quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sem Vida Fácil: Chile Vence Equador Em Partida Dura Como Paredes

Imagem extraída de Taringa.net.
Começou bem a Copa América 2015. Teve hino nacional cantado a plenos pulmões pela torcida chilena, repetindo o espetáculo proporcionado ano passado na Copa do Mundo no Brasil. Teve ótima atuação de Alexis Sánchez, jogador mais acionado e inspirado dentro de campo. Teve muito frio na capital Santiago. E teve, também convém dizer, um Equador com atuação surpreendentemente positiva.

No final, o placar de 2a0 reflete apenas parcialmente o que foi a partida. Sim, o Chile até mereceu marcar gols nesse jogo, apesar de não render tudo aquilo que se espera dessa seleção. Só que não, o Equador não merecia sair zerado no placar - a bola de Enner Valencia no travessão, se alguns centímetros mais baixa, daria números mais reais à partida.

Fato é que o Chile tem muito mais a agradecer do que a comemorar nesses três pontos conquistados. Se por um lado começou o jogo em ritmo alucinante, criando duas chances claras com três minutos, por outro só foi capaz de mexer no placar graças a vacilos equatorianos. Bolaños cometeu pênalti tolo em Arturo Vidal, que cobrou e converteu. Ibarra presenteou Sánchez em recuo de bola mal feito, e o atacante do Arsenal serviu Vargas para o segundo gol anfitrião. De gols, nada mais.

O Chile até mostrou coisas boas nessa estréia - e a que mais me agradou foi o ímpeto ofensivo, apresentando não raramente meia dúzia de jogadores nas proximidades da área adversária. Porém, há muito o que acertar na defesa e na distribuição de jogadores pelo meio-campo. Fernández, que entrou no segundo tempo, foi o destaque negativo no jogo: levou cartão amarelo por simulação dentro da área e ainda foi expulso após falta dura que colocou Paredes no chão, nos acréscimos. Já o Equador, que chegou na Copa América com alguns desfalques e até com rótulo de azarão, mostrou força. Força em Paredes. Em Ayovi. E o principal: na postura em geral. Houve momentos em que conseguiu neutralizar o oponente e se sobressair no gramado. Mas pagou pelos erros com uma moeda cara: dois gols e a derrota na partida inaugural. Porém, tem totais condições de, diante de Bolívia e México, buscar os resultados que lhe colocariam na fase quartas-de-final.

Torcida chilena, uma mensagem: nem só de hino e gols vive o jogo de futebol. Façam festa também com bola rolando. É belo e vocês, quando querem, têm o dom de (en)cantar.

domingo, 7 de junho de 2015

Menos FIFA, Mais Arsenal E Barcelona

As coisas acontecem muito rapidamente no futebol. Ficar algumas semanas sem atualizar esse espaço sentencia um atraso secular com relação ao fluxo de acontecimentos. Pude assistir o Arsenal dar um baile no Aston Villa para vencer a Copa da Inglaterra com sobras até maiores do que poderia sugerir o placar de 4a0. Pela enésima vez, fica registrado o quanto este blogueiro admira o técnico Arsène Wenger. Na semana seguinte, estourou o escândalo de acusação de corrupção envolvendo o alto escalão da FIFA. Joseph Blatter, pela primeira vez na história, se viu na obrigação de enfrentar um segundo turno nas eleições presidenciais da entidade. Seu adversário, porém, desistiu, promovendo a reeleição do franco-suíço. Só que o maior oponente de Blatter parece ser ele próprio: dias após a nomeação para mais um mandato, entregou o cargo em meio à turbulência. E eis que, no último sábado, o futebol voltou a ser protagonista nos noticiários. O futebol com o selo barcelonista de qualidade: com uma vitória por 3a1 sobre a Juventus e uma apresentação envolvente, os comandados de Luís Enrique Martínez fecharam a Tríplice Coroa conquistando a Liga dos Campeões Europeus.

Arsenal brilhante, Blatter renunciado, Barcelona coroado. Tanta coisa acontecendo em tão pouco tempo. Sinto que esse esporte tão apaixonante sai fortalecido com os três fatos supracitados. A preocupação com o futuro da FIFA, torço, deve ser menor que a preocupação com o futuro do futebol. A FIFA deve estar a serviço dele, e não o contrário. Por falar nisso, viva Wenger e viva Luís Enrique, pelos ótimos serviços prestados. E dá-lhe Lionel Messi! Independentemente de qualquer eleição da FIFA, continua sendo o que já era há muito tempo: o melhor jogador do mundo. Sempre um prazer vê-lo atuar.

sábado, 25 de abril de 2015

Barça Vence Clássico Catalão No Ritmo Do MSN

Partidas de ligas nacionais que envolvem clubes rivais costumam ser diferentes dos "jogos comuns". Espanyol e Barcelona, dois catalães no Campeonato Espanhol, se encontraram para confirmar a regra. Quer dizer, pelo menos até certo ponto. De diferente do habitual, talvez tenham sido as duas expulsões por reclamações vistas no segundo tempo: primeiro Jordi Alba, que reclamava marcação de cobrança de escanteio e por último Héctor Moreno, após cometer falta a quase 100 metros de distância do próprio gol.

Só que, àquela altura, a parada já estava mais do que encaminhada. É que o Barcelona resolveu jogar bola desde o apito inicial. Contando com um Suárez muito participativo e voluntarioso, a equipe comandada por Luís Enrique Martínez abriu o placar com Neymar e ampliou com Messi, com duas assistências do uruguaio. O placar ao intervalo só não foi de uma goleada porque o goleiro Kiko Casilla interveio para manter alguma dignidade aos donos da casa em Cornella de Llobregat.

No segundo tempo, houve menos futebol e mais reclamações. Mesmo assim, tanto Espanyol quanto principalmente o Barcelona tiveram oportunidades de chegar às redes. Persistiu o 2a0 e a certeza de que, independentemente do que aconteça, o Barça de Luís Enrique joga uma bola suficiente para correr atrás da Tríplice Coroa nessa temporada. Que se cuidem o Bayern de Munique na Liga dos Campeões, o Real Madrid na Liga Espanhola e o Athletic de Bilbao na Copa do Rei.

O trio MSN (Messi-Neymar-Suárez) vai muito bem, obrigado. Comunicação total, instantânea e eficaz. ICQ (leia-se "isso é que") é um ataque de respeito...

P.S.: hoje completa-se um ano do desencarne de Tito Vilanova, ex-técnico do Barcelona e seguidor do estilo de jogo implementado por Josep Guardiola. É possível que a atuação inspirada do Barça como um todo e do trio ofensivo em particular tenha uma explicação.

P.S. 2: entre dribles, arrancadas, tabelas e gols, o momento mais bonito do jogo veio das arquibancadas quando, aos 21 minutos, ressoaram os sons dos aplausos da torcida para homenagear Dani Jarque, ex-jogador do Espanyol, falecido em 2009. Ele vestia a 21.
Foto: Alberto Estévez / EFE.
Um ano após o adeus de Tito, Neymar aponta em sua direção.

terça-feira, 21 de abril de 2015

É Lindo De Se Ver - Bayern Avança Dando Espetáculo

Foto: Getty Images.
Existem personalidades no futebol das quais jamais é recomendável duvidar de suas capacidades. Por mais que no jogo de ida sua equipe possa ter se apresentado de maneira abaixo do que se espera. Por mais que sua equipe entre em campo desfalcada de quatro jogadores considerados titulares. Por mais que sua equipe se veja na obrigação de vencer por 2a0 ou pelo menos três gols de diferença para avançar num torneio altamente competitivo. Por mais que se noticie a existência de uma crise interna no clube, culminando com a saída de um profissional da área médica que tinha décadas de vínculo com a instituição. Por mais ou por menos. Quando estamos falando de alguém da competência e do talento de Josep Guardiola, jamais é recomendável duvidar de suas capacidades.

A goleada do Bayern de Munique sobre o Porto nesse vinte e um de abril de dois mil e quinze - feriado de Tiradentes no Brasil - serve como mais um exemplo de aula de futebol proporcionado por um time comandado por Pep. O Porto, por mais inferior que possa ser se comparado ao Bayern, não tinha muito o que fazer a não ser assistir cada lição ensinada na Baviera. Entre tantas belas jogadas, gols construídos com posse de bola, infiltração, triangulação, troca de passes de primeira, entre tantas outras diversificações, foram ingredientes que valorizaram a vitória, valorizaram a classificação e, melhor que tudo isso, valorizam o esporte futebol.

Por isso, um registro, mais um registro, de agradecimento ao Guardiola por proporcionar momentos como esse ao amante do futebol arte. O placar em si (6a1) chega a ser o menos relevante. Se tivesse terminado 2a0, já estava tudo certo. O mais importante mesmo é sermos agraciados com um desempenho de tão alto nível agora e, se os deuses do futebol permitirem, nas próximas fases da Liga dos Campeões da Europa. As quartas-de-final na UCL nem terminaram mas já estou na expectativa da semi. Lembrando que, esse ano, a final será em Berlin, capital alemã.

Alguém duvida do Bayern?

domingo, 19 de abril de 2015

Festa Napolitana Na Sardenha

Foto: Getty.
Dando continuidade ao bom momento que atravessa na temporada 2014-5, o Napoli conquistou mais três pontos no Campeonato Italiano com uma goleada por 3a0 diante do Cagliari, na Sardenha. A equipe napolitana, que vinha de goleadas sobre Fiorentina (3a0, pela Série A, em Nápoles) e Wolfsburg (4a1, pelas quartas-de-final na Liga Europa, em pleno campo oponente), parece estar embalada para alcançar seus objetivos, seja lá quais forem tais objetivos. Fato é que os comandados de Rafa Benítez encontram-se muito próximos de uma semifinal continental e em condições factíveis de conseguir um lugar na próxima Liga dos Campeões da Europa.

Já o Cagliari, caminha a passos largos para a Série B italiana. Na penúltima posição na tabela de classificação e nove pontos abaixo do primeiro time sobrevivente ao rebaixamento, tudo leva a crer que dificilmente haja maneiras de escapar do descenso. A reação da torcida durante o jogo de hoje é reveladora: um grupo de torcedores que preenchia as arquibancadas atrás do gol cantou veementemente palavras de ordem durante praticamente toda a partida, numa maneira de mostrar sua indignação com o momento vivenciado pelo clube. O time até tentou encontrar soluções durante o confronto, mas sucumbiu diante de um adversário claramente superior. Mesmo quando teve vantagem numérica após a expulsão de Maggio, o Cagliari não foi capaz sequer de conseguir o "gol de honra".

O espanhol José Callejón teve atuação destacada: abriu o placar aos vinte e três minutos após receber assistência de Marek Hamsik e, menos de três minutos depois, aparecia na defesa para evitar o gol de empate dos donos da casa, travando a finalização de Paul-José M'Poku. Ainda teve participação no lance do segundo gol, pois era para ele o cruzamento de Hamsik que terminou em gol contra de Antonio Balzano, nos acréscimo pré-intervalo. No segundo tempo, Benítez tratou de poupar Hamsik - Gabbiadini, que entrou em seu lugar, marcou um golaço para fechar o placar, aos treze.

O Cagliari, embora tenha uma proposta de jogo interessante, carece de consistência na defesa. Suas investidas ao ataque conseguem incluir constantemente pelo menos quatro jogadores penetrando na defesa do Napoli, mas o meio-campo se mostra demasiadamente vulnerável aos contra-ataques de um adversário com vocação para esse tipo de resposta. Ou seja, foi um jogo do jeito que o Napoli gosta. Para desespero do Cagliari e, principalmente, de seus torcedores, que amargaram a quarta derrota consecutiva na competição e sem visualizar qualquer sinal de luz naquilo que parece um túnel cujo único caminho leva para a segunda divisão.

sábado, 18 de abril de 2015

Reading Prorroga Próprio Sofrimento E Arsenal Avança Na Copa Da Inglaterra

Imagem extraída de SportingLife.
Se tem um torcedor de futebol que está calejado por tantas infelizes sincronias ocorrendo em partidas de caráter decisivo, este é o torcedor do Arsenal FC. Mas dessa vez, não houve azar que pudesse conter o atual campeão na Copa FA: após empate por 1a1 no tempo regulamentar, a equipe comandada por Arsène Wenger conseguiu a classificação para a final com um gol na prorrogação. Detalhe: numa falha impressionante do goleiro adversário.

Falha por falha, o próprio Szczesny também não primou pela eficiência no lance em que o Reading alcançou o empate. Mas a verdade é que Federici, que vinha sendo um dos destaques no jogo, conseguiu manchar com tinta permanente a sua atuação no estádio de Wembley. São coisas que acontecem no futebol e que goleiro nenhum está imune de protagonizar. Por "infedericidade" do australiano, aconteceu com ele, e o chute rasteiro de Sánchez passou por baixo de suas pernas e braços, em plena prorrogação.

Agora surge a pergunta: o Arsenal mereceu a vitória? Resposta categórica: completamente. Foi superior no primeiro tempo e também em toda a prorrogação, embora sem necessariamente dominar o adversário. No segundo tempo regulamentar, quando atuou de maneira menos organizada que o habitual, foi castigado pelo gol de empate. Mas seria um castigo muito grande se não conseguisse a classificação na busca pelo bicampeonato consecutivo no torneio mais antigo na Inglaterra. Federici evitou pelo menos dois gols, Giroud ainda acertou a trave no final, enfim... Seria azar arsenalístico demais acontecer alguma coisa diferente de uma vitória. Como o Arsenal é o Arsenal, quiseram os deuses do futebol que ocorresse na prorrogação.

Agora surge outra pergunta: o Arsenal conseguirá o título? Resposta categórica: não sou vidente. Primeiramente, aguardemos o encontro entre Aston Villa e Liverpool. O Arsenal será/seria favorito caso o primeiro avance/avançasse. Se o segundo seguir, é partida sem favoritismo e digo a razão: o aspecto emocional. E não pense que digo isso por causa de supostas assombrações que eventualmente acompanham o clube londrino. Não. É fundamentalmente porque a Copa da Inglaterra é a última chance de o capitão Steven Gerrard levantar um troféu com o Liverpool, já que o jogador anunciou sua saída do clube ao término da presente temporada. Bola por bola, o Arsenal tem mais que o Liverpool, com ou sem Gerrard. Mas vamos devagar... Há ainda o Aston Villa no meio do caminho.

No mais, parabéns ao Reading por sua segunda semifinal de Copa FA (a outra foi em 1927) e também pela entrega para tentar medir forças diante de um oponente explicitamente superior tecnicamente. Não fosse a fatídica falha, talvez pudesse ver a sorte lhe sorrir nas penalidades. Porém, não fosse o mesmo indivíduo que cometeu o erro, não teria sequer conseguido chegar à prorrogação. Suas defesas abrilhantaram o confronto.

Borussia, Bayern E Bundesliga - Como Não Se Deliciar?

Fazia tempo que não assistia jogos no Campeonato Alemão, mas a liberação de sinal dos canais ESPN me possibilitou degustar um pouco da liga nacional com maior média de público no planeta Terra: a Bundesliga, que leva mais de 43000 espectadores ao estádio por partida.

Enquanto o Borussia Dortmund recebia o Paderborn no sempre lotado Signal-Iduna-Park, o Bayern de Munique visitava o Hoffenheim na Wirsol Rhein-Neckar-Arena. 80667 presentes em Dortmund, 30150 em Sinsheim e uma média, nesses dois jogos, de mais 55000 presentes. Presentes para o jogo, para a transmissão, para o entretenimento. O talento e a qualidade técnica do Borussia de Jürgen Klopp e do Bayern de Josep Guardiola, outros presentes.

Na alternância entre canais, pude ver o Bayern tocar a bola quase como aquele Barcelona do mesmo Pep Guardiola (enquanto digito isso, o Nice empata com o Paris Saint-Germain). Rode abriu o placar em lance de fazer lembrar Robben: se o experiente careca camisa 10 holandês, exímio na relação de sua perna esquerda com a bola, estava ausente do jogo, o jovem e também careca, porém alemão e camisa 20, trazia para a perna direita e mandava a bola na gaveta.

Foto: Getty.
O Hoffenheim até poderia empatar, mas a arbitragem chefiada por Tobias Stieler ignorou pênalti de Rode em Polanski. Se o torcedor do Hoffenheim se preocupava com o árbitro, o do Bayern ficava tenso quando Dante tocava na bola. E também quando não tocava, como quando deixou ela passar e permitiu finalização de Modeste frente a frente com o goleiro. Só que com o goleiro Neuer, né? E o excepcional arqueiro salvou a equipe e o Dante.

Se o Bayern foi ao intervalo com o 1a0 a seu favor, o Borussia não conseguiu mexer no placar diante de seus torcedores. Mas conseguiu deslanchar no segundo tempo. Após cruzamento de Aubameyang, Mkhitaryan abriu o placar com cabeceio certeiro. Sete minutos depois, aos nove, o próprio Aubameyang ampliou. Aos trinta e cinco, com o jogo dominado, Kagawa recebeu de Mkhitaryan, aproveitou descuido da defesa e apenas tirou do goleiro Kruse para marcar o terceiro.


Imagem extraída da página Borussia Dortmund, na rede social Facebook.
Mkhitaryan, Aubameyang e Kagawa comemoram seus gols na goleada do Borussia Dortmund sobre o Paderborn: já vai batendo uma saudade do Klopp, que afirmou estar de saída da equipe.

Já o Bayern, se sustentava com o 1a0. Placar que não deixava a vitória segura. Até que, nos acréscimos, Müller carregou a bola pela direita, cruzou rasteiro e contou com a colaboração do capitão adversário - Beck empurrou para a rede uma bola que não seria alcançada por ninguém do Bayern na grande área. 2a0. É esse o placar que o Bayern vai procurar diante do Porto na Allianz Arena, pela Liga dos Campeões, na próxima semana. E eu vou procurar continuar aproveitando partidas que forem transmitidas pela Bundesliga.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Vitória De Orgulharsenal

Foto: Reuters.
Na prévia da partida, estatísticas que sentenciavam o favoritismo do Manchester City. Afinal, o jogo com o Arsenal (perdão, podemos chamar de clássico) reunia um time invicto há doze partidas (com direito a nove vitórias no período) e outro que tem o pior aproveitamentos nos chamados "jogos grandes".

Durante a partida, um confronto de gigantes. Se o desfalque de Yaya Touré pesava para os donos da casa (a equipe empatou nas três vezes em que o marfinense não atuou nessa temporada), há que se considerar o impacto positivo pelo retorno de Sergio Agüero, jogador com melhor relação gol/minuto na história da competição (o argentino só precisa de 108 minutos, de média, para deixar sua marca). Do lado visitante, novamente muitas lesões impediram a "formação ideal". Mas todos que entraram, deram conta. O jovem Coquelin, na incumbência de acompanhar feras como David Silva e Jesús Navas, saiu-se fenomenal. Atuação daquelas pra contagiar o grupo.

Mas, se é pra destacar atuações individualmente, vamos falar dos espanhóis do Arsenal. Primeiramente, o jovem Bellerín, que aos dezenove anos esbanjou maturidade numa partida de alta responsabilidade. Sua jovialidade residia na disposição e na fisionomia de garoto. De resto, foi um veterano. No flanco oposto, Monreal. Um monstro. Permitam-me o trocadilho: Monstreal. Obrigado. Qualquer adjetivo menor, seria subestimar o nível de atuação de alguém que ganhou praticamente todas as divididas que disputou. E que ainda sofreu o pênalti que originou o primeiro gol. Então, vamos falar do terceiro espanhol do Arsenal: Santi Cazorla. Abriu o placar cobrando a penalidade no canto esquerdo. Detalhe: nos outros cinco pênaltis que cobrou, converteu quatro (três no canto direito e um no centro) e perdeu o único que direcionou para a esquerda. Encarou as estatísticas e superou Hart. Mas o pênalti convertido foi mero detalhe perto da atuação sensacional do camisa dezenove. Dribles desconcertantes. Arrancadas alucinantes. Passes precisos. Desarmes incisivos. Um gigante. Gigante Cazorla.

Foi necessário tudo isso e algo mais para superar o qualificado time do City. Por exemplo, a boa atuação de Aaron Ramsey, tanto ofensiva quanto defensivamente. A eficiência de Giroud, que deixou sua marca e incomodou bastante com sua presença de área. A zaga com Koscielny e Mertesacker beirou o impecável. Sánchez, que costuma ser o destaque individual da equipe de Wenger, saiu-se bem como coadjuvante. Chamberlain também contribuiu, acelerando as jogadas pelas beiradas. Rosicky, que entrou no segundo tempo e trouxe consigo o gol de Giroud, distribuiu passes e lançamentos dignos de um futebol que se jogava décadas atrás e que deixa saudades até para quem não assistiu. Que elegância! Que capricho! Que visão de jogo do tcheco! Mais pro final, Gibbs e Flamini aumentaram a solidez do que já era sólido e garantiram os três pontos.

Se o Manchester City deve se desesperar com a derrota e a distância de cinco pontos para o Chelsea? Diria que não, em hipótese alguma. E digo isso tanto pela qualidade da equipe comandada por Pellegrini quanto pelo fato de, na próxima rodada, haver um confronto direto diante do líder.

Se é para o Arsenal traçar sonhos maiores na temporada? Matematicamente, diria que o título no Campeonato Inglês é uma realidade distante. Mas se essa atuação na cidade de Manchester virar um marco para daqui em diante, não se pode descartar nada com relação a esse time. Nada.

Bendito seja o futebol, que nos possibilita partidas como essa.

Je Suis Rico Com Futebol Pobre

Sabe quando você vê um jogo entre um clube multi-milionário (talvez não o clube, mas seu proprietário) e outro de orçamento modesto, e aí se pergunta: onde está, no desempenho dentro de campo, toda essa diferença de poder econômico?

Pois bem, esse é o retrato de Paris Saint-Germain e Evian Thonon Gaillard, no Parque dos Príncipes. O time de Lucas, Pastore e Ibrahimovic, que se dá ao luxo de colocar os indisciplinados Lavezzi e Cavani no banco de reservas (ambos atrasaram na reapresentação e foram punidos pelo treinador Laurent Blanc com três jogos de afastamento, retornando no segundo tempo aos jogos oficiais) não conseguia envolver um adversário que contava com Barbosa, Benezet e N'Sikulu. Sejamos francos: você conhece algum desses três nomes? Provavelmente, ouviu falar de Barbosa, goleiro da seleção brasileira na Copa de 1950. Mas e de Cédric Barbosa, camisa 14 do Evian? Pois vai ouvir falar agora: foi dele, aos 14 minutos, o gol que abriu o placar na capital francesa.

Precisando da vitória, ambos os times estavam. O Evian para tentar sair da zona de rebaixamento. O PSG, para diminuir a diferença para o topo da tabela. Para se reafirmar. Para justificar o investimento. E os donos da casa iam para o ataque. Às vezes com tanta sede que se expunha aos contra-ataques oponentes, quase sempre perigosos. Acredite: o Evian TG sabia rodar a bola com mais inteligência que o Paris SG. Era veloz e objetivo. Causava dificuldades. Mas, na defesa, não tinha muitos recursos para aguentar o monte de craques que vestiam azul. Aliás, tinha um grande recurso: o goleiro Leroy, que teve atuação sensacional. Suas intervenções em chutes de David Luiz, Ibrahimovic e Lucas foram algo extraordinário. Leroy já era o herói com menos de meia hora de jogo. Mas a bola parada castigou o Evian e seu ótimo arqueiro: Thiago Motta cobrou escanteio pela direita e David Luiz, que acabara de cumprimentar Leroy pela defesa em chute de Lucas (defesa que gerou esse escanteio), cabeceou firme uma bola indefensável. E olha que Leroy quase conseguiu espalmar para além do travessão. Um a um no placar.

Se com bola rolando nada feito, foi novamente na bola parada que o PSG achou o caminho da rede. Dessa vez, foi de Verratti o gol da equipe mandante. Ida para o vestiário com maior tranqüilidade, pois o placar era favorável. Porém, se formos pensar na atuação, o time de Blanc tinha todos os motivos para se preocupar. E não deu outra: aos dezessete, após cruzamento, Van der Wiel mandou contra o próprio patrimônio e marcou um irônico belo gol de cabeça. Consciente, diria, para incrementar a ironia. Consciente que, a partir dali, jogar melhor que aquilo virou uma questão de dignidade para o PSG. Imagine no final-de-semana seguinte à vexatória derrota de virada por 4a2 para o Bastia, um tropeço diante do Evian em pleno Parc des Princes? Com todo respeito ao Evian, é claro. Mas é aquela conversa do início do texto: "Sabe quando você vê um jogo entre um clube multi-milionário (talvez não o clube, mas seu proprietário) e outro de orçamento modesto, e aí se pergunta: onde está, no desempenho dentro de campo, toda essa diferença de poder econômico?"

Blanc resolveu mexer. E optou por colocar Cavani no lugar de Matuidi. Dessa forma, Verratti e Motta protegiam a defesa enquanto Ibrahimovic ganhava um companheiro de área. Matuidi era mais participativo que Pastore, mas o prêmio para o treinador por manter o meia argentino veio cinco minutos após a alteração: aos vinte e oito, Lucas fez o passe a Pastore mandou para a rede. Comemorou homenageando o filho, colocando a bola sob a camisa e simulando a gravidez. Talvez anunciando que estava para nascer uma boa atuação do PSG naquele jogo. Aos quarenta e três, já sem Lucas (que saiu de campo ovacionado pela torcida) e Pastore (entraram Lavezzi e Rabiot), brilhou a estrela de Cavani, que simplesmente empurrou a bola para a rede após boa jogada de Ibrahimovic.

Agora, o "poderoso" PSG vai torcer. Com 41 pontos e a quatro do líder Lyon, o clube mais rico da França torcerá pelo Rennes diante do Saint Éttiene e, mais tarde, para o Guingamp diante do Olympique de Marseille. É que Saint Éttiene e Olyimpique aparecem com 39 e 41 pontos, respectivamente. Mas, mais importante que essa "torcida contra", é torcer a favor. Torcer a favor do futebol. E isso quer dizer o seguinte: começar a jogar de maneira condizente ao nível técnico do elenco montado para essa temporada. Coisa que, pelo visto diante do Evian, parece estar longe de nascer.
Imagem extraída de Goal.com.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Real Mundial E Auckland Histórico

Sábado parei pra assistir os dois jogos derradeiros do Mundial de Clubes 2014: a disputa de terceiro lugar entre Auckland City e Cruz Azul, e a disputa de título entre Real Madrid e San Lorenzo.

Foram dois jogos interessantes. E vamos por partes. Primeiramente, tanto o 1a1 no primeiro jogo (vitória neo-zelandesa nos pênaltis) quanto o 2a0 no segundo foram justos. Uma justiça de precisão quase matemática. Explico daqui a pouco. Em segundo lugar, foi interessante observar o quanto o futebol está aberto a mudanças. Como tudo na vida, aliás. Aquelas imagens pré-concebidas de azarões e favoritos são negligenciadas quando soa o apito e tem início a prática esportiva - o que acho ótimo. Muitos poderiam imaginar que o Cruz Azul, por ser uma equipe do México enfrentando alguém da Oceania, venceria o jogo sem maiores transtornos. Enganaram-se. Muitos poderiam imaginar que o Real Madrid, com todo o seu poder financeiro, passaria fácil pelo modesto San Lorenzo. Enganaram-se. Quer dizer, em parte até que foi relativamente fácil. Explico daqui a pouco.

Retornando à "justiça de precisão quase matemática", o jogo entre Auckland e Cruz Azul teve um tempo de cada time. Surpreendentemente, a equipe da Nova Zelândia foi amplamente superior na primeira parte regulamentar e abriu o placar pouco antes do intervalo, em lance com direito a lançamento espetacular de Tade e conclusão consciente de De Vries. De dar gosto. Só que no segundo tempo o cenário mudou. Ambas as equipes mudaram de atitude e o que se viu foi um Cruz Azul sufocando o adversário. Veio o empate em gol de Rojas e só não pintou a virada por causa da grandiosa atuação do goleiro Spoonley.

Precisariam das penalidades para desempatarem definitivamente a disputa de terceiro lugar. E se as primeiras cobranças foram convertidas, coube a Irving desperdiçar a sua. Logo Irving, que fez ótima partida até então. Seria injusto com o defensor, que inclusive evitou gol oponente com bola rolando, que caísse sobre as suas costas o peso da derrota nos pênaltis. Não caberia a expressão "justiça de precisão quase matemática" nessas circunstâncias. Então, Fórmica perdeu sua cobrança logo na seqüência, igualando o número de desperdícios. Duas séries depois, foi a vez de Valadéz não aproveitar. E caiu nos pés do nigeriano Issa a cobrança histórica: bola na rede e, pela primeira vez em todos os tempos, uma equipe da Oceania faturava o terceiro lugar na Copa do Mundo de Clubes. Uma festa para lá de Marrakech.
Imagem extraída de Enlasgardas.
Auckland City celebra o feito histórico: com vitória nos pênaltis, clube neo-zelandês sagrou-se terceiro colocado no Mundial de Clubes 2014.

Se a disputa de terceiro lugar teve um tempo de cada time, a final do torneio teve dois tempos de uma equipe só: o Real Madrid. Por uma questão de "justiça de precisão quase matemática", o clube espanhol marcou um gol em cada parte e faturou o caneco. Só que, por maior que tenha sido a superioridade da equipe branca, é fato que houve dificuldades na construção do resultado. Os gols do jogo sentenciam isso. O placar foi inaugurado em lance de bola parada: após escanteio cobrado por Kroos, Ramos cabeceou para a rede. Pós-intervalo, Bale recebeu de Isco e chutou bola defensável, que passou por baixo de Torrico.

Mas seria simplista dizer que o Real conquistou o troféu intercontinental por causa de um lance de bola parada e de uma falha do goleiro. É claro que, não fossem esses gols, a equipe poderia se complicar e o San Lorenzo, quem sabe?, crescer a ponto de construir a vitória. Mas o time comandado por Carlo Ancelotti mostrou-se hábil em diversas situações. Uma delas, a bola parada que abriu a contagem. Os contra-ataques, rápidos e produtivos, renderam outros bons momentos. E a posse de bola é explicitamente superior a dos tempos de seu antecessor, o português Mourinho. Por falar em lusitano, quem teve atuação abaixo do que se espera foi Cristiano. E, pra coroar sua performance em Marrakech, sequer cumprimentou Platini na premiação e ainda se recusou a dar entrevista. Quando se é mais estrela (no sentido opaco da palavra) do que profissional (no sentido humano do termo), acontece dessas coisas. De resto, parabéns para a sensacional torcida do San Lorenzo. Possivelmente, os adeptos argentinos foram os personagens mais marcantes nesse evento disputado no Marrocos. Ao lado do Auckland, claro, que conseguiu fazer história.
Foto: Christoph Ena / AP.
 Elenco do Real Madrid celebra o título mundial: equipe chegou à 22ª vitória consecutiva diante do San Lorenzo e está perto de recorde histórico.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Mundial De Clubes 2014: Momento De Definições

Imagem extraída da seguinte URL.

O Mundial de Clubes 2014 está rolando no Marrocos e, mesmo antes da final, já podemos declarar uma equipe como "vencedora" no torneio internacional: o Auckland City, da Nova Zelândia.

O time neozelandês conseguiu eliminar o argelino ES Setif com uma vitória por 1a0 (gol de Irving), protagonizando a primeira classificação para a semifinal de um representante da Oceania na história da competição. Na semifinal, se alguém imaginou que o Auckland seria engolido pelo argentino San Lorenzo, se enganou. Se enganou redondamente. A vitória do time do papa Francisco (aniversariante do dia) foi na base do sufoco, talvez até com alguma intervenção miraculosa, em partida que, com direito à prorrogação, terminou 2a1 para o campeão da Libertadores. A equipe neozelandesa irá disputar o terceiro lugar de cabeça erguida. E se o mexicano Cruz Azul (que venceu o australiano Western Sidney por 3a1 antes de levar 4a0 do espanhol Real Madrid) achar que terá moleza, talvez também sucumba diante do surpreendente Auckland.

Final entre San Lorenzo e Real Madrid

Para a disputa pelo título, o favorito é o Real Madrid. Atravessa um grande momento, estando próximo de igualar o recorde mundial de 24 vitórias consecutivas do Coritiba, além de contar com um elenco tecnicamente forte e taticamente consistente. Reitero aqui os elogios a mais um grande trabalho realizado pelo treinador italiano Carlo Ancelotti.

O San Lorenzo tem totais condições de criar dificuldades aos merengues, e para isso contam com um time determinado (os jogadores jamais entregam os pontos, vide a própria campanha na Libertadores, quando chegaram a ser lanternas no grupo que tinha Botafogo, Unión Española e Independiente Del Valle), com atletas de boa qualidade técnica (Más, Buffarini, Villalba e Matos são alguns exemplos), com uma torcida entusiasmada (simplesmente contagiante a participação dos adeptos em Marrakech, pela semifinal) e... tchan, tchan, tchan, tchan... com o papa Francisco. Pensando bem, será que o Real é realmente favorito?

Separe o sábado com carinho: às 14e30 tem Auckland City e Cruz Azul; e às 17e30 rola a bola para San Lorenzo e Real Madrid.

Ah! A disputa de quinto lugar rolou ontem: após empate por 2a2 que persistiu até a prorrogação, o ES Setif superou o Western Sidney nos pênaltis, por 5a4, após oito cobranças de cada lado.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Campeonato Brasileiro 2014: E O Cruzeiro Sobrou...

Encerrada mais uma edição de Campeonato Brasileiro. Olhando a tabela de classificação, encontramos pelo menos duas informações que chamam atenção. A primeira: como sobrou o líder e campeão Cruzeiro. Equipe que mais venceu (24 vezes em 38 rodadas), que menos perdeu (apenas meia dúzia de derrotas) e que ficou dez pontos acima do vice-líder e vice-campeão São Paulo. A pontuação cruzeirense foi o dobro da palmeirense, que terminou em 16º lugar com 40 pontos. E é exatamente essa a segunda informação que chama atenção na tabela de classificação: a baixa pontuação do décimo sexto colocado. Matemáticos sentenciavam que para escapar do rebaixamento fossem necessários 45 pontos. Pobres matemáticos esses que acreditam que o futebol seja uma ciência exata! Esse esporte é tão imprevisível quanto a defesa do time de Dorival Júnior. E mesmo se o Palmeiras tivesse perdido na última rodada (empatou quando "precisava" vencer), Vitória e Bahia, com suas derrotas, já salvavam a pele do Porco.

Em 2014, Minas Gerais e Santa Catarina tiveram um ano especial. Cruzeiro campeão da Liga. Atlético campeão da Copa. América 5º colocado na Série B, ficando a um ponto do acesso. Acesso que coube ao catarinense Avaí, que em 2015 se junta ao Figueirense, à Chapecoense e ao Joinville, campeão da Segunda Divisão. É isso mesmo, amante do futebol: Santa Catarina é o estado com o segundo maior número de representantes na Série A do próximo ano, ficando atrás de São Paulo (os quatro "de sempre" mais a recém-promovida Ponte Preta, e na frente do Rio de Janeiro, que terá o retorno do Vasco, trocando de lugar com o recém-rebaixado Botafogo). Dessa vez, parece que o Fluminense não entrará com recurso.
Imagem: UOL.