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quarta-feira, 2 de março de 2011

Martins Aproveita Lambança E Birmingham Fatura A Copa Da Liga Inglesa

Dois jejuns de títulos estavam em jogo na final da Copa da Liga Inglesa desse ano. O último título relevante do Birmingham havia acontecido 48 anos atrás, quando conquistava essa mesma competição pela primeira vez. O Arsenal, que não levanta troféus há 6 anos - pela grandeza do clube um jejum de drama similar ao do adversário - tratava a "Carling Cup" com grande respeito, levando a força máxima disponível para o duelo pelo caneco. E num lance infeliz do zagueiro francês Laurent Koscielny aos 43 minutos do segundo tempo, a metade azul presente ao estádio de Wembley celebrou euforicamente o gol marcado pelo nigeriano Obafemi "Oba-Oba" Martins, desempatando a partida e dando uma grande alegria aos torcedores que, na "Premiership", disputam ponto a ponto a fuga do rebaixamento. Ao Arsenal, há ainda 3 competições em disputa. E a torcida espera sorrir no desfecho de pelo menos uma delas.

O jogo

Como cheguei em frente ao televisor com 8 minutos de partida (pouco depois de Andrey Arshavin receber de Samir Nasri e chutar rasteiro para grande defesa de Ben Foster), não vi o que aconteceu no início do jogo, mas um amigo relatou-me que o Birmingham fora injustiçado, pois teria um pênalti para cobrar em lance onde ocorreu errônea marcação de impedimento.

A partida seguiu, e aos 13 minutos Nasri escapou de 3 adversários pela direita (Keith Fahey, Liam Ridgewell e Roger Johnson) mas chutou por cima da meta. Embora houvesse uma lacuna de novas oportunidades de gol nos 14 minutos seguintes, o jogo era interessante. A melhor posse de bola do Arsenal não era suficiente para afunilar o valente time comandado por Alex McLeish, que contava com a boa atuação de Jiranek na defesa e bastante movimentação no campo de ataque.

Aos 27 minutos, um escanteio cobrado pelo lado direito viajou até a entrada da grande área e de lá saiu um cabeceio de Johnson, indicando que tratava-se de uma jogada previamente ensaiada. E o ensaio deu resultado prático: a bola chegou no grandalhão atacante sérvio Nikola Zigic, que desviou de cabeça tirando o goleiro polonês Szczesny de ação. 1a0 Birmingham em Wembley.

No minuto seguinte ao gol sofrido, um cabeceio de Robin van Persie após cruzamento de Bacary Sagna quase reestabeleceu o empate. Aos 33 minutos, Zigic chegou em sobra de bola de um lance onde Gardner encarava a marcação de Djourou e, livre, não foi capaz de superar o bloqueio do goleiro Wojciech Szczesny, que posicionou-se bem para fechar o ângulo do sérvio.

Aos 38 minutos, Jack Wilshere chutou da meia-lua e carimbou o travessão oponente. Ali estava iniciada a jogada do gol de empate: a bola chegou em Arshavin na direita, o russo escapou da marcação de Ridgewell em jogada individual, cruzou à meia-altura e van Persie emendou com a perna direita para mandar no canto direito. Naquele momento haviam, dentro da grande área, 8 jogadores do Birmingham (além do goleiro Foster) e apenas 3 do Arsenal (os autores do passe e do gol, e também o tcheco Tomas Rosicky), o que aumenta os méritos da trama entre Arshavin e van Persie. O holandês, por sinal, sentiu dores na perna imediatamente após a definição do lance, quando chocou-se com um adversário. Embora sem muitas forças para comemorar o bonito gol, não foi preciso que Nicklas Bendtner o substituísse, pois logo depois o camisa 10 sentiu-se melhor e seguiu jogando.

Os times foram para o intervalo e dele retornaram com os mesmos 11 jogadores de cada lado. A primeira substituição da partida aconteceria aos 5 minutos, quando Craig Gardner daria lugar para o chileno Jean Beausejour. E Beausejour, 6 minutos depois de entrar, ganhou disputa com Johan Djourou e Alexandre Song, rolou de lado com Fahey, que chutou duas vezes - a primeira carimbando o companheiro Nikola Zigic e a segunda carimbando a trave direita (considerando a estatura de Zigic, digamos que Fahey acertou duas traves em seqüência).

Com 16 minutos, Beausejour aprontou mais uma vez quando escapou de Song pela esquerda e centralizou o lance, mas Szczesny tratou de segurar a bola antes que ela pudesse chegar em *4*. Se logo depois do gol do Arsenal Bendtner aquecia na expectativa de entrar no lugar de van Persie, aos 24 minutos do segundo tempo aquela substituição veio a se concretizar e o dinamarquês entrou em campo no lugar do holandês. Não sei se por eficiência da mexida de Arsène Wenger ou se por mera coincidência, o Arsenal passou a dominar a partida após essa alteração, freqüentando o campo de ataque de forma incisiva e fazendo lembrar alguns dos bons momentos da equipe na temporada.

Na marca de 25 minutos, Ben Foster foi ao canto direito defender chute rasteiro dado por Nasri. Aos 29, Rosicky ligou contra-ataque com Nasri na direita, o francês avançou, chutou firme e a bola explodiu em Foster, batendo inclusive no rosto do goleiro. Com 30 minutos, Arshavin recebeu pela esquerda, gingou e chutou: a bola desviou na marcação e Foster, mesmo assim, conseguiu defender ao esticar o braço direito.

A segunda mexida de Wenger ocorreu aos 32 minutos, com o atacante marroquino Marouane Chamakh entrando no lugar de Arshavin. O russo vinha tendo boa participação na partida: além da assistência para o gol, seus deslocamentos por ambos os lados do campo conseguiam de uma certa forma abrir espaços na defesa adversária. Não entendi muito bem a opção por tirá-lo de campo, menos ainda a escolha de colocar Chamakh, mas parece que Wenger curte atuar com ele e Bendtner juntos. De toda forma, um minuto depois de entrar, Chamakh levou a melhor em disputa de bola com Jiranek na esquerda de ataque, desarmou o defensor, centralizou o lance e Foster bloqueou o toque de calcanhar dado por Rosicky.

Tomando pressão, McLeish buscava alguma solução para reverter aquele cenário aparentemente vantajoso ao Arsenal. E agiu aos 37 minutos, pondo o veloz atacante nigeriano Obafemi Martins no lugar de Fahey. Algo até certo ponto surpreendente, pois o treinador não abriu mão de Nikola Zigic, o que se apresentaria como alteração "mais natural". E, conforme lido no parágrafo inicial desse texto, aos 43 minutos viria o gol de Martins: Foster lançou do campo de defesa, a bola viajou e chegou na área, numa zona onde o Arsenal tinha aparente controle da situação. Acontece que Koscielny não foi nada feliz e, com uma simples resvalada na bola, traiu Szczesny e a redonda sobrou para Martins empurrar para dentro, como se ele estivesse predestinado a marcar o gol do título. A comemoração acrobática do nigeriano e a alcunha "Oba-Oba" talvez nunca tenham combinado tanto com aquele contexto.

Com 46 minutos, Jerome entrou no lugar de Zigic e desempenhou muito bem a tarefa de manter a bola sob domínio no campo de ataque. Tanto foi assim que a última chance de gol da partida foi do Birmingham: aos 48 minutos, Martins passou por Djourou, driblou Szczesny, mas antes que o atacante pudesse concluir, o zagueiro suíço recuperou-se e fez o desarme com um carrinho. Nada que mudasse o destino da taça: o Birmingham é campeão da Copa da Liga Inglesa!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Medo De Ser Feliz Custa 2 Pontos Ao Manchester City

A partida em que a equipe de ataque menos efetivo recebeu a defesa menos vazada terminou empatada. Zero a zero? Nada disso: foram 4 gols no estádio St. Andrew's - e olha que estavam em campo aqueles que considero os dois melhores goleiros ingleses na atualidade (Ben Foster e Joe Hart).

O Manchester City, que ficou por duas vezes em vantagem no placar, acabou se acovardando e sendo castigado pelo Birmingham, que foi buscar a igualdade no marcador diante de seus torcedores. O resultado diminui as chances dos "Citizens" arrancarem em direção ao título na "Premiership" e mantém o Birmingham próximo da zona de rebaixamento.

O jogo

O goleiro Ben Foster já teve trabalho aos 2 minutos de jogo quando caiu bem para interceptar um passe rasteiro em jogada de linha-de-fundo. Porém, no minuto seguinte, nada poderia fazer para impedir o gol adversário: em jogada iniciada com passe de Nigel de Jong para Carlos Alberto Tévez, David Silva recebeu de Carlitos, fez bonita jogada individual driblando Liam Ridgewell e a bola voltou no argentino que, escapando de Martin Jiranek, chutou cruzado uma bola que resvalou no próprio Jiranek e entrou lentamente no canto direito, abrindo a contagem para o time visitante.

Ganhando por 1a0 fora de casa, contando com a defesa menos vazada e diante do ataque menos efetivo da competição. Parece que esse cenário convidou o time do Manchester City a diminuir o ritmo e acreditar que já estava construído o resultado que lhe daria mais 3 pontos. Não que eu concorde com isso (muito pelo contrário, acho que a superioridade técnica deve se fazer valer com postura ofensiva e buscando o gol, independente do placar), mas tudo indica que o raciocínio do treinador italiano Roberto Mancini era o de que, por estar na frente no placar, o negócio agora é se defender.

Com campo para percorrer, o Birmingham chegava principalmente pelo lado direito, setor por onde David Bentley e Stephen Carr criaram jogadas agudas, uma finalizada com cabeceio de Cameron Jerome para fora aos 12 minutos e outra concluída por Nikola Zigic em chute defendido pelo goleiro Joe Hart aos 15 minutos. Mas seria pela esquerda que viria o gol de empate: aos 22 minutos, a cobrança de falta veio e a marcação dos Citizens falhou, permitindo que Zigic, em liberdade, desse leve desvio para tirar de Joe Hart e mandar pra rede.

Com o empate reestabelecido, o Manchester City voltou a buscar o gol. Aos 28 minutos, David Silva recuperou a posse de bola no campo de ataque, passou para Gareth Barry e este tocou para Edin Dzeko: bem marcado, o bósnio ex-Wolfsburg decidiu chutar assim mesmo e mandou a bola para fora, à direita. Aos 30 minutos, em lance onde Micah Richards esbanjou disposição para afastar a bola com um cabeceio, o lateral direito acabou se chocando com o companheiro de equipe De Jong. O saldo da colisão foi impressionante: o holandês precisou enfaixar a cabeça após um corte e Richards deixou o campo imobilizado na maca, aparentemente desacordado, em imagem tão forte que a geradora da transmissão televisiva evitou ficar mostrando. Após 6 minutos com o jogo parado para atendimento ao jogador, Kolo Touré entrou em seu lugar.
Boateng observa Richards e De Jong sentindo dores após o choque de cabeça: susto grande no estádio St. Andrew's.

Após tomar o gol de empate e ver um colega de time sair de campo naquelas condições, o City finalmente voltou a ter um motivo para comemorar: aos 40 minutos, Aleksandar Kolarov cobrou com precisão uma falta sofrida por Dzeko e, tirando da barreira, conseguiu também tirar de Hart sem tirar do gol, colocando na gaveta e desempatando a partida. Cabe dizer que Carlitos Tévez, posicionado na cobrança como quem fosse mandar por cima da barreira, acabou participando do gol, pois sua movimentação simulando que ele realizaria a cobrança acabou retardando o deslocamento de Hart.

No intervalo, Roberto Mancini trocou de volante: saiu De Jong para a entrada de Patrick Vieira. Não sei se o holandês saiu por causa daquela lesão na cabeça, se por causa do cartão amarelo recebido aos 26 minutos ou se simplesmente por opção tática do treinador. O fato é que, como vocês verão mais tarde, a entrada de Vieira acabou sendo desastrosa para o Manchester City.

Empurrado pela torcida e atraído pelo encolhido adversário que voltou a se acomodar com a vantagem no placar, o Birmingham retornou ao domínio territorial da partida. Aos 5 minutos, Vincent Kompany foi enganado pelo quique da bola e Bentley, mais esperto, tratou de emendar um chute de fora da área e jogou a bola perto do travessão. Aos 9 minutos, Lee Bowyer lançou com precisão Bentley na direita e de lá saiu um cruzamento. A jogada terminaria sendo salva por Kolo Touré em cima da linha, mas antes disso a arbitragem marcou infração a favor do Manchester City, invalidando a seqüência do lance.

Na marca de 15 minutos, dois fatos curiosos aconteceram. Primeiro foi a disputa de bola entre Jerome e Touré: o marfinense foi de carrinho para recuperar a bola e acabou levando pisão involuntário na canela. Como resultado, o jogador do Birmingham ficou sentindo o pé e o do Manchester City a canela. Felizmente, nada grave (já basta aquele lance envolvendo Micah Richards e Nigel De Jong). O outro foi que, aproveitando o jogo parado para atendimento aos atletas, Roberto Mancini passou orientações para Jérôme Boateng. Não seria nada demais não fosse a forma escolhida pelo treinador: um papelzinho entregue em mãos! O que estava escrito ali eu não faço idéia, mas o fato é que Boateng livrou-se depressa do pedaço de papel e o descartou no gramado, com Mancini abaixando-se para recolhê-lo. Se foi um convite para jantar depois do jogo, tudo leva a crer que o lateral recusou.

Voltando ao futebol, aos 21 minutos o City teve uma chegada ao ataque onde considero ter ocorrido pênalti: James Milner cruzou da direita e Stephen Carr realizou o corte dentro da área com o braço direito escancaradamente aberto. O árbitro Kevin Friend entendeu como lance normal. Aos 24 minutos, Alex Mc Leish trocou de atacante: saiu Jerome e entrou o experiente Kevin Mark Phillips. Dois minutos depois, David Silva deu enfiada de bola para Tévez e o argentino ficou cara-a-cara com o goleiro. Mas não era um goleiro qualquer: naquele momento, (Big) Ben Foster honrou a torre de Londres com a qual faço o trocadilho e se agigantou para bloquear a finalização de Carlitos.

Para não deixar dúvidas de que o Birmingham queria buscar o resultado, McLeish tirou o meio-campista Lee Bowyer para colocar o chileno Jean Beausejour, jogador que muitas das vezes se apresenta como um atacante. Aos 30 minutos (1 minuto após a mexida), veio a recompensa: Kevin Phillips escapou de Kolarov e foi derrubado por Patrick Vieira na grande área. Era um lance onde as chances do Birmingham arrumar uma finalização eram poucas, mas o francês acabou dando ao adversário um pênalti praticamente de presente. No minuto seguinte, Craig Gardner desembrulhou o pacote e abriu a embalagem mandando a bola no quadrante 2, empatando a partida novamente. Joe Hart até acertou o canto, mas a redonda foi numa zona de remotas possibilidades de defesa.

A partir de então, a partida foi se arrastando e, lá pro final, cada time teve uma chance de chegar à vitória. Aos 44 minutos, Kevin-Phillips levantou e chutou de fora da área, só não marcando um golaço porque Hart conseguiu dar um tapa para mandar em escanteio. Aos 48 minutos, Tévez cavou uma falta. O árbitro prometeu jogo até os 49 e estava ali a bola do jogo. Kolarov, que tinha encaçapado uma cobrança aos 3 minutos, foi novamente o encarregado. E o chute passou perto, muito perto da quina direita. Foi o suspiro derradeiro - para uns de lamento, para outros de alívio - antes do apito final.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Refém De Desfalques, United Empata Com Birmingham

Uma das características do futebol que o torna mais apaixonante é o fato de ele - futebol - passar longe de ser uma ciência exata. Antes de a bola rolar entre Birmingham (equipe integrante da zona de descenso na Premiership) e Manchester United (único invicto na competição e buscando isolar-se na liderança), muitos diriam que estava fácil apontar um favorito para a vitória. Sem querer fazer o papel de vidente, mas pensando previamente sobre o que poderia acontecer na partida, me mantinha crente de que poderia pintar um tropeço do United nesse jogo. Pelo fato do futebol não ser uma ciência exata? Na verdade, muito pelo contrário: entravam em campo no estádio St. Andrews duas das equipes que mais empataram no campeonato. E esse 1a1 no duelo de hoje acabou se tornando o 5º empate do Birmingham na condição de mandante e o 7º empate do United enquanto equipe visitante, estatísticas lideradas por esses times.

Com o resultado, o Birmingham sai da zona de descenso e ocupa a 16ª colocação, com 19 pontos em 18 jogos. Já o Manchester United segue líder, mas sem a mesma folga de outrora: o Manchester City aparece com os mesmos 38 pontos (mas com dois jogos a mais) e o Arsenal, maior ameaça no momento, surge 3 pontos abaixo e com o mesmo número de partidas disputadas.

A transmissão desse 1a1 entre Birmingham City e Manchester United pode ser vista no "Twitter" @jogadadefeito.

O jogo

Fazia frio na cidade de Birmingham, algo que o telespectador podia flagrar através das fumaças expelidas pelos jogadores quando respiravam. E o jogo em si conseguia ser igualmente gélido, com pouquíssimas tramas de jogadas capazes de envolver a marcação adversária. Num (gelado) deserto de opções, o lance mais acentuado no primeiro tempo acabou sendo uma bola que o galês Ryan Giggs mandou na trave direita do goleiro Ben Foster, em lance onde ficou difícil concluir se o experiente meio-campista tentou cruzar ou finalizar, mas dando para notar que o sutil desvio de Ben Foster foi providencial para tirar a bola de uma trajetória que a levasse para a rede.

Para piorar o desenho do jogo, houve uma seqüência de lances violentos e até uma confusão protagonizada pelo brasileiro Ânderson, que acabou lucrando com o cartão amarelo a ele mostrado pelo conivente árbitro Lee Stephen Mason. Com 29 minutos, o zagueiro sérvio Nemanja Vidic passou do limite da desportividade ao dar um pontapé na altura do peito do atacante Cameron Jerome, em lance onde novamente o amarelo ficou gratuito.

Enquanto o jogo se arrastava para o intervalo e o zero a zero retratava fielmente o quanto de futebol tínhamos em campo, pouco era feito por parte dos treinadores escoceses Alex McLeish e Alex Ferguson para que o jogo tivesse um novo desenho. Mesmo contando com jogadores como Aliaksandr Hleb e Nikola Zigic (à disposição de McLeish) ou Federico Macheda e Javier Hernández (opções de Ferguson), os times voltaram iguais para o segundo tempo.

Se na etapa inicial o búlgaro Dimitar Berbatov aparecia quase que a totalidade do tempo da intermediária para trás (em alguns momentos atuando como um defensor), aos 12 minutos lá estaria o búlgaro no lugar que lhe é de direito para fazer acontecer: o setor de ataque. E ele fez bonito: tabelou com o irlandês Darron Gibson dando-lhe um passe de calcanhar que desmontou a marcação adversária, recebeu de volta e finalizou rasteiro, no canto esquerdo de Foster, abrindo o placar em Birmingham. Em grande estilo, eis o 14º gol de Berbatov em 15 jogos disputados na atual Premiership.

3 minutos depois dessa bela e eficiente participação, Berbatov ficou perto de marcar um golaço: o búlgaro recebeu passe centralizado, mostrou grande controle de bola para escapar da marcação dando drible curto, e rematou rasteiro, no canto direito, mandando no pé da trave.

Com bastante atraso, McLeish finalmente mandou o bielorrusso Aliaksandr Hleb para o campo, colocando o meia no lugar do sueco Sebastian Benet Larsson. Sem querer pegar no pé do treinador mas já pegando, havia pelo menos uma meia dúzia de nomes que poderia deixar o jogo antes de Larsson, que teve razão ao mostrar insatisfação com a mexida aos 24 minutos.

3 minutos mais tarde era a vez de Ferguson realizar sua primeira substituição, trocando o brasileiro Ânderson pelo escocês Darren Fletcher.

Na primeira participação de Hleb em jogada perigosa, o jogador ex-Arsenal e Barcelona foi lançado pela esquerda e, aproveitando-se de toque do lateral-direito brasileiro Rafael, foi à grama simulando pênalti, em lance que Lee Mason mandou seguir aos 36 minutos. Naquele mesmo minuto, McLeish realizaria a segunda troca: o grandalhão sérvio Zigic no lugar do chileno Jean Beausejour, figura que pouco apareceu no jogo. No minuto seguinte, o Manchester teve grande chance de ampliar a vantagem quando, após escanteio pela esquerda cobrado por Giggs, Vidic subiu livre para cabecear alto e firme, tendo o gol impedido numa difícil intervenção de Foster, que espalmou para a linha-de-fundo.

Na marca de 39 minutos, McLeish mandou sua última cartada na busca pelo empate: saiu o atacante Jerome para a entrada do veterano Kevin Mark Phillips, atacante de 37 anos (4 meses mais velho que Giggs).

A aposta na jogada aérea como caminho para o empate teve sucesso aos 44 minutos: após bola alçada a partir do lado direito de ataque, Zigic escorou pro lado e, em condição legal, Lee Bowyer esticou-se para marcar de carrinho.

Com a indicação de quatro minutos como tempo de acréscimo, Hernández foi para o jogo no lugar de Gibson, mas o cronômetro e a bem postada defesa do time da casa não deram tempo nem espaço pro United retomar a vantagem no placar. Foi ouvir o apito final e imaginar que aquele chiclete mascado por Alex Ferguson devia estar com um sabor um tanto amargo.

Cabe colocar um parágrafo-extra para deixar como informação que nessa partida o líder Manchester United não contou com dois jogadores importantes no esquema tático de Ferguson: o português Nani (machucado) e o sul-coreano Park Ji-Sung (que está com a delegação que disputará a Copa da Ásia 2011 em janeiro). Mas será que isso justifica a inoperância do sistema de jogo montado para essa partida? E, mais que isso, por que a insistência em manter um estilo de jogo que não funcionava? A vitória por 1a0, caso acontecesse, talvez pudesse mascarar esses fatos. Talvez o empate traga como lado positivo o convite à reflexão: como, mesmo desfalcado, apresentar um futebol que pelo menos lembre o de um líder de Campeonato Inglês?

Outros resultados

Manchester City (2º) 4a0 (15º) Aston Villa
Stoke City (10º) 0a2 (17º) Fulham
Sunderland (7º) 0a2 (8º) Blackpool
Tottenham (4º) 2a0 (13º) Newcastle
West Bromwich (14º) 1a3 (9º) Blackburn
West Ham (19º) 1a1 (12º) Everton

Amanhã, a rodada se completará com três partidas: Chelsea (5º) e Bolton (6º); Wigan (18º) e Arsenal (3º); e Liverpool (11º) e Wolverhampton (20º).

sábado, 13 de novembro de 2010

Falta De Ousadia Empata A Vida Do Manchester City

O Manchester City recebeu o Birmingham, a torcida tentou empurrar o time ao ataque, mas, graças basicamente aos "esforços" do treinador italiano Roberto Mancini, a equipe não conseguiu sair do 0a0 diante do 17º colocado na tabela de classificação.

Assisti apenas a segunda metade da partida, e foi o suficiente para ficar impressionado com a falta de ambição de Roberto Mancini. A exemplo do jogo passado (0a0 diante do Manchester United), via-se um time pouco desenvolto dentro de campo. E o que é pior: com o empate persistindo, as chances sendo escassas e o cronômetro avançando em direção ao apito final, o treinador se recusava a colocar no jogo as peças que, teoricamente, ajudariam o time a superar o adversário.

Carlos Tévez era a figura mais participativa nos Citizens, assumindo a responsabilidade de ser o oásis de criação no deserto de idéias da equipe da casa. Os irmãos Touré se apresentavam freqüentemente ao campo de ataque, com Yaya insistindo nos chutes fortes (porém, sem direção) e Kolo buscando a tabela e às vezes mostrando uma habilidade rara para um zagueiro. David Silva e James Milner se apresentavam também, mas o pouco que era produzido e que chegava ao gol, era defendido por Ben Foster, que demonstrava muito bom posicionamento e transmitia segurança ao sistema defensivo.

Aos 20 minutos, os treinadores mostraram suas caras através das substituições. Mancini chamava pro jogo o atacante paraguaio Roque Santa Cruz. Até aí nada de absurdo, seria bem-vinda uma referência ao ataque do City. Mas tirar James Milner não foi a melhor das escolhas. Poderia, tranqüilamente, convidar o camisa 7 para fazer a ala esquerda no lugar de Aleksandar Kolarov. Já Alex McLeish fez o contrário, tirando a referência de área (Nikola Zigic) e colocando alguém para auxiliar na articulação de jogadas (Aliaksandr Hleb). Resultado: o Birmingham passou a ganhar o setor de meio-campo, colocando Joe Hart para trabalhar.

Vendo-se com um cenário adverso - resultado pouco interessante, torcida apreensiva e o time longe de dominar as ações -, Roberto Mancini cometeu duas novas mexidas. Primeiro, optou por trocar "seis por meia dúzia": saiu Kolarov e entrou Pablo Zabaleta (substituição idêntica à que fizera na rodada passada). Dois minutos depois, na marca de 38', Mancini se superou: tirou Tévez para colocar o meiocampista Gareth Barry! Não sei se o mais difícil é compreender a saída de Tévez, a entrada de Barry ou a permanência do brasileiro Jô no banco de suplentes. É uma questão que mereceria uma enquete. Aliás, quero cravar aqui que o argentino não parece nada à vontade: mostrou nervosismo após alguns desperdícios de posse de bola e, embora tenha deixado o campo aplaudido e sem transparecer descontentamento, "Carlitos" está longe de irradiar aquela alegria.

No final das contas, um novo 0a0 e a certeza de que, se o Manchester City quer colher frutos à altura dos investimentos feitos, talvez o próximo passo seja procurar um treinador com uma mentalidade compatível aos anseios dos torcedores. Por falar em torcedores, alguns deles nem ficaram para ver o apito final de Michael Jones. Outros vaiaram Mancini.

Outros resultados

Aston Villa 2a2 Manchester United
Newcastle 0a0 Fulham
Tottenham 4a2 Blackburn
West Ham 0a0 Blackpool
Wigan 1a0 West Bromwich
Wolverhampton 2a3 Bolton

Stoke City e Liverpool jogam ainda hoje. Amanhã, dois jogos completam a 13ª rodada: Everton e Arsenal; e Chelsea e Sunderland.