Simpático e sempre sorridente | Reclama de tudo e todos Querido pelas crianças | Não chama os garotos pra jogar Ajudou a derrotar a bruxa má | Eliminado sem conseguir mexer no time Amigo do Feliz | Amigo do Marín Gosta da Branca de Neve | Gosta do Felipe Melo Sucesso internacional | Demitido do Internacional Criado por Walt Disney | Inventado pela CBF
Motivo de piada: é isso o que virou a instituição Confederação Brasileira de Futebol.
Ano de 2011 pedindo passagem, 2010 se despedindo e cá está o Jogada De Efeito para uma nova postagem especial(íssima) de caráter retrospectivo. Depois de falarmos da sensacional geração espanhola, campeã do mundo na África do Sul, é chegado o momento de "cutucar a ferida" brasileira. Boa leitura a todos!
Charge lembrando a escolha de Dunga por não levar Ronaldinho Gaúcho, bem no Milan, ao Mundial. O "reserva de Kaká" acabou sendo o combativo Júlio Baptista, suplente na Roma.
Após a queda nas quartas-de-final na Copa 2006, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, decidiu fazer uma aposta. Saía o experiente conhecedor de futebol e campeão mundial em 1994 Carlos Alberto Parreira para a entrada do capitão daquela conquista nos Estados Unidos, Dunga, que teria seu primeiro trabalho como treinador.
A Era Dunga desembarcou na África do Sul altamente confiante: carregava na bagagem o primeiro lugar em todas as competições que até então havia disputado (Copa América, Copa das Confederações e Eliminatórias para a Copa do Mundo). Se em 2006 a seleção comandada por Parreira contava com diversos talentos individuais escalados juntos (o quase divinizado "quadrado mágico" serve de exemplo), o time de Dunga era recheado de atletas de marcação, com características mais focadas no combate do que na criação. Mas a população brasileira, no geral, pensava algo como: "tudo bem, afinal, o time de Parreira foi apático na Alemanha e o time do Dunga mostra um ímpeto pela vitória que certamente nos levará ao hexa". Alguns defendiam a convocação de Dunga (e Jorginho) com um pensamento que ficou clichê: "ele está levando quem ele confia".
Sob um clima conflitivo com a classe jornalista - incluindo bate-bocas ásperos em entrevistas coletivas -, o Brasil terminou a primeira fase do Mundial na primeira colocação no grupo G, com duas vitórias (2a1 na Coréia do Norte e 3a1 na Costa do Marfim) e um empate (0a0 com Portugal). Partidas longe de empolgar, principalmente se levarmos em consideração que aquele time que vestia amarelo representava uma nação acostumada a encantar o mundo com desempenhos atraentes e que por muitas vezes caracterizavam diretamente a noção de futebol arte. A arte passava longe do jogo sugerido por Dunga. Sempre foi assim, desde antes do primeiro troféu ser erguido, ainda em 2007. Mas o lugar mais alto do pódio parecia anestesiar o bom senso dos torcedores, que, em alguns casos, chegavam a dizer que Dunga era "bom técnico". Na minha concepção, nem bom, nem técnico.
Mas quem éramos nós para sustentar essa opinião se, na fase de oitavas-de-final, o Brasil goleava o Chile por 3a0? Nesse 3a0, o fato de termos nos tornado a primeira seleção no Mundial a não ser vazada pelo Chile de Marcelo Bielsa deixou evidente que o Brasil poderia jogar tranqüilamente com um único cabeça-de-área sem comprometer o poder de marcação e a proteção à defesa (Felipe Melo, suspenso, não foi utilizado nessa partida e Gilberto Silva deu conta do recado). Mesmo com o sistema defensivo chileno altamente desfalcado (dupla de zaga e volante cumpriam suspensão), o fato é que o desempenho brasileiro agradou. Talvez fosse o que faltava para o negócio deslanchar, o clima conflitivo amenizar e tudo correr bem rumo à final no estádio Soccer City. O Brasil finalmente jogando como seleção brasileira.
Dunga, desesperado, lamenta o que vê em campo: dentro das quatro linhas, o reflexo do treinador.
Com Alemanha, Uruguai, Espanha e Holanda, a Copa seguiu. A casa construída pelos operários de Dunga, ruiu. Aquele que gosta do bom futebol e viu o desenho das semifinais, sorriu. E, imediatamente, Dunga caiu. Para o bem do Brasil.
Abaixo, vídeo bem-humorado que também fez referência à não-convocação de Ronaldinho Gaúcho. Tão logo o vi na internet, adicionei no Orkut como favorito (tá na hora de tirar de lá).
Os brasileiros comemoraram, em 2007, o título da Copa América. Era uma seleção recheada de volantes mas que chegou na final da competição e goleou a Argentina. E isso ficou registrado.
Os brasileiros comemoraram, em 2009, o título na Copa das Confederações. Ignoraram o fato de passarmos sufoco diante de Egito, África do Sul e Estados Unidos, mas rolou uma goleada sobre a Itália e o troféu de campeão. E isso ficou registrado.
Os brasileiros comemoraram, ao longo das Eliminatórias, o sucesso de uma campanha que nos classificou para a Copa com 3 rodadas de antecedência. Parece que esquecemos os empates sem gols diante de Colômbia (duas vezes), Bolívia e Venezuela (ambos dentro de casa). Mas a seleção foi líder, quebrou tabu ao vencer Argentina e Uruguai fora de casa. E isso ficou registrado.
Agora pouco, o vitorioso e campeão técnico Dunga anunciou os 23 convocados.
Goleiros Júlio César (Inter de Milão) Doni (Roma) Gomes (Tottenham)
Laterais Maicon (Inter de Milão) Daniel Alves (Barcelona) Michel Bastos (Lyon) Gilberto (Cruzeiro)
Zagueiros Lúcio (Inter de Milão) Juan (Roma) Luisão (Benfica) Thiago Silva (Milan)
Como podemos observar, há na lista dois laterais esquerdos que não atuam na posição: Gilberto é meia esquerda no Cruzeiro e Michel Bastos meia direita no Lyon. Para o meio-campo propriamente dito, foram 8 nomes, e nenhum reserva para o Kaká, que provavelmente será escalado ao lado de 3 volantes, ficando sobrecarregado na função de levar a bola à eventual dupla de ataque. Não foi por falta de opção: Diego, Alex e Ronaldinho estão bem fisicamente. Foi escolha filosófica do treinador. Alguém em sã consciência acha que o pentacampeão Kléberson, reserva no Flamengo, esteja jogando mais bola do que Paulo Henrique Ganso, campeão estadual com o Santos?
Fatores mais extra-campo do que tangentes às quatro linhas fizeram com que Adriano não fosse relacionado, dando a Grafite a chance de disputar o Mundial. Nem irei citar o nome de Neymar, mas pergunta-se: não seria melhor levar o Tardelli? Veremos se Grafite conseguirá escrever seu nome com tinta permanente na história da seleção brasileira.
Acho que, após a divulgação dessa lista, a Copa ficou ainda mais em aberto. Os torcedores que curtiram o desempenho canarinho na Era Dunga devem estar rindo a toa. Resta saber se de alegria pela proximidade de mais uma conquista com esse grupo eficiente ou se de nervoso mesmo. O que ficará registrado?