Massimiliano Allegri assumiu o Milan nessa temporada após uma passagem pelo Cagliari (passagem essa que não posso dar pormenores, pois não assisti um único jogo da equipe quando comandada por Allegri). O saldo de sua temporada inaugural em Milão inclui um "scudetto", uma presença na fase semifinal na Copa da Itália e uma presença na fase oitavas-de-final na Liga dos Campeões da Europa.
Muricy Ramalho, atualmente no Santos, começou o ano de 2011 no Fluminense (onde foi campeão nacional em 2010) e abandonou a equipe alegando "problemas estruturais", que vieram à tona quando o Tricolor das Laranjeiras vinha mal das pernas tanto no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro quanto na Copa Libertadores da América.
Mais do que terem nomes iniciados pela mesma letra, Massimiliano e Muricy têm em comum um certo gosto (o qual não compartilho) por montar equipes de caráter defensivo, com enfoque na marcação em detrimento de jogadas mais elaboradas quando com a posse de bola. Foi com um futebol burocrático e feio para os olhos de quem vê que o Milan faturou o título italiano. Algo não muito diferente das conquistas de Muricy Ramalho, que nesse ano corre atrás de seu 5º título nacional e de uma inédita conquista continental (o Santos está na fase semifinal).
Muitos poderiam argumentar que, se as conquistas aparecem, então é sinal de que o trabalho está sendo bem feito. Creio que não seja esse o ponto para discussão, até porque não há muito o que discordar naquela premissa. A questão é: se há um material humano de qualidade em mãos, por que não fazer o time jogar de forma bonita e envolvente para buscar as vitórias e os conseqüentes títulos?


Estimados leitores, o convite que vos faço é claro e objetivo: não se iludam com resultados. Não é porque fulano é campeão disso ou daquilo que é necessariamente "bom técnico". Pode ser competente naquilo que se propõe a fazer, e isso é outro ponto. Mas o "bom técnico" costuma aparecer quando a equipe mais precisa, como por exemplo quando o time tem a opção de dilatar a vantagem no placar optando pela entrada de um jogador mais criativo, explorando os espaços que tendem a aparecer. Ou quando aquele jogo dentro de casa está empatado, o final se aproxima e o time tem o direito de realizar mais uma substituição.
Não serei insano de dizer que o Santos de Muricy e o Milan de Allegri não irão almejar títulos. De forma alguma, sobretudo analisando a força do plantel dessas equipes. Mas olhando exclusivamente para a mentalidade de seus treinadores, diria sem pestanejar que a melhor coisa para os elencos desses dois tradicionais clubes do futebol mundial seria procurar alguém que tivesse mais a ver com a rica história dessas instituições privilegiadas por um dia já terem contado com Pelé e van Basten, hoje contando com Neymar e Seedorf. Ou, de repente, seria melhor para Neymar e Seedorf procurar um lugar mais compatível com as suas aptidões técnicas e o pleno desenvolvimento de suas capacidades, independentemente de estarem iniciando ou finalizando a carreira. Creio que Santos e Milan sairiam perdendo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário