pontos em doze disputados.

É interessante observarmos como, num intervalo de alguns dias, todo o desenrolar da temporada ganha contornos decisivos para quatro instituições diferentes. Então, aguardemos. Entre sábado e quarta-feira muita coisa pode - e irá - acontecer.

Sporting Consegue Virada Sobre Athletic Na Ida Da Semifinal: 2a1

Mesmo desfalcado de um jogador relevante - o meia chileno Matías Fernández - e enfrentando um adversário de notável qualidade no jogo coletivo - o Athletic do argentino Marcelo Bielsa -, o Sporting conseguiu virar o jogo no estádio José Alvalade, em Lisboa, e venceu o Bilbao pelo placar de 2a1.

Todos os três gols da partida disputada na capital portuguesa aconteceram no segundo tempo, mas se a contagem não foi inaugurada antes do intervalo, isso se deve majoritariamente à boa atuação do goleiro Gorka Iraizoz Moreno, como no lance de jogada ensaiada em cobrança de falta, rebatendo remate forte de Emiliano Insúa. Isso sem falar em finalizações que passaram perto do poste.

O estilo de marcação-pressão e toques rápidos da equipe visitante funcionou nos primeiros minutos, mas com o avançar do cronômetro o Sporting foi conseguindo se sobressair na partida. Ilustra a superioridade do time da casa um comparativo entre os dois centroavantes: enquanto o holandês Ricky van Wolfswinkel aparecia na área e assustava a defesa basca, o também camisa nove Fernando Llorente Torres tinha dificuldades de encontrar-se em condição para finalizar alguma trama de jogada basca.

Veio o segundo tempo e o Athletic conseguiu abrir o placar aos oito minutos: Markel Susaeta Laskurain cobrou falta pela direita e a bola foi desviada até chegar em Jon Aurtenetxe, que mostrou grande reflexo e tempo de bola para completar, de primeira. 1a0 e festa dos cerca de quatro mil torcedores bascos presentes no estádio em Portugal.

O Sporting não pareceu abatido pelo gol sofrido e voltou a criar chances no ataque. Aos trinta minutos, foi premiado pela pressão imposta: Diego Capel cruzou, a defesa afastou parcialmente e Insúa cabeceou com tamanha força que sua finalização mais pareceu ter sido feita com uma das pernas, mandando a redonda no canto esquerdo. 1a1 e vibração da parcela alvi-verde no José Alvalade.

E se Capel havia dado o cruzamento que terminou no gol de Insúa, foi do próprio Capel o gol da virada portuguesa: aos trinta e quatro minutos, o espanhol recebeu do russo Marat Izmailov e tratou de arriscar de fora da área. Para alegria do time da casa, a bola tomou o rumo do canto esquerdo e decretou o 2a1 no placar.

A partida de volta será no estádio San Mamés e não teremos a presença de nenhum camisa dez: tanto Óscar de Marcos Arana quanto Izmailov receberam cartões amarelos que resultaram em suspensão automática, a ser cumprida na próxima quinta-feira. Para a ocasião, o Bilbao se classificará em caso de vitória por 1a0 ou por mais que um gol de diferença. Creio que se o Athletic reencontrar seu jogo (que raramente foi visto em Lisboa) e o Sporting conseguir repetir uma atuação do nível visto na partida de ida, teremos uma bela partida pela frente. Que o melhor time avance para a final da Liga Europa!

Outro resultado

Atlético de Madrid 4a2 Valencia

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Caiu, Em Pé, O Último Invicto Da Liga Dos Campeões Da Europa

Foram muitos os detalhes presentes em Stamford Bridge para o jogo que terminou com vitória do Chelsea sobre o Barcelona. Talvez o primeiro que possa vir a cabeça seja o detalhe chamado Didier Drogba, autor do único gol do jogo e figura bastante participativa na partida. Apesar de ter sido o único atacante escalado por Roberto Di Matteo, Drogba talvez tenha sido mais visto no campo de defesa do que no ofensivo - e mais vezes estirado no gramado do que propriamente de pé. De causar admiração tamanha entrega do marfinense, aos trinta e quatro anos de idade. Mas o detalhe da grande atuação de Drogba foi somente um entre tantos outros. Para falar da vitória do Chelsea - e do próprio gol de Drogba - precisamos falar também de Ramires. Mano, por que não o convocas mais? O que se passa contigo, ó treinador da seleção brasileira? Algum problema de relacionamento com o meio-campista azul? Não posso acreditar que seja deixado de lado nas convocações por "motivos técnicos"! Ramires fez partida excepcional mais uma vez. Quando víamos o Chelsea com dois homens de frente, eram Drogba e Ramires. Quando víamos o Chelsea com cinco homens no meio, eram Joh Obi Mikel, Raul Meireles, Frank Lampard, Juan Mata e Ramires. Quando víamos o Chelsea com cinco marcadores formando a última linha de defesa, eram Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry, Ashley Cole e Ramires. E, se pudesse, talvez veríamos dois goleiros protegendo o gol dos londrinos: Petr Cech e Ramires. Mas aí entramos em outro detalhe, talvez o mais determinante do resultado final: a atuação do goleiro tcheco de vinte e nove anos de idade. Desde algum tempo - talvez desde o dia em que bati o olho nesse magnífico arqueiro pela primeira vez - o considero um dos melhores goleiros do mundo. Hoje, particularmente, penso Buffon, Cech e Jéfferson pelo menos um degrau acima dos demais da posição. E a atuação de Cech nessa quarta-feira foi estupenda. Agiu bem sempre que foi exigido - não sendo poucas as situações em que teve de tomar uma decisão frente ao poderio barcelonista - e fez uma defesa daquelas para servir de referência na partida para a posteridade, indo buscar um cabeceio de Carles Puyol, após cobrança de falta de Lionel Messi, de forma simplesmente sensacional. E se sorte é atributo que cabe aos grandes goleiros, o que dizer do travessão parando Alexis Sánchez, da trave esquerda parando Pedro Rodríguez e, entre uma coisa e outra, de Ashley Cole salvando no último instante um gol certo de Francesc Fàbregas?

Embora o Chelsea tenha conseguido o feito de vencer o Barcelona - ninguém mais conseguiu isso nessa Liga dos Campeões da Europa 2011-2 -, o camisa dez Juan Mata não teve boa atuação. Lampard, embora tenha participado no lance do gol, também esteve abaixo daquilo que usualmente vemos do camisa oito. Some-se a isso a maravilhosa performance de Andrés Iniesta (o camisa oito barcelonista estava em dia inspirado, mostrando talento no toque e na condução de bola, tendo sido muitas vezes parado com falta, algumas delas sequer assinaladas pelo senhor Felix Brych, de atuação confusa). E some-se também que, embora tenha sido muito bem marcado a maior parte do tempo, ainda foi possível ver lances geniais de Lionel Messi, enfileirando adversários em alta velocidade e esbanjando aquele controle de bola que lhe parece exclusividade no futebol. Com tudo isso, poderemos entender o quão foi importante para o Chelsea a atuação do trio Cech-Ramires-Drogba. Chego a pensar que aquela chuva que molhou o gramado de Stamford Bridge tenha sido obra desses três. E se essas nuvens conseguirem se deslocar carregadas até o Camp Nou, será difícil demais a tarefa barcelonista de reverter o resultado. Mas, nas condições normais de temperatura e pressão, vejo o Barça em vantagem para pegar a primeira vaga na final desse ano. Coloque com carinho a próxima terça-feira na agenda para assistir o jogo de volta. Faça chuva ou faça sol.

Outro resultado

Terça-feira
Bayern de Munique 2a1 Real Madrid

terça-feira, 17 de abril de 2012

Bayern Vence Real Na Ida Da Semifinal: 2a1

O Bayern de Munique recebeu o Real Madrid no estádio Allianz Arena (palco da final da Liga dos Campeões da Europa nessa temporada, em dezenove de maio de dois mil e doze) e fez valer tanto a história de anos pretéritos quanto o momento recente. Com o triunfo por 2a1, o Gigante da Baviera segue invicto dentro de casa quando atua diante dos merengues (esse foi o décimo confronto entre Bayern e Real na Alemanha) e confirmou os 100% de aproveitamento nas partidas disputadas como mandante nessa temporada de Champions League (venceu todos os seis jogos disputados na Allianz Arena).

A partida foi bastante disputada, com o desempate derradeiro tendo ocorrido aos quarenta e três minutos do segundo tempo. O resultado obriga o Real Madrid a vencer ou por 1a0 ou por mais que um gol de diferença para sair classificado do estádio Santiago Bernabéu, na quarta-feira da próxima semana. Se devolver o 2a1, a partida irá para a prorrogação. O Bayern está a um empate de retornar à Allianz Arena em 19.05.2012 para a final da Liga - e, caso marque pelo menos dois gols, avançará para a decisão mesmo em caso de derrota por um gol de diferença na Espanha.

O jogo

Festiva desde antes mesmo do apito inicial, a torcida do Bayern fez bonita festa nas arquibancadas do estádio, atuando como se fosse um décimo segundo jogador. O Real Madrid não se intimidou e iniciou a partida com maior volume de jogo que os donos da casa, aproximando-se de abrir o placar aos seis minutos, quando Karim Benzema recebeu belo passe de Mesut Özil, chutou forte e Manuel Neuer rebateu maravilhosamente.

Se o Bayern tinha na torcida uma espécie de décimo segundo jogador, o Real tinha como "reforço" a presença do árbitro inglês Howard Webb (aquele mesmo da final da Copa do Mundo 2010). Aos quinze minutos, uma rápida jogada dos donos da casa foi interrompida quando, dentro da área, Franck Ribèry caiu após ser tocado por Sergio Ramos - o jogo seguiu sem qualquer infração ter sido marcada por Howard Webb.

Não vamos aqui responsabilizar o árbitro por uma eventual injutiça nesse lance. Até porque, houve pelo menos duas jogadas de pênalti para o Bayern mais claras que essa, as quais trataremos no devido momento. E o próprio Ribèry se encarregaria de tirar o primeiro zero do placar pouco depois do lance em que caíra na disputa com Ramos: após cobrança de escanteio, o hábil jogador francês pegou o rebote e chutou firme, rasteiro, estufando a rede. Luiz Gustavo estava em posição de impedimento na jogada, restando a dúvida de ter ou não participado do lance - não tocou na bola e nem foi em direção a ela, mas pode ter atrapalhado a visão do goleiro Iker Casillas. De toda forma, o arqueiro espanhol não reclamou e o gol foi confirmado. 1a0 Bayern e explosão de alegria dos torcedores bávaros.

A partir de então, viu-se uma subida de produção no Bayern, que passou a encaixar maior número de jogadas, com Arjen Robben, Ribèry e Toni Kroos fazendo boas aproximações de Mario Gómez. E a maior chance de ampliar a vantagem deu-se em lance onde Kroos encontrou Gómez e o centroavante chutou bem, mas parou em intervenção sensacional de Casillas, que espalmou esticando ambos os braços. Se o Bayern não conseguiu aumentar a diferença no final do primeiro tempo, foi castigado no início do segundo: após grande vacilo de toda a defesa bávara, a bola atravessou a pequena área e chegou até Cristiano Ronaldo, que passou para Özil finalizar, empatando a partida em Munique, aos sete minutos.

Aos quinze minutos, Jupp Heynckes tratou de colocar Thomas Müller em campo (não sei por que tão tarde), mas tirou um jogador que fazia boa partida - Bastian Schweinsteiger, que deixou o gramado explicitando chateação. Só que substituição menos compreensível fez José Mourinho: aos vinte e três, tirou Özil para colocar Marcelo. E pior: não deixou Marcelo solto o bastante para explorar jogadas ofensivas, limitando o poder de ataque madridista. Melhor para o Bayern, que foi ganhando terreno, impondo-se territorialmente e dominando as ações, em jogo que ia se concentrando no campo de defesa do Real. Os comandados de Mourinho paravam muitas das jogadas adversárias com faltas. Só que Webb se recusava a assinalar aquelas que ocorriam dentro das fronteiras da grande área, frustrando os jogadores do Bayern por pelo menos duas vezes, em penalidades cometidas por Pepe e Fábio Coentrão.

Se Heynckes seguiu até o final sem mexer novamente no time (e olha que tinha Ivica Olic no banco), Mourinho foi bisonho o bastante para gastar as três substituições e não levar Kaká a campo. E o castigo ao foco defensivista do treinador português veio aos quarenta e três minutos: em bela jogada de Philipp Lahm pelo flanco direito, o lateral alemão escapou de Coentrão, cruzou rasteiro e encontrou Gómez, que mandou pra rede e levou o público à loucura. 2a1 Bayern.

Nos acréscimos, Marcelo tomou uma atitude de marginal e pontapeou Müller sem esboçar qualquer intenção de pegar a bola. E o senhor Howard Webb afinou mais uma vez, dando apenas um cartão amarelo para o destemperado jogador brasileiro - qualquer semelhança com o "critério" visto na final da Copa 2010 no lance em que Nigel De Jong foi de voadora em Xabi Alonso parece não ser mera coincidência...

No jogo de volta, espero que o Real de Mourinho faça jus ao grande elenco que dispõe e procure atacar (não fisicamente, como fizera Marcelo). E espero que a UEFA coloque em campo um árbitro menos frouxo do que Webb. Seriam dois ingredientes relevantes para termos uma ótima partida de volta.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

Depois de terminar a Taça Guanabara (primeiro turno no Campeonato Estadual Fluminense) com sete derrotas em sete jogos, o Bangu veio para a Taça Rio transformado, conseguindo concluir a fase de grupos como líder na chave B (15 pontos em oito jogos). Nas duas últimas partidas, vitórias sobre Macaé (1a0, no sábado dia 7) e Resende (3a0, no domingo dia 15). A equipe comandada por Cleimar Rocha está de parabéns pelo feito de, em tão curto intervalo de tempo, migrar da lanterna num turno para a liderança em outro, marcando presença na fase semifinal da Taça Rio. Independentemente do que aconteça no próximo sábado, quando enfrenta o Botafogo, no Engenhão, o Alvirrubro da Zona Oeste deve olhar com carinho para essa trajetória vista no Estadual 2012. Pode não ser como a glória dos títulos de 1933 e 1966, mas certamente resgata um sentimento forte nos torcedores do clube. Parabéns, Bangu!

Jogada da semana

Hoje faremos diferente. Nem dribles, nem golaços, nem trocas de passe, nada disso. A grande "jogada" da semana aconteceu fora dos gramados e é digna das mais respeitosas reverências: Antonio Di Natale, capitão da Udinese, revelou publicamente que assumirá a custódia da irmã de Piermario Morosini, jogador que faleceu no último sábado, em plena partida entre o Pescara e o Livorno, pela Série B italiana. Di Natale, que tantas alegrias vem dando aos torcedores da Udinese com gols e mais gols vestindo a camisa alvinegra, mostrou nessa atitude a nobreza do ser-humano, muitas das vezes oculta no mundo futebolístico. Veja mais a respeito em http://esportes.terra.com.br/noticias/0,,OI5721712-EI1137,00-Di+Natale+assume+custodia+legal+da+irma+deficiente+do+jogador+Morosini.html

Parabéns, Di Natale! A família Morosini certamente lhe é grata.

domingo, 15 de abril de 2012

Vasco Vence Nova Iguaçu E Reencontra Flamengo Na Fase Semifinal

O Vasco venceu o Nova Iguaçu por 3a1 na última rodada da Taça Rio e assegurou uma vaga na fase semifinal do segundo turno estadual. Sem riscos de rebaixamento nem chances de classificação, o Nova Iguaçu encerrou sua participação na Taça Rio como vice-lanterna na chave A (na classificação geral dos dois turnos foi 9º colocado). O Vasco, vice-líder no grupo B (ficou atrás do Bangu), pegará o Flamengo na fase semifinal, a exemplo do que ocorrera na Taça Guanabara. Bangu e Botafogo jogam a outra partida que dá vaga na final da Taça Rio. O Fluminense, campeão no primeiro turno, aguardará o campeão do segundo para fazer as finais estaduais.

O jogo

Logo no terceiro minuto de partida, William Barbio, jogador revelado no Nova Iguaçu, fez jogada individual pela esquerda, chutou e Rômulo apenas conferiu no rebote do goleiro Jéfferson: 1a0 Vasco.


Tudo aparentemente muito simples e muito fácil para os vascaínos, que faziam belo início de partida no sentido de buscar o ataque a todo instante. Acontece que buscar o ataque a todo instante não é sinônimo de ter oportunidades claras, e o Vasco tinha dificuldades de encarar a defesa do Nova Iguaçu e o péssimo gramado de Moça Bonita. Após a primeira parada técnica, o jogo teve uma mudança no panorama e passamos a ver o Nova Iguaçu mais envolvente nas jogadas ofensivas. Aos vinte e oito minutos, Fernando Prass evitou o gol de empate ao rebater chute forte de Dieguinho. Aos trinta e um minutos, quem encostou na bola com o braço dentro da área foi o zagueiro Douglas: pênalti que Zambi cobrou e colocou na rede, aos trinta e um.

Zambi fazia atuação interessante - foi jogada individual dele que deu origem ao pênalti convertido pelo próprio -, com deslocamentos pelo gramado e participação constante nas jogadas de ataque do Laranja da Baixada. O Vasco não atravessava bom momento na partida, mas mesmo assim conseguiu voltar a assumir a frente no marcador: Rômulo lançou, Alecsandro foi mais esperto que o zagueiro que o acompanhava e não se deixou trair pelo quique da bola, tocando na saída do goleiro. 2a1 Vasco, aos trinta e nove minutos do primeiro tempo.

No intervalo, Cristóvão Borges trouxe Nilton para o lugar de Juninho Pernambucano (que sentiu dores musculares na coxa) e Carlos Alberto para o lugar de Éder Luís (sumido demais no primeiro tempo). E Carlos Alberto reestreou bem, compensando a falta de ritmo de jogo na base de seu indiscutível talento com a bola nos pés. Arriscou um chute de fora da área que passou não muito longe do ângulo esquerdo. Correu. Dividiu sem poupar esforços. E quase marcou o que seria um golaço: aos trinta e dois minutos, driblou Filipe, ficou de frente pro gol e chutou à esquerda. Se tomasse um gol, o Vasco veria o Fluminense (que naquele momento goleava o Olaria) ultrapassá-lo na tabela de classificação, o que custaria uma eliminação. Só que aos quarenta e cinco minutos, Alecsandro tranqüilizou as coisas para o Cruzmaltino e marcou o terceiro, recebendo nova assistência de Rômulo e chutando cruzado, no canto direito.

sábado, 14 de abril de 2012

Quatro Timaços, Duas Vagas: Eis As Semifinais Na Liga Dos Campeões Da Europa

Aproximam-se os confrontos semifinais na Liga dos Campeões da Europa e, para delírio dos amantes do futebol, sobraram quatro equipes capazes de proporcionar belos espetáculos nos gramados europeus. Barcelona, Bayern de Munique, Chelsea e Real Madrid são os remanescentes e, desde que acompanho esse torneio, não recordo de ver esta fase da competição tão bem representada como nessa temporada 2011-2.

Não bastasse a qualidade presente em cada um desses quatro elencos, temos alguns atrativos a mais. O Barcelona, comandado por Josep Guardiola, concilia beleza e eficiência como jamais visto na história do futebol. Seu principal jogador é o melhor do mundo na atualidade e, possivelmente, de todos os tempos na modalidade - Lionel Messi. O Real Madrid, maior vencedor do torneio (9 canecos), não conquista este troféu desde 2001-2 e acredita no treinador José Mourinho, campeão com a Internazionale na temporada 2009-10, para voltar ao topo na Europa. Cristiano Ronaldo faz temporada com números incríveis e é uma das maiores esperanças dos merengues. O Chelsea, que jamais conquistou a Liga dos Campeões, quer porque quer provar o gosto do inédito. E especula-se que Roman Abramovich, magnata presidente do clube, estaria se propondo a pagar o equivalente a seiscentos mil reais por jogador em caso de título. Dentro das quatro linhas, o rendimento dos Azuis de Londres melhorou bastante depois que Roberto Di Matteo assumiu interinamente o posto outrora ocupado por André Villas-Boas. O Bayern de Munique, que busca o quinto título de Liga dos Campeões da Europa tem talvez a maior das motivações possíveis para querer erguer o troféu este ano: é que a disputa da partida final será dentro da Allianz Arena, estádio do clube bávaro.

Vamos agora analisar cada um dos duelos e, é claro, opinar sobre quem deve avançar. Nos palpites para a fase quartas-de-final, 100% de acerto.

Bayern de Munique e Real Madrid. Vice-líder na Bundesliga e a uma distância considerável do Borussia Dortmund, tudo leva a crer que o foco do Bayern reside nesse confronto semifinal. Com 100% de aproveitamento nas partidas dentro de casa, o ótimo time comandado por Jupp Heynckes tem totais condições de manter esse índice perfeito diante da forte equipe adversária. Do contrário, será muito difícil buscar o resultado no estádio Santiago Bernabéu, local da partida de volta. O Real, que lidera o Campeonato Espanhol com quatro pontos de vantagem sobre o Barcelona, vem se mostrando uma máquina de fazer gols. Para se ter uma idéia, nos últimos sete jogos na temporada o time marcou pelo menos três gols em seis partidas (duas vezes três, uma vez quatro e, veja só, três vezes cinco gols). Para seus planos de classificação, será importante marcar gols em Munique, mesmo que não consiga sair da Alemanha com a vitória. Palpite: avança o Bayern de Munique.

Chelsea e Barcelona. Por um capricho dos deuses do futebol, está desenhada a semifinal entre dois times que se encontraram rigorosamente nessa mesma fase da competição na temporada 2008-9. Naquela oportunidade, com um gol de Andrés Iniesta nos acréscimos do segundo tempo e muita polêmica em torno da arbitragem, o time de Guardiola tirou o Chelsea da Liga dos Campeões, na época dirigido por Guus Hiddink. Hoje, me parece que a diferença entre as duas equipes é maior que naquela época, o que aumenta a dificuldade do Chelsea em buscar esse título inédito. A temporada do time londrino é bastante irregular, e o 6º lugar na Premiership coloca em risco a presença do clube na próxima Liga dos Campeões. Enquanto isso, a equipe que encanta o mundo com seu formidável jogo coletivo e o jogador que encanta o mundo com seu talento aparentemente infindável - Messi -, estão prontos para buscar o bicampeonato consecutivo, que seria o quinto do clube na história do torneio. A partida de ida, em Stamford Bridge, pode ser o termômetro do confronto - creio que as chances do Chelsea iriam a quase zero se o time não conseguir uma vitória na capital inglesa. Palpite: avança o Barcelona.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Boca Devora Fluminense No Engenhão

Se com Riquelme e na mística La Bombonera o limitado time do Boca Juniors perdeu para o Fluminense por 2a1, o que esperar da equipe comandada por Julio Cesar Falcioni desfalcada de Riquelme e jogando no Engenhão diante do mesmo Fluminense? Pois a vitória de 2a0 dos visitantes confirma a afirmação de que futebol não e uma ciência exata. O resultado tirou os 100% de aproveitamento do Tricolor das Laranjeiras e deu ao clube de Buenos Aires a possibilidade de fechar essa fase como líder no grupo: precisará vencer o lanterna Zamora e contar com tropeço do Flu diante do Arsenal, na sexta e derradeira rodada.

O jogo

Muitos ingressos vendidos por antecipação, presença maciça dos tricolores, equipe com 100% de aproveitamento na competição, classificação assegurada, adversário desfalcado de seu principal jogador. Ingredientes que sugeririam uma coisa que não foi vista na prática.

Abel Braga insistiu com um modelo de jogo e desperdiçou inestimável oportunidade de testar uma variação tática num time que não vem conseguindo emplacar boas atuações. A chance de Fred, aos nove minutos, após receber lançamento de Deco, foi uma das raras oportunidades dos donos da casa na partida. Diguinho parecia estar fora do tempo de bola. Edinho, pior que o companheiro de proteção à defesa, parecia estar fora do tempo de jogo. Thiago Neves, pior ainda, nem parecia estar no jogo propriamente dito. Com tanta mazela junta pra pouco espaço de campo, as razoáveis atuações de Deco, Fred e Wellington Nem acabaram se destacando no fraco conjunto tricolor - fraco de desempenho, forte de nome.

Aos trinta e três minutos, uma bola afastada por Schiavi encontrou a cabeça de Leandro Euzébio, que desviou para trás e deu condições para Cvitanich abrir o placar, chutando próximo a marca do pênalti e fazendo a alegria da sempre festiva e presente torcida do Boca. No lance, Diguinho ainda tentou parar o atacante na base da falta, mas a bravura e determinação de Cvitanich deram o 1a0 ao Boca e evitaram que Diguinho fosse expulso - um pênalti naquela situação era para cartão vermelho inapelável. Aliás, por falar em "cartão vermelho inapelável", braço no rosto e sola no tornozelo de dois adversários deveriam ter rendido uma expulsão a Diguinho, que resistiu até o apito final da arbitragem com uma atuação abaixo da crítica.

Pouca coisa mudou no desempenho tricolor para o segundo tempo - um treinador que troca Edinho por Jean e mantém Rafael Sóbis entre os suplentes não parece estar muito entusiasmado com mudanças - e o Boca Juniors consumou a vitória no Rio de Janeiro após novo gol. Aos vinte e nove minutos, a equipe encaixou contra-ataque veloz, onde Mouche cruzou, Jean tentou afastar mas direcionou a bola para Sanchez Miño e este mandou para a rede. 2a0 Boca, silenciando três alas de um estádio que fazia barulho, quase que exclusivamente, a partir do setor Norte - aquele destinado ao público da torcida visitante.

Aos quarenta minutos, uma jogada individual de Wellington Nem (talvez a única fonte de investida com alguma eficiência) terminou em pênalti cometido por Schiavi no hábil meia tricolor. Rafael Moura, que entrara no lugar de Fred, mandou a bola no canto esquerdo e parou em defesa do goleiro Orion.

Foi o primeiro revés tricolor na Libertadores da América 2012, mas não foi a primeira má atuação dessa equipe nessa edição da competição continental. Gilberto Gil sabe das coisas.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

Invicto há treze jogos (com somente um empate neste período, e em partida onde "podia empatar"), o Barcelona de Josep Guardiola arranca em direção a mais uma Tríplice Coroa. No Campeonato Espanhol, a equipe venceu o Athletic Bilbao por 2a0, no sábado, dia 31 de março. No domingo de Páscoa, dia 8 de abril, vitória por 4a1 sobre o Zaragoza, fora de casa. Resultados que, combinados ao recente empate do Real Madrid diante do Valencia (0a0), diminuíram a distância em relação ao topo da tabela para quatro pontos - essa diferença já esteve em dez pontos num passado não muito distante. Na Liga dos Campeões da Europa, o Barcelona passou pelo Milan na fase quartas-de-final com uma vitória por 3a1, na terça-feira passada, dia três. Quebrando recordes históricos - tanto a instituição quanto o craque Lionel Messi -, o clube catalão continua encantando o mundo da bola com seu repertório aparentemente infindável de jogar futebol em alto nível. E o mês de abril promete para o Barça: o calendário reserva, por exemplo, os jogos semifinais diante do Chelsea (dias 18 e 24), além de, entre uma data e outra, o jogo com o Real Madrid pela Liga Espanhola (dia 21). Uma boa data para assumir a liderança na competição nacional.

Jogada da semana

No clima ambientalista que sugere o uso de veículos não poluentes para diminuir a pegada ecológica e minimizar os impactos ambientais, a jogada da semana é a bicicleta de Stefano Mauri, numa obra-prima vista no jogo em que a Lazio venceu o Napoli por 3a1, na capital italiana, pela 31ª rodada na Série A 2011-2. Que precisão!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Vitória, Invencibilidade E Classificação Antecipada

O ano de 2012 caminha muito bem para o Botafogo, obrigado. No domingo de Páscoa, a equipe recebeu o Friburguense no estádio Engenhão e venceu por 3a1 a partida válida pela 7ª rodada na Taça Rio, conseguindo classificação antecipada para a fase semifinal graças ao tropeço do Resende, que empatou em 1a1 com o Volta Redonda.

Sebastián "El Loco" Abreu (que atuara pela última vez no jogo de volta com o Treze, pela Copa do Brasil, tendo sido poupado das partidas com Duque de Caxias, Fluminense e Guarani), atuou como titular e deixou sua marca, abrindo o placar. Herrera, que entrou no lugar do capitão uruguaio, marcou os outros dois gols do Alvinegro de General Severiano - o gol do Friburguense foi marcado por Douglas Rosa.

O jogo

Com Andrezinho centralizado, Elkeson e Fellype Gabriel abertos pelos flancos e "Loco" Abreu como referência na frente, o Botafogo não demorou a encaixar seu jogo e mostrar quem é que manda no Engenhão. Mesmo assim, pequenos descuidos na defesa renderam alguns sustos aos impacientes torcedores alvinegros, que viram Jéfferson salvar a equipe aos nove minutos (bloqueando chute de Ricardinho) e aos vinte e quatro minutos (defendendo lindamente pênalti cobrado por Rômulo no canto direito, em infração apitada pelo árbitro Eduardo Cordeiro Guimarães quando, na realidade, Marcelo Mattos sequer tocou no adversário que caiu na área).

Com trinta e quatro minutos, Andrezinho ia dando enfiada de bola para servir um companheiro e o produto acabou saindo melhor que a encomenda: ao tentar fazer o corte, o jogador do Friburguense encaminhou a bola para Abreu, que pegou de primeira e concluir com a perna esquerda. 1a0 Botafogo.

O placar persistiu até o intervalo, mas chances de ampliar a diferença existiram. Aos quarenta e dois minutos, uma boa troca de passes deixou Fellype Gabriel de frente com o gol e, praticamente da marca do pênalti, o jogador chutou à esquerda da meta. No último lance da etapa inicial, Elkeson só não marcou um golaço de fora da área porque o goleiro Marcos espalmou lindamente.

Na volta do intervalo, a primeira chance mais clara de gol foi do Botafogo: aos catorze minutos, Elkeson recebeu em boas condições e chutou cruzado, carimbando a trave esquerda. No rebote, Abreu isolou ao bater na bola com a perna direita.

A entrada de Herrera no lugar de Abreu aumentou a movimentação no ataque botafoguense. Eram muitas trocas de passes, muitas aproximações do gol, mas em algumas vezes o time pecava pelo excesso de toques na bola. De toda forma, saiu o segundo gol aos trinta e seis minutos: em posição duvidosa, Fellype Gabriel recebeu em velocidade pela direita e tocou para Herrera, que concluiu e marcou 2a0.

É dito no futebol que 2a0 é um placar perigoso, e o perigo se torna ainda maior quando um jogador de defesa dá a bola de presente para um adversário. Foi o que aconteceu com o zagueiro Antônio Carlos, que saiu jogando errado e "serviu" Douglas aos quarenta minutos. O chute ainda desviou em Fábio Ferreira para enganar o goleiro Jéfferson, indo parar no canto direito.

Só que o risco de deixar a vitória escapar numa partida em que era flagrantemente superior foi minimizado logo no minuto seguinte: Márcio Azevedo acelerou a jogada avançando rapidamente com a bola dominada, tocou para Renato e o meio-campista, destaque na partida diante do Guarani, bateu na bola aparentando chutar ao gol, mas acabou foi dando uma assistência para Herrera marcar seu segundo gol no jogo, o terceiro do Botafogo.

Para a próxima partida, a tendência é que o treinador Oswaldo de Oliveira poupe alguns jogadores - já classificado no Estadual, o Botafogo tem com o Guarani uma partida eliminatória pela Copa do Brasil apenas três dias depois de visitar o Boavista. Oswaldo de Oliveira que deu uma declaração interessante sobre o lance em que Antônio Carlos vacilou (o do gol do Friburguense):
"O Antônio Carlos ficou estupefato com o próprio erro e ficou sem reação. Tem que ter reação. Não pode se entregar. Eu fico mais preocupado com a reação do que com o próprio lance. Já vi acontecendo com grandes zagueiros. Não pode se entregar"
Oswaldo de Oliveira que, falando nele, protagonizou bonita cena, ao sair de mãos dadas com os jogadores no momento da saída do campo rumo ao vestiário, mostrando para a torcida que o grupo está unido (uma resposta elegante àqueles "torcedores" mais impacientes que vaiaram alguns "escolhidos").

Já o Friburguense de Gérson Andreotti, vice-lanterna no grupo B, encerra sua participação no Campeonato Estadual Fluminense 2012 diante do Bonsucesso, sem chances de classificação nem riscos de despromoção. O Bonsucesso, este sim, jogará buscando a permanência na primeira divisão estadual.

Leia também o tópico sobre a fórmula de disputa do Campeonato Estadual no Rio de Janeiro.

sábado, 7 de abril de 2012

Com Direito A Gol De Bicicleta, Lazio Vence Napoli Em Roma

Lazio e Napoli fizeram, no estádio olímpico de Roma, partida fundamental naquilo que tange os planos dessas equipes em disputar a próxima edição da Liga dos Campeões da Europa. Com a vitória dos mandantes (3a1), a equipe comandada por Edoardo Reja deu passo relevante para manter-se no G3 (zona de classificação para a UCL 2012-3). Após 31 rodadas completadas, a Lazio está em 3º lugar com 54 pontos, três a mais que a Udinese e seis a frente do Napoli.

Só que a tendência é que essa diferença seja diminuída na próxima rodada, já que a Lazio tem jogo dificílimo diante da líder e invicta Juventus, em Turim, enquanto os napolitanos recebem a Atalanta no estádio San Paolo.

O jogo

Antes do início da partida, homenagens foram prestadas a Giorgio Chinaglia, ex-futebolista profissional que desencarnou no dia 1º de abril. Chinaglia, maior goleador na história do New Yotk Cosmos, foi contratado pela Lazio em 1969 e faturou o primeiro título italiano na história do clube, na temporada 1973-4, sendo o maior goleador daquele time na Série A, com vinte e quatro gols anotados. Além de inúmeras faixas exibidas nas arquibancadas de Roma, os jogadores da Aquilotti utilizaram uma faixa preta como sinal de luto e uma camisa 9 foi estendida no banco de reservas da equipe, como se Chinaglia ali estivesse presente. Emocionante.

Porém, a camisa 9 da Lazio atualmente é vestida por Tommaso Rocchi, capitão do time, que se por um lado é bastante esforçado e se dedica em todas as jogadas que lhe cabem, por outro possui uma qualidade técnica duvidosa. De toda maneira, Rocchi estava presente na área aos oito minutos para fazer papel de pivô e servir Antonio Candreva, que chutou e contou com a contribuição do bom goleiro Morgan De Sanctis, que permitiu que a bola passasse por baixo de seu corpo. 1a0 Lazio e muita festa da torcida local, principalmente pelo fato de Candreva ter feito questão de comemorar colado aos adeptos, recebendo inclusive carícias calorosas na cabeça no ato da celebração.
Candreva e companheiros celebram primeiro gol do jogo com os torcedores da Lazio, em noite de homenagens a Chinaglia e vitória na Série A.

O Napoli tinha total ciência de que esse jogo tratava-se de um confronto direto por vaga na próxima UEFA Champions League e logo deu sinais de reação. Já no minuto seguinte, aos nove, Goran Pandev passou no capricho para Edinson Cavani, mas o centroavante uruguaio não aproveitou a clara chance de gol e parou em grande defesa de Federico Marchetti. Mais um minuto se passou e mais uma vez o Napoli chegou: aos dez, uma bola levantada para a área procurando Cavani foi cortada pelo cabeceio de Mobido Diakité e chegou até o domínio de Marek Hamsik, que chutou de fora da área e mandou a bola perto da trave esquerda.

Após essas duas ocasiões em que o Napoli se aproximou do empate, a Lazio tratou de concentrar seus esforços em tentar anular as investidas adversárias. Para a qualidade do jogo, isso foi muito ruim no sentido de que o time da casa parecia abrir mão de atacar (o brasileiro Hernanes era figura que ficava muitas vezes isolada no setor de criação) e ainda por cima retardava a reposição da bola em jogo naquele ato característico de time que está querendo segurar o resultado. O Napoli, que tem no contra-ataque rápido uma de suas maiores qualidades sob o comando de Walter Mazzarri, encontrava dificuldades de se desvencilhar do sistema defensivo adversário, embora tivesse maior tempo de posse de bola.

Só que o argentino Ezequiel Lavezzi, em noite inspirada, daria sua contribuição para ajudar os napolitanos a romper a barreira da marcação oponente. Aos vinte e cinco minutos, Lavezzi tabelou com Cavani pela esquerda, fez a ultrapassagem para receber de volta e mandou a bola à esquerda, atravessando a pequena área, no que mais me pareceu uma tentativa de assistência do que de finalização. Quatro minutos depois, aos vinte e nove, a Lazio chegou ao ataque e quase tirou proveito de nova falha de De Sanctis: Cristian Ledesma, jogador de nacionalidade italiana mas nascido na capital argentina Buenos Aires, levantou da direita, Lorik Cana e Stefano Mauri estavam na área mas a bola chegou até De Sanctis, que deu um tapa estranho para o lado direito. Para sorte do Napoli, a Lazio não deu sequência ao lance.

Mais quatro minutos se passaram e, aos trinta e três, saiu o gol de empate napolitano. Com belo toque de calcanhar, Lavezzi desmontou a defesa da Lazio e deixou Pandev em ótimas condições de finalizar. E o ex-jogador da Lazio, bastante vaiado pela torcida presente, chutou tirando de Marchetti para deixar tudo igual no marcador, levando as mãos em concha às orelhas como que ironizando os adeptos adversários.

O placar de 1a1 persistiu até o final de um primeiro tempo onde os visitantes mostraram-se mais dispostos a atacar do que o time local. Só que o panorama da partida teve mudança brusca após o intervalo. Não sei se isso se deveu a troca de Hernanes por Álvaro González (por mais que o uruguaio tenha entrado bem no jogo) ou por alguma boa conversa no vestiário, haja visto que mais do que uma mudança tática, foi percebida uma mudança de atitude no time da Lazio. Mesmo assim, as primeiras chegadas de maior destaque foram do Napoli, sempre com a participação efetiva de Lavezzi. Logo no primeiro minuto, Lavezzi driblou dois adversários pela esquerda (mais precisamente passando pelo meio de González e Abdoulay Konko) e cruzou rasteiro encontrando Pandev - mas o meia macedônio não pegou do jeito que queria e desperdiçou a chance de virar o placar. No minuto posterior, mais Napoli e mais Lavezzi: o camisa 22 recebeu novamente pelo flanco esquerdo, fintou Konko e chutou por cima.

O início de segundo tempo napolitano era interessante, mas a marcação da Lazio foi encaixando e o Napoli, sem complicando. Aos seis minutos, um erro na saída de bola permitiu que Candreva ficasse cara-a-cara com De Sanctis, que dessa vez interviu bem para defender - na sequência do lance, Hugo Campagnaro chegou antes de Rocchi e cortou, tendo ainda sofrendo falta na jogada. Na marca de treze minutos, Mauri dividiu com a defesa pelo alto, Rocchi ajeitou no peito, chutou e De Sanctis defendeu em dois tempos. O jogo estava parelho a partir de então, com os setores de meio-campo um praticamente neutralizando o outro. Até que pintou uma jogada extraordinária, de rara felicidade na finalização: aos vinte e dois minutos, Stefan Daniel Radu desceu pelo lado esquerdo e cruzou pra área. A bola viajou e chegou até Mauri, que emendou uma bicicleta certeira para estufar a rede, recolocando a Lazio em vantagem no placar com um golaço. 2a1 Lazio, numa candidata de respeito a melhor jogada da semana.

Uma das broncas que tenho com relação ao competente treinador Walter Mazzarri reside na sua relativa demora em modificar aquilo que precisa ser modificado na equipe para fazê-la render mais dentro de campo. Ao optar jogar com uma linha de defesa com Paolo Cannavaro, Campagnaro, Miguel Britos e Salvatore Aronica, Mazzarri reduziu as opções de saída pelos flancos, que no jogo se limitavam basicamente às jogadas individuais de Lavezzi. Somente depois de voltar a ficar atrás no marcador, o treinador mais bem pago atualmente no futebol italiano resolveu levar ao gramado Andrea Dossena, jogador mais hábil a avançar pelo lado do campo, tirando Aronica, aos vinte e seis minutos. Já no minuto seguinte, ocorreu um lance que considero capital para a partida, pois foi marcado impedimento inexistente de Cavani em jogada que terminaria na rede (pelo menos assim foi concluída após a interrupção da arbitragem).

Não há dúvidas que se o Napoli empatasse naquele momento, o jogo tenderia a um novo rumo. Partida que segue em Roma e erros que se sucedem na defesa napolitana: aos trinta e quatro minutos do segundo tempo, Blerim Dezemaili saiu jogando errado com um passe para trás e Britos acabou calçando Rocchi dentro dos limites da grande área. Pênalti assinalado por Paolo Mazzoleni. Ledesma encarregou-se da cobrança e mandou a bola no quadrante um, sem defesa para De Sanctis, que até acertou o canto. Ainda houve tempo para, aos quarenta e dois minutos, Konko chutar cruzado à meia-altura e parar em defesa de De Sanctis, que espalmou no canto direito, evitou que a derrota tomasse ares de goleada. E por falar nas modificações tardias de Mazzarri, o habilidoso chileno Eduardo Vargas entrou no jogo aos trinta e três minutos do segundo tempo.

Campeonato Estadual Fluminense: Aspectos Positivos E Negativos De Uma Fórmula Polêmica

Os primeiros meses do ano no calendário futebolístico brasileiro são reservados basicamente a três competições: a Copa Libertadores da América (de dimensão continental, organizada pela CONMEBOL e com seis clubes brasileiros na disputa), a Copa do Brasil (de dimensão nacional, organizada pela CBF e iniciada com 64 clubes) e os Campeonatos Estaduais (organizados por cada federação e abrangendo somente time nos limites da respectiva fronteira estadual). Neste tópico iremos lançar um olhar sobre o Campeonato Estadual disputado no Rio de Janeiro, que nos últimos anos vem repetindo a fórmula de disputa em dois turnos. O objetivo não é exaltar nem desmerecer a competição e seu formato, mas buscar um entendimento do modelo vigente para que possamos concluir se dá ou não para ser melhorado para as próximas temporadas.

A fórmula

Com dezesseis clubes integrantes, o Campeonato Estadual Fluminense conta com dois grupos, cada um com oito clubes, não podendo ter nem mais nem menos do que dois "grandes" em cada chave - em 2012 ficaram Botafogo e Flamengo no grupo A; Fluminense e Vasco no grupo B.

No primeiro turno (Taça Guanabara), cada equipe enfrenta os sete outros times de seu mesmo grupo (ou seja, há dois clássicos: Botafogo e Flamengo, e Fluminense e Vasco). As duas equipes que mais pontuarem, avançam para a fase semifinal. As vencedoras na fase semifinal jogam a final - sempre em jogo único, com desempate em disputa por pênaltis em caso de igualdade no tempo regulamentar.

No segundo turno (Taça Rio), cada equipe enfrente os times situados no outro grupo, isto é, em vez de sete rodadas há aqui oito jornadas para a conclusão da fase que antecede os jogos eliminatórios. Os clássicos passam a ser, no exemplo de 2012, Botafogo e Fluminense, Botafogo e Vasco, Flamengo e Fluminense, e Flamengo e Vasco. Copiando e colando o que ocorre no primeiro turno:  as duas equipes que mais pontuarem, avançam para a fase semifinal. As vencedoras na fase semifinal jogam a final - sempre em jogo único, com desempate em disputa por pênaltis em caso de igualdade no tempo regulamentar.

Se o time campeão na Taça Guanabara faturar também a Taça Rio, este é campeão estadual. Se os campeões de um turno e de outro forem clubes distintos, fazem-se dois novos jogos entre eles e o time que marcar mais gols é o campeão estadual (havendo igualdade na soma dos gols, desempate em disputa por pênaltis).

Ademais, os dois times com menor pontuação na soma dos quinze jogos não-eliminatórios (sete no primeiro turno e oito no segundo turno), são despromovidos para a Série B estadual.

Analisando

A fórmula de dois turnos no modelo atual vem sendo dominada pelos quatro "grandes", que constantemente integram as vagas na fase semifinal jogando entre si. As fases semifinal e final costumam reservar grandes emoções, muitas das vezes sendo definidas em disputa por penalidades máximas. Quando tem início o segundo turno, ocorre o que considero uma aberração na disputa pelas quatro vagas nas semifinais (duas de cada grupo): um time tem a possibilidade matemática de se classificar com oito derrotas enquanto outro time tem a possibilidade matemática de ser eliminado com oito vitórias em oito jogos.

Atualmente, estamos com seis rodadas disputadas, ou seja, faltando duas para a definição das semifinais na Taça Rio 2012. O líder no grupo B é o Vasco, com onze pontos ganhos. Essa pontuação do Vasco o colocaria apenas na quinta colocação no grupo A. Por outro lado, o Flamengo, líder no grupo A com quinze pontos, ainda pode ser ultrapassado por Botafogo, Macaé e Resende, isto é, não está matematicamente classificado. Se estivesse no grupo B com uma campanha rigorosamente igual a atual, não somente seria líder como já estaria garantido na semifinal independentemente dos resultados nas duas últimas rodadas.

Nova Iguaçu e Madureira, com sete pontos ganhos e nas respectivas 6ª e 7ª colocações no grupo A, estão fora da disputa por vaga na semifinal (o atual 2º colocado, o Botafogo, tem catorze pontos e não pode ser alcançado nem pelo Laranja da Baixada nem pelo Tricolor Suburbano). Já o Boavista, lanterna no grupo B com três pontos, ainda tem possibilidade matemática de classificação para a semifinal. É evidente que ninguém em sã consciência apostaria nessa hipótese, mas o simples fato de essa situação se oferecer, mostra que alguma coisa está fora de ordem no modo de disputa da competição.

Um outro caso curioso é o do Bangu. Depois de campanha pífia na Taça Guanabara, quando perdeu todos os sete jogos disputados, o Alvirrubro da Zona Oeste é atualmente vice-líder no grupo B na Taça Rio (ou seja, está na zona de classificação para a fase semifinal). Isso por si só não deixa de ser uma coisa interessante, mas tenhamos atenção no que poderia ocorrer com o Bangu: com nove pontos na soma dos dois turnos, o time está ameaçado pelo rebaixamento, ao mesmo tempo em que tem a possibilidade - e por que não? - de ser campeão estadual esse ano. Quer dizer, no mecanismo em vigor no Campeonato Estadual no Rio de Janeiro, poderíamos ter um clube campeão sendo rebaixado para a segunda divisão. Em que outro lugar do mundo admite-se algo dessa natureza? Sinceramente, acho que precisamos rever o calendário brasileiro com urgência. Isso inclui jogos realizados sob o sol no verão com sensações térmicas passando dos quarenta graus centígrados, isso inclui partidas tarde da noite para atender interesses de emissoras de televisão, e, no caso do Campeonato Estadual Fluminense, isso inclui também o modelo de disputa.

A sugestão que faço por ora é encontrarmos uma maneira de colocar os quatro "grandes" com o torneio já em andamento, o que diminuiria a carga de jogos desses times e daria aos demais clubes maiores possibilidades de chegar numa fase eliminatória na competição. Pretendo esquematizar algo com mais pormenores e postar neste blógui, mas a princípio acho relevante deixar bem claro que sou contra o modelo de pontos corridos nos estaduais (aprovo essa disputa para os Campeonatos Brasileiros em todas as suas séries). E que o formato do Estadual no Rio de Janeiro, sobretudo no que tange essa fase na Taça Rio, precisa ser revisto.

Abraços.