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sábado, 10 de julho de 2010

Levando E Devolvendo Virada, Alemanha Ganha 3º Lugar

Repetindo o resultado final de 2006 mas apresentando um futebol muito mais atraente, a Alemanha venceu a disputa pelo 3º lugar na Copa 2010 com o placar de 3a2. Os uruguaios se esforçaram, mas a atuação insegura de Fernando Muslera aliada aos momentos de desatenção no sistema defensivo não puderam ser revertidos mesmo com a boa atuação do trio de ataque. A Alemanha, caso dê seqüência ao belo trabalho implementado por Joachim Löw, tem motivos suficientes para almejar vôos mais altos em solo brasileiro no próximo Mundial - a grande qualidade técnica e a disciplina tática da jovem seleção convocada por Löw a credenciam a isso. O trabalho de Oscar Tabárez também é digno de elogios: poucos imaginariam uma seleção classificada via repescagem chegar onde chegou, no melhor desempenho da Celeste desde 1970.

Ambas as equipes tiveram alterações em suas escalações e talvez a principal delas tenha sido a ausência de Miroslav Klose, com dor nas costas: o camisa 11 terminou seu 3º Mundial a um gol de igualar a marca de Ronaldo Nazário (15 gols marcados na história das Copas).

Jogo começa com ritmo acelerado e gols vão saindo naturalmente

Logo aos 3 minutos a rede balançaria pela primeira vez, mas a arbitragem detectou impedimento de Thomas Müller em lance onde o brasileiro Cacau pegaria a sobra para chutar cruzado.

Com 4 minutos, Dennis Aogo levanta demais a perna ao dar carrinho em Diego Pérez ainda no campo de defesa e recebe o primeiro cartão amarelo do jogo pelo árbitro mexicano Benito Archundia.

Aos 5', Diego Forlán cobra falta e Cacau, situado na barreira, bloqueia com a mão: segundo cartão amarelo da partida e novo lance de bola parada para o Uruguai. Na nova cobrança, Forlán manda perto do ângulo direito, assustando o goleiro Hans-Jörg Butt.

Na marca de 8 minutos, Marcell Jansen tabela com Aogo pelo lado esquerdo, cruza rasteiro e ganha escanteio. Bastian Schweinsteiger cobra fechado e Luis Suárez afasta de peixinho - na seqüência, Jorge Fucile corta cruzamento de Cacau e cede novo tiro-de-canto. Dessa vez, quem levanta na área é Mesut Özil e Arne Friedrich cabeceia no travessão - no rebote, Müller cabeceia e Diego Godín bloqueia com o peito.

A média de quase 4 gols por partida em jogos que valem o 3º lugar em Copa do Mundo (3,93 para ser mais exato) dava sinal de que seria elevada e que o 0a0 sairia de cena rapidamente. Não deu outra: aos 18', Schweinsteiger pega sobra de bola na intermediária, chuta forte (a 117 quilômetros horários para ser mais exato), Muslera rebate pro meio da área e Müller é recompensado por ser o único jogador a se antecipar ao lance acreditando no rebote, aparecendo no local exato para completar pra rede. 5º gol dele no Mundial, igualando-se com Wesley Sneijder e David Villa no topo da lista de goleadores.

Müller desloca-se sozinho para chegar no rebote concedido por Muslera, abrindo o placar.

Com 21 minutos, Özil enfia para Sami Khedira pela direita, que tenta centralizar para finalização de Cacau mas o passe sai forte e a bola atravessa a área. 3 minutos depois, Suárez chuta prensado pela direita, Forlán chega na sobra, cabeceia e Per Martesacker levanta a perna para fazer o bloqueio. No minuto posterior, a Alemanha ia encaixando um daqueles contra-ataques que lhe caracterizaram na Copa 2010, mas Khedira recebeu cruzamento de Özil em posição de impedimento, não valendo o cabeceio que foi mandado por Muslera para escanteio.

Na marca de 27', Pérez consegue belo desarme através de carrinho em disputa com Schweinsteiger, passa para Suárez, que serve caprichosamente Edinson Cavani: o camisa 7 domina ajeitando com o lado de fora do pé e chuta cruzado, na saída de Butt, para empatar a partida e fazer seu primeiro gol na Copa.

Chovia forte no estádio Nelson Mandela Bay, talvez anunciando que haveria também uma chuva de gols no decorrer da partida. Aos 37', Özil abre na esquerda com Jansen, mas o cruzamento do camisa 2 sai bastante torto e vai pela linha-de-fundo.

Com 41 minutos, Suárez recebe em total liberdade pela direita após outro bom passe de Pérez, avança e chuta cruzado, perto da trave direita. No minuto seguinte, Özil tenta dar passe de primeira para Cacau, mas Diego Lugano corta com o braço esquerdo: falta. Schweinsteiger cobra, a bola desvia na cabeça de Lugano e sai em escanteio.

Aos 44', o Uruguai leva um pouco de sorte na sobra de bola e consegue emplacar um contra-ataque: Forlán abre na esquerda, Suárez tenta jogada individual e Jérôme Boateng corta em escanteio. Na cobrança, Forlán quase marca um gol olímpico, mas a bola vai na rede externa, por cima do travessão.

Segundo tempo começa lá e cá, mas com o passar do tempo a Alemanha consegue dominar as ações e merecer a vitória

Com 2 minutos, participação do trio de ataque uruguaio: Forlán passa para Cavani, Butt sai para abafar o lance, Suárez chega na sobra e chuta parando em defesa do goleiro.

Na marca de 5 minutos, a virada uruguaia: Egidio Arévalo faz bonita jogada pela direita tabelando com Suárez, cruza à meia-altura e Forlán emenda de voleio, chutando de primeira, pro chão, no contrapé de Butt. É o 4º jogador a chegar aos 5 gols no Mundial.

A vantagem no placar não durou muito tempo (6 minutos para ser mais exato): Boateng desce pela direita, cruza, Muslera e Godín não interceptam e Jansen cabeceia pro gol. 2a2, primeiro dele na Copa, em sua estréia na condição de titular.

No minuto seguinte, aos 12', Cacau arranca pelo meio com disposição, toca na esquerda para Özil que, dentro da área, corta a marcação mas é desarmado na seqüência.

Aos 14', Suárez passa para Forlán, recebe de volta, gira pro lado direito para escapar da marcação, finaliza e Arne Friedrich consegue bloquear. Na seqüência, Boateng afasta em definitivo.

Com 15 minutos, Pérez rapa Schweinsteiger e recebe o 3º amarelo da partida. No minuto posterior, bola levantada da esquerda, Müller escora de cabeça e Lugano corta antes que Cacau pudesse finalizar.

Na marca de 17 minutos, Suárez chuta de fora da área e Butt salta pra esquerda para espalmar. 2 minutos depois, Butt recebe recuo e afasta mal: Cavani ameaça chutar, avança, tabela com Suárez e abre com Forlán na esquerda. O goleiro alemão se recupera no lance e defende o chute do camisa 10.

Aos 21 minutos, Suárez recebe no lado direito da área, caneta Friedrich mas Schweinsteiger aparece na cobertura para cortar pela linha-de-fundo. Forlán cobra o escanteio pela direita, Suárez pega a sobra pelo lado esquerdo e isola.

Com 24', Jansen carrega pela esquerda e chuta à direita, desculpando-se pela opção da jogada individual. No minuto seguinte, Jansen não desperdiça a chance de se redimir: o lateral recebe a bola na esquerda e dessa vez rola de lado, achando Cacau. Mas quem desperdiça é o brasileiro, que chuta cruzado para fora, reclamando cotovelada de Lugano após a finalização.

Aos 28', a primeira substituição do jogo: Cacau por Stefan Kiessling. No mesmo minuto, Schweinsteiger recebe após cobrança de escanteio de Özil pelo lado esquerdo, chuta de fora e a bola desvia em novo escanteio.

Na marca de 30', Kiessling recebe na esquerda, limpa o lance e chuta à meia-altura: Muslera rebate e, na seqüência, impedimento é marcado.

Com 31 minutos, a primeira substituição uruguaia: Pérez por Walter Gargano. No minuto seguinte, Maximiliano Pereira cobra falta a 31 metros do gol e manda por cima.

Aos 34 minutos, Boateng recebe na direita e cruza fechado, mas Kiessling não consegue chegar para completar.

Aos 35', segunda mexida promovida por Löw: sai Jansen e entra Toni Kroos. No minuto posterior, Özil cobra escanteio pela direita, Friedrich escora de coxa na altura do segundo poste e Khedira cabeceia alto e cruzado para fazer 3a2, na primeira virada alemã na Copa 2010 e no primeiro gol dele na competição.

Na marca de 41 minutos, Özil se livra de Martín Cáceres no flanco direito e passa para Boateng, que chuta firme - Muslera encaixa. Os alemães já chegariam mais uma vez no minuto seguinte: após contra-ataque, Aogo recebe na esquerda e serve Kiessling que, livre, chuta colocado mandando para fora.

Com 43', Cavani dá lugar para Sebastián "El Loco" Abreu. 3 minutos depois, Özil sai para entrada de Serdar Tasci, em seus primeiros e últimos minutinhos de Copa 2010. Ainda aos 46', Muslera cobra tiro-de-meta, a bola viaja, Suárez chega nela e é derrubado faltosamente por Friedrich, que é punido com cartão amarelo. Mas a maior punição era a infração em si, pertinho da meia-lua. Estava ali a última chance do Uruguai de empatar a partida no tempo regulamentar. Forlán realiza a cobrança, a Jabulani passa pela barreira e se choca com o travessão. Fim de papo em Porto Elizabeth.

Chance derradeira: Forlán cobra falta e manda no travessão de Butt.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Copa 2010: Seleção Das Quartas-de-finais

Todo o rebuliço em torno do fato de a América do Sul ter levado mais representantes que o Velho Continente para as quartas-de-finais caiu por terra quando Brasil, Argentina e Paraguai tiveram seus mais fortes oponentes pela frente. Restou o Uruguai, que encarará na semifinal seu adversário mais qualificado - a Holanda. Os europeus? Vão muito bem, obrigado. Na outra semi, Alemanha e Espanha reeditam a final da Eurocopa 2008, em jogo onde está difícil apontar um favorito.

Escalemos.

Titulares

Goleiro: Iker Casillas (Espanha)
Lateral direito: Maicon (Brasil)
Zagueiro: Arne Friedrich (Alemanha)
Zagueiro: Mauricio Victorino (Uruguai)
Lateral esquerdo: Joan Capdevila (Espanha)
Volante: Mark van Bommel (Holanda)
Volante: Bastian Schweinsteiger (Alemanha)
Meia: Thomas Müller (Alemanha)
Meia: Wesley Sneijder (Holanda)
Atacante: Miroslav Klose (Alemanha)
Atacante: David Villa (Espanha)
Técnico: Joachim Löw (Alemanha)

Suplentes

Goleiro: Maarten Stekelenburg (Holanda)
Lateral direito: Philipp Lahm (Alemanha)
Zagueiro: Lúcio (Brasil)
Zagueiro: Andre Ooijer (Holanda)
Lateral esquerdo: Claudio Morel Rodríguez (Paraguai)
Volante: Sami Khedira (Alemanha)
Volante: Nigel De Jong (Holanda)
Meia: Diego Forlán (Uruguai)
Meia: Andrés Iniesta (Espanha)
Atacante: Luis Suárez (Uruguai)
Atacante: Dirk Kuyt (Holanda)
Técnico: Bert van Marwijk (Holanda)

Menção honrosa: Fernando Muslera, Maximiliano Pereira e Oscar Tabárez (Uruguai), John Mensah e Kwadwo Asamoah (Gana), Giovanni van Bronckhorst (Holanda), Juan e Gilberto Silva (Brasil), Nicolás Burdisso, Gabriel Heinze, Ángel Di María, Lionel Messi e Diego Armando Maradona (Argentina), Manuel Neuer, Per Mertesacker e Lukas Podolski (Alemanha), Paulo Da Silva, Antolín Alcáraz, Jonathan Santana e Nelson Valdez (Paraguai), Xavi Hernández e Vicente Del Bosque (Espanha).

Destaque

A Argentina, nos 4 primeiros jogos no Mundial, havia feito um total de 10 gols e sofrido apenas 2. Até que apareceu uma Alemanha no caminho argentino e a seleção comandada por Joachim Löw aplicou um 4a0 na forte equipe montada por Diego Armando Maradona. É evidente que foi uma atuação coletiva que beirou a perfeição, mas houve um elemento fundamental para a construção desse expressivo resultado.

Vestindo a camisa 7, Bastian Schweinsteiger já deu seu cartão de visitas com 2 minutos de partida: foi ele que inverteu o jogo para Lukas Podolski no lance que deu origem à falta que levou ao 1a0. Quem cobrou a dita falta para o gol de Müller? Ele, Schweinsteiger. O 3º gol do jogo foi uma obra-de-arte elaborada, emoldurada e pintada pelo versátil volante, quando passou por 3 argentinos e serviu Arne Friedrich para dar a última pincelada na tela.

Passes refinados, tabelas, enfiadas de bola, gol, assistência. Um momento! É realmente de um volante que estamos falando? Pois é, não bastasse todo esse repertório ofensivo, Schweinsteiger vem desempenhando o ofício de proteger a defesa alemã com desarmes importantes e uma marcação ativa. Foi a primeira e única partida da Copa 2010 em que a Argentina não conseguiu vazar a meta adversária - méritos para a bem postada equipe alemã e também para o nosso jogador destaque da rodada.

No gol de Müller, Schweinsteiger se fez presente mesmo sem aparecer na foto: foi dele o cruzamento desviado pelo camisa 13; na outra imagem, Messi tenta passar por Boateng e é vigiado pela dupla Schweinsteiger-Khedira. Abaixo, Podolski, Müller e Schweinsteiger comemoram um dos gols alemães.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Copa 2010: Seleção Das Oitavas-de-finais

Concluída a fase de oitavas-de-final, vamos a algumas observações sobre os acontecimentos nessa Copa do Mundo 2010.

[1] É de caráter prioritário que a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) traçe um plano de metas onde a introdução da tecnologia eletrônica no futebol esteja no topo da lista. Os "erros" de Jorge Luis Larrionda Pietrafesa, Roberto Rosetti e companhia podem ser evitados pelo uso de acessórios já existentes em outras práticas esportivas. É uma questão de ética e justiça, e acredito que esses dois valores não devam ser submetidos àquele papo de que "o futebol vive da polêmica";

[2] Pela primeira vez na história das Copas, a América do Sul terá mais representantes que a Europa na fase de quartas-de-final. Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai chegam até aqui como líderes de seus grupos e não somam uma única derrota no torneio. Mas verdade seja dita: talvez com a exceção dos uruguaios, todos os outros terão sua maior prova no Mundial na próxima partida;

[3] Argentina e Holanda são as únicas seleções com 100% de aproveitamento. Os próximos compromissos são de alto grau de dificuldade, e uma nova vitória as colocaria definitivamente com o nome no topo da lista de favoritos;

[4] Gana, a única remanescente do continente-sede, sonha em ser a primeira africana da história das Copas a alcançar a fase semifinal. É zebra diante do Uruguai, mas está em seu 'habitat natural';

[5] Não que seja tão trágico quanto o horripilante mecanismo do "gol de ouro", mas a definição da classificação nas penalidades é uma pancada dolorosa naquele que perde. Um chute no travessão separar classificado de eliminado após mais de duas horas de disputa com igualdade persistente é, no mínimo, algo a ser discutido com cautela;

[6] Holanda e Brasil. Promessa de gols e de boa partida. São duas seleções que não sofreram 1a0 de ninguém, isto é, se acostumaram a abrir o placar diante dos adversários. Como trata-se de um duelo longe de ter uma cara de zero-a-zero, como se comportaria a seleção que saísse atrás no marcador? Detalhe: nas oitavas, quem fez o primeiro gol do jogo sempre se classificou;

[7] Das classificadas, a Alemanha teve o adversário mais difícil das oitavas e já pega outra candidata a título nas quartas. Está com um futebol vistoso, contrastante com aquilo que é tradicional de vermos nas antigas seleções alemães. Até onde poderão ir os comandados do revolucionário Joachim Löw?;

[8] A Espanha jogou contra duas retrancas, perdendo na estréia e vencendo na fase eliminatória. Quando pegou um time que gosta de atacar, venceu novamente. Aparentemente, o Paraguai será uma presa fácil, apesar de só ter sofrido um gol no Mundial (de bola parada, na estréia diante dos italianos). Gerardo Martino, fã de Marcelo Bielsa, armará um time para atacar os espanhóis ou se baseará nos contra-ataques? O fato é que, surpresas à parte, tudo indica que a Espanha avance e continue a encantar os fãs do futebol bem jogado.

Vamos à seleção das oitavas.

Titulares

Goleiro: Maarten Stekelenburg (Holanda)
Lateral direito: Sergio Ramos (Espanha)
Zagueiro: Carles Puyol (Espanha)
Zagueiro: Marcus Túlio Tanaka (Japão)
Lateral esquerdo: Carlos Salcido (México)
Volante: Gilberto Silva (Brasil)
Volante: Ramires (Brasil)
Meia: Thomas Müller (Alemanha)
Meia: Wesley Sneijder (Holanda)
Atacante: Carlos Tévez (Argentina)
Atacante: David Villa (Espanha)
Técnico: Vicente Del Bosque (Espanha)

Suplentes

Goleiro: Eduardo (Portugal)
Lateral direito: Cha Du-Ri (Coréia do Sul)
Zagueiro: Francisco Rodríguez (México)
Zagueiro: Nicolás Burdisso (Argentina)
Lateral esquerdo: Giovanni van Bronckhorst (Holanda)
Volante: Mark van Bommel (Holanda)
Volante: Sami Khedira (Alemanha)
Meia: Xavi Hernández (Espanha)
Meia: Landon Donovan (Estados Unidos)
Atacante: Arjen Robben (Holanda)
Atacante: Luis Suárez (Uruguai)
Técnico: Joachim Löw (Alemanha)

Menção honrosa: Diego Forlán (Uruguai), Park Chu-Young (Coréia do Sul), Richard Kingson e Asamoah Gyan (Gana), Michael Bradley e Bob Bradley (Estados Unidos), Nigel De Jong, Dirk Kuyt e Bert van Marwijk (Holanda), Ján Mucha, Radoslav Zabavník e Juraj Kucka (Eslováquia), Lúcio, Juan, Michel Bastos, Kaká, Robinho e Dunga (Brasil), Humberto Suazo, Jean Beausejour e Marcelo Bielsa (Chile), Gabriel Heinze, Javier Mascherano e Lionel Messi (Argentina), Rafa Márquez, Javier Hernández e Javier Aguirre (México), Manuel Neuer, Bastian Schweinsteiger, Mesut Özil, Miroslav Klose e Lukas Podolski (Alemanha), Steven Gerrard e Frank Lampard (Inglaterra), Néstor Ortigoza (Paraguai), Joan Capdevila, Gerard Piqué e Andrés Iniesta (Espanha), Fábio Coentrão e Tiago (Portugal).

Destaque

No dia em que a arbitragem roubou a cena (no sentido mais pejorativo que o verbo admitir), Thomas Müller conseguiu a proeza de também ter se destacado na partida diante da Inglaterra. Com uma atuação de altíssimo nível, se Müller fosse inglês talvez nem Jorge Larrionda conseguiria evitar o avanço do English Team.

Mas não, aquele camisa 13 de andar elegante, grande visão de jogo e exímia precisão para passes e finalizações é cidadão alemão, para felicidade geral daquela nação. No segundo gol, ele não apenas deu a assistência para o chute de Podolski como tivera participado anteriormente na construção da jogada. O 3º e o 4º foram concluídos por ele próprio, ratificando a força do contra-ataque alemão com oportunismo digno de centroavante. Como se não bastasse, o Instituto DataFolha aponta que o meia ainda realizou 4 desarmes no jogo.

Na 1ª imagem, finalizando para fazer o 3º gol; na 2ª, comemorando logo após marcar o 4º da Alemanha na partida.

domingo, 27 de junho de 2010

Larrionda E Contra-ataques Detonam A Inglaterra

A última vitória dos ingleses sobre os alemães numa Copa do Mundo havia acontecido em 1966, na final disputada em Wembley. Se naquela oportunidade a Inglaterra teve um gol incorretamente validado, 44 anos depois, em Bloemfontein, foi a vez dos ingleses lamentarem um erro de arbitragem: o uruguaio Jorge Luis Larrionda, de 42 anos (ou seja, nem era nascido na ocasião do título inglês), ignorou solenemente um gol de Frank Lampard, que seria o de empate em 2a2, numa bola que passou 33 perceptíveis centímetros da linha final.

A Alemanha, que não tem nada com isso - ou tem? - tratou de voltar para o segundo tempo com a fictícia vantagem de 2a1 e definir a classificação em contra-ataques aniquiladores. Tão aniquiladores quanto o apito do sujeito escalado para a partida. Aliás, o que leva a comissão de arbitragem a chamar Jorge Larrionda para um jogo de oitavas-de-final após ele fazer o que fez com a Sérvia na última rodada da fase de grupos? São perguntas que clamam por uma resposta. Enquanto isso, a tecnologia não entra no futebol e vemos essa brecha para indivíduos como Larrionda decidirem a sorte daqueles que trabalham.

Primeiro tempo com 4 gols, mas somente 3 validados - um jogo que perdeu o sentido aos 37 minutos

Aos 4 minutos, a Inglaterra já dava sinais de que David James teria muito trabalho diante da defesa que deveria protegê-lo. Lançamento para Mesut Özil, que fica cara-a-cara com James, chuta rasteiro e vê o goleiro realizar grande defesa com o pé. Antes disso, porém, já houve tempo para o primeiro erro de arbitragem: Wayne Rooney estava em condições legais para avançar em direção ao gol, mas foi marcado impedimento.

Na marca de 9 minutos, Steven Gerrard - figura do English Team que mais aparecia para o jogo - lançou para Jermain Defoe, mas Manuel Neuer saiu para recolher. No minuto seguinte, o primeiro de muitos contra-ataques alemães: eram três contra três, mas o fominha Lukas Podolski chutou na defesa inglesa. Aos 14', Philipp Lahm cruzou da direita e James saltou para segurar. A Alemanha começava a dominar o jogo: dois minutos depois, Sami Khedira carrega a bola observado por Gareth Barry, chuta de fora da área e isola a Jabulani. No minuto seguinte, Bastian Schweinsteiger é desarmado no ataque e proporciona a chance para o contra-ataque inglês: Lampard dá uma caneta em Khedira e é derrubado por Schweinsteiger, que, se não conseguiu retomar a posse de bola, pelo menos interrompeu o avanço adversário. Na cobrança da falta, Lampard mandou a bola na barreira.

Com 19 minutos, Neuer tem tiro-de-meta para cobrar. E daí? Qual o perigo de um tiro-de-meta? Pois a bola viajou descrevendo uma parábola longitudinal (traduzindo: fez curva pra direita e depois pra esquerda), deu um quique depois da intermediária de ataque (não pergunte-me como) e chegou até o atacante Miroslav Klose, que escapou de Matthew Upson e esticou a perna direita para chutar antes que James impedisse: 1a0 Alemanha.

Wayne Rooney tentou dar uma resposta em jogada individual aos 23 minutos, mas após carregar a bola da esquerda para o centro, deu um chute que foi longe do gol. No minuto seguinte, Barry recebeu toque de lado e também decidiu chutar de fora da área - Neuer encaixou.

Aos 27 minutos, Larrionda fez a gentileza de armar o contra-ataque alemão, posicionando-se na trajetória da bola quando a Inglaterra tinha a posse. Posse essa, aliás, que era naquela altura 58% do tempo inglesa.

Na marca de 30 minutos, a Alemanha voltou a apresentar aquelas jogadas encantadoras que foram vistas nos seus dois primeiros jogos: Thomas Müller passou para Khedira, que devolveu de primeira com um toque de letra. Müller tratou de deixar Klose cara-a-cara com David James, que fez uma defesaça após a finalização do camisa 11.

No minuto seguinte, Glen Johnson dá um passe de cavada para Defoe, que cabeceia no travessão. A arbitragem assinalou impedimento, com correção. Ainda aos 31 minutos, a Alemanha chegou ao segundo gol. E foi linda a jogada: Müller tocou para Özil, que passou para Klose, próximo da linha lateral direita. O atacante polonês conseguiu dar boa bola para Müller, que deu um passe simplesmente magistral para Lukas Podolski - e o outro polonês do time não desperdiçou, dominando a bola e dando chute cruzado no canto esquerdo.

Com a desvantagem de 2a0, a Inglaterra se mandou ao ataque. Aos 34', James Milner cruza baixo da direita, Lampard desvia e Neuer salva com a mão direita, em bela intervenção - na seqüencia, a defesa alemã afastou. Aos 35', resposta da Alemanha: escanteio pela esquerda, Barry não corta, Klose dá uma puxadinha e num único toque se livra de Barry e de Upson, mas o chute é bloqueado.

Na marca de 36 minutos, Upson vai pra área, Gerrard faz o cruzamento pelo lado direito e o zagueirão sobe bem para amortecer com a testa, escorando para dentro do gol antes que Neuer pudesse evitar.

A Inglaterra entrou novamente no jogo e empataria já no minuto seguinte: da meia-lua, Lampard mostra grande visão e precisão no chute, encobrindo Neuer. A bola beija o travessão, quica dentro do gol, volta para o travessão e quica sobre a linha. Fabio Capello comemora o empate no banco de reservas mas muda subitamente de expressão ao observar que Jorge Larrionda mandava o jogo seguir, sem validar o golaço. Para facilitar o trabalho do árbitro e do assistente Mauricio Espinosa, a bola que quicara dentro retornou ao travessão para quicar na linha. Se ela vem de trás para quicar na linha, por uma questão de lógica, ela naturalmente saiu de dentro do gol. Parece que apenas o árbitro uruguaio e seu auxiliar compatriota - ou seria cúmplice? - não notaram isso. Ou será que notaram?
Manuel Neuer observa a bola dentro do gol. Depois, saiu jogando numa boa.

Aos 38 minutos, a Alemanha chegava ao ataque com Özil, que chutou rente à trave esquerda. Era a última chance de gol num primeiro tempo muito bem jogado mas muito mal apitado.

Alemanha não perdoa a lenta e escancarada defesa inglesa e chega à goleada

Se não houve qualquer cartão no primeiro tempo - até porque ninguém tem autoridade para expulsar o juíz -, com 1 minuto na etapa complementar o zagueiro Arne Friedrich foi ao tornozelo de Defoe e recebeu o amarelo.

Aos 3', Gerrard carregou a bola pela esquerda, fez um breve retorno para se afastar de Per Mertesacker e também de Lahm, chutou ao gol mas mandou à direita. Aos 6 minutos, Lampard cobrou falta a 34 metros de distância da linha final e acertou um foguete no travessão. Na marca de 9 minutos, John Terry saiu jogando errado, Klose pegou a bola e desceu pelo lado direito, mas o camisa 6 se recuperou cortando o lance com o peito. No minuto seguinte, Gerrard voltou a tentar um chute de fora da área pelo lado esquerdo e Neuer segurou.

As chances de gol aconteciam de minuto em minuto. Aos 11', Rooney deixou a bola passar para um companheiro melhor posicionado e Neuer conseguiu chegar na bola pouco antes de Defoe, afastando de carrinho. Aos 12', Gerrard arriscou novamente de fora da área e dessa vez a bola saiu pelo lado direito da meta. Na marca de 13 minutos, James se revoltou com o sistema defensivo de sua equipe. E com razão: Müller recebeu pelo centro do comando de ataque, viu um grande clarão à sua frente e chutou, mas a bola foi à esquerda do gol.

Com 15 minutos, seguia a busca pelo empate: Rooney abriu na direita com Milner, que cruzou de primeira para o miolo da área e Neuer recolheu. Aos 16', nova abertura de Rooney com Milner e dessa vez o camisa 16 decidiu chutar ao gol, mas a bola foi bloqueada nas costas de Jérôme Boateng. Se a moda era chutar de fora da área, Schweinsteiger resolveu experimentar também e mandou um chute perigoso que saiu perto da trave direita, aos 17'. No minuto seguinte, Özil tabelou com Khedira, passou atrás para Boateng e o camisa 20 isolou.

Fabio Capello finalmente mexeu e trocou Milner por Joe Cole.

Aos 20 minutos, Joe Cole passou para Rooney, que tentou o drible e foi obstruído por Friedrich. Na falta a 28 metros do gol, Lampard chutou à meia-altura e ficou na barreira. E estava armado o contra-ataque avassalador da Alemanha: Boateng entrega para Müller, que passa para Schweinsteiger e já parte em velocidade. Eram 3 contra 3 e Schweinsteiger deu boa abertura na direita com Müller, que chutou no contrapé de James para fazer 3a1.

Na marca de 23 minutos, a Alemanha já teve chance de ampliar: Boateng passou para Podolski, que desviou para Müller emendar de 3 dedos à esquerda do gol. No minuto seguinte não teve jeito e os alemães encaixaram mais um contra-ataque fulminante: Khedira fez o lançamento, Özil ganhou de Barry na corrida e serviu Müller com um passe entre as pernas de Ashley Cole. O camisa 13 correspondeu mais uma vez e completou para a rede - 4a1.

Não apenas pelo apito do Larrionda nem pelo placar elástico que foi construído, mas principalmente pela facilidade com que os comandados de Joachim Löw desenvolviam as jogadas, ficava claro que a Inglaterra não teria qualquer chance de reverter o placar.

Aos 25', Capello decidiu trocar de atacante e pôs Emile Heskey no lugar de Defoe. No minuto seguinte, Löw trocou Müller por Piotr Trochowski e Klose por Mario Gómez. Aplausos para o camisa 13, que teve atuação de gala.

Com 28 minutos, Özil driblou Johnson mas foi parado com falta. Na marca de 33', Gómez tentou sozinho pela direita e, marcado por Upson, chutou para fora. A Inglaterra teve um bom ataque aos 35': Lampard passou para Rooney, que deu de primeira para Gerrard. O capitão parou a corrida e chutou cruzado para linda defesa de Neuer com a mão esquerda. No minuto seguinte, Johnson puxou Özil pelo ombro e recebeu o amarelo - mas não teve que se preocupar com a suspensão automática, já que a Inglaterra se despediria da Copa ali mesmo.

Com 37 minutos, Özil saiu e Stefan Kiessling entrou em seu lugar, na 3ª substituição de Löw. 4 minutos depois, Capello também mexeu pela 3ª e última vez: Shaun Wright-Phillips no lugar de Johnson. Não que fosse haver grande transformação no cenário, mas era a típica troca que poderia ter sido feita antes (troca fundamental mesmo teria sido no trio de arbitragem).

Aos 42 minutos, Rooney cobrou escanteio no lado direito com passe curto para Gerrard, recebeu de volta, cruzou rasteiro, Barry chegou chutando mas a defesa alemã desviou em novo escanteio. Aos 43', Lampard deu chute com efeito de fora da área e Neuer defendeu em dois tempos no canto esquerdo. Aos 44', Wright-Phillips cruzou da direita e Neuer recolheu antes que Heskey pudesse tentar algo.

Na marca de 47 minutos, Larrionda cometeu o ato de apitar pela última vez. Felizmente, o Uruguai segue na Copa, impedindo a escalação desse sujeito. Embora seja inevitável colocar em evidência a atuação desastrosa da arbitragem, isso não deve(ria) ofuscar o fato de a Alemanha ter apresentado, novamente, um belíssimo futebol.