segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Equipe E Jogada Da Semana

A Sampdoria começou o ano fazendo história. Freguesa de carteirinha carimbada nos jogos com a Juventus em Turim, a equipe da cidade de Gênova foi até o estádio bianconero e passou maus bocados no primeiro tempo: foi pressionada, levou o primeiro gol, teve jogador expulso. Mas o heroísmo dos comandados de Delio Rossi causaram uma reviravolta completa na volta do intervalo e os visitantes conquistaram uma memorável vitória, com dois gols de Mauro Icardi. Uma ótima maneira de começar o ano novo. Veja mais sobre essa partida na postagem Super Samp Surpreende Juventus Em Turim. Em 14º lugar na tabela de classificação, a Sampdoria começa o segundo turno no Campeonato Italiano com um pouco mais de folga em relação à zona de descenso, encontrando-se quatro pontos acima do 18º colocado, o Cagliari.

Jogada da semana

Algumas belas jogadas ocorreram nessa primeira semana de 2013. Mas a mais significativa não terminou em bola na rede. Pelo contrário: a "jogada" mais marcante simplesmente acabou com o jogo. Literalmente. Foi a reação de Kevin-Prince Boateng, meio-campista ganês que atua pelo Milan. Uma bandeira contra as manifestações fenotipistas. Quase três milhões de acessos no vídeo a seguir.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Super Samp Surpreende Juventus Em Turim

Para aqueles indivíduos que têm alguma dúvida sobre o fato de o futebol ser um esporte especial dada a sua imprevisibilidade que beira o imponderável, o jogo de hoje entre Juventus e Sampdoria serve de ilustração para adjetivar o velho esporte bretão como uma das mais surpreendentes modalidades esportivas.

A atual campeã invicta e líder soberana nessa edição (recordista histórica de pontos no torneio durante o ano de 2012) recebeu em seu moderno estádio uma equipe rebaixada em 2011 e que retornou nessa temporada, fazendo campanha que a coloca bem perto da zona de descenso. Vinte e sete pontos separavam os dois times antes dessa partida válida pela décima nona rodada. No passado, Juventus e Sampdoria haviam duelado na cidade de Turim em 63 ocasiões, com 40 vitórias dos mandantes e apenas cinco do clube genovês.

Aí você os coloca frente a frente no dia seis de janeiro, abrindo os compromissos oficiais de ambas as instituições no ano de 2013 e vai assistir o jogo. E assiste o óbvio: empurrada pela torcida e impulsionada por um elenco tecnicamente superior, o time local pressiona para abrir o placar em seu estádio. E abre. Aos vinte e três minutos, Sebastian Giovinco converte penalidade máxima no canto direito. Diga-se de passagem que o zero não saiu mais cedo do placar porque o goleiro argentino Sergio Romero impediu.

Se no lance do pênalti Gaetano Berardi recebera cartão amarelo pela infração cometida dentro da área, aos trinta minutos o mesmo Berardi deu outro carrinho, dessa vez mais forte e mais distante do seu gol. Veio o segundo cartão amarelo, em correta decisão do árbitro Paolo Valeri. Ou seja, a Sampdoria passava a jogar não apenas atrás no placar como também com menos jogadores em campo.

O 1a0 se manteve até o intervalo e é bem possível que o mais otimista torcedor da Samp concordasse que se trataria de uma "missão impossível" evitar uma nova derrota na competição. Mas, queridas crianças de todas as idades, estamos falando de futebol. Veio o segundo tempo e, com ele, uma reviravolta de contornos épicos. Aos oito minutos, Andrea Pirlo, exímio distribuidor de lançamentos, errou um passe simples na intermediária ofensiva juventina. E foi de lá mesmo que, após fazer a interceptação, o sérvio Nenad Krsticic acionou um companheiro com lançamento ao melhor estilo Pirlo. O companheiro era Mauro Icardi, que avançou e chutou do jeito que tinha que ser: cruzado, firme. Para infelicidade de Gianluigi Buffon, a bola quicou imediatamente antes do goleiro tentar espalmá-la, traindo o consagrado arqueiro bianconero e indo parar no canto direito. O mesmo canto direito onde Giovinco abrira o placar na etapa inicial. 1a1.

Tão ou mais inesperado que o empate naquele momento foi o que viria a acontecer quinze minutos depois: a virada dos visitantes. Pedro Obiang carregou a bola pelo centro de ataque e abriu na direita para Icardi. Iluminado, o atacante da camisa 98 descolou remate indefensável, mandando um chute forte e preciso, no alto, estufando a rede e indo celebrar em êxtase. 2a1 Sampdoria, em pleno estádio Juventus.

O treinador Antonio Conte já havia colocado dois atacantes entre um gol e outro do adversário (Fabio Quagliarella e Mirko Vucinic entraram nos lugares de Alessandro Matri e Paolo de Ceglie). Pouco depois de ver seu time atrás no marcador, trocou Paul Pogba (meio-campista francês de visual a lembrar Mario Balotelli) por Emanuele Giaccherini, também jogador de meio-campo. Delio Rossi, que assumiu a Sampdoria após a demissão de Ciro Ferrara (vi Ferrara jogar com a camisa da Juventus, então na reta final de sua bem-sucedida carreira como zagueiro), já havia realizado uma mexida no intervalo, quando trocou Marcelo Estigarribia (jogador vindo da Juve) por Lorenzo de Silvestri. Embora Estigarribia não tenha feito um primeiro tempo brilhante (e ainda tivesse machucado a mão), não sei se foi essa alteração que mudou os rumos do jogo - e olha que De Silvestri, de fato, atuou bem. Prefiro acreditar na superação coletiva da Sampdoria e na força intransponível dos deuses do futebol.

São eles, só podem ser eles - os deuses do futebol - que fizeram com que o chutaço de Vucinic explodisse no travessão e ainda quicasse pouco antes da linha final, sem atravessá-la. Devem ter sido eles novamente que separaram Vucinic do gol de empate por centímetros, numa bola que passou pertinho da trave direita, já sem goleiro no lance. E, com goleiro no lance, nada passava por ele. Romero viveu dia de Buffon. Com as bênçãos dos deuses do futebol. Parabéns, Sampdoria.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Liverpool Começa Feliz 2013

Para alegria da torcida que, como de hábito, marcou presença em Anfield Road, o Liverpool começou o ano novo com uma vitória. E não uma vitória qualquer. Foram cinco gols marcados (dois deles corretamente anulados por impedimento), 67% de posse de bola e 27 finalizações num 3a0 que deve ter empolgado até os mais contidos torcedores vermelhos.

O Jogada De (E)feito talvez seja o blógui em língua portuguesa que mais acompanhou jogos do Sunderland nas últimas quatro semanas (comentamos as derrotas da equipe de Martin O'Neill para Chelsea, Manchester United e Tottenham, todas em dezembro). E em nenhum daqueles jogos viu-se um Sunderland tão dominado pelo adversário como hoje.

Pode ser efeito de uma ressaca de virada de ano? Poder, pode. Mas duvido. A hipótese que mais levo em consideração é a de que, ao mesmo tempo que o Sunderland não estava em um de seus melhores dias, o Liverpool conseguiu encaixar seu jogo de tal forma que tudo ficaria mais difícil para qualquer adversário que cruzasse seu caminho nesse segundo dia de dois mil e treze.

Não apenas pela qualidade da troca de passes, mas também pela aplicação da equipe em marcar por pressão, dificultando a saída de jogo oponente e, com isso, possibilitando que a bola retornasse aos domínios vermelhos. Sterling abriu o placar com um belo gol, recebendo de Suárez e encobrindo Mignolet. O Sunderland teve grande chance de empatar, mas McClean desperdiçou. Suárez, por sua vez, aproveitou a oportunidade e, após receber de Gerrard e escapar de Cuéllar, marcou o segundo. O terceiro veio no segundo tempo, em novo gol de Suárez. Mas dessa vez o destaque do lance não foi a conclusão, mas a assistência - um lançamento que estimo em cerca de quarenta metros, colocando a bola sob medida para o atacante uruguaio. Johnson e Allen também viriam a balançar a rede adversária, mas o auxiliar mostrou-se atento em ambas as marcações de impedimento.

O próximo compromisso dos Reds é na Copa da Inglaterra, quando visitará o Mansfield Town, dia seis. Mas o jogo que a galera espera acontecerá no domingo seguinte, dia treze: o clássico entre Manchester United e Liverpool, pela Premiership. Tem tudo para ser um jogão de bola em Old Trafford. Já o Sunderland, que vê interrompida uma sequência de sete jogos consecutivos marcando gol (julgo mais mérito do Liverpool do que qualquer outra coisa), pega o Bolton, dia cinco, pela Copa da Inglaterra. No sábado seguinte, recebe o West Ham no Stadium Of Light.

Confira como foi a transmissão da partida Liverpool 3a0 Sunderland através do @jogandoagora #LivSun

sábado, 29 de dezembro de 2012

Tottenham Vira E Vence O Jogo Em Sunderland

Sunderland e Tottenham se encontraram no Stadium Of Light para a última partida dessas equipes em 2012. E quem vai para a virada de ano mais contente é o time londrino, que conseguiu uma vitória de virada, por 2a1, em pleno campo adversário. Vale dizer que o Sunderland buscava a terceira vitória seguida diante de seus torcedores, tendo perdido pela última vez dentro de casa uma partida diante do Chelsea, que esse blógui acompanhou.

Buscando um lugar na próxima Liga dos Campeões da Europa, os comandados de André Villas-Boas foram superiores. Tiveram mais a bola e criaram as chances mais agudas de gol. Na maior delas, aos vinte e nove minutos, uma jogada em progressão aritmética: Jermain Defoe lançou a bola entre Craig Gardner (camisa 8) e John O'Shea (camisa 16) e, desviada apenas parcialmente por Carlos Cuéllar (camisa 24), chegou em Emmanuel Adebayor. Praticamente debaixo do gol, o centroavante togolês conseguiu carimbar o travessão, desperdiçando grande oportunidade. Se houvesse algum camisa 32 escalado no Sunderland, talvez ele participasse do lance.

Se o Tottenham esbarrava no goleiro Simon Mignolet, no travessão e também na aplicada defesa local, o Sunderland foi mais eficiente. Aos trinta e nove minutos, Sebastian Larsson cobrou falta, Hugo Lloris fez grande defesa após finalização frontal e, no rebote, O'Shea colocou na rede. Deve ter sido festivo o clima nos corredores do estádio durante o intervalo. Mas o Sunderland não manteria a vitória por mais do que seis minutos na etapa complementar. Primeiramente, vamos falar de Cuéllar. Logo com um minuto no segundo tempo, o voluntarioso zagueiro espanhol cometeu falta dura e recebeu o primeiro cartão amarelo na partida (partida essa bem conduzida por Martin Atkinson). No minuto seguinte, Cuéllar mostrou-se mais uma vez presente e interviu, cedendo escanteio. Veio a cobrança de escanteio e adivinha quem estava no primeiro poste para tentar afastar o perigo. Pois é, ele mesmo, Cuéllar. Mas dessa vez um golpe de sorte fez com que a intervenção do defensor virasse um gol contra. Tudo igual em Sunderland.

Três minutos após empatar o jogo numa infelicidade do adversário, o Tottenham chegou à virada numa jogadaça individual de Aaron Lennon. O camisa 7 - calma, não é nenhuma nova coincidência matemática - recebeu de Gareth Bale, tentou tabelar com Adebayor e acabou se beneficiando da rebatida da defesa, que trouxe a bola de volta para ele. E Lennon teve reflexo rápido, aplicando uma meia-lua no adversário e chutando com categoria, no cantinho esquerdo. 2a1 Spurs.

Martin O'Neill até procurou alternativas e realizou substituições que deixaram o time mais ofensivo. Mas a equipe, embora vez ou outra conseguisse uma chegada mais ou menos perigosa, esbarrou, entre outras coisas, na má atuação de Adam Johnson, que simplesmente não conseguia dar sequência às jogadas. E, não fosse a atuação impressionante do goleiro Mignolet, poderia ter levado uma goleada diante de sua fanática torcida. Não que Mignolet tenha feito várias defesas, mas o nível de dificuldade delas foram de causar admiração. Defoe e Adebayor, basicamente por isso, não foram à rede. Mas os três pontos se confirmaram e a equipe londrina vira o ano na 3ª colocação, dentro da zona da UCL. O Sunderland aparece em 13º lugar, fora da zona de rebaixamento. E como a bola parece não parar de rolar na Inglaterra, o Sunderland vai ao Anfield Road pegar o Liverpool, dia dois de janeiro de dois mil e treze. E, em pleno primeiro dia do ano, o Tottenham recebe o Reading em White Hart Lane. O Jogada De (E)feito deseja a todos um 2013 maravilhoso, se possível ainda melhor que 2012. E que possamos oferecer ao mundo algo melhor do que oferecemos em 2013. É uma troca justa.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

Se alguém tinha alguma dúvida a respeito do "abalo psicológico" que poderia se implantar no Chelsea após a derrota na final do Mundial de Clubes, já não tem mais. De lá pra cá, a equipe comandada por Rafa Benítez atuou pela Copa da Liga Inglesa e pelo Campeonato Inglês, somando duas vitórias por goleada: 5a1 sobre o Leeds United, fora de casa (na quarta-feira, dia dezenove, ou seja, três dias após o vice-campeonato no Japão) e um estrondoso 8a0 pra cima do Aston Villa, em Stamford Bridge, um domingo depois da derrota para o Corinthians.

Em 3º lugar na Premiership, o Chelsea espera conseguir amenizar a dor da eliminação precoce na Liga dos Campeões e da derrota na Copa do Mundo de Clubes com, quem sabe, um título na mais forte liga nacional de que se tem notícia. Não será simples, pois há uma distância considerável de pontos em relação aos times da cidade de Manchester. A Copa da Liga Inglesa é uma competição mais ao alcance dos Blues, que enfrentarão o Swansea na fase semifinal.

Jogada da semana

Quebrando recordes atrás de recordes, Lionel Messi não somente impressiona pelas estatísticas como encanta pela maneira de jogar. Na vitória do Barcelona sobre o Real Valladolid (sábado, dia 22.12.2012), pela 17ª rodada no Campeonato Espanhol, o melhor jogador do mundo marcou o segundo gol catalão (a partida terminou 3a1). O Barça é líder soberano no torneio, com nove pontos de frente para o segundo colocado, o Atlético de Madrid. O vídeo a seguir é caseiro, pois está complicado encontrar algum que não tenha sido bloqueado pelos tais direitos autorais. A pintura de Messi aparece a partir dos 24 segundos de vídeo, recebendo passe de calcanhar de Xavi Hernández e partindo com a bola até a finalização, com direito a caneta em adversário que tentou desarmá-lo. Dá-lhe Messi! Dá-lhe Barcelona!
Deixo aqui registrado um Feliz Natal a cada um de vocês. E que o espírito natalino permeie todos os dias de nossas vidas, não ficando restrito a uma única data no calendário. 

Voltaremos qualquer dia, de preferência ainda esse ano para desejar a todos um Feliz 2013.

Fraternais abraços.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Merecia Uma Prorrogação

Os 20650 espectadores que compareceram ao Liberty Stadium, no País de Gales, puderam assistir o que deve ter sido um dos melhores jogos nessa edição de Campeonato Inglês. Situado no meio da tabela, o Swansea recebeu o líder isolado Manchester United. E o resultado foi o primeiro empate dos comandados de Alex Ferguson nessa temporada. Melhor para o Swansea, que suportou uma pressão incrível nos minutos finais, e para o Manchester City, que pouco antes havia vencido o lanterna Reading (1a0, com gol polêmico aos quarenta e seis minutos no segundo tempo), encurtando para quatro pontos a diferença na ponta de cima da tabela.

Foi uma partida franca desde o início, com os dois times mostrando disposição em atacar e chegar ao gol. Os centroavantes Miguel "Michu" Cuesta (onze gols na competição) e Robin van Persie (doze gols marcados no torneio) participavam ativamente nas jogadas de ataque e mostravam que não era obra do acaso o fato de serem os dois principais goleadores na Premiership. Mas haviam outros personagens relevantes numa partida altamente movimentada. O goleiro Michel Vorm retornava à meta após lesão que o mantinha afastado desde setembro. O zagueiro Nemanja Vidic, que entrou no segundo tempo diante do Sunderland, reassumiu o posto de titular após período parado por contusão, completando 250 jogos com a camisa do United. Kemi Agustien, Jonathan De Guzman, Wayne Routledge e Nathan Dyer ajudavam os donos da casa a apresentar grande volume de jogo (terminando o primeiro tempo com mais posse de bola que o adversário). Mas o adversário era o potente Manchester United, que contava com elementos da qualidade de Antonio Valencia, Wayne Rooney e Ashley Young, jogadores que requerem cuidados especiais da marcação. E foram bem marcados todos eles. Talvez por isso, quem "precisou" abrir o placar foi Patrice Evra, cabeceando após escanteio cobrado por Van Persie, aos quinze minutos.

Se o gol abateu o Swansea? De jeito nenhum. Mantendo a mesma aplicação de quando o resultado estava zerado, o time de Michael Laudrup foi criando chances na base do toque de bola, conciliando velocidade e objetividade de maneira a confundir o sistema defensivo do United. Com total justiça, veio o empate: aos vinte e oito, Routledge recebeu bela enfiada de bola, parou em defesa de David de Gea e, no rebote, Michu estava no lugar certo para confirmar o faro de goleador, igualando-se a Van Persie no número de gols anotados na competição. O público delirava naquele momento. E muitas emoções estavam por vir após o intervalo, num jogo com cara de decisão de campeonato. Como é legal assistir uma partida de futebol onde ninguém parece satisfeito com o empate! Tivemos bola no travessão (linda finalização de Van Persie), defesaças dos goleiros (destacando um salto de Vorm após cabeceio de Michael Carrick, que ainda tocou no travessão) e tivemos, também, confusão. Foi um dos raros momentos em que o jovem árbitro Michael Oliver (de 27 anos) vacilou no aspecto disciplinar, pois poderia tranquilamente ter mostrado o cartão vermelho para Ashley Williams e Van Persie. Tudo bem, nenhum novo desentendimento sucedeu aquele envolvendo os dois jogadores e a partida seguiu um rumo frenético, onde o United pressionava na busca pelo desempate e o Swansea, provavelmente contra sua própria vontade, limitava-se a afastar o perigo da própria área.

No final, a aplicação do conjunto desse interessante time sob os cuidados de Laudrup rendeu um ponto conquistado diante de um dos mais sérios candidatos ao título. Pode até ter sido, para o United, um empate com sabor de derrota. Repetindo: o primeiro empate da equipe na presente temporada. Mas, se é que serve de consolo, há que se dizer que muitos outros que colocarem os pés no Libery Stadium irão é comemorar uma eventual igualdade diante de uma equipe que, embora sem jogadores de grande renome, apresenta um jogo coletivo que serve de inspiração para muitos clubes de maior investimento.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Superior, Roma Vence Milan Com Tranquilidade

Em seus últimos compromissos oficiais em 2012, Roma e Milan se enfrentaram na capital italiana e o que tivemos foi um passeio da equipe da casa. A vitória (4a2) foi construída com facilidade, num jogo onde os comandados de Zdenek Zeman mostraram muitas qualidades na transição ao ataque. Foram três gols pelo alto e um pelo chão. Começou com uma cobrança de escanteio de Pjanic, cabeceada por Burdisso: 1a0, aos doze minutos. Aos vinte e três, Totti deu um cruzamento-passe que terminou em cabeceio certeiro de Osvaldo: 2a0. Seis minutos depois, uma saída de bola mal feita dos milanistas permitiu que De Rossi encontrasse Lamela livre para marcar o terceiro. Fácil no primeiro tempo, fácil no segundo: aos quinze, Balzaretti cruzou e Lamela marcou de cabeça. Aí vieram as substituições na Roma e a equipe passou a relaxar em campo. Tinha tudo para ser uma goleada histórica, mas as saídas de Lamela, Osvaldo e Totti conciliadas ao conforto no placar e à expulsão do zagueiro Marquinhos (garoto de dezoito anos e de muita qualidade, olho nele!) selaram a diminuição da diferença de gols. Pazzini, de pênalti, descontou aos quarenta e um. Bojan, no minuto seguinte, aproveitou rebote de Pazzini para marcar o segundo. Pazzini e Bojan, dois jogadores de qualidade mas que só saíram do banco de reservas no segundo tempo. Coisas de Massimiliano Allegri.

Mas a Roma teve outro destaque na partida: o goleiro uruguaio Mauro Goicoechea. Defesas dificílimas, esbanjando grande senso de posicionamento e reflexos dos mais apurados. Talvez o jogo fosse diferente se Goicoechea não tivesse atuado em tão alto nível. Mas, pensando bem, foi melhor para a partida que o arqueiro tenha sido tão efetivo. Pois, do contrário, dificilmente veríamos Pazzini e Bojan dentro de campo...

O Campeonato Italiano retorna ano que vem: no dia seis de janeiro, a Roma (atualmente 6ª colocada) vai ao San Paolo enfrentar o Napoli (em 5º lugar) enquanto o Milan (na 7ª posição) recebe o Siena (lanterna, em 20º) no Giuseppe Meazza

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Juventus Sofre, Mas Vence Cagliari Com Gols Nos Acréscimos

Líder absoluta e já campeã de inverno no Campeonato Italiano temporada 2012-3, a Juventus teve seu último jogo oficial nesse ano corrente na noite dessa sexta-feira, pela 18ª rodada. O adversário era a frágil equipe do Cagliari, que, impedida de jogar em seu novo estádio por medidas de segurança, mandou o jogo para o Ennio Tardini, na cidade de Parma. Vendo as respectivas campanhas no torneio, é flagrante a diferença: era o segundo melhor ataque enfrentando a segunda pior defesa no mesmo jogo em que a melhor defesa enfrantava o pior ataque. E não são apenas as estatísticas que separam as duas equipes, pois é explícita a diferença qualitativa no comparativo de cada plantel.

De toda forma, lá foram Cagliari e Juventus a campo e o que se viu foi uma partida parelha. É, parelha. Tudo bem, a Juventus criou mais chances, atacou mais, teve mais a bola etc e tal. Mas o desenho do jogo foi muito longe daqueles em que vemos uma equipe dominante diante de uma dominada. Lenta na transição ao ataque, a equipe de Antonio Conte facilitava a marcação do aplicado time comandado por Ivo Pulga. Faltava poder de criação e também velocidade. Pior: parecia faltar vontade ao time, que jogava um futebol tão frio quanto a temperatura ambiente em Parma. O Cagliari, que na rodada anterior havia sido goleado por 4a1 para o próprio Parma, nesse mesmo estádio, foi gostando do jogo e contou com uma certa benevolência do árbitro Antonio Damato, que marcou penalidade máxima em lance onde muitos deixariam o jogo seguir. Pênalti cometido pelo chileno Arturo Vidal e convertido pelo também chileno Mauricio Pinilla. 1a0 Cagliari, aos quinze minutos.

Como se não bastasse a resistência defensiva adversária, a Juve encontrou outro obstáculo de peso: a brilhante atuação do arqueiro Michael Agazzi. Mais do que as defesas em si, o que chamou mais atenção foi o fato de sequer haver rebote nas finalizações, muitas das vezes dadas com força tamanha que sugeriam uma espalmada. Muito seguro esse goleiro de 28 anos, em sua quarta temporada no Cagliari.

Veio o segundo tempo e, embora a Juventus ditasse o ritmo do jogo, a equipe só foi melhorar de maneira mais significativa após as substituições de Conte: aos quinze, trocou de atacante (Fabio Quagliarella por Alessandro Matri) e no minuto seguinte, finalmente, deixou a equipe um pouco mais ofensiva (Martín Cáceres por Simone Padoin). Pouco antes, Pulga havia trocado Nicola Murru por Gabriele Perico, diminuindo o elevado contingente de defensores com carão amarelo. E, de tanto cometer faltas, pintou a primeira expulsão: aos dezenove minutos, o capitão Davide Astori deixou a equipe "da casa" com um homem a menos, recebendo seu segundo cartão amarelo pessoal.

Diante da superioridade oponente e do desfalque no miolo de zaga, Pulga não viu outra alternativa a não ser trocar um homem de frente por um defensor. Optou por tirar Marco Sau (que sofreu o pênalti e descolou um belo chute defendido por Gianluigi Buffon) e colocar Dario del Fabro, aos vinte e um. Quatro minutos após colocar as chuteiras no campo de jogo, Del Fabro acabou envolvido em lance onde Sebastian Giovinco caiu na área e Damato, novamente em decisão altamente contestável, assinalou pênalti. Vidal tinha a chance de "se redimir" do "pênalti cometido" e anotar o segundo gol chileno no jogo, empatando a partida. Mas o versátil volante isolou a cobrança, mandando por cima.

Com a pressão se acentuando e o jogo concentrado na mesma metade de gramado, veio o empate. Mirko Vucinic (que acabara de entrar no lugar de Stephen Lichtsteiner, em substituição efetuada durante a cobrança de pênalti), chutou de fora da área e, dessa vez, Agazzi espalmou. Os defensores, talvez pelo costume de ver o goleiro encaixar até pensamento, não deram a devida atenção ao rebote e permitiram que Matri partisse sozinho para aproveitar a segunda bola. 1a1 no placar, em gol todinho vindo do banco de reservas.

Parecia questão de tempo a virada bianconera. A não ser por um motivo: Agazzi. Com uma defesa espetacular, o arqueiro impediu que o cabeceio de Kwadwo Asamoah fosse para a rede, que parecia o destino certo. A bola ainda tocou na trave e o camisa 1 complementou, esticando a perna para afastar a bola dali. Mágicas intervenções.

Pulga realizou a última substituição aos trinta e dois, trocando o solitário atacante Pinilla pelo também atacante Ânderson da Silva, vulgo Nenê, brasileiro com passagem por Cruzeiro e Ipatinga. O Cagliari, que já tinha um homem a menos, passou a jogar com nove e meio, pois Albin Ekdal mal conseguia dar piques curtos, permanecendo contundido no gramado a fim de minimizar o prejuízo numérico. Damato indicou exagerados seis minutos como acréscimo e, para infelicidade do Cagliari, Nenê fez a lambança de, perto do próprio gol, chutar a bola contra Vidal. Após o choque da redonda contra o braço do chileno (involuntário, pois foi mero instinto de proteção), Matri recolheu em total liberdade e mandou para a rede, virando o jogo aos quarenta e seis minutos do segundo tempo.

Ainda houve tempo para Vucinic deixar o dele aos quarenta e oito, empurrando para dentro uma bola chutada por Giovinco que parecia tomar o rumo do gol. Os 3a1 enganam quem pensa que foi uma parada fácil. Quem não pode se enganar é o jogador da Juventus, pois com esse futebol apresentado diante do Cagliari, a equipe precisará abusar da sorte para vencer adversários mais qualificados. E o Cagliari, por sua vez, pode nessa rodada integrar a zona indesejável. Para isso, basta que ou o Genoa vença a Internazionale em Milão (improvável) ou que o Palermo, em casa, vença a Fiorentina (hipótese mais razoável). Caindo para as três últimas posições ou não, fato é que o Cagliari precisa melhorar seu jogo o quanto antes. Não fosse Agazzi, o resultado teria sido mais dilatado.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Oitavas-de-final Na Liga Dos Campeões Da Europa: Duelos E Pitacos

Estão definidos os duelos para a fase oitavas-de-final na Liga dos Campeões da Europa 2012-3.

Partidas de ida agendadas para fevereiro e as de volta marcadas para março. Muita coisa para acontecer de hoje até lá, como por exemplo abertura da janela de transferências, fim do mundo etc.

Mas como nunca é cedo para pitaquear, vamos deixar registrados os palpites para os oito emparelhamentos.

Schalke (ALE) e Galatasaray (TUR)
O momento dos Azuis Reais não é dos melhores. Ao contrário: embora tenha se classificado como líder no grupo do Arsenal, a equipe está caindo pelas tabelas na Bundesliga, já foi eliminada na Copa da Alemanha e inclusive trocou de treinador (Jens Keller assumiu interinamente após a saída de Huub Stevens). O adversário é o Galatasaray, que conta com jogadores experientes no elenco e chegou até aqui como vice-líder no grupo do Manchester United. Comparando nome por nome dos dois times, tudo indica um duelo equilibrado. Se as partidas fossem semana que vem, cravaria classificação turca. Mas, com tanta água pra rolar, acho que o Schalke vai se reencontrar e se fortalecer. Pitaco: dá Schalke.

Juventus (ITA) e Celtic (ESC)
Campeã italiana invicta na temporada passada e atual líder na corrida pelo Scudetto, a Juventus tem todos os motivos para acreditar em sua classificação para a próxima fase. O elenco tem qualidade, a equipe de Antonio Conte é consistente taticamente e o adversário - com todo respeito ao Celtic -, é muito inferior tecnicamente. De toda forma há que se respeitar o time escocês, que na fase de grupos conseguiu a proeza de ganhar um jogo do Barcelona. Pitaco: dá Juventus.

Bayern de Munique (ALE) e Arsenal (ING)
Amantes do futebol arte, eis um confronto obrigatório para se assistir e apreciar. Dois times habituados a jogar valorizando a posse de bola e a frequentar o campo ofensivo, Bayern e Arsenal têm tudo para travar jogos interessantíssimos. A vantagem bávara está na regularidade dos resultados recentes (o Arsenal ainda causa desconfiança devido a tanto sobe e desce ano-após-ano) e também no maior entrosamento da equipe. Quem quer que avance, irá representar bem aquele futebol que dá gosto de assistir. Pitaco: dá Bayern.

Borussia Dortmund (ALE) e Shakhtar Donetsk (UCR)
Líder absoluto e incontestável no grupo mais forte dessa Liga dos Campeões (jogou com Real Madrid, Ajax e Manchester City), o Borussia não somente é favorito diante do Shakhtar como se coloca como respeitável candidato ao título. Mas não deverá ser tarefa simples passar pela equipe de Donetsk, que mostrou-se altamente competitiva na fase de grupos - que o diga o Chelsea, atual campeão europeu e já eliminado. Pitaco: dá Borussia.

Barcelona (ESP) e Milan (ITA)
Dois gigantes da história do futebol se encontrando em momentos diametralmente opostos. O Barcelona segue esbanjando aquele estilo de jogo que encanta e dá resultados, seguido à risca por Tito Vilanova (#AnimoTito). Já o Milan, que perdeu dois elementos importantes no plantel (Thiago Silva e Zlatan Ibrahimovic foram para o Paris Saint-Germain), parece afundar com o seu defensivista treinador Massimiliano Allegri. Pitaco: dá Barcelona.  

Manchester United (ING) e Real Madrid (ESP)
Não é apenas mais um duelo entre dois gigantes europeus. Esse confronto aí tem algo mais. Coloca frente a frente dois treinadores de currículos invejáveis. Coloca o astro Cristiano Ronaldo na rota de seu ex-clube. Vejo fortes indícios de dois jogos altamente táticos e com a possibilidade de o vencedor avançar na base do talento individual de algum de seus jogadores. E talento é coisa que não deverá faltar nas partidas entre essas duas fortes equipes. Pitaco: dá United.

Paris Saint-Germain (FRA) e Valencia (ESP)
Depois de assumir a liderança no Campeonato Francês e a julgar pela força do elenco, não há razões para duvidar que a temporada do PSG terminará com pelo menos um título conquistado. Já o Valencia, sem grandes perspectivas no Campeonato Espanhol, tem na sobrevida continental a maior chance de salvar a temporada. Time por time, é covardia. Resta saber se o Valencia será capaz de medir forças - e talvez até mesmo surpreender - na base do conjunto. Pitaco: dá Paris Saint-Germain.

Málaga (ESP) e Porto (POR)
Em relação à temporada passada, os dois times têm uma coisa em comum: se enfraqueceram tecnicamente. Enquanto o Málaga negociou Santi Cazorla com o Arsenal, o Porto se desfez de Freddy Guarín (foi para a Internazionale) e Hulk (agora no Zenit). De toda forma, as equipes não chegaram por acaso até a fase oitavas-de-final e, principalmente pelo fato de estarem se enfrentando (havia adversários mais difíceis tanto para um quanto para outro), o sonho de seguir em frente na maior competição de clubes do mundo está mais aceso do que nunca. Pitaco: dá Porto.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Equipe E Jogada Da Semana

O Sport Club Corinthians Paulista vivenciou nos últimos dias o que foi provavelmente a semana mais especial na história centenária da instituição. Desde a chegada ao Japão (onde milhares de corinthianos desembarcaram para representar milhões de torcedores do clube) até o momento em que o troféu do Mundial foi erguido, passando pelas vitórias sobre Al Ahly e Chelsea. Uma semana mágica. Para ficar eternamente dentro de muitos corações.

Jogada da semana

Napoli e Bologna jogavam no estádio San Paolo, pelo encerramento na 17ª rodada no Campeonato Italiano 2012-3. E veja só o que fez Kone, aos quarenta minutos do segundo tempo...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Com "Hat-Trick" De Cazorla, Arsenal Dá Show De Bola

O estádio Madejski, em Reading, a sessenta e cinco quilômetros de Londres, foi ao mesmo tempo campo de jogo e palco de show. Pois o Arsenal fez algo mais do que jogar futebol: deu um verdadeiro espetáculo para o público de 24125 espectadores.

Só no primeiro tempo foram três gols e um total de onze chutes com o endereço certo. Lukas Podolski abriu o placar e Santi Cazorla marcou duas vezes, com Kieron Gibbs dando uma assistência para cada um e os autores dos gols retribuindo entre si os passes para gol. Parecia um carrossel, onde a movimentação era incessante e a troca de passes, precisa. Jack Wilshere foi muito mais um meia-de-ligação do que um segundo volante, a todo momento participando das jogadas ofensivas, aumentando ainda mais o tormento de uma defesa que não conseguia lidar com tamanho poderio de um ataque que ainda contava com Theo Walcott e Alex Oxlade-Chamberlain. E a goleada pré-intervalo só não foi mais dilatada porque o goleiro australiano Adam Jay Federici realizou defesas improváveis. Para se ter uma idéia da intensidade, a posse de bola foi 75% do tempo pertencente ao Arsenal. E, repetindo o dito na primeira frase desse parágrafo: onze chutes com o endereço certo.

Veio o segundo tempo e a superioridade dos visitantes continuava grande diante de um freguês histórico - em dez jogos entre os clubes, dez vitórias londrinas (a última delas nessa temporada, num incrível 7a5 em jogo de cento e vinte minutos pela Copa da Liga Inglesa). O quarto gol saiu aos catorze minutos, selando o hat-trick de Cazorla, em nova assistência de Podolski.

Brian McDermott reagiu ao implacável 4a0 fazendo uma dupla alteração. E não foi na defesa - que levava um baile -, mas no ataque, que raramente participava do jogo. As saídas de Pavel Pogrebnyak e Noel Hunt para as entradas de Adam Le Fondre e Hal-Robson Kanu deram mais que um novo ânimo a um time totalmente envolvido pelo adversário: elas provocaram uma mudança de atitude tremenda, que ajudou a levar o time da casa a dois gols em intervalo de cinco minutos (Le Fondre e Jimmy Kébé marcaram, tirando proveito de dois erros de linha de impedimento da defesa do Arsenal).

Mas os visitantes, que tiveram uma semana turbulenta após a eliminação para o Bradford na Copa da Liga Inglesa (o adversário joga a 4ª divisão no país), não permitiram que a reação do lanterna virasse um novo pesadelo: com passe de Cazorla, Walcott fechou a conta nesse jogo de sete gols. Aos amantes do futebol arte, a noite pede aplausos para Arsène Wenger.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Napoli Não Faz "Dever De Casa" E É Surpreendido Pelo Bologna

O encerramento da 17ª rodada no Campeonato Italiano teve um resultado surpreendente. Jogando pera retomar a vice-liderança na Série A, o Napoli, invicto dentro de casa e com a insuperável campanha de 20 pontos ganhos em 24 disputados em seus domínios, recebeu o Bologna no estádio San Paolo. Bologna esse que havia vencido somente uma vez fora de casa. E eis que a equipe visitante saiu de Nápoles com uma vitória por 3a2, fazendo os comandados de Stefano Pioli saltarem para 18 pontos, na 13ª colocação, se distanciando da zona de descenso. Resultado que faz os napolitanos permanecerem na terceira posição na tabela de classificação, estacionados nos 33 pontos.

O jogo

Como era de se esperar, o Napoli tomou a iniciativa na partida, embora sem necessariamente estabelecer grande pressão na defesa oponente. Organizado, o Bologna mostrava qualidades na saída para o ataque e acabou chegando ao primeiro gol através de Gabbiadini, completando cruzamento de Cherubin por trás da defesa napolitana. Foi a primeira vez nessa edição de Série A que o Napoli viu seu adversário abrir o placar diante de si no San Paolo. Foi também a primeira vez que o Bologna saía na frente jogando como visitante.

Tentando chegar ao empate, os napolitanos esbarraram numa grande atuação de Agliardi, que realizava defesa difícil atrás de defesa difícil para manter a meta inviolável. Destaque para as intervenções em cobrança de falta de Cavani e em remate de Hamsik. Se Agliardi garantia lá atrás, o Bologna também mostrava competência lá na frente, marcando o segundo gol em cabeceio de Gilardino - mas a arbitragem cometeu o equívoco de acusar impedimento onde não havia, anulando o tento.

O placar de 0a1 persistiu até o apito de intervalo, e Walter Mazzarri voltou para o segundo tempo com uma alteração de ordem tática: menos um zagueiro (saiu Britos), mais um homem de meio-campo (entrou Pandev). E o Napoli logo mostrou melhorias, ganhando uma nova dinâmica ofensiva. O empate saiu aos quatro minutos, com Gamberini completando cruzamento de Insigne que Agliardi defendeu apenas parcialmente. Contundido, Gamberini precisou deixar o campo dezoito minutos mais tarde. Em seu lugar entrou outro defensor: Campagnaro.

Aos vinte e quatro (dois minutos após a "substituição forçada"), o Napoli chegou à virada: depois de tantas vezes parar na muralha Agliardi, Cavani tirou proveito de ótimo lançamento de Insigne para, com cabeceio certeiro, mandar pra rede. 12º gol do atacante uruguaio na competição. Melhor no jogo e com a vantagem no placar, o Napoli poderia muito bem partir para o ataque para tentar liquidar a fatura. Mas Walter Mazzarri parece pensar diferente, mantendo uma fidelidade comprometedora a uma filosofia defensivista. Dois minutos depois do gol, trocou Insigne (aparentando contusão) por mais um volante (o suíço Dzemaili, formando uma trinca de compatriotas à frente da última linha de defesa). Se Insigne, autor das duas assistências no jogo, tinha que sair, por que não colocar Eduardo Vargas? Perguntas que talvez jamais sejam respondidas...

Fato é que os deuses do futebol puniram essa postura retranqueira por parte do treinador napolitano. E puniram com uma elegância deslumbrante. Aos quarenta minutos do segundo tempo, Kone - que entrara nove minutos antes - acertou um voleio maravilhoso, no ângulo esquerdo, aproveitando cruzamento de Garics (outro que entrara na segunda etapa). E o "castigo" não parou por aí: aos quarenta e três minutos (o relógio marcava 88 redondos), a cobrança de falta de Diamanti encontrou Portanova, que fez a bola encontrar a rede. Por falar em "punição" e "castigo", Portanova estava fazendo sua estréia na temporada, pois cumprira pena de seis meses por envolvimento no recente escândalo de combinação de resultados em apostas esportivas. Voltou e ajudou a dar a segunda vitória do Bologna como visitante na Série A, a primeira derrota do Napoli no San Paolo. Aliás, esse foi o único jogo na rodada em que o visitante saiu vencedor. Só pode ser desígnio dos deuses. Resta saber se Mazzarri aprenderá a lição...