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domingo, 31 de outubro de 2010

Golaço Brasileiro E Goleiro Uruguaio Garantem A Lazio

A Lazio foi ao estádio Renzo Barbera e conseguiu um grande resultado ao garantir o 1a0 sobre o Palermo, com golaço do zagueiro brasileiro André Dias. A equipe da capital chegou aos 22 pontos nessa nona rodada e lidera com quatro pontos de vantagem em relação à Internazionale, que voltou à condição de vice-líder. Já o Palermo segue com 11 pontos, não conseguindo entrar na zona de classificação para os torneios europeus.

O jogo

Embora melhor que o adversário, a equipe da casa tinha dificuldades para envolver o time da Lazio. O desfalque de Fabrizio Miccoli sobrecarregava Javier Pastore, que até se mostrava presente e criava bastante, mas não conseguia desmontar o sistema defensivo oponente, bem postado. Aos 27 minutos, a Lazio teve uma chance em lance de bola parada. Hernanes, sumido no jogo, estava posicionado para a cobrança mas quem efetuou o cruzamento foi o uruguaio Ledesma: a bola viajou pra grande área e encontrou André Dias, que aplicou um belo voleio para mandar a redonda no ângulo esquerdo, marcando um golaço.

Buscando o empate, o Palermo se lançava preferencialmente pelo lado esquerdo, contando com o apoio de Federico Balzaretti. Algumas vezes levava perigo, principalmente quando Pastore encostava no camisa 42 para fazer a tabela, mas a Lazio conseguiu rumar para o vestiário conservando a vantagem no placar. Na segunda etapa a esperança do Rosonero se renovou aos 32 minutos, quando o zagueiro Biava foi expulso e deixou os visitantes com um homem a menos. A pressão era intensa e cada vez maior. Edoardo Reja, temendo o empate adversário, tirou Hernanes e Zárate para reforçar a marcação. O jogo ficou concentrado no campo de defesa da Lazio e as chances apareciam rotineiramente, principalmente a partir de Cassani, que se destacava pelo lado direito. Porém, o Palermo esbarrou num personagem que acabou sendo determinante no resultado: o goleiro uruguaio Fernando Muslera. O arqueiro do uniforme amarelo fluorescente com número 86 realizou pelo menos 3 defesas estupendas e foi responsável direto pela 7ª vitória da Lazio na competição.

Outros resultados

Sexta-feira
Genoa 0a1 Internazionale

Sábado
Roma 2a0 Lecce
Milan 1a2 Juventus

Outros jogos de hoje

Completando a nona rodada da Série A, estão jogando nesse momento: Parma e Chievo; Brescia e Napoli; Cagliari e Bologna; Cesena e Sampdoria; e Bari e Udinese. Ainda hoje, mas um pouco mais tarde, tem a partida entre Catania e Fiorentina.

sábado, 10 de julho de 2010

Levando E Devolvendo Virada, Alemanha Ganha 3º Lugar

Repetindo o resultado final de 2006 mas apresentando um futebol muito mais atraente, a Alemanha venceu a disputa pelo 3º lugar na Copa 2010 com o placar de 3a2. Os uruguaios se esforçaram, mas a atuação insegura de Fernando Muslera aliada aos momentos de desatenção no sistema defensivo não puderam ser revertidos mesmo com a boa atuação do trio de ataque. A Alemanha, caso dê seqüência ao belo trabalho implementado por Joachim Löw, tem motivos suficientes para almejar vôos mais altos em solo brasileiro no próximo Mundial - a grande qualidade técnica e a disciplina tática da jovem seleção convocada por Löw a credenciam a isso. O trabalho de Oscar Tabárez também é digno de elogios: poucos imaginariam uma seleção classificada via repescagem chegar onde chegou, no melhor desempenho da Celeste desde 1970.

Ambas as equipes tiveram alterações em suas escalações e talvez a principal delas tenha sido a ausência de Miroslav Klose, com dor nas costas: o camisa 11 terminou seu 3º Mundial a um gol de igualar a marca de Ronaldo Nazário (15 gols marcados na história das Copas).

Jogo começa com ritmo acelerado e gols vão saindo naturalmente

Logo aos 3 minutos a rede balançaria pela primeira vez, mas a arbitragem detectou impedimento de Thomas Müller em lance onde o brasileiro Cacau pegaria a sobra para chutar cruzado.

Com 4 minutos, Dennis Aogo levanta demais a perna ao dar carrinho em Diego Pérez ainda no campo de defesa e recebe o primeiro cartão amarelo do jogo pelo árbitro mexicano Benito Archundia.

Aos 5', Diego Forlán cobra falta e Cacau, situado na barreira, bloqueia com a mão: segundo cartão amarelo da partida e novo lance de bola parada para o Uruguai. Na nova cobrança, Forlán manda perto do ângulo direito, assustando o goleiro Hans-Jörg Butt.

Na marca de 8 minutos, Marcell Jansen tabela com Aogo pelo lado esquerdo, cruza rasteiro e ganha escanteio. Bastian Schweinsteiger cobra fechado e Luis Suárez afasta de peixinho - na seqüência, Jorge Fucile corta cruzamento de Cacau e cede novo tiro-de-canto. Dessa vez, quem levanta na área é Mesut Özil e Arne Friedrich cabeceia no travessão - no rebote, Müller cabeceia e Diego Godín bloqueia com o peito.

A média de quase 4 gols por partida em jogos que valem o 3º lugar em Copa do Mundo (3,93 para ser mais exato) dava sinal de que seria elevada e que o 0a0 sairia de cena rapidamente. Não deu outra: aos 18', Schweinsteiger pega sobra de bola na intermediária, chuta forte (a 117 quilômetros horários para ser mais exato), Muslera rebate pro meio da área e Müller é recompensado por ser o único jogador a se antecipar ao lance acreditando no rebote, aparecendo no local exato para completar pra rede. 5º gol dele no Mundial, igualando-se com Wesley Sneijder e David Villa no topo da lista de goleadores.

Müller desloca-se sozinho para chegar no rebote concedido por Muslera, abrindo o placar.

Com 21 minutos, Özil enfia para Sami Khedira pela direita, que tenta centralizar para finalização de Cacau mas o passe sai forte e a bola atravessa a área. 3 minutos depois, Suárez chuta prensado pela direita, Forlán chega na sobra, cabeceia e Per Martesacker levanta a perna para fazer o bloqueio. No minuto posterior, a Alemanha ia encaixando um daqueles contra-ataques que lhe caracterizaram na Copa 2010, mas Khedira recebeu cruzamento de Özil em posição de impedimento, não valendo o cabeceio que foi mandado por Muslera para escanteio.

Na marca de 27', Pérez consegue belo desarme através de carrinho em disputa com Schweinsteiger, passa para Suárez, que serve caprichosamente Edinson Cavani: o camisa 7 domina ajeitando com o lado de fora do pé e chuta cruzado, na saída de Butt, para empatar a partida e fazer seu primeiro gol na Copa.

Chovia forte no estádio Nelson Mandela Bay, talvez anunciando que haveria também uma chuva de gols no decorrer da partida. Aos 37', Özil abre na esquerda com Jansen, mas o cruzamento do camisa 2 sai bastante torto e vai pela linha-de-fundo.

Com 41 minutos, Suárez recebe em total liberdade pela direita após outro bom passe de Pérez, avança e chuta cruzado, perto da trave direita. No minuto seguinte, Özil tenta dar passe de primeira para Cacau, mas Diego Lugano corta com o braço esquerdo: falta. Schweinsteiger cobra, a bola desvia na cabeça de Lugano e sai em escanteio.

Aos 44', o Uruguai leva um pouco de sorte na sobra de bola e consegue emplacar um contra-ataque: Forlán abre na esquerda, Suárez tenta jogada individual e Jérôme Boateng corta em escanteio. Na cobrança, Forlán quase marca um gol olímpico, mas a bola vai na rede externa, por cima do travessão.

Segundo tempo começa lá e cá, mas com o passar do tempo a Alemanha consegue dominar as ações e merecer a vitória

Com 2 minutos, participação do trio de ataque uruguaio: Forlán passa para Cavani, Butt sai para abafar o lance, Suárez chega na sobra e chuta parando em defesa do goleiro.

Na marca de 5 minutos, a virada uruguaia: Egidio Arévalo faz bonita jogada pela direita tabelando com Suárez, cruza à meia-altura e Forlán emenda de voleio, chutando de primeira, pro chão, no contrapé de Butt. É o 4º jogador a chegar aos 5 gols no Mundial.

A vantagem no placar não durou muito tempo (6 minutos para ser mais exato): Boateng desce pela direita, cruza, Muslera e Godín não interceptam e Jansen cabeceia pro gol. 2a2, primeiro dele na Copa, em sua estréia na condição de titular.

No minuto seguinte, aos 12', Cacau arranca pelo meio com disposição, toca na esquerda para Özil que, dentro da área, corta a marcação mas é desarmado na seqüência.

Aos 14', Suárez passa para Forlán, recebe de volta, gira pro lado direito para escapar da marcação, finaliza e Arne Friedrich consegue bloquear. Na seqüência, Boateng afasta em definitivo.

Com 15 minutos, Pérez rapa Schweinsteiger e recebe o 3º amarelo da partida. No minuto posterior, bola levantada da esquerda, Müller escora de cabeça e Lugano corta antes que Cacau pudesse finalizar.

Na marca de 17 minutos, Suárez chuta de fora da área e Butt salta pra esquerda para espalmar. 2 minutos depois, Butt recebe recuo e afasta mal: Cavani ameaça chutar, avança, tabela com Suárez e abre com Forlán na esquerda. O goleiro alemão se recupera no lance e defende o chute do camisa 10.

Aos 21 minutos, Suárez recebe no lado direito da área, caneta Friedrich mas Schweinsteiger aparece na cobertura para cortar pela linha-de-fundo. Forlán cobra o escanteio pela direita, Suárez pega a sobra pelo lado esquerdo e isola.

Com 24', Jansen carrega pela esquerda e chuta à direita, desculpando-se pela opção da jogada individual. No minuto seguinte, Jansen não desperdiça a chance de se redimir: o lateral recebe a bola na esquerda e dessa vez rola de lado, achando Cacau. Mas quem desperdiça é o brasileiro, que chuta cruzado para fora, reclamando cotovelada de Lugano após a finalização.

Aos 28', a primeira substituição do jogo: Cacau por Stefan Kiessling. No mesmo minuto, Schweinsteiger recebe após cobrança de escanteio de Özil pelo lado esquerdo, chuta de fora e a bola desvia em novo escanteio.

Na marca de 30', Kiessling recebe na esquerda, limpa o lance e chuta à meia-altura: Muslera rebate e, na seqüência, impedimento é marcado.

Com 31 minutos, a primeira substituição uruguaia: Pérez por Walter Gargano. No minuto seguinte, Maximiliano Pereira cobra falta a 31 metros do gol e manda por cima.

Aos 34 minutos, Boateng recebe na direita e cruza fechado, mas Kiessling não consegue chegar para completar.

Aos 35', segunda mexida promovida por Löw: sai Jansen e entra Toni Kroos. No minuto posterior, Özil cobra escanteio pela direita, Friedrich escora de coxa na altura do segundo poste e Khedira cabeceia alto e cruzado para fazer 3a2, na primeira virada alemã na Copa 2010 e no primeiro gol dele na competição.

Na marca de 41 minutos, Özil se livra de Martín Cáceres no flanco direito e passa para Boateng, que chuta firme - Muslera encaixa. Os alemães já chegariam mais uma vez no minuto seguinte: após contra-ataque, Aogo recebe na esquerda e serve Kiessling que, livre, chuta colocado mandando para fora.

Com 43', Cavani dá lugar para Sebastián "El Loco" Abreu. 3 minutos depois, Özil sai para entrada de Serdar Tasci, em seus primeiros e últimos minutinhos de Copa 2010. Ainda aos 46', Muslera cobra tiro-de-meta, a bola viaja, Suárez chega nela e é derrubado faltosamente por Friedrich, que é punido com cartão amarelo. Mas a maior punição era a infração em si, pertinho da meia-lua. Estava ali a última chance do Uruguai de empatar a partida no tempo regulamentar. Forlán realiza a cobrança, a Jabulani passa pela barreira e se choca com o travessão. Fim de papo em Porto Elizabeth.

Chance derradeira: Forlán cobra falta e manda no travessão de Butt.

terça-feira, 6 de julho de 2010

100% Holanda

Ditando o ritmo da partida, mostrando a grande força ofensiva no seu elenco e contando com a primeira boa atuação de Robin van Persie na Copa 2010, a Holanda mantém os 100% de aproveitamento, chega à sua 3ª final de Mundial e fica a um passo do inédito título.

Os uruguaios reagiram bravamente à série de desfalques (os machucados Diego Lugano e Nicolás Lodeiro, além dos suspensos Jorge Fucile e Luis Suárez) e conseguiram proporcionar um final de jogo eletrizante, partindo para o abafa nos últimos minutos de uma partida que aparentemente caiu nos gostos do senhor Ravshan Irmatov: o árbitro prometera 3 minutos de acréscimo mas não se incomodou em levar o jogo para bem além dos 49'.

Chutes de longe para mexer no placar na primeira etapa

Aos 3 minutos, Arjen Robben já resolveu variar seu característico drible para o lado esquerdo e se livrou da marcação individual com um drible para a direita: o cruzamento com a perna destra foi bloqueado, Wesley Sneijder pegou a sobra, cruzou, Fernando Muslera socou e, na nova sobra, Dirk Kuyt chutou por cima do travessão.

Com 5 minutos, Álvaro Pereira arriscou de longe - pouco a frente da linha que divide o campo - tentando encobrir um supostamente adiantado Maarten Stekelenburg e mandou por cima do gol.

Na marca de 9 minutos, Kuyt cruza da esquerda, Robben cabeceia, a bola bate em Diego Godín (que era dúvida para o jogo), sobe alto e Muslera toma conta.

Aos 12 minutos, José Martín Cáceres afasta mal, Sneijder recolhe, dribla e chuta - a bola passa por Walter Gargano mas acaba batendo em van Persie e não chega ao gol.

Variando a dinâmica do jogo, Kuyt e Robben inverteram posições nos flancos do campo e seguiam dando trabalho para o sistema defensivo adversário. Mas o primeiro gol holandês não saiu em jogada pelas pontas. Aos 17', Demy De Zeeuw rolou para Giovanni van Bronckhorst na esquerda e o lateral tratou de ajeitar para chutar ao gol. E que chute maravilhoso! A bola percorreu uma distância de 37 metros, chegando a uma velocidade de 109 quilômetros por hora no ângulo esquerdo de Muslera, que saltou e esticou-se o máximo que podia para tentar evitar o golaço. A bola ainda beijou a trave antes de adormecer na rede.

Muslera até tenta evitar, mas a Jabulani fez uma das suas mais belas viagens no estádio Green Point, após lindo chute de Giovanni van Bronckhorst.

Com 20 minutos, Maximiliano Pereira recebe cartão amarelo por abraçar e dar rasteira em Robben, próximo da linha lateral.

A Holanda detinha 63% do tempo da posse de bola e, com a vantagem de 1a0, diminuiu a intensidade de seu jogo.

Aos 26', José Cáceres levou a perna ao 3º andar na disputa de bola com De Zeeuw e acabou atingindo o holandês no rosto. Houve uma pequena confusão e Irmatov deu cartões amarelos para Cáceres e também para Sneijder, que foi tirar satisfação com o uruguaio.

Na marca de 30 minutos, van Persie carrega e enfia para Robben, que tenta o drible mas Cáceres faz o corte providencial. 5 minutos depois, Álvaro Pereira recebe de Edison Cavani, chuta de fora e Stekelenburg encaixa. Com 37', Maxi Pereira cruza da esquerda e Diego Forlán cabeceia para fora, à direita. Aos 39 minutos, a Holanda chegou ao ataque através de Kuyt, que recebeu na esquerda, trouxe pro centro, chutou no canto direito mas parou em defesa de Muslera.

Até dava pinta de que o placar se manteria até o intervalo. Mas, aos 40 minutos, Diego Forlán recebeu uma bola no comando de ataque, levou para a perna esquerda e decidiu chutar: John Heitinga, que acompanhava de perto, abaixou a cabeça e a Jabulani passou fazendo uma curva contrária ao movimento inicial, entrando no meio do gol, próximo ao travessão e surpreendendo Stekelenburg, que resvalou a mão esquerda na bola mas não pôde evitar que ela entrasse.

E ambas as equipes demonstraram-se interessadas em rumar para os vestiários com vantagem no placar. Aos 43', Forlán cobrou falta pela direita, a 32 metros da linha final, e Stekelenburg foi até o canto esquerdo para encaixar. Com 46 minutos, Sneijder lançou Kuyt na direita e o camisa 7 mandou de peixinho à esquerda do gol. Na marca de 47', Ravshan Irmatov não quis nem saber se Robben ficava no mano-a-mano com a marcação uruguaia ao receber lançamento na direita de ataque holandês e apitou para terminar a etapa inicial.

Ousadia de Bert van Marwijk é premiada com bom futebol, gols e classificação

A Holanda voltava do intervalo com uma cara nova: Rafael Ferdinand van der Vaart. Se alguém pensou que o técnico Bert van Marwijk iria tirar alguém da linha de ataque, enganou-se: quem saía era o volante De Zeeuw, e a Holanda passava a jogar com 2 meias-armadores imediatamente atrás da linha de 3 atacantes.

Com 50 segundos, Kuyt recebe na esquerda e estica para van Bronckhorst que, em posição de impedimento, cruza uma bola que atravessa toda a pequena área.

Na marca de 5 minutos, Khalid Boulahrouz recua na fogueira, Stekelenburg sai para dividir com Cavani e o uruguaio é derrubado por Boulahrouz - o Uruguai dá seqüência ao lance com um chute de fora da área para aproveitar a saída do goleiro, mas van Bronckhorst trata de afastar.

Os uruguaios passavam a chegar mais vezes ao campo de ataque, colocando em dúvida a eficiência do sistema ultra-ofensivo holandês. Mas a verdade é que a meta holandesa estava bem protegida, sendo raramente de fato assustada. E, aos poucos, as jogadas características da escola holandesa começariam a aparecer.

Aos 21', em cobrança de falta, Forlán chuta e Stekelenburg salta bem para espalmar no canto direito. No minuto seguinte, grande resposta holandesa. Van Persie consegue belo domínio após lançamento, faz o giro para escapar da defesa uruguaia ao seu encalço e rola atrás para Rafael van der Vaart, que chuta cruzado para defesa de Muslera. Robben chega no rebote chutando de primeira, mas o pé direito do canhotinho manda a bola para fora.

Com 23 minutos, Robben tenta passar por Cáceres em velocidade, mas o uruguaio consegue manter-se inteiro no lance para realizar o desarme.

Não tinha jeito: o(s) gol(s) da Holanda estava(m) guardado(s), e quando a fruta está madura ela cai do pé.

Na marca de 24 minutos, Sneijder tem a bola na entrada da área, chuta e o desvio na marcação uruguaia leva a redonda para o canto esquerdo - van Persie, em posição de impedimento, recolhe o pé e vê a bola seguir sua trajetória, tocando na trave esquerda antes de ir para o gol. É possível interpretar que o movimento de van Persie tenha caracterizado participação no lance, mas a jogada foi validada.

Sneijder na finalização que recolocou a Holanda na frente no placar.

3 minutos depois, Kuyt recebe na esquerda e pega bonito na bola, fazendo um cruzamento-lançamento-passe que vai ao encontro de Robben: o camisa 11 cabeceia preciso no canto direito, sem qualquer chance para Muslera, em novo gol onde a bola toca caprichosamente na trave antes de entrar.

Após bela assistência de Kuyt, Robben usa a cabeça para ampliar a vantagem.

Oscar Tabárez resolve substituir pela primeira vez e troca Álvaro Pereira por Sebastián "El Loco" Abreu, aos 32'. No mesmo minuto, Boulahrouz entra de carrinho para pegar a bola em dividida com Cáceres e, por medida de segurança, é punido com o cartão amarelo.

6 minutos após a primeira troca, nova mexida promovida por Tabárez: sai Forlán e entra Sebastián Fernández. No minuto seguinte, Boulahrouz quase apronta de novo, mas o perigoso recuo de cabeça que por pouco não foi interceptado por Fernández acaba sendo seguro por Stekelenburg.

Aos 40 minutos, van Persie recebe enfiada de bola e passa magistralmente - sem sequer olhar - para Robben, que avança, fica cara-a-cara com Muslera, mas a cavadinha sai fraca e o goleiro consegue a defesa.

Com 42 minutos, Robben dá passe para o centro na direção de van der Vaart, que chuta e Muslera segura. No minuto seguinte, Loco Abreu coloca na área com um suave cruzamento e Stekelenburg faz linda defesa, apesar do impedimento já ter sido apontado.

Na marca de 44 minutos, a 2ª substituição holandesa: Robben por Eljero Elia.

Aos 46', falta cometida por Mark van Bommel em Diego Pérez. Talvez todos os jogadores posicionados na barreira e na grande área esperassem um levantamento, mas Walter Gargano fez melhor e rolou de lado para Maxi Pereira: o camisa 16 recebeu e bateu firme, cruzado, fazendo o segundo gol uruguaio.

Eram prometidos 3 minutos como acréscimo, mas já depois dos 48', van Bommel recebeu amarelo por pedir o apito final. As dezenas de segundos além da conta serviram para ver como a Holanda se comportaria ao abafa uruguaio, e eles reagiram muito satisfatoriamente, conservando o resultado e avançando para o tão aguardado primeiro título mundial. Detalhe: com 100% de aproveitamento.

sábado, 3 de julho de 2010

Classificação Com Carimbo Celestial

O encontro entre Uruguai e Gana foi o segundo da Copa 2010 definido nas penalidades. Podemos falar sobre o jogo mostrando os principais lances de perigo - sim, faremos isso também - mas é perfeitamente possível mensurar o quão dramática e histórica foi a classificação uruguaia com um único lance. O lance derradeiro da prorrogação. Um lance sem parâmetros de comparação com qualquer outro na história do futebol mundial. Luis Suárez e Asamoah Gyan, com sentimentos diametralmente opostos, não esquecerão desse lance até quando durarem suas memórias mortais.

Após 40 anos, o Uruguai retorna a uma fase semifinal de Mundial. Gana, que beirou o feito de ser a primeira seleção africana a ficar entre as 4 melhores do planeta, deixa o continente-sede sem um único representante na competição.

Em primeiro tempo de chances discretas, gol sai em chutaço da intermediária

Aos 4 minutos, Diego Forlán cobrou fechado um escanteio pela esquerda e Samuel Inkoom afastou na altura da primeira trave.

3 minutos depois, Kwadwo Asamoah chuta sobra de cobrança de falta pegando de primeira e mandando à esquerda.

Com 9 minutos, Diego Pérez tenta enfiada de bola para Luis Suárez mas Richard Kingson recolhe. No minuto seguinte, Suárez avança com a bola pela esquerda, se livra de Isaac Vorsah, chuta e Kingson defende em dois tempos.

Na marca de 17 minutos, Forlán cobra novo escanteio pela esquerda, Edison Cavani dá um leve desvio, a bola bate no peitoral avantajado de John Mensah e o capitão só não marca contra pois Kingson consegue defender, provavelmente no susto.

Aos 19', Jorge Fucile entra com força em Asamoah, recebe cartão amarelo e fica suspenso automaticamente.

Com metade da primeira etapa jogada, as equipes avançavam basicamente em lances de bola parada. Até que saiu alguma coisa interessante aos 24 minutos: Cavani carrega, passa para Forlán, que tabela com Egídio Arévalo e chuta colocado para fora, em lance que teve origem em saída de bola errada da equipe de Gana. No minuto seguinte, arremesso lateral na direção de Suárez, o camisa 9 acompanha a trajetória da bola, Vorsah não intercepta e o atacante chuta emendando de primeira, no alto, para bonita defesa de Kingson.

Na marca de 29 minutos, Gana tem seu primeiro escanteio no jogo: Muntari cruza da direita, Vorsah sobe mais que Diego Lugano e cabeceia cheio de estilo, mandando a redonda rente ao ângulo direito. No minuto posterior, Kevin-Prince Boateng recebe enfiada na direita, dá uma meia-lua para se livrar da marcação, passa para Asamoah Gyan no centro e o camisa 3 chuta de primeira rente à trave esquerda.

Com 33', Prince volta a procurar Gyan, mas a enfiada de bola é recolhida pelo goleiro Fernando Muslera.

Aos 37', baixa no Uruguai: sai Lugano, machucado, e entra Andrés Scotti. Passado um minutinho, Sulley Ali Muntari cabeceia após lançamento diagonal mandando a bola à esquerda da meta.

Na marca de 42', Fucile sobe para disputar com Inkoom e cai muito feio, preocupando atletas, médicos e espectadores. Depois, viu-se que estava tudo bem com o lateral, que chegou a ficar estático no gramado. No minuto seguinte, Gyan recebe no comando de ataque, planeja encobrir Muslera, mas o goleiro não apresenta dificuldades para defender em dois tempos.

Com 44 minutos, uma belíssima jogada de Gana: Inkoom desce pela direita, se livra de Fucile, cruza à meia-altura, a bola passa por Scotti e chega em Prince, que emenda de bicicleta mas não consegue pegar em cheio, mandando para fora.

Nos instantes finais que antecediam o intervalo, Muntari - que fazia sua estréia como titular na Copa 2010 - faz tabelinha ligeira na intermediária e resolve chutar ao gol. Eis que, a 34 metros do gol, sai um foguete com curva. Velocidade, efeito e o passinho em falso dado por Muslera para o canto direito foram as receitas para o sucesso da empreitada: 1a0 Gana.

Em cobrança de falta, Forlán deixa tudo igual no placar

Oscar Tabárez usou o intervalo para mexer pela segunda vez, tirando Álvaro Fernández para colocar Nicolás Lodeiro.

Com 1 minuto, Forlán enfia para Cavani, Vorsah tromba com ele dentro da área e o árbitro português Olegário Benquerença manda o jogo seguir. Aos 2', Arévalo recebe cartão amarelo por entrada dada em Prince. 6 minutos depois foi a vez de John Pantsil derrubar Fucile com um carrinho e também ficar amarelado.

E foi cobrando falta que o Uruguai chegou ao empate: Forlán decidiu cobrar direto, chutando cruzado, firme e superando Kingson com uma bola no alto, aos 9 minutos.

Com 12', Gyan chuta de fora e Muslera cai para espalmar. Na seqüência, Scotti afasta mas a arbitragem marca impedimento. Aos 14', nova entrada faltosa e novo cartão amarelo: Diego Pérez, por carrinho em Asamoah.

Na marca de 15 minutos, Kingson vai dominar uma bola, se atrapalha e deixa a redonda passar entre as pernas: por sorte da pátria ganesa, o goleiro não estava entre as traves e o lance resultou em escanteio (mal batido por Forlán).

As equipes dividiam a bola democraticamente com 50% da posse e o jogo era lá e cá.

Aos 17', Forlán recebe na esquerda, ajeita e cruza: Kingson não reage e vê a bola ser escorada por Suárez para fora. 3 minutos depois, Scotti puxa o calção de Prince dentro da área e Benquerença ignora: na seqüência, Muntari chuta sobra à esquerda.

Com 25', Lodeiro passa para Suárez e o camisa 9 dá chute forte, espalmado por Kingson. 2 minutos depois, Mauricio Victorino erra e presenteia Gyan, que chuta de primeira e Muslera encaixa.

Na marca de 28' veio a primeira substituição de Gana: Inkoom por Stephen Appiah. No mesmo minuto, Forlán cobra falta pela direita direto pro gol, mas a bola vai na rede externa.

Aos 30 minutos, a última substituição uruguaia: Cavani por Sebastián "El Loco" Abreu. No minuto seguinte, Hans Adu Sarpei recebe cartão amarelo por falta em Suárez. Na cobrança, Forlán levanta na área, Suárez finaliza e Kingson espalma.

Com 36 minutos, contra-ataque para o Uruguai: Maximiliano Pereira avança, tem duas opções de passe mas chuta por cima. No minuto posterior, Fucile chuta de fora da área, Anthony Annan se joga e a bola passa pelo camisa 6 - mas não pelo goleiro Kingson, que segura.

Milovan Rajevac trocou pela segunda vez aos 42': Muntari por Dominic Adiyiah.

Aos 44', a última chance no tempo regulamentar: Appiah recebe cruzamento na esquerda, ajeita no peito e Maxi Pereira corta para escanteio.

Primeiro tempo da prorrogação escasso em criatividade

Gana chegava à sua segunda prorrogação na Copa. Na anterior, conseguiu um gol logo aos 3 minutos diante dos Estados Unidos e manteve o resultado até o último apito. Dessa vez o drama seria maior.

Com 2 minutos, escanteio pelo lado direito no ataque de Gana e Abreu, postado próximo da primeira trave, corta com um mergulho. Por reclamar com a arbitragem, o capitão Mensah recebe o sexto cartão amarelo da partida.

Aos 5', Asamoah arrisca de fora e manda por cima. Na marca de 12', Maxi Pereira levanta na área, Abreu cai junto da marcação adversária e a arbitragem manda seguir. No minuto seguinte, Lodeiro tenta passe para a área, a bola desvia na defesa e fica com Kingson.

Gana se assanha no final, pressiona o Uruguai e a prorrogação tem um desfecho espetacular

Aos 4 minutos, Appiah recebe na direita, cruza, Gyan se antecipa e cabeceia para fora. Com 8 minutos, Forlán recebe pelo lado esquerdo uma inversão de jogo desviada parcialmente por Vorsah e, de dentro da área, chuta para fora.

Aos 12', Pantsil cobra lateral, Fucile desvia para dentro da própria pequena área e Prince completa cabeceando rente à trave esquerda. No minuto seguinte, Prince põe na área uma bola que toma o rumo do gol e Muslera espalma.

Na marca de 15 minutos, "o" lance da partida. Pantsil levanta a partir do lado direito de ataque ganês. Muslera sai do gol para tentar afastar mas não consegue. Appiah pega a sobra e chuta para o gol. Suárez, em cima da linha final, salva com a perna. A bola volta para nova finalização dos africanos. A baliza uruguaia segue sem goleiro, com Fucile e Suárez embaixo do travessão. Adiyiah manda para o gol e o artilheiro da equipe sul-americana salva com as mãos. Benquerença flagra e age corretamente, marcando pênalti e expulsando o "atacante-goleiro" uruguaio.


Luis Suárez salva a finalização de Dominic Adiyiah com o braço: cena épica.

Suárez deixa o gramado e mostra desespero ao se deparar com a situação: Gana está a uma cobrança de pênalti bem-sucedida de avançar e eliminar os uruguaios.

Gyan pega a bola e parte para a cobrança, aos 16 minutos do segundo tempo da prorrogação. O camisa 3 é o artilheiro da equipe na Copa, com 3 gols (2 deles em cobranças de pênalti). O chute vai no meio, explode no travessão e sai por cima.

Suárez, no túnel que dá acesso aos vestiários, comemora como se fosse um título.

Gyan parece não acreditar no que acontece e é consolado por Prince.

Apito final e a partida vai para as penalidades.

Nas penalidades, duas defesas de Muslera e um desfecho no melhor estilo Loco Abreu

Para melhor entender as cobranças, considere o gol dividido em 15 quadrantes: de 1 a 5 na fileira horizontal superior (1 para o ângulo esquerdo, 5 para o ângulo direito), de 6 a 10 a fileira horizontal que caracteriza o chute dado à meia-altura (6 para o canto esquerdo, 10 para o canto direito) e de 11 a 15 para as cobranças rasteiras (11 para o canto esquerdo e 15 para o canto direito). Os chutes no meio do gol seriam nos quadrantes 3 (alto), 8 (meia-altura) e 13 (rasteiro). Quando me referir ao movimento do goleiro para esquerda ou direita é em relação ao próprio goleiro e não ao cobrador.

Forlán mandou no quadrante 19 - Kingson saltou para a direita;
Gyan, que sacodiu a poeira e foi para a bola, chutou no quadrante 5 - Muslera acertou o canto, mas naquele lugar é indefensável;
Victorino cobrou no quadrante 1 - Kingson acertou o canto, mas vale o mesmo que o dito na cobrança anterior;
Appiah converteu no quadrante 6 - Muslera chegou a tocar na bola;
Scotti cobra mal, no quadrante 13 - Kingson cai para a direita, com menor deslocamento pegaria com os pés;
Mensah manda para o quadrante 14 - Muslera defende e põe o Uruguai em vantagem;
Maxi Pereira manda na altura do quadrante 4 - isolou a bola e a vantagem uruguaia;
Adiyiah chuta para o quadrante 14 - Muslera defende novamente;


Fernando Muslera salta para defender a cobrança de Adiyiah.

Loco Abreu converte no quadrante 8 - de cavadinha! Kingson foi para a direita e assistiu a bola entrar.


Loco Abreu dá a cavadinha; Richard Kingson vai pra direita e vê a Jabulani entrar lentamente.

Gyan estava inconsolável.

Os uruguaios comemoraram e não esqueceram de erguer Suárez. O camisa 9 cumprirá suspensão, no cartão vermelho mais importante da história do país.