segunda-feira, 20 de novembro de 2017

100.000 Visualizações - Valeu, Amantes Do Futebol Arte!

Saudações.

Na semana passada, este blógui alcançou a marca de 100.000 visualizações desde que foi inaugurado em 2010. Uma média de cerca de 14.000 visualizações por ano.

Esta postagem é um agradecimento a cada um que participou direta ou indiretamente desses números. Obrigado!

Daqui a menos de duas semanas, teremos o sorteio dos grupos para Copa do Mundo 2018 e a nossa idéia é elaborar algo relacionado a cada chave para irmos publicando durante o mês de dezembro.

Lembrando que as sugestões de vocês são sempre bem-vindas. Afinal, esse espaço é para os amantes do futebol arte. Cada troca de passe faz a diferença antes da finalização.

Abraços e fiquem com esse golaço de Otero, anotado ontem, no jogo entre Atlético Mineiro e Coritiba.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

36 Anos Depois, Peru Voltará A Jogar Um Mundial

A última vaga para a Copa do Mundo 2018 foi conquistada nessa noite. Noite que se tornou histórica e que decretou o feriado no dia seguinte no Peru. Sim, por decreto presidencial, a população peruana poderá comemorar de fato e de direito esse feito de retornar a um Mundial após 36 anos.

O selecionado de Ricardo Gareca, que já havia feito belas apresentações na Copa América e uma campanha de recuperação nas Eliminatórias Sul-Americanas, mostrou mais uma vez suas virtudes. Desde a escalação com vários jogadores de vocação ofensiva até a própria postura em campo, viu-se um time absolutamente determinado e comprometido a buscar a vitória.

E a vitória foi alcançada. Materializou-se com os gols de Farfán e Ramos, em assistências de Cueva. O primeiro, quando o Peru era soberano na partida. O segundo, em momento fundamental, pois a Nova Zelândia subia de produção e de confiança.

O futebol comemora junto a classificação peruana. Sempre bom ver uma equipe treinada para atacar, liberando os laterais, encostando os meias no ataque, rodando a bola e buscando o gol a todo momento. Um belo trabalho de Gareca que fica eternizado com essa vaga na Copa. Há muitas características no Peru que, infelizmente, não vemos na seleção brasileira. Mas a essência do jogo peruano nada mais é que o DNA dos bons tempos da maior campeã de Copas. O Peru nos representa.
Ramos e companheiros comemoram o segundo gol peruano. Imagem extraída de Diario Correo.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Suécia Desbanca Itália E Confirma Vaga Na Rússia

Roberto Baggio, Alessandro Del Piero, Francesco Totti. Três lendários camisas 10 que a Itália ofertou ao futebol nas últimas décadas. Todos aposentados, com seus nomes eternizados em grandes atuações e diversas conquistas pessoais e coletivas. Fico imaginando o que pode ter passado pela cabeça deles ao assistirem o jogo desta noite de 13.11.2017...

A Azzurra, de tanta tradição e quatro títulos mundiais, precisava de uma vitória por dois gols de diferença diante da Suécia para ir à Copa do Mundo 2018. E, pela primeira vez desde as Eliminatórias para o Mundial de 1958, falhou. Em 1958, nenhum daqueles três era nascido. Em 1958, o Brasil ainda estava para conquistar seu primeiro título de campeão do mundo. Em 1958, o futebol profissional ainda não havia sido apresentado a Mané Garrincha.

Essa Itália de 2017 obriga a voltarmos mais de meio século no tempo. Não havia referência mais recente de um fiasco tão grande no futebol daquele país. Em 2010, uma Copa após o tetra, uma queda na primeira fase causou bastante barulho. Mas o que dizer de agora? Senhoras e senhores de todas as gerações, o agora da Itália é uma vergonha.

Vergonha ser eliminada pela Suécia? Não. Vergonha ser eliminada pela Suécia da forma que foi eliminada pela Suécia. Mesmo diante de um adversário que abdicava de atacar - seja por estratégia covarde, seja por sentir a pressão psicológica do jogo no San Siro -, os italianos foram até o apito derradeiro com três zagueiros em campo. Lorenzo Insigne, o mais cerebral jogador desta geração, sequer entrou no jogo. E o resultado é a vergonha.

Cabe aos suecos celebrar o feito surpreendente de sobreviver a um grupo com Holanda e França (a Laranja também ficou fora da Copa) e, de quebra, superar uma seleção tetracampeã mundial. Porém, há que se frisar que a atuação de hoje não corresponde ao feito sueco. Há muito o que ser melhorado até junho do ano que vem. Para a Itália, é inescapável uma reformulação intensa. Que deve começar pelo comando técnico mas que, necessariamente, deve passar pela filosofia por trás de cada escolinha de futebol no país até os centros de treinamento dos principais clubes nacionais. A paixão do povo italiano precisa ser respeitada. E hoje, com Insigne no banco, três zagueiros em campo e substituições que tiraram qualquer organização tática na construção das jogadas, o que mais faltou não foi o gol - foi respeito com o futebol. E, naturalmente, com Baggio, Totti e Del Piero.
Suecos festejam a histórica classificação em Milão. Foto: AFP.

domingo, 12 de novembro de 2017

Sem Gols Nem Emoção, Croácia Elimina Grécia E Emplaca Penta Na Repescagem

Após uma expressiva vitória dentro de casa (4a1), a seleção croata foi à Grécia sabendo que somente uma tragédia grega, ou melhor, um heroísmo grego, lhe tiraria da próxima Copa do Mundo.

A alegria croata contrasta com a desolação grega. Foto: Catherine Ivill / Getty.
Infelizmente para o futebol, a virtuosa seleção da Croácia sentou em cima do regulamento e jogou pragmaticamente para confirmar a vaga no Mundial 2018.

Poderia limitar esse texto a frisar o quanto ficou devendo futebolisticamente uma seleção que conta com jogadores do nível de Rakitic, Modric e Perisic. Mas não. Vamos colocar o foco nos gregos - até porque raramente se vê a história sendo contada a partir da parte "derrotada".

Na fase de grupos, a Grécia caiu na mesma chave de Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Chipre, Estônia e Gibraltar. Conseguiu o segundo lugar (dois pontos a mais que os bósnios) e foi a única seleção capaz de evitar os 100% de aproveitamento dos belgas ao empatarem por 1a1 em plena Bruxelas. Detalhe: foi levar o gol de empate aos quarenta e três no segundo tempo.

Nessa repescagem, o cruzamento trouxe como presente de grego uma embalagem quadriculada. Dentro dela, um conteúdo forte, difícil de ser quebrado. Com a rodagem de quem obteve êxito em todas as quatro vezes em que precisou jogar a fase de repescagem para a Copa do Mundo. E a realidade é que a Grécia, no jogo de ida, cometeu muito mais erros do que reza a cartilha ao se enfrentar um adversário tecnicamente superior. Os quatro gols sofridos trazidos na bagagem eram pesados demais, embora a esperança residia no gol marcado fora.

Mas o milagre não aconteceu. Não faltou entrega. Sokratis Papasthatopoulos agigantava-se em cada disputa de bola. Kostas Mitroglou procurava cada centímetro disponível na linha de defesa oponente. Vassilis Torosidis percorria o campo procurando participar ativamente pelo flanco direito. A trinca Christodoulopoulos, Zeca e Bakasetas corria "pacaceta", mas sendo incapaz de criar o volume de jogo necessário para causar alguma fissura no sistema de jogo croata.

Simplesmente não deu. Eram necessários pelo menos três gols e o único que saiu foi corretamente invalidado por impedimento. Com tudo isso, lá para os quarenta e quatro no segundo tempo, ocorreu o fato mais emocionante na partida: o som dos cânticos e dos aplausos vindos das arquibancadas no estádio Georgios Karaiskaki. Era a torcida grega reconhecendo a dedicação de seus conterrâneos. Um país que atravessa crise socioeconômica severa tentava a alegria pela via do futebol. Ela pode não ter vindo com a almejada vaga no próximo Mundial, mas a celebração demonstrou que viver é algo maior do que apenas vencer. É reconhecer.

Parabéns aos gregos pela bonita manifestação de apoio e que a seleção croata, merecedora da classificação, possa render na Rússia algo próximo ao futebol que dela se espera. Independentemente de resultado. Os deuses da bola serão gratos.

sábado, 28 de outubro de 2017

Com Atuação Espetacular, Inglaterra Faz 5 Na Espanha E É Campeã Mundial Sub-17

Senhoras e senhores, meninas e meninos de todas as gerações, neste vinte e oito de outubro de dois mil e dezessete tive o prazer de assistir uma das melhores atuações de uma seleção de futebol.

Gibbs-White e Sessegnon comemoram o empate. Foto: Jan Kruger / FIFA.
A Inglaterra Sub-17, treinada pelo galês Steve Cooper, deu um verdadeiro espetáculo no estádio Salt Lake, em Kalkata, Índia. Se séculos atrás os ingleses iam até a Índia para buscar metais preciosos, dessa vez o seu precioso futebol lhe rendeu o troféu de campeão mundial da categoria.

Sair perdendo para a qualificada seleção espanhola por 2a0 não é simples. Foram dois gols de Sergio Gómez em duas assistências de César. O segundo gol, aliás, uma pintura para Picasso nenhum botar defeito. Mas os ingleses mantiveram a cabeça erguida e impuseram seu jogo. Um jogo de posse de bola. Posse de bola essa tão boa, mas tão boa, que colocou a Espanha na roda. A Espanha, que ficou reconhecida mundialmente por ter a bola nos pés, hoje viu seu adversário envolvê-la.

Sessegnon e Foden formaram uma dupla sensacional pelo flanco direito. Muitas jogadas de qualidade aconteceram envolvendo pelo menos um desses dois jogadores. O primeiro gol inglês, aliás, foi num cabeceio certeiro de Brewster após cruzamento milimétrico de Sessegnon. No segundo tempo, Gibbs-White completou pra rede após passe de quem? Dele, Sessegnon. Mais tarde, Hudson-Odoi fez a assistência e Foden virou a partida. Nos últimos minutos, a Inglaterra tratou de transformar a virada em goleada, com gol de Guehi e mais um de Foden, que teve uma atuação digna do seu nome (perdoem o trocadilho).

Não faço idéia de até onde irá essa geração inglesa. O que posso afirmar com segurança é que esses garotos formaram uma equipe maravilhosa e plenamente merecedora do título mundial.

Em 2014, logo após a partida com a Costa Rica, em que a Inglaterra se despedia da Copa do Mundo no Brasil com um único ponto ganho na fase de grupos, foi dada uma declaração à imprensa dizendo que começaria ali um novo projeto desde a base. Parece que os frutos desse plantio são doces. Sem pressa, vamos ver o que está por vir. Uma Inglaterra campeã mundial nas próximas Copas? Possível. Mas uma coisa é certa: o futebol agradece por cada equipe que jogue com a graça e a elegância que jogou esse selecionado inglês Sub-17. Deu gosto. Parabéns aos envolvidos.

Mali Joga Mais, Mas Brasil Vence E É 3º No Mundial Sub-17

Havia lido e ouvido alguns comentários positivos sobre a equipe brasileira no Mundial Sub-17. Apenas hoje, na derradeira apresentação, acompanhei uma partida da seleção. E simplesmente não gostei do que vi.

O time comandado por Carlos Amadeu era organizado em suas linhas (por vezes inclusive formando uma linha de cinco na defesa, algo raríssimo de se ver no Brasil). Procurava sair para o jogo em velocidade. Mas quase sempre havia algo a atrapalhar o rendimento da transição ao ataque.

Em algumas situações, o individualismo atrasava o lance - Lincoln se mostrou um especialista em prender a bola nos momentos em que mais se fazia necessário soltá-la para um companheiro.

Em outras situações, faltava exatamente dar aquela aproximação para a tabela, a triangulação, a infiltração - Paulinho se mostrava o mais lúcido nesse sentido, com Marcos Antônio também se apresentando para participar, mas a química geral não dava muito certo. Não sei se o desempenho seria diferente caso ainda houvesse chance de título. Mas uma disputa de terceiro lugar ainda é um evento a ser tratado com mais zelo do que mostrava a atuação brasileira.

Fato é que, chance de gol por chance de gol, era Mali quem tinha mais a lamentar pelo zero a zero. Chutes que passaram perto da trave; defesas do goleiro Gabriel Brazão; passes a atravessar a pequena área brasileira. Eram muitos elementos que mostravam o selecionado africano como merecedor da vitória.

Porém, o futebol, que passa longe de ser uma ciência exata, aprontou das suas. Num chute errado de Alan Souza (daqueles que saem tão fraco que mais parecem uma bola recuada), o goleiro Youssouf Koita teve a infelicidade de permitir que a bola passasse por si. Provavelmente por ser um lance aparentemente tão simples, o "Koitado" imaginou que era só puxar a bola e sair jogando. Nada feito. O "puxar" a bola não aconteceu e, como ele sequer abaixou as pernas para fazer o bloqueio, a redonda tomou o rumo da rede.

Depois do fatídico lance, Mali buscou o empate em jogadas frontais e também lateralizadas. Não chegou a ser uma pressão das mais intensas, mas serviu para mostrar que o Brasil tem muito a melhorar na sua forma de se defender e de contra-atacar. Passou sustos. Mas, no final, encaixou uma boa troca de passes com a defesa adversária aberta e conseguiu o segundo gol, com Yuri Alberto, que entrara no lugar de Lincoln.

Não sei quantos desses garotos estarão em Tóquio-2020 ou no Catar-2022. Mas a sensação que ficou é que há muito o que evoluir. Craque, não vi nenhum. Mas Paulinho, pelo menos, deixou ótima impressão.
Meio-campista Paulinho mostrou bastante qualidade e maturidade acima da média. Foto: Dibyangshu Sarkar / AFP.

domingo, 22 de outubro de 2017

Péssimo Perdedor

Neymar ri da própria expulsão: moleque. Foto: Reuters.
Tarde de domingo no Brasil (noite na França). Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain em campo. Uma instituição altamente tradicional recebendo em seu festivo estádio o clube de investimento financeiro mais pesado do planeta na atualidade. Sintomático para uma partida interessante. E não deu outra.

Mas quem esperava um espetáculo do trio MCN (Mbappé, Cavani e Neymar), não viu nada nem perto disso. Os três jogaram abaixo de seu potencial. E os três assistiram o adversário abrir o placar em lindo chute de Luiz Gustavo, mandando de fora da área um remate em curva que levou a bola para fora do alcance do goleiro Alphone Areola. Um prêmio ao volante brasileiro, que era naquele momento e continuou sendo com o desenrolar do jogo o melhor jogador em campo.

Porém, mesmo sem render aquilo que dele se espera, o PSG achou o gol de empate: Rabiot recebeu um tijolo de Neymar e amaciou devolvendo o passe. O astro camisa dez deu um chute mascado, mas que acabou tomando o endereço preciso do canto esquerdo, tocando na trave antes de entrar no gol de Steve Mandanda.

O empate seguiu ao intervalo. E caminhou pelo segundo tempo. A entrada de Draxler no lugar de Thiago Motta até sugeriria um maior ímpeto parisiense. Mas quem fez a diferença tendo saído do banco de reservas foi um jogador do time da casa: Clinton N'Jie recuperou a bola na área adversária e cruzou. Thauvin chegou antes de Thiago Silva e estufou a rede para recolocar o OM em vantagem.

E aí apareceu Neymar. Apareceu não da maneira que os 222 milhões de euros requeririam. Apareceu pelo seu já conhecido temperamento anti-desportivo, a justificar o título dessa postagem: péssimo perdedor.

Sem conseguir apresentar seu melhor futebol, o jogador mais caro da história dessa modalidade esportiva era acompanhado de perto pela forte marcação adversária. Sofria faltas, a grande maioria marcada corretamente pela arbitragem de Ruddy Buquet. Só que a paciência e aceitação de Neymar Júnior com os acontecimentos do jogo muda radicalmente de magnitude dependendo da situação no placar. Sete minutos após o 2a1, recebeu amarelo após agredir um oponente no chão. Sim, na mais pura covardia. E dois minutos depois disso, conseguiu ir além: com o jogo parado, não tolerou um toque por trás do argentino Lucas Ocampos e revidou desproporcionalmente com uma cabeçada na face do companheiro de profissão. Recebeu o segundo amarelo e foi expulso, deixando o campo aplaudindo ironicamente a decisão do juiz. Particularmente, acho que o sr. Buquet errou. Deveria é ter dado o cartão vermelho direto para o jogador.

Sem Neymar mas com força de vontade, o Paris Saint-Germain chegou ao empate nos acréscimos: Cavani sofreu falta de Sarr e ele próprio cobrou com firmeza, vendo a bola bater no travessão antes de entrar. Uma falta que, daquela posição e naquele momento do jogo, talvez fosse cobrada por Neymar. Por sorte da equipe, Neymar já não estava em campo. E o PSG mantém a invencibilidade no Campeonato Francês, com oito vitórias e dois empates. O OM aparece em quinto, com dezoito pontos.

sábado, 19 de agosto de 2017

Manchester United: Eficiente Mas Ordinário

Ao ler a escalação e observar a distribuição posicional dos jogadores do Manchester United para o jogo com o Swansea City, em Gales, criei imediatamente a expectativa de assistir uma grande partida da equipe comandada por José Mourinho. Afinal, um time com Valencia na lateral-direita, além de Matic, Pogba, Mata e Mkhitaryan no meio precisaria de mais o quê? Um exímio centroavante como Lukaku? Resposta: precisaria de um treinador pra fazer esse time render.
Lukaku comemora e United goleia novamente. Imagem extraída de Stepzan.com

Não se iludam com o placar de 4a0. Enganoso é pouco para descrever este resultado com base no que aconteceu de fato e de direito no decorrer da partida no Liberty Stadium. A inauguração na contagem deu-se aos quarenta e quatro minutos no primeiro tempo, em lance de bola parada (gol de Bailly). Só que antes disso, por volta dos trinta de jogo, Paul Pogba deveria ter sido expulso de campo - mas o árbitro Jonathan Moss não teve coragem nem juízo para aplicar o segundo cartão amarelo ao segundo jogador mais caro da história do futebol mundial.

E lá ia o jogo no segundo tempo. O Swansea firme na defesa. O United previsível com a posse de bola. O jogo de baixa qualidade. Talvez fosse um entretenimento menos empolgante do que uma partida de "pinball": pelo menos nessa modalidade famosa nos fliperamas, o objetivo é de fato jogar a esfera pra cima.

Até os trinta e quatro, persistia o um a zero. Mais persistente que isso era a escassez criativa, a falta de jogadas mais elaboradas, a ausência de uma atuação condizente a um elenco tão caro quanto esse que tem sede em Old Trafford. Até que, não mais que de repente, abriu-se um latifúndio no gramado galês. Por ele, penetraram Lukaku (esbanjando seu habitual oportunismo), Pogba (que nem era para estar em campo, né, juizão?) e Martial (que entrara no lugar de Rashford e não precisou de dez minutos para marcar).

Mais um 4a0 para o Manchester United, que aplicara esta mesma goleada na estréia diante do West Ham. Mas não se engane: a julgar pela partida com o Swansea, não há razões para empolgações. É, sem dúvidas, um time competitivo. Porém, exigir mera competitividade de um plantel desse nível é menosprezar a capacidade do futebol ser um esporte que pode ser bem jogado.

sábado, 12 de agosto de 2017

Figueirense E Goiás: Mais Pra Lá Do Que Pra Cá

Figueirense e Goiás são dois clubes que nos acostumamos a ver na Série A. E esse costume causa estranheza quando olhamos para eles disputando um jogo na Segunda Divisão. Pior que isso: ambas as equipes começam o segundo turno com grandes ameaças de rebaixamento.

A partida entre eles, hoje, em Florianópolis, foi mais brigada do que jogada. Dois conjuntos determinados a ganhar as disputas territoriais, mas com escassas tramas de jogadas ofensivas. O lateral-esquerdo Carlinhos era figura bastante acionada pelo flanco esquerdo esmeraldino, dando bastante canseira na última linha de defesa do Figueira. Mas a falta de precisão nas finalizações mantinha o zero a zero. Pelo menos até os doze no segundo tempo, quando Carlos Eduardo recebeu ótimo passe de Victor Bolt e não desperdiçou, abrindo a contagem para os visitantes.

Em desvantagem por um gol, a equipe da casa lançou-se com menos cerimônias ao ataque. Chegava, cercava, incomodava. Mas faltava algo mais para transformar as investidas em empate. Deixou de faltar quando o goleiro Marcelo Rangel, imprudente, cometeu pênalti. José Eduardo Bischofe de Almeida, vulgo Zé Love, converteu cobrando no canto direito.

Daí em diante, o Figueirense assumiu o controle das ações como jamais antes. E teve toda a pinta de que viraria o jogo. Só que esbarrou em pelo menos duas defesas difíceis de Marcelo Rangel, o que deve tê-lo redimido do lance em que cometera a penalidade. Isso tudo acabou decretando o 1a1, único empate nessa rodada. Agora a Série B segue com dois clubes de investimento bastante acima da média da competição tentando sair da parte de baixo da tabela de classificação: o Figueirense é 18º (posição de descenso) e o Goiás encontra-se em 15º, duas posições e um ponto acima da zona indesejável. Certeza de que muito trabalho deverá ser feito tanto por Argel Fucks, no Goiás, quanto por Mílton Cruz, que fez sua estréia no Figueirense exatamente nessa partida. Isso se as respectivas diretorias permitirem, é claro...

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Um Sonho Que Vem Da Alma

Uma das discussões mais cativantes e desafiadoras a respeito da existência (animal em geral e humana em particular) é sobre o conceito de alma. Fato ou suposição? São muitas interpretações dentro e fora do âmbito religioso. Muitas crenças. Muitos achismos. Muitas sensações. Muitas percepções. Muitas convicções. Há quem veja a alma do Outro num olhar. Há quem sinta a alma do Próximo num abraço. Há quem capte a alma alheia numa conversa.

No futebol, um jogador pode ser criticado por errar passes simples. Vacilar em finalizações. Posicionar-se mal. Mas se esse mesmo jogador "deixa a alma em campo", a torcida o respeita. Por vezes, chega até a idolatrá-lo. O Botafogo de Jair Ventura é um time sem grandes craques. Mas é um time com alma. Pode o botafoguense reclamar de diversos aspectos do time alvinegro, mas jamais da entrega, da dedicação, da honra à camisa gloriosa. Da alma.

Hoje, diante do Nacional, pela Libertadores, ficou escancarada a alma que habita cada atleta da equipe. O espírito coletivo dos jogadores casou com a energia da torcida que lotou as arquibancadas no estádio Nílton Santos. Aliás, como não falar de alma quando o campo de jogo carrega o nome do mais lendário lateral-esquerdo de todos os tempos?

Foram dois gols em cinco minutos. Foi uma comunhão durante o jogo inteiro. Foi uma lição. Fato ou suposição? Creio que esse Botafogo, mais que qualquer outro clube, mereça essa Libertadores. De corpo e alma.
Jogadores, torcedores, ídolos lembrados na faixa... Uma atmosfera perfeita no Rio de Janeiro. Foto: Vítor Silva / SS Press / Botafogo.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

222 Milhões De Neymares

Um dos maiores talentos no futebol atual e forte concorrente a melhor jogador do mundo no futuro, Neymar conseguiu todos os holofotes nesta semana por uma razão improvável: uma transferência para fora do Barcelona.

O elenco barcelonista pediu pela permanência do brasileiro, que representa a terceira letra (mas não menos importante) no excepcional trio MSN. Mas, após um silêncio sepulcral e até inconveniente, ele anunciou a saída do clube catalão.

Havia um entendimento quase que automático apontando Neymar como o sucessor natural de Lionel Messi no Barcelona. Mas no meio do caminho havia uma tentação. Tentação essa que considero estritamente financeira e nada, repito, nada esportiva. Das finanças de Neymar cuida o xará paterno. Cuida com tanto afinco às cédulas que a troca do Santos pelo Barça virou literalmente um caso de polícia. Confesso que não sei quem é mais mercenário: se o irmão do Ronaldinho ou se o pai do Neymar. Mas não quero entrar nessa discussão entre ex-craques do Barcelona. Vamos nos ater a esta mudança do ex-santista para Paris.

Um ano depois de Pogba ser o primeiro jogador na história do futebol a ser negociado acima dos 100 milhões de euros, Neymar é negociado acima dos 200 milhões de euros. Mais precisamente, 222 milhões, o valor da multa rescisória. Um negócio que, incluindo impostos e pagamentos diversos ao jogador e seu pai-empresário, passa batido pelo um bilhão de reais. Um negócio que não é da China, mas do Catar. E que coloca em dúvida o jamais suficientemente bem explicado "fair play financeiro".

Fato é que Neymar chega ao Paris Saint-Germain com a responsabilidade de liderar o time da capital francesa ao título da Liga dos Campeões da Europa. Sim, é esse troféu que o clube e seus investidores procuram. Se acostumaram a vencer os torneios domésticos e a meta é o continente. Uma meta até modesta dado o orçamento galáctico do clube.

Mas então, Neymar fez bem em partir para o PSG? Diria que Neymar trocou uma história que o eternizaria por uma aventura que o enriquecerá. Não que ele já não fosse rico. Mas muito se torna pouco quando a ganância é grande.

Com todo respeito ao Mônaco, ao Olympique de Marselha, ao Lyon e a outros rivais, mas o Campeonato Francês não oferece a Neymar os mesmos desafios da Liga Espanhola. Tudo bem, tanto PSG quanto Barça são (muito) mais fortes que a (grande) maioria dos oponentes em seus países. Mas a Espanha está facilmente pelo menos um nível acima da França em sua principal divisão de clubes. E o Barcelona, como instituição, tem/tinha muito mais a oferecer ao jogador/pessoa Neymar do que os investidores catares poderão/quererão fazê-lo. Trocou-se filosofia por regalia.

Neymar e, principalmente, seu pai, não querem saber disso. O PSG oferecerá uma fortuna e um protagonismo que dificilmente seriam obtidos simultânea e imediatamente em qualquer outro lugar no mundo.

08.03.2017: noite inesquecível. Arquivo pessoal.
Particularmente, lamento a saída de Neymar. Tive o prazer e o privilégio de assistir o histórico jogo entre Barcelona e PSG no Camp Nou, em oito de março deste ano. Partida memorável por vários elementos e, esportivamente, uma das maiores viradas de qualquer modalidade. O 4a0 que o PSG obteve na ida gerou sentenças de "já era". Na volta, o Barça, com grande atuação de Neymar, alcançou 3a0. E o gol único do PSG no segundo tempo, retomou o "já era". Mas era possível. E o 6a1 imortalizou aquela gostosa noite na Catalunha. Lembro que, na saída do estádio, cheguei a puxar um "uh, tá maneiro, o Neymar é brasileiro". Por irônica coincidência, menos de cinco meses depois, a rima mais apropriada talvez seria "uh, tá maneiro, o Neymar quer mais dinheiro". E ele trocou Barcelona por Paris. Direito dele. Mas é meu dever dizer: havendo um novo Barça e PSG, estarei torcendo por Messi e companhia. Não se troca uma identificação por 222 milhões de nada.

sábado, 29 de julho de 2017

Com Atuação Mágica Do "Profeta", São Paulo Vira Sobre Botafogo No Rio

Que no futebol "tudo pode acontecer", provavelmente nenhum torcedor duvida. Mas o que aconteceu com Botafogo e São Paulo na tarde deste sábado no estádio Nílton Santos foi pra superar os mais audaciosos cenários de imprevisibilidade.

Era a reestréia de Hernanes com a camisa do Tricolor Paulista. Era um Botafogo embalado pela classificação às semifinais na Copa do Brasil. Era um monte de coisa. E a soma delas todas deram um grande jogo de futebol.

Os destaques na partida foram Cueva e o próprio Hernanes, ambos maestrais na condução de bola no último terço de gramado. Ainda assim, até os trinta e poucos minutos do segundo tempo, parecia que a vitória não escaparia das mãos do Alvinegro Carioca, que vencia por 3a1 e tinha bastante campo para contra-atacar, jogando do jeito que o time gosta.

"Profeta" Hernanes ajudou o São Paulo a conseguir uma reviravolta no jogo. Imagem extraída de Gols Da Rodada.
Só que "tudo pode acontecer", não é mesmo? Com dois gols de Marcos Guilherme e um de Hernanes, os visitantes buscaram uma virada improvável no Rio de Janeiro. É a primeira vitória do time do Morumbi fora do seu estádio no Campeonato Brasileiro 2017. Vitória que dá grande moral para os comandados de Dorival Júnior tentarem se afastar da zona de rebaixamento o quanto antes. Já para o Botafogo, derrota que Jair Ventura e seu elenco devem assimilar como aprendizado: não há jogo resolvido antes de consumado o apito final. Lição que vem em ótima hora, pois o clube de General Severiano tem confrontos eliminatórios na Copa do Brasil e na Copa Libertadores da América. Para correr atrás desses títulos inéditos, é bom ter em mente que "tudo pode acontecer". Assim, possivelmente, o Glorioso poderá extrair o lado bom da máxima de que "tem coisas que só acontecem com o Botafogo".