quinta-feira, 29 de junho de 2017

Porcaria No Parque

O estádio palmeirense recebeu grande público no jogo de ida pelas quartas-de-final na Copa do Brasil 2017, sendo palco de uma bela partida nessa noite de quarta-feira.

Então por que "Porcaria No Parque"?, alguém poderia indagar. Estimado leitor e estimada leitora, depende do que você atribui à palavra "porcaria". Reconhecendo os porcos como animais inteligentes, sensíveis e brincalhões, esse termo contempla a desenvoltura do futebol apresentado pelos comandados de Cuca. Um time alegre, envolvente, que busca o gol coletivamente. Porcos, por sinal, são seres altamente sociáveis.

Porém, o futebol não tem compromisso com a justiça (assim como muitos humanos também não têm, afinal, bastante gente submete porcos a uma vida miserável simplesmente para convertê-los em pedaços de lingüiça, salame, presunto, mortadela...). E o placar do primeiro tempo sentenciava 3a0 para o Cruzeiro, que chegou aos gols em três ótimas tramas, nas suas três finalizações até então. Um duro golpe aos donos da casa, que criavam chances mas não tinham a mesma felicidade no momento de concluir. Mas, ao contrário da sentença de morte nos matadouros - o Brasil mata oficialmente um porco a cada segundo - o futebol permite uma volta por cima. Viria o segundo tempo.

Teve comentarista esportivo que, no intervalo, comparou a atuação do Palmeiras diante do Cruzeiro com a do Brasil diante da Alemanha na fatídica semifinal de 2014. Péssima comparação. Se naquela ocasião a seleção de Felipão levou um baile de bola da equipe de Löw, dessa vez o que se via era uma partida equilibrada, apesar do placar elástico. E tanto o equilíbrio quanto a elasticidade foram rompidos no segundo tempo: o Palmeiras passou a dominar o jogo e o resultado foi refletindo essa predominância.

No final, um 3a3 construído com belo futebol. Uma porcaria de atuação. Infelizmente, durante os 90 minutos em que se disputou essa partida, esse país matou aproximadamente 5400 suínos. Todos inocentes. Todos sencientes. É o 7a1 que não vira notícia nos meios de comunicação. Que não possui apelo popular. E então, é a minha vez de perguntar: como pedir paz no esporte se nos alimentamos diariamente de violência?
Porco: símbolo do Palmeiras, vítima da indústria alimentícia. Imagem disponível em pesquisa no Bing.

sábado, 24 de junho de 2017

México Vira, Avança, Elimina A Rússia E Auxílio Eletrônico Marca Presença

Lozano mais esperto que Akinfeev. Foto: Tolga Bozoglu/EFE/EPA
Havia visto alguns comentários que previam que a Copa das Confederações 2017 seria um fracasso. Os argumentos giravam em torno:
  • da pouca procura por ingressos;
  • da seleção alemã não levar seu "time principal";
  • da FIFA considerar que o modelo da competição encontra-se esgotado.
Talvez hajam ainda mais justificativas para criticar o torneio disputado na Rússia. Mas gostaria de me fixar em dois pontos positivos. O primeiro é que, do pouco que vi até agora, gostei: Rússia e México foi o primeiro jogo que assisti inteiro e achei a partida bem interessante. Duas equipes propositivas e, curiosamente, com a equipe russa conseguindo encaixar mais jogadas envolventes que seu adversário (considerado superior tecnicamente). O México primou pela organização, sobretudo entre as duas intermediárias. Mas raramente impôs um flagrante domínio sobre os donos da casa. Virou o jogo com um misto de sorte e mérito, mas não sobressaiu ao ponto de tornar o empate um resultado fora de contexto.
O outro ponto positivo é, na minha opinião, ainda mais importante. Principalmente pelo momento que vive o futebol mundial. É a incorporação do recurso eletrônico para auxiliar a arbitragem na tomada de decisão. Funcionou corretamente no jogo e proporcionou dois ganhos inestimáveis ao evento: a justiça no resultado e a sensação de justiça no resultado. Sim, uma coisa difere da outra. Quando os jogadores dentro de campo sentem que não está havendo interferência de terceiros (sim, o árbitro deve ser considerado como uma terceira parte nessa história toda), o jogo parece fluir melhor, parece transcorrer mais leve, parece seguir seu rumo com maior tranqüilidade.

Houve dúvidas em pelo menos dois lances de queda na grande área (ambos, de fato, sem pênaltis) e um gol mexicano que colocaria 3a1 no placar (os russos sequer reclamaram de impedimento, mas ele realmente existiu).

O auxílio de vídeo chegou para ficar. Não há qualquer razão para não incorporá-lo nos próximos torneios da FIFA. Há, isto sim, a necessidade de seguirmos nessa direção e ampliá-lo quando necessário. O mundo - e isso inclui o futebol - precisa de justiça. Atentar contra ela em alguma parte é ameaçá-la em qualquer outra.

Em tempo: ótima arbitragem do árabe Fahad Al Mirdasi. Foi praticamente tão preciso quanto a própria tecnologia à sua disposição.

Ah! O jogo terminou 2a1 para o México. Os mexicanos avançam em segundo lugar (atrás de Portugal) e os russos são eliminados em terceiro (a frente da Nova Zelândia). Independentemente do que ocorra no outro grupo (onde Alemanha e Chile são as maiores forças diante de Austrália e Camarões), a Copa das Confederação já tem um vencedor: o futebol. Vitória com um golaço do auxílio eletrônico. Antes tarde do que Blatter...

sábado, 10 de junho de 2017

Deus Salve A Rainha!

Como diria o lendário narrador Sílvio Luiz:

- Pelas barbas do profeta!

Foi de uma exclamação metafórica o final de partida entre os britânicos da Escócia e da Inglaterra, em Glasgow. Aquilo que rumava para um 0a0 se transformou em um jogo de quatro gols, todos na segunda metade do segundo tempo, sendo três deles para depois dos quarenta.

Primeiramente, #ForaTemer! (Não resisti hahaha...)

Aos vinte e quatro minutos no segundo tempo, quando os ingleses esbanjavam organização defensiva mas não traziam grandes inspirações no setor de ataque, uma bola recuada "na fogueira" pela defesa escocesa rendeu um arremesso lateral para a Inglaterra no campo de ataque. Seria um lance facilmente marcável, mas Oxlade-Chamberlain, que entrara a cerca de cinco minutos, fez brilhante jogada individual e chutou firme, contando com a contribuição do goleiro Gordon para inaugurar o marcador na Terra da Rainha. Sim, senhoras e senhores, em tempos de BrExit, é bom lembrar que a Escócia também é a Terra da Rainha. E, por aquelas terras, diz-se que a maioria da população é contrária à saída britânica da zona do Euro. Mas voltemos ao futebol.

Com Martin no lugar de Anya, o treinador Gordon Strachan mostrava-se à disposição de abrir o time para tentar pelo menos o empate nos minutos finais. O que ele talvez não esperava era que sua equipe viraria o jogo! Aos quarenta e um, Griffiths cobrou falta com precisão, no lado esquerdo de Joe Hart. Uma explosão de alegria da fanática torcida local. Três minutos depois, nova falta para a Escócia por aquela região. Nenhuma dúvida: era Griffiths novamente na cobrança. Dessa vez, ele escolheu uma cobrança no lado direito do goleiro. E, mais uma vez, festa no gramado e nas arquibancadas.

O êxtase era completo e já dava para imaginar quais seriam os títulos das publicações naquele país. Ainda mais em tempos inflamados na geopolítica mundial como um todo e britânica em particular. Só que no futebol, o improvável, provavelmente, acontece. Nos acréscimos, uma bola lançada caprichosamente por Sterling (outro jogador lançado por Gareth Southgate no segundo tempo), acabou encontrando o goleador Harry Kane, que estufou a rede oponente e foi para os braços de seus compatriotas. Se bem que, ali, eram todos eles compatriotas. Com ou sem saída da zona do Euro.
Finais de jogo como o de Escócia 2a2 Inglaterra fazem o futebol sorrir. Imagem extraída de Blog do Dirceu Rabelo.

sábado, 3 de junho de 2017

Realmente, O Melhor - Madrid Arrasa Juventus Em Gales

Sergio Ramos ergue a taça da Liga dos Campeões da Europa, a 12ª na história do Real Madrid. Foto: Getty.

Vamos evitar falar de números. Apenas para não dizer que eles não foram mencionados: o jogo Juventus 1, Real Madrid 4 representou a 12ª conquista de Liga dos Campeões da Europa da equipe da capital espanhola; o segundo de Zinedine Zidane em duas temporadas como técnico; a primeira vez em 59 anos que o clube consegue vencer a Liga Espanhola e a Européia no mesmo ano. Enfim, números.

Vamos falar de futebol.

Navas é um grande goleiro. Fez uma excepcional Copa do Mundo em 2014, no Brasil, ajudando a Costa Rica a chegar às quartas no Mundial. E por muito pouco a equipe não foi ainda mais longe (lembre-se que a Holanda só conseguiu a classificação nos pênaltis). As críticas que a imprensa espanhola faz em cima dele parecem-me desproporcionais. Será que eles preferem De Gea? Francamente...

Carvajal e Marcelo formam uma consistente dupla de laterais. Do lado direito, há mais marcação. Do lado esquerdo, mais ofensividade. E rola um equilíbrio entre eles, dados sobretudo pela sólida dupla de zaga - o capitão Sergio Ramos e o cada vez melhor Raphael Varane.

O setor de meio-campo começa com Casemiro, implacável protetor da última linha. Kroos e Modric agregam qualidade na posse de bola e na capacidade de encontrar os espaços vazios de tal forma que a impressão que dá é que sempre que a redonda passa por eles, ela chegará em boas condições em um lugar melhor. Isco, por sua vez, soma um nível de energia que permite integrar os três setores. Mais à frente, Benzema, que até quando não está bem, é útil. E o elemento por muitas vezes criticado mas quase sempre decisivo. Na ausência (vide final da Eurocopa) ou na participação (vide hoje), não há como não falar de Cristiano Ronaldo. Mas como prometi evitar falar de números, vamos apenas deixar aqui que Cristiano encaminha mais uma Bola de Ouro na carreira. Sua principal virtude me parece ser a força de vontade. Uma vontade de êxito pessoal que reflete no coletivo. Uma vaidade que se apresenta como mãe da perseverança. "Eu tô aqui", ele diz. Sabemos disso.

Mas o personagem que me parece o protagonista nessa história é mais humilde. Menos midiático. E demasiadamente talentoso: Zinedine Yazid Zidane. Conseguiu na base da simplicidade, da conversa, e de algo mais, modernizar um time que já tinha conceitos modernos. Pegou uma herança positiva deixada por Carlo Ancelotti e fortaleceu o grupo. Casemiro é um dos seus "achados". Tem o seu dedo também o ótimo rendimento de Cristiano. Com todas as arestas a serem aparadas num time que não é perfeito, o que vem sendo desenvolvido é, com méritos, vencedor. É muito mais legal ver o Real jogar hoje do que alguns anos atrás. O futebol te agradece, Zizou. E estamos na expectativa pelo que você poderá proporcionar na próxima temporada.

À Juve, que teve campanha estupenda, fica a frustração. Poderia ter sido a primeira conquista continental do mítico Gianluigi Buffon. Não foi. Coisa dos deuses do futebol, que usaram Bonucci e Khedira para desviar as bolas para longe das luvas do goleiro. O golaço de Mandzukic foi insuficiente. Faltou um pouco de Higuaín. Faltou um tanto de Dybala. E sobrou Massimiliano Allegri, que precisou ver o adversário ficar dois gols a frente para colocar Cuadrado. Por mais que haja uma diferença entre times e elencos, talvez o maior abismo entre Real e Juventus esteja na mentalidade de seus treinadores. Não sei se o jogo teria sido tão interessante e dinâmico caso a Juve tivesse ficado em algum momento na frente no placar. E, sinceramente, melhor nem saber. Os deuses nos deram um roteiro melhor. Parabéns, Real Madrid e obrigado, Zidane.
Zinedine Zidane em seus tempos de Juventus. Sobrava nos gramados. Imagem extraída de Sportsmo.

domingo, 26 de março de 2017

Schü-Schürrle Beleza

A atual campeã mundial foi a campo na cidade de Baku, capital do Azerbaijão, e não decepcionou: goleou a seleção da casa por 4a1 dando alguns lampejos daquele time que venceu a Copa do Mundo de 2014. Tudo bem que quatro não é sete, mas a superioridade alemã na tarde de hoje foi incontestável.

Se a equipe comandada pelo ótimo Joachim Löw não conta mais com Lahm, Schweinsteiger, Podolski, Klose e alguns outros grandes talentos, é fato que o elenco ainda possui muita qualidade. Prova disso é ver jogador da grandeza de Mesut Özil começar relacionado entre os suplentes. E foi exatamente um jogador habitualmente escalado na reserva que, de titular desde o início nesse domingo, foi o grande destaque na partida: André Schürrle. Aquele mesmo, autor dos dois últimos gols alemães naquela fatídica semifinal no Mineirão.

O camisa 9, que a bem da verdade jogava a maior parte do tempo como um segundo atacante - Mario Gómez era a referência mais centralizada -, esbanjou eficiência, visão de jogo e posicionamento para ajudar a construir a vitória dos visitantes. Vitória que começou com gol dele: após boa troca de passes (daquelas que a gente conhece também por causa deles), o participativo lateral-esquerdo Jonas Hector serviu Schürrle, que completou para a rede, aos dezoito.

A torcida do Azerbaijão, que celebrava desde antes de o apito inicial e parecia festejar o simples fato de estar recebendo os atuais campeões da Copa, dividindo o gramado do estádio Tofiq Bəhramov adına Respublika (sim, copiei e colei esse nome exótico), foi ao êxtase quando testemunharam o gol de empate: aos trinta, o versátil Ismaiylov passou para Nazarov, que chutou cruzado sem dar possibilidade de defesa para Leno. 1a1 no placar, uma euforia generalizada nas arquibancadas e um momento histórico: a Alemanha estava a onze horas sem ser vazada, tendo sofrido um gol pela última vez em julgo de 2016. De lá para cá, sete jogos inteiros sem ceder um tento sequer aos adversários. Dá-lhe, Azerbaijão! Aliás, quando alguém chegar até você dizendo que "futebol é apenas um jogo" (ou algo do gênero), mostre para esse indivíduo as imagens da comemoração de jogadores e torcedores do Azerbaijão após marcarem o gol de empate diante da Alemanha. Obrigado.

Cinco minutos depois, no entanto, os alemães retomavam a frente no marcador: após vacilo na saída de bola dos donos da casa - e da festa -, Schürrle passou sob medida para Thomas Müller, que concluiu o lance como manda o figurino: passou pelo goleiro com um drible curto e finalizou com um remate rasteiro. Ainda houve tempo e oportunidade para marcar o terceiro antes do intervalo: Joshua Kimmich cruzou e Mario Gómez anotou de cabeça.

No segundo tempo, a intensidade alemã foi menor. Provavelmente devido aos dois gols de margem no placar e, talvez principalmente, à intermitente dedicação do Azerbaijão em competir por todos os lances, em qualquer centímetro quadrado de gramado. O quarto gol saiu aos trinta e cinco: jogando como um nove de fato e de direito (até porque Löw havia trocado Gómez por Özil), Schürrle voltou a desfrutar de passe de Hector para chegar à rede. Uma linda finalização, por sinal.

A Alemanha é soberana em sua chave nas Eliminatórias Européias, e tudo leva a crer que a classificação ao Mundial-2018 seja mera questão de tempo. O Azerbaijão, autor do primeiro gol sofrido pelos alemães no torneio, conserva o sonho num grupo que tem Irlanda do Norte (próximo adversário, novamente em Baku), Noruega, San Marino e República Tcheca. Mas, verdade seja dita, com ou sem vaga na Copa, esses caras estão de parabéns. Na tarde de hoje, provaram que futebol é muito mais que um jogo.
Schürrle foi o nome do jogo: marcou duas vezes (em duas assistências de Hector) e ainda deu o passe para o gol de Müller. Foto: Kirill Kudryavtesv/AFP.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Com Dois Belos Gols E Um Belo Silêncio, Rennes Triunfa No Francês

Tudo começou com um eloqüente minuto de silêncio, em homenagem às vítimas do acidente com o avião que levava diversas pessoas e que virou comoção internacional sobretudo por envolver a delegação da Chapecoense. O estádio Roazhon Park, com milhares de torcedores nas arquibancadas, estava quieto. Dava para ouvir os ventos que iam de encontro aos microfones. Lembranças, lembranças, lembranças. De vidas únicas. E aquela lembrança do quanto a vida é frágil.

Com bola rolando, os donos da casa souberam construir a vitória. Podemos prestar muitos elogios à jogada de Ntep, que abriu a contagem aos oito minutos no segundo tempo: com pedalada estilo Robinho e objetividade estilo Robben, o francês que nasceu em Camarões ajoelhou-se para comemorar o golaço. Foi também de joelhos que muitos ao redor do mundo ficaram, em oração, pelo acidente com aquele avião. Somos seres de emoção.

Nos acréscimos, um golaço de Grosicki consolidou a vitória do Rennes diante do Saint Etienne: pegou bonito na bola e conseguiu dar a ela uma trajetória que passou caprichosamente sobre o goleiro Ruffier, beijando a trave antes de entrar. O camisa dez polonês, que começara o jogo entre os suplentes, não precisou de vinte minutos para mostrar seu talento. E nós, meros mortais, precisaremos de quanto tempo para esquecer a tragédia? Ou, se não esquecê-la, assimilá-la? Enfim, que tenhamos pela vida o carinho e o respeito que ela merece. A vida é um dos mais belos gols do Criador.


domingo, 10 de julho de 2016

Longe De Encantar, Portugal Fatura Inédita Eurocopa

O que seria de Portugal sem Cristiano Ronaldo?

O futebol respondeu essa pergunta hoje: campeão da Eurocopa.

Foi sem seu principal astro e capitão que a seleção portuguesa enfrentou a França durante mais de 80% do tempo de jogo na final em Paris. Esbanjando aplicação tática e força coletiva, os comandados de Fernando Santos foram bem-sucedidos na famigerada estratégia de "jogar por uma bola". Na covarde postura de reagir em vez de propôr, a bola do "golo" saiu no segundo tempo da prorrogação, em chute de Éder, de fora da área.
Éder, que entrou no lugar de Renato Sanches, comemora o gol do título. Foto: Christian Hartmann / Reuters.

Foi justo o título português?

O futebol enquanto esporte e o futebol enquanto arte oferecem respostas distintas para essa indagação.

No sentido da estrita competitividade, Portugal é campeão europeu com justiça. Jogou pelo regulamento. Já no sentido da qualidade do entretenimento, da diversão, do prazer em assistir um jogo desse tão antigo esporte bretão, o título português é de uma injustiça tremenda. Pelo futebol apresentado, poderia ter se despedido na fase de grupos, quando empatou três partidas numa chave onde era apontada como a maior força. Mas viu a Islândia e, principalmente, a Hungria encantarem naquela etapa da competição. A própria Áustria, que perdeu para aquelas seleções, conseguiu conter os lusitanos. Senhoras e senhores de todas as idades, se o primeiro critério de desempate fosse o número de vitórias, Portugal estaria eliminado com a campanha de três empates. Classificou-se com saldo zero. Graças, por exemplo, à goleada da seleção espanhola sobre a Turquia. Ou à vitória francesa sobre a Albânia. Coisas do futebol (e do regulamento).

Passou pela Croácia na prorrogação, em jogo onde viu o adversário criar as maiores chances de gol. Passou pela Polônia nos pênaltis. No tempo regulamentar, somente conseguiu superar o País de Gales, que sucumbiu na ausência de Aaron Ramsey. Mas pior que os placares em si, era o desenvolvimento dos jogos: a seleção portuguesa resumia sua produtividade a sair em velocidade e colocar a bola na área.

Talvez o grande mérito de Portugal tenha sido o de conseguir manter seu nível de jogo sem o seu jogador mais badalado - embora, diga-se, o nível de jogo português não é lá grandes coisas. Prima, isto sim, pela competitividade e pela capacidade de dar à partida uma feição que lhe ofereça condições favoráveis para "brigar" pelo resultado. Não duvido que possa haver uma "inspiração" na Grécia de 2004, um dos maiores traumas de Portugal, e seleção que teve recentemente como treinador o próprio Fernando Santos. Ao futebol, um presente de grego.

Faltou à França o futebol que apresentou em outros momentos no torneio. Os primeiros 45 minutos diante da Islândia, por exemplo, foram mais convincentes que a soma de cada segundo português na Eurocopa inteira. Mas o que fica registrado é o resultado. Brasileiros em geral (incluindo aí parcela majoritária e quase unânime da mídia) eram satisfeitíssimos com o "trabalho" de Dunga. Baseavam-se nos títulos na Copa América, Copa das Confederações e primeiro lugar também nas Eliminatórias. Até cair para a Holanda nas quartas do Mundial. A partir daí, Dunga já não mais prestava. Mas o mundo gira, e se Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari também não prestam mais, chamemos o Dunga de novo. Dessa vez, os resultados não "permitiram" que fosse mantido até uma eventual Copa do Mundo em 2018. Só que o que pouco se aborda é que, no jeito de jogar, a seleção de Dunga ficou na fronteira da mediocridade nas vitórias, nos empates e nas derrotas. Acontece que, nas vitórias, tá tudo bem quanto ao fato de ser medíocre... Enquanto essa cultura do resultado sentenciar que um treinador seja bom ou ruim em função de placares e posições, estaremos fadados a vermos gente afirmar que Portugal mereceu o título. Se mereceu, então, o futebol é que não merece Portugal. Com ou sem Cristiano Ronaldo.

domingo, 3 de julho de 2016

Resumão Das Quartas Na Eurocopa 2016

As quartas-de-final na UEFA Euro 2016 reservaram fortes emoções aos apaixonados por futebol. De surpresas a confirmações de favoritismo, de jogos definidos nos pênaltis a goleada, bastante coisa aconteceu de interessante entre quinta-feira e domingo. Vamos a alguns pitacos.

[1] Polônia 1(3)a(5)1 Portugal.
[1.1] Saiu o primeiro gol de Robert Lewandowski na Eurocopa 2016. Logo no início da partida, ele aproveitou passe de Grosicki em jogada pela esquerda e completou esbanjando aquele oportunismo habitual que é exibido temporada após temporada na Bundesliga.
[1.2] Renato Sanches, jovem talento que será parceiro de Lewandowski no Bayern de Munique, mostrou que está pronto e preparado para ajudar a seleção portuguesa. Marcou o gol de empate após tabela com Nani e, principalmente, se ofereceu à equipe. Demonstra mais senso de coletividade que alguns astros consagrados (sim, isso foi uma indireta - que com esses parênteses se torna direta - ao Cristiano Ronaldo).
[1.3] Desempate por pênaltis é uma coisa que foge completamente da análise pragmática: na definição da classificação portuguesa, eis que o único polonês a desperdiçar a cobrança foi exatamente aquele jogador que tem uma das melhores pontarias da equipe: Blaszczykowski. Grande defesa do goleiro Rui Patrício.
[1.4] Capricho dos deuses do futebol que a cobrança derradeira tenha cabido a Ricardo Quaresma. O tatuado camisa 20, que veio do banco para novamente contribuir, vem fazendo bela competição e dando uma força ofensiva muito útil para abrir a última linha de defesa adversária, principalmente pelos flancos.

[2] País de Gales 3a1 Bélgica.
[2.1] Considerando a diferença de nível técnico entre as equipes (com todo respeito aos galeses, que têm muitas qualidades) e a circunstância do jogo (leia-se o golaço de Nainggolan aos doze minutos para abrir a contagem), País de Gales conseguiu um resultado histórico ao conseguir virar a partida.
[2.2] Curiosamente, em nenhum dos três gols houve participação direta do sempre participativo Gareth Bale. Coube a Aaron Ramsey conduzir a classificação com duas assistências na partida. Sua suspensão a ser cumprida na semifinal terá, sem dúvida, um impacto no time. Será desafiador jogar sem o cerebral camisa 10.
[2.3] A excepcional geração belga merece os elogios que recebe e o que Marc Wilmots vem fazendo frente a esta seleção é algo que não pode ser jogador fora pura e simplesmente devido a uma ou outra eliminação. Deve, isto sim, ser exaltado o esforço de fazer um elenco talentoso jogar de maneira a evidenciar essa capacidade técnica acima da média. Os desfalques na última linha de defesa pesaram, mas talvez sejam os jovens que não funcionaram nesse jogo aqueles que irão suceder os mais experientes. E Wilmots mostra sensatez ao pedir que os garotos sejam poupados de críticas. Hoje, a Bélgica caminha no sentido certo.

[3] Alemanha 1(6)a(5)1 Itália.
[3.1] Embora dominante territorialmente e sendo propositiva na maior parte do tempo, a Alemanha esbarrou na estratégia italiana. Uma estratégia que, diferentemente das oitavas diante da Espanha, zelou muito mais pelo anti-jogo do que por qualquer outra coisa. A Azzurra jogou por menos do que "uma bola". Se pudesse definir a classificação no cara-ou-coroa, provavelmente Antonio Conte se prontificaria a fazê-lo.
[3.2] Inegável que haja mais qualidade na equipe alemã, mas não justifica o excesso de defensivismo italiano na partida. De toda forma, fica evidente que os campeões mundiais, com toda a dificuldade que tiveram para obter a classificação, não são um time imbatível. Mas são o time a ser batido. Um time que dá gosto de ver jogar, mesmo quando o jogo é truncado.
[3.3] Seguindo o fluxo ilógico de um esporte onde vemos perderem pênaltis Lionel Messi e Arturo Vidal numa final de Copa América, a Alemanha viu Müller, Özil e Scweinsteiger desperdiçarem cobranças. Buffon estava pronto para sair como herói. Mas Neuer, com a frieza e a competência que lhe caracterizam, conseguiu ajudar os alemães a, finalmente, superarem os italianos em "jogo pra valer".
[3.4] Apenas para não deixar passar em branco: Boateng cometeu o pênalti convertido por Bonucci porque marcava corretamente o Chiellini. Curiosamente, seus braços esticados de modo a não cometer infrações no adversário, acabaram encontrando a bola naquela cobrança de escanteio. Faz grande Eurocopa o defensor alemão, que terá a missão de conduzir novamente o setor, dessa vez sem Hummels ao lado.

[4] França 5a2 Islândia.
[4.1] Possivelmente a melhor atuação de uma seleção nos primeiros quarenta e cinco minutos de partida nessa Euro. 4a0 com autoridade, naturalidade, intensidade. Tudo junto e misturado num liquidificador que triturou completamente a defesa e o sonho islandês em Paris. Deschamps conseguiu o ponto de equilíbrio num time marcado pela leveza e movimentação. Grandes atuações de Payet e Griezmann.
[4.2] A Islândia fez história nessa Eurocopa. Marcando gol em todos os jogos, não se intimidando em nenhum deles, procurando sair para o jogo quando via a possibilidade - conseguiu superar as próprias limitações e proporcionar um nível de competitividade de uma maneira a protagonizar jogos agradáveis de se assistir. Sair com uma goleada nas costas é doloroso. Mas a campanha viking na França é para ser lembrada com carinho por gerações. Sobretudo pela mobilização popular, desde as menos conhecidas cidades islandesas até as arquibancadas dos mais famosos estádios franceses. Engrandeceu o futebol. E merece os nossos aplausos.
Sinergia entre time, torcida e nação: a Islândia deu um espetáculo na França. Foto: Reuters / C. Hartmann.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Almer E Cristiano Garantem Segundo Zero A Zero Na Eurocopa

Há muita idolatria e alvoroço em torno da figura de Cristiano Ronaldo. A seleção portuguesa embarca em sua caravela navegando nessa onda. E o resultado disso é que, simplesmente, a embarcação não vai pra frente.

Longe de querer culpabilizar exclusivamente o camisa 7 pelo empate sem gol... Acontece, porém, que em jogos como o diante da Áustria, o rendimento do astro mais atrapalhou do que ajudou o seu time. A sensibilidade de entender qual o momento de soltar a bola mais depressa ou segurá-la é algo que ainda não amadureceu no atleta Cristiano. Sinceramente, não vejo perspectivas de se isso há de acontecer algum dia.

Cristiano Ronaldo esconde-se após falhar. Foto: Getty.
Portugal criou as maiores chances no jogo, que aconteceram, sobretudo, no segundo tempo. O goleiro
Almer, muito bem posicionado, interveio para manter a igualdade no resultado. Até que, aos trinta e três, veio a chance mais aguda de todas: um pênalti pros portugueses. Almer para um lado, bola para o outro - na trave. Cristiano falhou. Minutos depois, Cristiano foi à rede com cabeceio após cobrança de falta. Só que, dessa vez, falhou de maneira diferente: estava em posição de impedimento.

O treinador Fernando Santos procurou alternativas na partida. Começou o jogo com André Gomes, Quaresma e Nani; terminou com Éder, João Mário e Rafa Silva. Talvez, se tivesse trocado Cristiano por, digamos Renato Sanches, o impacto fosse muito maior do que as três trocas somadas. Teria o impacto de que o coletivo é maior que o indivíduo. E poderia fazer os portugueses acreditarem que eles dependem muito mais um do outro enquanto time, do que de um único jogador enquanto salvador. Salvador que ajudou a salvar a Áustria.

domingo, 19 de junho de 2016

Com Gol De Empate No Final, Hungria É Só Alegria

Considerada a seleção menos valiosa de acordo com as cotações de mercado dos jogadores, a Hungria é uma das seleções mais propositivas nessa Eurocopa-2016. Toque de bola de qualidade, intensidade na troca de passes, busca pelo gol. Se na estréia teve a experiência de abrir a contagem e definir a vitória em ótimo contra-ataque, dessa vez viu a adversária sair na frente. E verdade seja dita: penaltizinho mandraque o apitado por Karasev a favor da Islândia. Sigurdsson cobrou e marcou 1a0 aos trinta e oito.

No segundo tempo, a tônica foi da Hungria tomando a iniciativa. E de uma maneira muito interessante, sem confundir velocidade com pressa. Isto é, os comandados de Bernd Storck tinham a maturidade de construir as jogadas imprimindo um ritmo de jogo de maneira consciente a manter a posse consigo. A subida de produção de Dzsudzsák fortaleceu o setor de meio-campo. E numa jogada fantástica, a retraída Islândia foi colocada na roda e Savarsson marcou contra. Aos quarenta e dois no segundo tempo. Aliás, cerca de 30% dos gols na Euro-2016 saíram do minuto 87 em diante!

No final, um lance de bola parada quase deu a vitória aos islandeses. Mas os deuses do futebol protegeram a meta defendida por Király: seria um castigo desproporcional para uma seleção que teve um pênalti contestável marcado contra si e que buscou o empate jogando uma bola redondinha em Marselha. Não tenho dúvidas de que a alma de Puskas sorri. E já fico a torcer para que os húngaros tenham vida longa na França. Isso fará sorrir, também, o futebol.
Momento do gol de empate húngaro, que saiu após ótima troca de passes. Imagem extraída de VíveloHoy.

sábado, 18 de junho de 2016

Bélgica Voa Sobre O Campo De Bordeaux E Aplica 3a0 Na Irlanda

Vinda de uma derrota para a Itália na estréia, a Bélgica mostrou sua força diante da Irlanda. No primeiro tempo, contei pelo menos dez ocasiões de gol construídas pelos belgas no persistente zero a zero. Isso, senhoras e senhores, é mostrar sua força. Precisamos nos destituir da idéia de que ser forte no futebol é ganhar jogos ou títulos. Vamos passar a incorporar a noção de que a força está mais nos procedimentos que nos resultados. E a Bélgica procedeu muito bem, obrigado. Tudo bem que a adversária não era uma potência continental, mas valorizemos uma Irlanda que estreou com boa atuação no empate diante da Suécia.

Essa foi a segunda vez na história que a Bélgica atuou em Bordeaux. A anterior - e até então única - havia sido na Copa do Mundo de 1998. Cá está um vídeo com alguns lances do 2a2 com o México, na fase de grupos. Os dois gols belgas foram marcados por Marc Wilmots, hoje técnico da seleção.



De lá para cá, se passaram 18 anos. E Wilmots teve a sorte de ser o comandante de Hazard, De Bruyne e companhia, nessa que é provavelmente a mais talentosa geração futebolista do país em toda a história. Os 3a0 foram construídos com relativa naturalidade. Principalmente depois que o primeiro gol, marcado por Lukaku em finalização precisa, trouxe a Irlanda para o campo de ataque. Apareceram espaços que antes eram mais escassos e Witsel, de cabeça, marcou o segundo. A incrível capacidade de contra-atacar em alta velocidade rendeu momentos sensacionais no jogo, sendo o ápice o terceiro gol: Meunier recuperou a bola a alguns metros da bandeira de escanteio do lado direito de sua defesa, acionou Hazard e o camisa dez passou como um raio pela marcação adversária e também pelo auxiliar de arbitragem que acompanhava o lance. Depois, rolou caprichosamente para Lukaku marcar o segundo.

Vestindo vermelho como a Espanha, a Bélgica repetiu a Fúria: somente elas conseguiram marcar três vezes num mesmo jogo nessa Euro-2016. Somente Lukaku e Morata fizeram dois na mesma partida. E se somente a Espanha tem aquela beleza característica no seu toque de bola, a Bélgica mostra sua força a cada vez que tem espaço disponível no gramado. Sorte de quem estava hoje em Bordeaux. Seja comandando a Bélgica na beira do gramado, seja assistindo uma grande atuação.
Após receber de De Bruyne, Lukaku finaliza com precisão para abrir o placar em Bordeaux. Imagem extraída de Republica.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Uma Beleza Chamada Espanha

É ela. Eu juro que é ela.

Tão logo lancei olhares em sua direção, já pude reconhecê-la. Há uma beleza que lhe é típica. Podem até tentar copiá-la, por admiração. Ou evitá-la, por questão de opinião. Mas jamais podem desprezá-la. Depois que ela apareceu, deve ser levada em consideração. Por mais que "gosto não se discuta", ela carrega consigo algo que a torna referência, mesmo que fora do padrão.

Apareceu na década passada, lá pelo ano 2008, no trabalho de um saudoso senhor chamado Luis Aragonés. Naquela época, havia um brasileiro com sobrenome de piloto auxiliando no setor de meio-campo. Além de Marcos Senna, lá estavam Xavi e Iniesta. Além de David Silva, Cesc Fàbregas e tantos outros jogadores de talento. Com o casal vinte no ataque: Torres e Villa.

Já era, desde aquela época, muito bela. A consagração veio num 1a0 sobre a Alemanha. O tempo foi passando e ela parecia conter os segredos da eterna juventude. Em 2010, já com Del Bosque, título mundial. A partir daquela vitória sobre a Laranja, jamais voltou a ser chamada de "amarelona". Em 2012, o bi continental. Já era considerada a maior da história. Porém, repentinamente, dois resultados em 2014 levantaram dúvidas sobre a sua longevidade. Afetou, em muitos, a própria memória. Chegavam a pedir a saída do Vicente. Deprimente.

Hoje, ela está aí. Desfila sua beleza na França. Very nice, diria um anglo-saxão. Foi na cidade de Nice que ela voltou a mostrar um pouco da sua velha forma. Não há mais Senna, mas ela continua em cartaz. Xavi aposentou-se, assim como Villa. Nem a ausência de Torres pode colocar sua grandeza em xeque. Vieram Nolito e Morata, muito bem-vindos. Lá está Busquets, protegendo uma defesa que conta com Ramos, Piqué, Juanfran e Alba. Fosse o goleiro que fosse, já dava para se sentir seguro. Foi com Casillas e Valdés, o é com De Gea. E tudo mais belo fica com Iniesta a se apresentar. Um conselho posso dar? Se você não viu Zidane, mantenha os olhos abertos e saboreie o camisa meia dúzia espanhol. Evite, inclusive, piscar.

Busquets e Fàbregas comemoram com Nolito o 2º gol espanhol. Foto: AFP.
Os 3a0 foram construídos com uma naturalidade característica de quem marca época. Tem oito adversários
marcando cinco? Não tem problema, o lançamento de Nolito há de encontrar Morata na área turca.

O oponente mantém-se recuado para evitar jogadas de infiltração? Pois então eles que nos ajudem a ter a bola, Nolito estará no local exato para em seguida fazermos a comemoração.

E quando Iniesta tem a bola, cabe assistir. Até o auxiliar, possivelmente hipnotizado pela magia que sai dos pés do gênio, não viu impedimento. Como olhar para o último defensor quando se pode simplesmente contemplar Andrés? Alba recebeu e serviu Morata, primeiro jogador a marcar duas vezes num mesmo jogo nessa Euro-2016.

Cabiam mais gols. Só que a Turquia, entregue, e a Espanha, satisfeita, conduziram-se em campo como quem deixa o tempo passar. Bendito seja o tempo, que passa mas que conserva a beleza daquilo que é eternizado pela arte.

É ela, a Espanha, uma bênção para o futebol. Uma alegria. Um caso à parte. Seja qual for o desfecho dessa Euro, já valeu acompanhar pelo simples fato de ver essa seleção jogar. Que me desculpem as feias, mas a Espanha é fundamental.