domingo, 27 de abril de 2014

Tropeço Ou Escorregão - Liverpool Cai Diante De Muro Azul

O Liverpool, que vinha voando, tropeçou em Anfield Road. Tropeçou porque precisou caminhar, já que o aeroporto estava bloqueado por uma muralha azul. Dava no máximo pra fazer um check-in. Embarcar era tarefa complicada. Decolar, impossível. José Mourinho conseguiu fincar sua âncora no campo defensivo e vencer a partida graças ao acaso: um escorregão de Gerrard no final do primeiro tempo e uma bola recuperada ainda no campo defensivo no final do segundo. Coube ao goleiro Schwarzer fazer sua atuação mais importante com a camisa amarela dos Azuis e ratificar o resultado que mantém o Chelsea na disputa pelo título doméstico. Pela primeira vez desde 1986, podemos ter novamente 3 equipes com chances de título na última rodada na competição.

O jogo pode ser resumido pela frieza do Chelsea na arte (abusiva) de (só) se defender e pelo oportunismo dos dois únicos centroavantes da equipe visitante - Demba Ba e Fernando Torres, que entrou em seu lugar. Ba partiu para a rede após vacilo do capitão Gerrard. Torres também não desperdiçou a chance após erro de passe de Sturridge, servindo Willian numa investida dos dois contra o solitário goleiro Mignolet. E assim é o futebol: não importa quanto tempo você fica com a bola (o Liverpool teve em alguns momentos três vezes mais a posse do que o Chelsea), não importa quantas vezes você circule a área oponente (foram quatro vezes mais finalizações dos donos da casa e do jogo). "O que importa é o resultado", dirão os mais calculistas. E, no cálculo de Mourinho, os números bateram. 2a0, placar final. E o português bateu no peito, orgulhoso do que estava acontecendo. Uma comemoração bastante efusiva para quem se dizia fora da disputa pelo título.

Torcedores dos Reds terão uma tarefa dura pela frente: torcer pelo Everton no próximo sábado, quando o rival da cidade de Liverpool enfrenta o Manchester City, concorrente ao título, no estádio Goodison Park. Faz parte de uma caminhada para voltar a levantar um troféu que não é erguido no Anfield desde 1990. Que hora pra escorregar, Gerrard...
Montagem bem-humorada: Steven Gerrard escorrega, deixando escapar a bola, Demba Ba e... o troféu de campeão inglês.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Questão De Coragem

As semifinais na Liga dos Campeões da Europa na presente temporada permitem fazermos comparações entre dois treinadores muito badalados no futebol atual. Um é Josep Guardiola, do qual sou grande admirador. Outro é José Mourinho.

A maior semelhança entre ambos - além da grande quantidade de troféus levantados - está na grafia do primeiro nome: são quatro letras idênticas. Só que se o talento fosse medido dessa forma, poderíamos afirmar que a letra "P" é muito mais poderosa que o acento agudo.

Explicando e comparando. Mourinho e Guardiola viajaram para a capital espanhola. O Chelsea visitou o Atlético no Vicente Calderón e, no dia seguinte, o Bayern enfrentou o Real no Santiago Bernabéu. Tanto os Azuis de Londres quanto o Gigante da Baviera carregam consigo elencos milionários, que em nada devem aos adversários. Vale lembrar que esses dois clubes se enfrentaram na final continental apenas duas temporadas atrás (então treinados por Roberto Di Matteo e Jupp Heynckes). Ou seja, talento é o que não falta nesses plantéis. Saca só o nível: Cech, Neuer, Terry, Boateng, David Luiz, Dante, Lampard, Schweinsteiger, Ramires, Lahm, Willian, Robben, Hazard, Müller, Oscar, Götze, Ribèry, Schürrle, Torres, Mandzukic, Demba Ba, Kroos etc. Com esse material humano, Mourinho e Guardiola podem buscar diversas maneiras de jogar. E a cidade de Madrid viu bem isso.

Na terça-feira, um Chelsea covarde foi montado com uma linha de quatro na defesa (Azpilicueta, Terry, Cahill, Cole) e uma linha de cinco no meio (Willian, Mikel, David Luiz, Lampard, Ramires) e Torres na frente. Na frente e isolado, pois Willian e Ramires mais acompanhavam os laterais oponentes do que se aproximavam do atacante espanhol. Resultado: zero a zero numa partida com poucas emoções. Diria que beirou o entediante. Triste para o esporte.

Já na quarta-feira, outra conversa. O Bayern atuou com a posse de bola e ofensivamente, mesmo diante de um adversário fortíssimo nos contra-ataques (há que se respeitar um time que conta com Modric, Cristiano, Di María e Benzema, além de Bale). Mas covardia não é palavra para o vocabulário de Pep. A equipe atuou com Rafinha e Alaba se apresentando ao ataque de modo a deixar somente Boateng e Dante como autênticos defensores; Lahm e Scheinsteiger encostavam na trinca de meias (Robben, Kroos e Ribèry) enquanto Mandzukic, ao contrário de Torres no dia anterior, tinha com quem conversar. Resultado: um a zero para o Real numa partida repleta de alternativas. Tivemos um jogo. Um grande jogo. Ótimo para o esporte.

No final, os placares na Espanha dão aos times de Diego Simeone e Carlo Ancelotti a vantagem do empate na volta. Teoricamente, melhor para o italiano, que pode perder por um gol de diferença caso marque pelo menos uma vez. Porém, vejo mais possibilidades de sucesso para o argentino. O motivo? Seu adversário é Mourinho. Será muito mais difícil sobreviver ao Bayern de Guardiola. E olha que nem precisa de coragem para afirmar isso: basta ter algum bom senso. Coisa que por vezes falta para aqueles que têm medo.

sábado, 29 de março de 2014

Arsenal E Manchester City Empatam - Os Sonhos Continuam

Primeiro de tempo de um, segundo tempo de outro. Grosso modo, foi assim a síntese de Arsenal e Manchester City, em Londres. Se os visitantes se sobressaíram na primeira etapa (quando abriram o placar com gol de David Silva), a equipe da casa subiu de rendimento após o intervalo e buscou o empate diante de seus torcedores (gol marcado por Mathieu Flamini, que teve atuação destacada).

Era de longe a partida mais aguardada nessa rodada. Inclusive já a havíamos mencionado em tópico anterior (atenção também para Tottenham e Liverpool, nesse domingo). E as equipes comandadas por Arsène Wenger e Manuel Pellegrini não decepcionaram, proporcionando uma bela partida de futebol nesse sábado. Sábado que teve derrota do Chelsea, que parece perder o fôlego na liderança, mesmo após a contundente goleada por 6a0 sobre o Arsenal.

Ainda há muito o que acontecer nas jornadas vindouras, mas é difícil imaginar o Manchester City fora da disputa pelo caneco. Talvez o fiel da balança seja o Liverpool, forte concorrente que ainda tem pela frente confrontos com City e Chelsea, ambos em Anfield Road.

Para ver mais comentários sobre Arsenal 1a1 Manchester City, veja nosso Tuíter @jogandoagora.

Aqui, alguns breves pitacos sobre a partida.

- David Silva e Pablo Zabaleta tiveram ótimo início de partida, comandando as ações pelo lado direito de ataque azul celeste. Com o transcorrer dos minutos, o argentino passou a se dedicar mais à linha de defesa, enquanto o espanhol seguiu buscando jogadas de infiltração, só que variando também entre o centro e o lado esquerdo.

- Lukas Podolski errou no lance do gol do City, mas se redimiu com uma atuação premiada pela assistência para o gol de Mathieu Flamini. É bom lembrar que, no primeiro tempo, também aconteceu um cruzamento de Podolski para Flamini que também terminou na rede, só que o francês foi flagrado em condição de impedimento.

- Fernandinho esbanjou personalidade. Sólido na marcação e decidido quando no campo ofensivo, o meio-campista brasileiro foi um dos pontos de equilíbrio no esquema tático de Manuel Pellegrini. É nome plausível para a Copa do Mundo de 2014.

- Mathieu Flamini foi um dos melhores jogadores em campo. Marcou dois gols (um corretamente anulado), teve outra boa chance e esteve incansável na marcação diante de um adversário repleto de jogadores talentosos circulando pelo seu setor.

Na próxima rodada, o City receberá o Southampton e é favorito para somar três pontos, o que representaria importante passo em direção ao título. Já o Arsenal tem um desafio mais complicado: o Everton, em Goodison Park. Apenas a vitória deve ser encarada como um resultado que mantenha a esperança de título na equipe.

domingo, 16 de março de 2014

Campeonato Inglês Do Equilíbrio: 4 Equipes Buscam O Título

Old Trafford e White Hart Lane receberam dois clássicos nesse domingo. E em ambos os estádios, a festa foi dos visitantes, com a goleada do Liverpool sobre o Manchester United (3a0) e a vitória do Arsenal sobre o Tottenham (1a0).

A corrida pelo título inglês na presente temporada fica restrita a quatro clubes: o Chelsea (atual líder), o Liverpool (vice-líder e que vem mostrando atuações sólidas), o Arsenal (atual terceiro colocado e esbanjando determinação mesmo com muitos desfalques) e o Manchester City (em quarto lugar e sendo a equipe com melhor índice de aproveitamento no torneio).

Em Manchester, o Liverpool foi melhor que o United a maior parte do tempo. Mostrou maior articulação ofensiva, maior capacidade de manter a defesa protegida e as atuações dos goleiros confirmam tais afirmações: De Gea teve muito mais trabalho que Mignolet. A vitória foi construída na base dos pênaltis: dos três assinalados (dois reais e um simulado), Gerrard converteu os dois primeiros e desperdiçou o último, quando carimbou a trave. No final, o terceiro gol veio com Luis Suárez, que teve mais uma bela atuação e só não anotou um golaço porque De Gea impediu de maneira espetacular.

Em Londres, o Arsenal teve a felicidade de abrir o placar cedo. Muito cedo. Foi o gol mais rápido na história do confronto entre Tottenham e Arsenal pelo Campeonato Inglês: um minuto e doze segundos após o apito inicial, Rosicky abriu o placar no clássico da capital. O Tottenham até teve algumas chances claras de empatar a partida, mas parou na bem preparada defesa do Arsenal e também no goleiro Szczesny, que alternou momentos de quase entregar o ouro com defesas providenciais para manter a meta inviolável.

Se Liverpool e Arsenal mostram-se firmes na disputa pelo troféu na Premiership, resta a Manchester United e Tottenham tentar um lugar na próxima Liga dos Campeões da Europa - o Everton também é forte concorrente nessa empreitada continental. E se emoção pouca é bobagem, veja só alguns dos jogos que teremos pela frente nas próximas rodadas.

31ª rodada: Chelsea e Arsenal
32 rodada: Liverpool e Tottenham; Arsenal e Manchester City
33ª rodada: Everton e Arsenal
34ª rodada: Liverpool e Manchester City
35ª rodada: Everton e Manchester United
36ª rodada: Liverpool e Chelsea
37ª rodada: Everton e Manchester City
38ª rodada: cada um por si e de olho nos jogos dos outros pra ver como termina a tabela.

sábado, 15 de março de 2014

Sobre Maneiras De Anular Gols E Vidas

Se já temos condições de afirmar que uma bola entrou ou não entrou no gol por métodos seguros, por que insistimos num modelo de arbitragem baseado nas limitações humanas?

Não falo aqui apenas de Inglaterra e Alemanha na Copa do Mundo 2010 (Lampard) ou de Vasco e Flamengo no Campeonato Estadual 2014 (Douglas). Falo por todos os exemplos que acontecem em qualquer partida pelo mundo.

Sem entrar no mérito de haver má-fé por parte da arbitragem, fato é que o recurso eletrônico adentrou diversas modalidades esportivas mas continua à margem no futebol. Preferem inserir mais pares de olhos humanos do que buscar soluções efetivas.

Não há nenhum valor no futebol nem em nenhuma atividade que deve se sobressair à justiça. Se não é justo, já não serve. Cobram-se condutas para respeitar as regras do jogo, só que o jogo em si não caminha de mãos dadas com a justiça. Falta vergonha na cara para muitos dos indivíduos que hoje comandam e tomam decisões, tanto no futebol quanto em outras esferas da vida.

Caminhamos para uma Copa do Mundo no Brasil - a segunda nesse país - e podemos perceber como continuamos definindo erroneamente as prioridades para a consecução de um megaevento que seja coerente a uma vida digna em sociedade. Proibir manifestações, proibir a livre circulação, proibir o direito à moradia... Isso tudo é vergonhoso para a história da humanidade. Mas traz muitos benefícios para grupos minoritários que comandam as ações seja no esporte, seja no governo, numa parceria nefasta que é injusta com aqueles que sustentam esses sistemas: torcedores e populações.

Respeito é uma questão de justiça. Justiça é uma questão de respeito.

Para Eduardo Paes, Sérgio Cabral, Dilma Rousseff, Joseph Blatter e muitos outros, sejam indivíduos ou corporações, pessoas físicas ou jurídicas, que fazem parte destas e outras covardias.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Mônaco E PSG Empatam "Final" Dos Pontos Corridos

Que a disputa pelo título no Campeonato Francês 2013-4 vai ficar restrita aos novos ricos Paris Saint-Germain e Mônaco, isso quase ninguém contesta. A dúvida é com quem ficará o troféu. Para ajudar a tirar essa dúvida - ou não -, o Mônaco recebeu o PSG no principado. Se vencesse, faria a diferença cair para dois pontinhos. Se perdesse, veria a distância se alargar para oito pontões. Mas o confronto terminou foi empatado, mantendo uma margem de cinco pontos, onde o time da capital depende apenas de si para faturar o caneco na liga nacional.

A partida, no geral, foi marcada pelo equilíbrio. Em lance de bola parada, Javier Pastore completou após desvio de Alex para inaugurar o marcador, com sete minutos de jogo. O PSG teve novas chances de gol, não muitas, mas o suficiente para, com eficiência, ampliar a vantagem. Não aproveitou, esbarrando na bela atuação do goleiro Danijel Subasic. Levou o empate, em lance onde o brasileiro Fabinho bateu cruzado e o também brasileiro Thiago Silva acabou tendo a infelicidade de tirar Salvatore Sirigu da jogada ao desviar para o próprio gol, aos vinte e oito minutos na etapa derradeira.

E olha que quase rolou a virada, em lance onde Fabinho voltou a ser acionado pela direita, chutou forte e Sirigu salvou os visitantes. Sumido em campo, Ibrahimovic teve grande oportunidade de desempatar, mas parou em nova defesa de Subasic. No final, um empate por 1a1 que deixa dúvida sobre quem ficará com o título - a vantagem de cinco pontos para o PSG, porém, é considerável - mas traz uma certeza: o jogo poderia ser ainda melhor com as presenças de Falcao García e Edinson Cavani.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Super Liverpool

Hoje, Liverpool se escreve também com "S". De super. De Skrtel, Sterling e Sturridge, autores dos gols. De Steven e Suárez, fundamentais na construção da goleada. Uma goleada que significa ainda mais por ser diante do atual líder no Campeonato Inglês: o Arsenal.

Em dezenove minutos de partida, a equipe da casa já encaixava um contundente 4a0, para delírio da massa em Anfield Road. O zagueiro eslovaco Skrtel foi à rede duas vezes, ambas em lances de bola parada. Depois, Sterling e Sturridge também marcaram. Foram quatro, mais poderiam ter sido seis.

O intervalo foi o momento que os visitantes tiveram para respirar diante de tamanha intensidade do adversário. Só que Sterling ainda marcaria o quinto, cabendo a Arteta descontar, em cobrança de pênalti cometido por Gerrard.

O Liverpool de Brendan Rodgers mostrou força coletiva de tal forma que simplesmente não é prudente descartar a equipe da disputa pelo título. Tudo leva a crer que teremos um retorno triunfal do clube à Liga dos Campeões da Europa, mas ainda há que se trabalhar com a hipótese de conquistar a liga doméstica este ano, algo que não ocorre desde 1990.

O Arsenal, líder com toda justiça, precisa buscar forças para manter-se no topo: há Manchester City e Chelsea na cola, além de um Liverpool com sede de vitórias logo atrás. Talvez o maior mérito dos visitantes em Anfield, hoje, tenha sido a elegância de cair em pé. Com postura. Com posse de bola. Por mais que quase tudo tenha saído fora dos planos. O Arsenal é o Arsenal e não há goleada que o torne diferente. Foi dia do Liverpool e ponto final. Aliás, do Super Liverpool. Com tudo quanto é "S".

P.S.: essa é a nossa primeira publicação em 2014, cabendo ao blogueiro lamentar um janeiro inteiro de ausência nesse espaço. Mas também podemos nos ver no Tuíter @jogadadefeito e no Fêici Jogada De (E)feito, onde temos comparecido com maior freqüência. Saudações futebolísticas.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Arsenal Zero, Chelsea Zero, Liverpool Líder

Cá estamos, na noite de 23 de dezembro de 2013, para fazer duas coisas. Uma é comentar sobre o empate sem gol entre Arsenal e Chelsea, que deu a liderança no Campeonato Inglês ao Liverpool. Outra é desejar um Natal de felicidade e um ano novo repleto de bênçãos.

Quando digo felicidade, estou pensando em todos aqueles que têm interesse em viver uma vida feliz. Jogadores de futebol de Arsenal e Chelsea, por exemplo. Você, que lê esse tópico, também. Animais não-humanos das mais variadas espécies, idem. Somos todos nós - jogadores de futebol, leitores e animais - capazes de experienciar alegria, prazer, dor e sofrimento. Por isso, é necessário respeito para cada um desses seres. Espero que pensemos nisso, principalmente, quando formos tomar uma decisão em relação ao que consumiremos na nossa alimentação.

Arsenal e Chelsea foram ao jogo com fome. Fome de liderança. Mas a partida entre essas duas boas equipes acabou sendo mais travada por divididas duras do que por grandes chances de gol. Chances claras, dá para lembrar de uma dos Azuis (Lampard carimbou o travessão) e duas do Arsenal (Giroud chutou para fora e chutou travado na defesa). O 0a0 foi justo. Mais justo do que o fato de a partida terminar com 22 jogadores em campo.

Felizmente, ninguém se machucou. Ao contrário de muitos seres que, nesse momento, padecem em matadouros. Um Natal de felicidade e um ano novo repleto de bênçãos.

Mais sobre o jogo: https://twitter.com/jogandoagora #ArsChe
Mais sobre a realidade que te escondem: http://pecuaria.info/

sábado, 21 de dezembro de 2013

Resumão Do Mundial De Clubes 2013 - Bayern Campeão, Raja Surpresa

Para não deixar passar em branco, aqui estamos para abordar brevemente o Mundial de Clubes 2013. Torneio que teve uma grande surpresa: o Raja Casablanca, representante do país-sede. Ou seja, único participante que não faturou um título continental.

Estreou na competição vencendo o campeão da Oceania - o Auckland City - por 2a1. Até aí, nada demais, pois o futebol que se joga entre clubes na Oceania carece de tradição (embora recentemente a liga australiana tenha recebido Alessandro Del Piero como jogador, o que por si só já gera um salto de qualidade ou pelo menos de atratividade para a modalidade naquele país). Na fase quartas-de-final, uma vitória sobre o mexicano Monterrey, na prorrogação, surpreendeu bastante gente. E colocou o Raja na reta do Atlético. E deu Marrocos em Marrakech. Uma vitória convincente e justa, por 3a1, acabou com o (mais novo) sonho atleticano. Fez os brasileiros voltarem a pronunciar o nome 'Mazembe'. Um feito histórico para o futebol marroquino.

Então, veio a final. E é hora de falarmos do Bayern de Munique. De Josep Guardiola. O Bayern de Guardiola jogou muita bola. Cometeu erros na defesa, mais até do que se espera de um time bem organizado, mas não pagou caro por isso, pois o Casablanca não estava num dia dos mais inspirados em termos de finalização. Com gols dos brasileiros Dante e Thiago, os bávaros celebraram o tricampeonato intercontinental. Também foi o terceiro troféu mundial de Pep, que havia faturado as outras duas vezes com o Barcelona. Esse casamento entre Bayern e Guardiola começou há menos de um semestre e a verdade é que as expectativas estão lá em cima. É a "máquina vermelha", fortíssima candidata a levantar o caneco na Bundesliga e na Liga dos Campeões da Europa. O que engrandece ainda mais o feito do Raja Casablanca, que conseguiu chances claras para pelo menos forçar uma prorrogação diante do Gigante da Baviera.

O Galo, que assegurou o terceiro lugar após vitória sobre o chinês Guangzhou Evergrande por 3a2 (em jogo de duas viradas, com o último gol saindo nos acréscimos), se despede de Cuca, que vai exatamente para a China. O Guangzhou, que no Mundial venceu o Al Ahly, do Egito, e depois perdeu para o Bayern, é multicampeão naquelas terras. Mas quem está preocupado com isso agora é o Cuca. Ao Atlético, com Autuori, cabe a difícil missão de conquistar novamente a América. Não será simples, mas Cuca já mostrou a este clube qual é o caminho da glória continental. Caminho que o próprio Autuori já percorrera em duas ocasiões. Portanto, cabeça erguida, Galo! E boa sorte do outro lado do mundo, Cuca!

De resto, cabe parabenizar o Raja Casablanca pela surpreendente campanha (sua torcida foi um espetáculo à parte) e parabenizar o Bayern de Munique pelo futebol apresentado, com o padrão Pep de qualidade. Resumidamente, é isso. Até o fechamento desta postagem, o Fluminense não entrou com recurso contra Auckland, Al Ahly, Monterrey, Guangzhou, Atlético, Raja nem Bayern.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Campeonato Inglês - Análise De Dois Jogos Com Chuva De Gols

Nesse final-de-semana tive a oportunidade de ver em ação quatro dos sete primeiros colocados no Campeonato Inglês. Foram as partidas entre Manchester City e Arsenal (incríveis 6a3 para o time da casa) e entre Tottenham e Liverpool (não menos incríveis 5a0 a favor do time visitante).

Além do caminhão de gols (total de catorze validados e dois invalidados), chamou atenção a capacidade de transição das equipes ao ataque. Principalmente dos vencedores nos dois jogos. São equipes montadas de forma a proporcionar boas possibilidades de variação, ratificando os ótimos trabalhos de Manuel Pellegrini no City e de Brendan Rodgers no Liverpool. O Arsenal de Arsène Wenger até conseguiu mostrar-se um adversário à altura, sucumbindo apenas nos minutos finais. Mas o Tottenham de André Villas-Boas foi completamente esmagado pelo oponente.

A seguir, uma análise um pouco mais detalhada de cada uma dessas quatro equipes. São quatro times que, pela qualidade do elenco, têm a obrigação de buscarem um lugar na próxima Liga dos Campeões da Europa, por mais difícil e competitivo que seja a Premiership.

Arsenal (líder, com 35 pontos em 16 rodadas)

Foi a campo num 4-2-3-1, onde Flamini e Ramsey faziam a proteção e possibilitavam a aproximação de Wilshere em Özil, Walcott e Giroud. A quantidade de chances perdidas pelo centroavante francês denota que os comandados de Wenger tiveram boas possibilidades de conseguir um melhor resultado. Mas o fato é que faltou solidez defensiva para conter os ímpetos de um adversário velocíssimo na transição e bastante preciso nas trocas de passe. De quebra, o Arsenal levou pelo menos dois gols em erros primários de seu sistema defensivo. Para manter a liderança, terá de jogar mais que isso. E errar menos. Destaque positivo: a participação constante de Walcott. Destaque negativo: os sumiços de Özil.

Liverpool (vice-líder, com 33 pontos)

Envolvente e convincente, o time comandado por Rodgers praticamente não deu chances ao Tottenham, aplicando um 5a0 em pleno White Hart Lane. Sterling e Henderson foram soberanos pelos flancos. Coutinho também atuou em bom nível, flutuando do centro para os lados. E Suárez teve mais uma atuação daquelas - de craque. O volante galês Joe Allen foi fundamental para dar equilíbrio entre defesa, meio e ataque num time que fez o Tottenham parecer pequeno. E o que estava encaminhado ficou ainda mais fácil após a expulsão de Paulinho, que levou a sola da chuteira até a altura do peito de Luis Suárez. Destaque positivo: o trio Sterling-Henderson-Suárez. Destaque negativo: as chances perdidas por Luisito Suárez, que poderia facilmente ter alcançado um hat-trick.

Manchester City (quarto colocado, com 32 pontos)

Mostrou explicitamente porque tem o ataque mais efetivo na liga nacional inglesa. Yaya Touré e Fernandinho são dois volantes com muita capacidade de criar espaços, David Silva e Nasri incomodam constantemente o sistema defensivo adversário, Agüero está em ótimo momento técnico e Negredo funciona bem como referência. É uma equipe que parece ter vocação de chegar à área adversária. Jamais na história havia marcado cinco gols no Arsenal e, nesse sábado, sapecou meia dúzia. No Arsenal que lidera a competição. É um forte candidato ao título e deve ser levado em conta, também, na Liga dos Campeões da Europa. Destaque positivo: Fernandinho, que marcou dois gols e contribuiu na contenção. Destaque negativo: a falta de participação de Clichy, demasiado preso no campo defensivo.

Tottenham (sétimo colocado, com 27 pontos)

Com Sandro, Dembélé e Paulinho no meio, Lennon e Chadli mais abertos e Soldado à frente, o time não conseguiu nem de perto o rendimento que se espera de alguém que investiu tanto para essa temporada. Presa fácil quando o adversário tinha a bola, o time de André Villas-Boas em raros momentos conseguiu se impôr no gramado. Fica difícil defender o treinador, notadamente quando se vêem opções como Holtby, Towsend, Lamela e Defoe - pelo menos dois deles poderiam figurar entre os titulares, aumentando o poder de criação e de definição da equipe. Não sei quanto tempo mais o português ficará no cargo, mas acho que não é por falta de qualidade técnica que o time não decola. Destaque positivo: Lloris, que evitou uma goleada ainda mais acentuada. Destaque negativo: a agressão de Paulinho em Suárez, que rendeu cartão vermelho direto ao brasileiro.

Essa 16ª rodada no Campeonato Inglês teve um total de 30 gols (média de 3 por partida). Acho que dei sorte, pois vendo esses dois jogos pude acompanhar praticamente a metade dos gols na rodada.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Da Bola Aos Bastidores: Novas Manobras Num Tapete Mágico

Após 37 rodadas disputadas, faltava somente uma para a conclusão. Mais um Campeonato Brasileiro de pontos corridos chegava ao fim. Cruzeiro campeão com sobras. Grêmio assegurado na Libertadores. Atlético Paranaense, Goiás, Botafogo e Vitória disputando dois lugares no G4. Náutico e Ponte Preta rebaixados. Fluminense e Vasco querendo sair da zona de rebaixamento, colocando em grande risco o Coritiba e o Criciúma. Matematicamente, Internacional e Portuguesa tinham remotas possibilidades de descenso.

Veio a última rodada. A derrota do Goiás e a vitória do Botafogo renderam ao Alvinegro o quarto lugar na tabela de classificação (três dias depois, o título do Lanús na Copa Sul-Americana diante da Ponte Preta confirmou o retorno do Glorioso à Copa Libertadores da América). A derrota do Vasco sacramentou a despromoção cruzmaltina, além da permanência de Criciúma, Inter e Portuguesa. E o Fluminense, mesmo vencendo o Bahia, também se viu novamente rebaixado, pois o Coritiba vencera o São Paulo. Fim.

Fim? Hoje se discute mais um tapetão na história recente tricolor. O terceiro desde 1996. Mas, como o último foi catorze anos atrás, poucos poderiam supôr que manobras de bastidores pudessem se fazer presentes novamente. Héverton, reserva na Portuguesa, entrou em campo aos trinta e dois minutos do segundo tempo na última rodada. Não deveria. Pior: não poderia. Ele deveria cumprir um segundo jogo de suspensão por expulsão recebida duas rodadas atrás.

Agora vamos a algumas perguntas - bastante objetivas - para clarear a questão. Primeira pergunta: a Portuguesa cometeu um erro previsto em regulamento? Segunda pergunta: a Portuguesa se beneficiou do uso do jogador supostamente irregular? Terceira pergunta: alguém se prejudicou pelo uso do jogador supostamente irregular por parte da Portuguesa? Quarta pergunta: alguém se beneficiou pelo uso do jogador supostamente irregular por parte da Portuguesa?

Sim, para a primeira pergunta. Não, para as outras três perguntas. Ou seja, estamos num confronto entre a legalidade e a moralidade. Legalmente, a Portuguesa errou. Moralmente, a Portuguesa somou mais pontos que o Fluminense (independentemente do placar na última rodada, a pontuação da Portuguesa em 37 jogos foi maior que a do Fluminense em 38).

Cabe ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva decidir se condena a Portuguesa ou se a absolve. Absolvendo, não afetará em nada em termos de rebaixamento. Os quatro times com pior campanha serão rebaixados. Condenando, teremos de mudar a resposta para a última pergunta: alguém se beneficiou pelo uso do jogador supostamente irregular por parte da Portuguesa? Resposta: sim, o Fluminense.

Que vença a moralidade. É muito mais legal para o esporte e para a cidadania em geral.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Copa Do Mundo 2014: Grupos Sorteados E Pitacos Dados

Foram sorteados ontem, 06.12.2013, os oito grupos para a Copa do Mundo 2014. Copa essa que será a segunda disputada em solo brasileiro. Solo brasileiro que, por sua extensão geográfica e seus múltiplos climas associados a ineficiências infraestruturais, vem inquietando alguns países - sobretudo aqueles ditos de "primeiro mundo". Os europeus até se preocupam com os adversários, mas parece que o grande medo das delegações do Velho Continente reside não em com quem jogar, mas onde jogar. Ninguém quer Manaus, com seu calorzão e umidade nas alturas. Brasília - e sua secura - também é vista com maus olhos. Imagine quando o Mundial for disputado no Catar...

Vamos então aos grupos e aos respectivos pitacos. Pitacos que são feitos hoje, pensando em daqui a um semestre e tentando adivinhar o futuro. Ou seja, tem tudo para dar errado. Mas, rolando um percentual de acerto significativo, posso recuperar esse tópico e fazer pose de vidente. Ou melhor, de profundo entendedor desta ciência chamada futebol.

Grupo A: Brasil, Croácia, México e Camarões.
O Brasil, país-sede, é amplamente favorito a uma das vagas e ao primeiro lugar na chave. A Croácia pode fazer jogo duro na estréia, em São Paulo? Sim, pode. O México, adversário em Fortaleza, merece respeito? Lógico, mesmo com o sufoco que passaram na CONCACAF. E Camarões, será um peixe fora d'água na capital federal? Sim, será, mas enquanto houver fôlego, haverá esperança. Com tudo isso, a tendência é que a seleção consiga os pontos necessários para assegurar a primeira posição - do contrário, será uma decepção. Pitaco: avançam Brasil e México.

Grupo B: Espanha, Holanda, Chile e Austrália.
Atuais finalistas, espanhóis e holandeses se enfrentam em plena rodada de abertura, em Salvador. É a esperança de chilenos e australianos largarem na frente e tentarem a proeza de surpreender um dos dois favoritos. Pitaco: avançam Espanha e Holanda.

Grupo C: Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão.
Eis uma chave equilibrada, onde cada seleção tem um tipo diferente de ponto forte: a técnica colombiana, a solidez grega, o vigor marfinense e a disciplina japonesa. Pode dar qualquer coisa, embora algo me diga que os colombianos entram com sutil vantagem em relação aos demais. Pitaco: avançam Colômbia e Costa do Marfim.

Grupo D: Uruguai, Costa Rica, Inglaterra e Itália.
Pobre Costa Rica. É a primeira seleção na história das Copas a enfrentar 3 campeãs do mundo logo na primeira fase. Cabe a uruguaios, ingleses e italianos correrem atrás de honrarem suas tradições e buscarem as duas vagas disponíveis. Pitaco: avançam Uruguai e Itália.

Grupo E: Suíça, Equador, França e Honduras.
E não é que a França deu sorte na sua condição de não-cabeça-de-chave? O resultado de Suíça e Equador, em Brasília, na partida de estréia, tem tudo para encaminhar o grupo. Havendo empate nesse confronto, é chave pra ser resolvida nos últimos minutos da última rodada. Pitaco: avançam França e Equador.

Grupo F: Argentina, Bósnia e Herzegovina, Irã e Nigéria.
Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre são as cidades que terão a felicidade de receber Lionel Messi na primeira fase. Na disputa pela outra vaga nas oitavas, europeus, asiáticos e africanos terão de enfrentar frio e calor, pois estão no circuito Curitiba, Cuiabá e Salvador. Não fosse isso, cravaria a Bósnia na próxima fase. E como não confio nessa Nigéria... Pitaco: avançam Argentina e Irã.

Grupo G: Alemanha, Portugal, Gana e Estados Unidos.
Alemanha é a mais forte nessa chave. Ponto. Porém, estamos aqui diante de um grupo com quatro seleções que merecem respeito. Talvez o fator de desequilíbrio possa ser Manaus, adversária de Portugal e EUA na rodada do meio. Pitaco: avançam Alemanha e Gana.

Grupo H: Bélgica, Argélia, Rússia e Coréia do Sul.
Os belgas, que contam com um time bem qualificado tecnicamente, tiveram a sorte lhe sorrindo no sorteio: serão os que menos viajarão nesta fase, jogando as três partidas na região sudeste. Não vislumbro grandes possibilidades para os argelinos, e creio que as chances sul-coreanas se multiplicarão caso consigam surpreender os russos na estréia e enfrentar uma já classificada Bélgica na rodada derradeira. Mas... Pitaco: avançam Bélgica e Rússia.

Então é isso. Opinião de momento, sendo bem capaz que em breve eu já esteja discordando de mim mesmo. Mas tá feito o registro. Que tenhamos uma ótima Copa do Mundo e um país mais humano, democrático e justo. Não dá para admitir um evento dessa magnitude e com tantos gastos públicos para beneficiar apenas uma minoria selecionada, em detrimento de um contingente de excluídos estrategicamente. O legado é obrigação e o ano é de eleição.