segunda-feira, 13 de junho de 2016

Itália Segura A Bélgica E Arranca Vitória Em Grande Estréia

De um lado, o talento de uma geração que levou sua seleção ao topo no ranqueamento da FIFA. De outro, uma camisa que, de tão tradicional, parece ter vida própria. Bélgica e Itália fizeram um dos melhores jogos da Eurocopa 2016 até o presente momento. Foram muitos os ingredientes que colaboraram e talvez o principal deles tenha sido o fato de os italianos jamais abdicarem do ataque, mesmo jogando com uma postura flagrantemente defensiva.

Com uma formação de três zagueiros e dois volantes, Conte tratou de dar permissão para os laterais subirem nos momentos de posse de bola. Os belgas, pouco produtivos, tinham dificuldades de criar as jogadas que caracterizam a equipe de Wilmots - as oportunidades se resumiram basicamente a chutes de fora da área. Sendo a Itália eficiente na árdua tarefa de conter Hazard e De Bruyne, a Azzurra foi coroada com um golaço no primeiro tempo: um tanto pelo domínio e finalização de Giaccherini e mais ainda pelo primoroso lançamento de Bonucci, que do seu próprio campo acionou o companheiro na área adversária. Não vi Gérson jogar, mas imagino que seu repertório fosse da beleza daquele lançamento do zagueiro.

Veio o segundo tempo e, a partir dos primeiros minutos, o jogo que já era bom ficou excepcional. Lukaku teve grande chance de igualar o placar, mas acabou chutando para fora quando esteve de frente com Buffon. Origi, que entrou em seu lugar, também esteve em situação de liberdade, mas cabeceou por cima. Pelo lado italiano, as finalizações, quando tomavam o rumo do gol, paravam em intervenções espetaculares de Courtois. Só que, nos acréscimos, Pellé não desperdiçou: em contra-ataque, elerecebeu de Candreva e voleou para estufar a rede e marcar 2a0 em Lyon.

A Itália dá um grande passo para a classificação. Mas sua maior conquista foi a motivação conquistada após um resultado maiúsculo diante de uma forte seleção. Até onde pode ir a Itália? Sei não... Mas é prudente, no mínimo, levá-la em consideração...
Após receber lançamento sensacional de Bonucci nas costas de Alderweireld, Giaccherini abre o placar diante de Courtois. Foto: Getty Images.

Irlanda Joga Bem, Mas Cede Empate À Suécia

Num grupo que tem como protagonistas a qualificada Bélgica e a tradicional Itália, irlandeses e suecos eram meros coadjuvantes. Mas proporcionaram um jogo interessante em Paris. Quem aguardava ver Ibrahimovic desequilibrando acabou vendo o goleiro Isaksson sendo o grande destaque da Suécia, explicitando a superioridade da Irlanda na partida.

Porém, foi justamente após conseguir passar pela muralha sueca (belo gol de Hoolahan, no início do segundo tempo), que a Irlanda passou a diminuir a intensidade. Mesmo assim, teve chances de alcançar o segundo gol. Só não esperavam que marcariam... contra. Em lance de Ibra pela esquerda, Clark cabeceou contra o próprio patrimônio. E o pior é que goi outro belo gol.

Cientes de que o empate não adiantava o lado de ninguém, ambas as equipes buscaram a vitória no final. Porém, além dos bem postados sistemas defensivos, a falta de capacidade criativa de ambos os lados selaram a manutenção da igualdade.
O'Shea e Ibrahimovic disputam a bola: astro sueco, ex-PSG, não teve facilidades em Paris. Imagem extraída de Oriente 20.

Quando Um É Bem Maior Que Zero: Espanha Vence República Tcheca

Matematicamente, a diferença entre 1 (um) e 0 (zero ), é sempre igual a um. Futebolisticamente, essa diferença é variável. Hoje, entre Espanha e República Tcheca, em Toulouse, a diferença entre um e zero foi:

(I) mais que o dobro de tempo de posse de bola;
(II) mais que o dobro de finalizações;
(III) mais que o triplo de passes completados.

Com tudo isso, nossa imprensa medíocre ainda reserva "profissionais" como o comentarista Neto, que num determinado momento no segundo tempo, com o placar parcial de zero a zero, afirmou que 'o toque da Espanha enche o saco'.

Caro Neto, o que "enche o saco" é ouvir seus comentários. O toque da Espanha engrandece o futebol. E é por pessoas como você que o futebol brasileiro passa pelo momento atual.

Saudações iniestianas a todos o amantes do futebol arte. E viva o toque de bola espanhol.
Espanhóis comemoram o gol de Piqué, aos quarenta e dois minutos do segundo tempo. Foto: Getty.

domingo, 12 de junho de 2016

Em Belo Jogo, Alemanha Continua Representando O Futebol Arte

Teve o certificado de campeã do mundo. Com um futebol objetivo, eficiente e altamente competitivo, a Alemanha venceu a muito bem organizada seleção da Ucrânia na estréia dessas equipes na Eurocopa 2016. Se o primeiro gol teve a marca da "Alemanha antiga" (chuveirinho com cabeceio certeiro), o segundo foi o retrato do time comandado brilhantemente por Joachim Löw: um contra-ataque inapelável onde todos os jogadores envolvidos no lance foram precisos em suas funções. Detalhe: lance concluído por Schweinsteiger, que acabara de entrar e era dado por muitos como nome ausente na lista da Euro, por questões físicas. Felizmente, Löw pensa diferente dos críticos. E proporcionou, com sua filosofia de jogo, não apenas uma vitória por dois gols: proporcionou muita beleza na maneira de jogar.

É inegável que a qualidade da apresentação passa por um plantel talentoso. Neuer é um goleiro de mão cheia e fez pelo menos duas defesas daquelas pra estampar capa de publicação esportiva. Boateng, dos melhores zagueiros do mundo, salvou a equipe num lance e colaborou em incontáveis outros. Khedira, que parece ser dois em vez de um, participou ativamente. Müller, um maestro. Özil e Götze qualificaram a posse de bola. E todos, sem exceção, agiram em pró do jogo coletivo. Mas, nem só de talento se faz um time. A seleção brasileira, por exemplo, tem diversos jogadores de alto nível. Só que não há qualquer parâmetro de comparação (viva o 7a1!). Esta Alemanha é uma bênção ao futebol. Vitória na estréia deve ser valorizada também pela atuação do adversário: a Ucrânia foi forte na defesa e ágil na transição. Levou perigo em uma ou outra ocasião - talvez, diante de uma seleção menos potente, pudesse conseguir um resultado interessante. Aliás, com esse futebol, deverá disputar a classificação.

Sobre a apresentação alemã, uma pergunta: estão sentindo um cheiro de tinta? Pintou a campeã...
Mustafi é abraçado por Boateng e cumprimentado por Draxler após o primeiro gol no jogo. Foto: Getty Images.

Polônia Supera Retranca Irlandesa E Conhece 1ª Vitória Em Eurocopas

"Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Dito popular que remete ao processo de intemperismo e que ilustra bem o que foi o jogo entre Polônia e Irlanda do Norte, em Nice. Uma partida de ataque contra defesa. Se por um lado os poloneses tinham os goleadores Lewandowski e Milik, por outro, os irlandeses contavam com um sistema defensivo que envolvia do goleiro ao centroavante, todos dedicados a conterem as investidas do oponente.

Era pelo alto que se dava a maioria das tentativas. Foram muitos os cruzamentos. Diversos os escanteios. Incontáveis levantamentos. Para tentar alternativas, também foram tramadas jogadas pela grama. Nada feito. No segundo tempo, porém, a água furou a pedra: passe de Blaszczykowski e remate rasteiro de Milik. 1a0.

Pensando em pontuar, a Irlanda finalmente passou a preencher o campo de ataque. Mas faltava qualidade. Coube à Polônia administrar o resultado e garantir a vitória na estréia. Histórica, por ser a primeira vitória desta seleção em Eurocopas. Na próxima rodada, diante da forte seleção alemã, é bem possível que os poloneses passem a ser a tal da pedra no ditado popular. Só que, aviso logo, irá encontrar um tsunami vindo em sua direção.
Milik, autor do gol único na partida, disputa a bola dentro da área irlandesa. Imagem extraída de OASport.

Com Futebol De Alto Nível E Golaço De Modric, Croácia Vence Turquia Em Paris

O 12 de junho, data na qual alguns celebram o dia dos namorados, amanheceu de maneira amável no fuso-horário de Brasília. Com um golaço de Luka Modric, que deu bom dia no idioma universal do futebol arte, a Croácia estreou na Euro-2016 com vitória sobre a Turquia, em jogo disputado na capital francesa.

A seleção croata esbanjou capacidade técnica e tática para ditar o ritmo dos acontecimentos, sobretudo no nevrálgico setor de meio-campo. O madridista Modric e o barcelonista Ivan Rakitic distribuíam o jogo de maneira consciente, enquanto Ivan Perisic imprimia velocidade pelo flanco esquerdo. Como referência no ataque, Mario Mandzukic era presença marcante entre os defensores turcos. A realidade é una: o placar de 1a0 ficou barato. Não somente pelas duas bolas na trave (uma de Darijo Srna e outra de Perisic), mas principalmente pelo volume de jogo do selecionado de Ante Cacic.

E como nem só de habilidade e poder criativo vive uma seleção, o fato é que a aplicação defensiva também foi fundamental para conter o ímpeto da sempre destemida Turquia. A imagem de Verdan Corluka com a cabeça enfaixada e entrando vigorosamente nas divididas (incluindo um carrinho providencial) demonstra que todos os setores da equipe atuam na busca pela vitória, seja suando ou mesmo sangrando.

Lembro-me que, na Copa-2014, a Croácia também apresentou um futebol qualificado. Naquela ocasião, foi prejudicada pela arbitragem que beneficiou o Brasil na partida inaugural. Dessa vez, estreou com três pontos. Enorme passo para a classificação - o futebol agradece e fica de olho no time da camisa quadriculada.
Luka Modric comemora o golaço que anotou aos quarenta minutos de jogo. Foto: Getty Images.

sábado, 11 de junho de 2016

É Eurocopa, É Futebol: Inglaterra E Rússia Empatam Na França

O futebol deve ser o único esporte já inventado nesse planeta que proporciona situações como as que ocorreram hoje em Marselha. Dá um livro. Como isso é um blógui, dá uma postagem.
Kokorin e Dier (autor do gol inglês) disputam a bola. Foto: EFE.

Capítulo 1. Sobre a paixão.

O estádio estava tomado de ingleses, russos e simpatizantes de outras não sei quantas nações. 62343 pessoas na contagem oficial. Enumerar aqueles que assistiam ao redor do mundo deve ser praticamente impossível. Infelizmente, há em alguns casos um misto de paixão com loucura que confronta os limites da liberdade individual a partir do momento que migra para a violência. Muitas das vezes, uma violência movida a álcool. Lamentável. Faz parte de um mundo onde a vida ainda é tratada como descartável. Duvida? Pense no que você comeu hoje.

Capítulo 2. Sobre aspectos técnicos.

A Inglaterra rejuvenesceu. Roy Hodgson, há quatro anos na função de treinador do English Team, montou uma seleção veloz e com ímpeto ofensivo flagrante. A base é o Tottenham. Mas são figuras como Wayne Rooney que fazem a engrenagem rodar com mais desenvoltura. Já a Rússia, futura sede da Copa do Mundo, tem muitos desafios pela frente até o ano de 2018. Porém, se um bom time começa por um bom goleiro, é fato que os russos já estão um passo a frente - Igor Akinfeev provou novamente as qualidades que o colocam como titular absoluto da seleção nacional desde, desde... sei lá desde quando. Entre os jogadores de linha, muito mais força física e disposição do que habilidade e categoria.

Capítulo 3. Sobre tática e estratégia.

Preparada para impôr velocidade diante de um adversário mais lento, a Inglaterra criou chances o suficiente para chegar ao intervalo com cômoda vantagem. Resultado? Zero a zero. Talvez seja essa uma das razões do capítulo um ser sobre a paixão. O desafio à lógica. Aos fatos. Zero a zero era inconcebível pelo volume de jogo inglês. Mas quase-gol vale, matematicamente, o mesmo que a completa inoperância. Então, o empate era justo.

Capítulo 4. Sobretudo, futebol.

No segundo tempo, já sem conseguir a mesma desenvoltura que nos quarenta e cinco minutos iniciais, eis que surge o gol. A Inglaterra, em cobrança de falta de Dier (que, embora mais bonita, até lembrou a de Bale no jogo entre Gales e Eslováquia), abriu a contagem. A Inglaterra não sabia o que era estrear com vitória em Eurocopa. Eram quatro empates e quatro derrotas em oito eventos. Chegava a hora. Só que não. Nos acréscimos, do jeito mais tradicionalmente inglês possível, a Rússia mandou a bola para a área. Levantamento de Schennikov. Cabeceio de Berezutski. Festa nas arquibancadas em Marselha. E, aposto, em muitos lares e bares em Moscou. O empate de 1a1 deixa o tabu inglês ainda vivo. E os russos, mais vivos ainda.

É ou não é um esporte especial? Ponto final.

Gales Começa Sua História Na Euro Com Vitória: 2a1 Na Eslováquia

Abrindo o grupo B na Eurocopa 2016, País de Gales e Eslováquia se enfrentaram em Bordeaux. Melhor para os galeses, que venceram por 2a1 naquela que foi sua primeira partida em toda a história do torneio continental.

Logo no início, Marek Hamsik fez jogada espetacular e somente não abriu o marcador porque um defensor galês conseguiu intervir quando a bola estava prestes a cruzar a linha situada abaixo do travessão. A Eslováquia tinha muito a ganhar com uma grande atuação do meia napolitano, mas a realidade é que, fora esse lance de craque, o camisa 17 não conseguiu repetir as grandes atuações que o tornaram um dos principais jogadores no campeonato italiano. Logo aos nove minutos, em cobrança de falta, Gareth Bale abriu o placar. Placar que poderia ter sido ampliado ainda no primeiro tempo, mas o árbitro norueguês Svein Moen não viu o pênalti cometido por Martin Skrtel em Jonathan Williams. Pior: havia um auxiliar "grudado" no lance que também não acusou a cotovelada do eslovaco dentro da área. Seria aquele sujeito meramente ilustrativo? Porque, se não enxergou aquilo àquela distância, simplesmente é figura decorativa no jogo.

No segundo tempo, a Eslováquia veio mais objetiva. Teve uma oportunidade desperdiçada mas não duas: Ondrej Duda, que acabara de entrar, carregou a bola e chutou no contrapé do goleiro Daniel Ward. E se a alegria eslovaca vinha do banco de reservas, a galesa também: aos trinta e cinco, Robson-Kanu, que entrou no lugar de Williams, aproveitou lance de Ramsey e, mesmo sem pegar na bola como gostaria, conseguiu direcionar a redonda para a rede defendida pelo goleiro Matus Kozacik. Gol chorado. E resultado ameaçado, pois ainda houve tempo para a Eslováquia carimbar a trave direita em jogada aérea. No final, festa britânica. Digo, pelo menos nas fronteiras de País de Gales. Não é seguro afirmar que os ingleses, adversários na segunda rodada, tenham celebrado o resultado histórico.
Momento da cobrança de falta de Bale, surpreendenndo o goleiro e abrindo o placar em Bordeaux. Imagem extraída de Goal.com.

Suíça Vence, Mas Sente Pressão Da Valente Albânia

Suíços comemoram gol de Schär, aos quatro minutos no primeiro tempo. Foto: François Lo Presti/AFP.
Albânia e Suíça estrearam na Eurocopa 2016 com um jogo bastante disputado em Lens. Integrantes do grupo A (o mesmo da anfitriã França, que ontem venceu a Romênia por 2a1), suíços e albaneses mostraram boa organização tática desde o início de partida. O gol de Fabian Schär, aos quatro minutos, dava indícios de que os comandados de Vladimir Petkovic teriam facilidades no jogo, sobretudo após a expulsão de Lorik Cana, aos trinta e sete, em lance onde o defensor albanês havia sofrido falta de Haris Seferovic, ignorada pelo árbitro espanhol Carlos Velasco.

Veio o segundo tempo e, com ele, duas intenções diferentes: a Suíça queria ampliar a diferença enquanto a Albânia mantinha-se motivada a buscar o empate. Enquanto os suíços esbarravam em grandes defesas do goleiro Erit Berisha - Seferovic que o diga! -, a corajosa seleção albanesa buscava alternativas na sua composição de duas linhas de quatro, com um jogador de referência no ataque (Armando Sadiku e, depois, Shkelzen Gashi).

A intensidade da Albânia só fazia crescer e simplesmente não parecia que a equipe estava em desvantagem numérica de atletas em campo. Jogadas pelos flancos e também pelo centro, com passes curtos e enfiadas de bola, cadenciando o jogo e também imprimindo velocidade, a Albânia mostrava sua força. O goleiro suíço Yann Sommer, em fantástica intervenção, evitou o gol de empate nos minutos finais, confirmando a apertada vitória suíça.

Podemos traçar um breve paralelo entre a Albânia dessa Eurocopa com o Panamá da Copa América: são duas seleções que vestem vermelho, que chegam aos respectivos torneios continentais sem muita (leia-se nenhuma) badalação e que esbanjam organização. Não é viável apostar em classificações panamenha ou albanesa, mas é interessante ver essas seleções jogarem. Provam que você não precisa ter um time repleto de talento para jogar um futebol de qualidade. Lição que uma certa seleção, cinco vezes campeã mundial, ainda não aprendeu.

domingo, 5 de junho de 2016

Começou A Copa América 2016

Logomarca oficial da Copa América Centenário.
Começou na sexta-feira a Copa América 2016. Edição centenária comemorativa, no país que sediou a Copa do Mundo em 1994, a competição teve até o momento dessa postagem quatro partidas realizadas. E se há uma coisa rara até o momento é o gol. Sim, o gol. Momento ápice do antigo esporte bretão, o gol (objetivo) tornou-se artigo em escassez.

Na partida inaugural, a Colômbia até fez sua parte: dominante nas arquibancadas e no gramado, os colombianos marcaram dois gols nos anfitriões estadunidenses já antes do intervalo (gols de Zapata e Rodríguez), placar que quase aumentou no segundo tempo, quando Bacca carimbou o travessão. Só que nos outros três jogos, somente um golzinho de Guerrero, na vitória cambaleante do Peru sobre o Haiti. Costa Rica e Paraguai ficaram num 0a0 que provavelmente seria permanente mesmo se jogassem outros dois tempos de quarenta e cinco minutos. Pouquíssima criatividade em ambas as seleções. Brasil e Equador também não mexeram no placar, embora os equatorianos até tenham o direito de reclamar de um gol equivocadamente invalidado. A marcação do auxiliar de que a bola teria saído antes de ser chutada diminuiu em 25% o número de gols nesses primeiros dois dias de torneio. Sinal que, a exemplo dos atacantes, os árbitros também erram...

Breves pitacos sobre os jogos que assisti.

(1) A Costa Rica passa longe daquela que encantou no Mundial 2014. Joel Campbell atua mais recuado e Bolaños tornou-se suplente, desfazendo aquele poderoso trio com Bryan Ruiz.

(2) O Paraguai continua com aquela vocação de empatar seus jogos. Já foi vice-campeão de Copa América (2011) empatando até pensamento antes de ser esmagado na final. Mostrou credenciais para conseguir mais dois empates nessa primeira fase.

(3) O Haiti, embora derrotado, vendeu caro o resultado de 1a0. Equipe limitada tecnicamente, mas de grande disciplina tática. Seu esforço chega a contagiar e é daquelas seleções "simpáticas", que conquistam as torcidas neutras.

(4) Com um início imponente, o Peru foi aos poucos se enfraquecendo diante dos haitianos - um pouco por questões físicas, um tanto pela falta de capacidade tática de superar a organizada seleção adversária. Conseguiu o gol que lhe deu a vitória, mas o futebol apresentado ficou abaixo do da edição passada da Copa América, quando chegou às semifinais no Chile.

(5) Se muito, o Brasil criou meia dúzia de chances de gol em sua estréia. A grande maioria (talvez todas), na base da transpiração. Pouco (leia-se nada) em se tratando de uma seleção com a camisa que ostenta. E a verdade é que não podemos exigir muito mais que isso de uma equipe comandada pelo Dunga.

(6) Leve nos contra-ataques e pesado na marcação, o Equador mostrou alto poder de competitividade diante dos brasileiros. Sinal de que não é mera obra do acaso o bom início nas Eliminatórias Sul-Americanas. Mas, falta talento (talvez principalmente no meio-campo) para cravar que os equatorianos possam aprontar algo histórico na Copa América 2016.

Que venham os próximos jogos. E gols, por favor.

sábado, 19 de março de 2016

A Culpa É Do Wenger

Imagem publicada pelo Arsenal no Facebook.
Longe de escalar sua formação "ideal", Arsène Wenger mandou para o Goodison Park um Arsenal que tinha um desafio duplo: remontar-se após a saída na Liga dos Campeões da Europa (três dias antes era superado pelo Barcelona no Camp Nou) e partir em direção à vitória diante do Everton, tendo como meta o título inglês (os onze pontos de distância para o líder Leicester não permitem ao clube londrino novos tropeços).

E lá foi o Arsenal.

Sem Cech - Ospina era o goleiro. Com Mertesacker no banco - Gabriel e Koscielny formavam a dupla de zaga, apoiada pelos laterais Bellerín e Monreal. Sem Wilshere e Ramsey - Coquelín e Elneny formavam a dupla de volantes. Sem Cazorla nem Ox e com Walcott entre os suplentes - Özil, Sánchez e Welbeck formavam a trinca de aproximação ao ataque. Com Giroud na condição de reserva - tome Iwobi estreando como titular em jogos de Premiership.

A atuação do time? Muito boa, obrigado. O lance do gol inaugural, concluído por Welbeck após assistência de Sánchez, foi daqueles com o selo Wenger de qualidade. Muitas trocas de passes certeiros, envolvendo o sistema defensivo adversário por inteiro. Em contra-ataque ligeiro, Bellerín acionou Iwobi para marcar o segundo. 2a0, placar de um primeiro tempo onde o visitante foi preponderante. Dominante. Empolgante.

Na segunda etapa, o Everton conseguiu criar pouco mais. Mas o Arsenal mateve-se firme. Não permitiu que em momento algum os donos da casa se sentissem confortáveis na partida. E a realidade é que ficou barato o placar de 2a0, dada a estranha anulação de um gol de Giroud no segundo tempo.

Com preponderância na posse de bola, trocas de passes envolventes, contra-ataques interessantes, superação para lidar com os desfalques, é um dever reconhecer: a culpa é do Wenger.

domingo, 13 de março de 2016

9dade: Paris Saint-Germain É Campeão Francês

Imagem extraída de Yahoo!.
2012-3, 2013-4, 2014-5, 2015-6.

Pela quarta temporada consecutiva, o Paris Saint-Germain conquista o título de campeão francês. Dessa vez, com assombrosas oito rodadas de antecipação, numa campanha de 77 pontos e 77 gols marcados. E contando... Eu não ousaria duvidar de uma marca centenária. Ainda mais depois de hoje.

12', 16', 18'; 45', 51', 54', 57', 74', 87'. Foram nove os gols marcados pelos campeões diante do lanterna. Lanterna, tudo bem. Mas um lanterna que entrou em campo com  uma média de dois gols sofridos por partida. De dois para nove é uma outra conversa. É um outro adversário. É o Paris Saint-Germain.

Desde o gol inaugural do uruguaio Edinson Cavani, aproveitando um presente da defesa adversária, até o gol do sueco Zlatan Ibrahimovic, que fechou a contagem após contra-ataque veloz, iniciado após cobrança de escanteio, a preponderância da equipe visitante foi evidente, explícita, escancarada.

Os argentinos Javier Pastore e Ángel Di María sobravam no meio-campo, esbanjando talento e eficiência. A dupla de zaga brasileira composta por Thiago Silva e David Luiz, nas poucas vezes em que era envolvida, conseguia dificultar as ações oponentes. O goleiro Trapp ainda deu a sua contribuição para manter o zero dos mandantes. Mandantes que em nada mandavam. Só balançaram a rede em gol contra de Saunier - não fosse ele, Ibra provavelmente completaria para dentro.

Dreyer, arqueiro vazado em nove ocasiões diferentes, é dos menos responsáveis pelo resultado. Se houve uma ou outra bola defensável, a realidade é que não daria para Dreyer nem ninguém, sozinho na condição de goleiro, evitar uma goleada acachapante parisiense. Chegou a pegar um pênalti de Cavani, que acabou convertido no rebote da cobrança pelo próprio camisa nove.

Enfim, a temporada para o PSG caminha para um final feliz. O título francês, conquistado hoje, nenhuma novidade. O da Copa da França, que terá sua fase semifinal disputada em abril, seria uma dobradinha também já conhecida pela torcida tricolor. Mas o grande sonho, talvez até uma obsessão por parte do proprietário do clube da capital francesa, é a Liga dos Campeões da Europa, competição na qual o Paris Saint-Germain encontra-se classificado para a fase quartas-de-final. Ibrahimovic pediu paciência, evitando criar grandes expectativas em torno do tão cobiçado torneio. Mas como não alimentar esperanças de dimensões continentais depois de se firmar solidamente no cenário nacional? Depois de aplicar nove a zero no adversário?

O fato é que, com ou sem a Tríplice Coroa, o PSG não deixa dúvidas de que realiza excepcional temporada sob o comando de Laurent Blanc. O momento é de festa. E a força demonstrada dá ao clube o direito de sonhar com escaladas maiores. Talvez do tamanho de uma torre Eiffel.