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terça-feira, 3 de julho de 2012

Considerações Finais E Seleção Da Eurocopa 2012

Muitos dizem que a Eurocopa é uma Copa do Mundo sem Argentina e Brasil - acrescentaria aí a ausência uruguaia, que atravessa momento especial como melhor seleção do continente tanto no Mundial-2010 quanto na Copa América-2011.

O fato é que a Euro trata-se de um torneio fortíssimo, onde a aparentemente simples tarefa de avançar da fase de grupos pode ter complicações - vide exemplos das fortes seleções da Rússia (que caiu num grupo teoricamente equilibrado) e da Holanda (integrante mais uma vez do dito "grupo da morte").

Poderíamos até ir além, pois para marcar presença na Euro faz-se preciso enfrentar adversários qualificados nas Eliminatórias. Em 2008, a Inglaterra sentiu isso. Em 2012, algumas seleções européias que estavam na África do Sul dois anos atrás não conseguiram vaga para o torneio na Polônia e na Ucrânia.

Dá para afirmar com todas as letras que Argentina, Brasil, Uruguai nem ninguém fez falta a esse torneio de alto nível. É claro que um Lionel Messi desfilando o seu talento é sempre bem-vindo a qualquer competição. E aposto que o genial argentino do Barcelona bateu palmas para o potente jogo coletivo espanhol.

Enfim, após assistir 26 dos 31 jogos disputados, digo que o saldo da Euro-2012 foi altamente positivo. A Espanha voltou a encantar através de um futebol de toque de bola preciso e marcação forte, impondo seu estilo de jogo pra cima de todos os adversários que cruzaram seu caminho. A Itália mostrou não se abalar com as crises extra-campo e teve como principal atuação a vista na fase quartas-de-final, diante de uma retraída Inglaterra (no geral, porém, achei a campanha italiana menos positiva do que muitos apontam, notadamente pelo caráter defensivista na formação de Cesare Prandelli). A Alemanha, como de hábito nesse belo trabalho de Joachim Löw, apresentou um jogo ofensivo e dinâmico, com destaque para a vitória sobre a Grécia na fase quartas-de-final, quando o técnico "apostou" em elementos de ataque que não vinham sendo usados na fase de grupos. Portugal, forte fisicamente e com marcação altamente competitiva, não apenas sobreviveu ao dificílimo grupo B como mostrou autoridade na vitória sobre os tchecos na fase quartas-de-final e conseguiu levar a partida diante da Espanha até a disputa por penalidades - a trinca de meio-campistas portugueses formada por Miguel Veloso, João Moutinho e Raul Meireles foi particularmente interessante.

Vamos à seleção da Eurocopa 2012, que utiliza como critério o número de boas atuações do jogador e a questão da regularidade (é preferível atuar bem duas vezes num universo de três jogos do que as mesmas duas vezes em seis jogos, por exemplo).

Seleção da Eurocopa 2012

Goleiro: Iker Casillas (Espanha)
Lateral-direito: Darijo Srna (Croácia)
Zagueiro: Sergio Ramos (Espanha)
Zagueiro: Giorgio Chiellini (Itália)
Lateral-esquerdo: Jordi Alba (Espanha)
Volante: Andrea Pirlo (Itália)
Volante: Sami Khedira (Alemanha)
Meia: Xavi Hernández (Espanha)
Meia: Andrés Iniesta (Espanha)
Atacante: Mario Mandzukic (Croácia)
Atacante: Fernando Torres (Espanha)
Técnico: Slaven Bilic (Croácia)

Suplentes

Goleiro: Gianluigi Buffon (Itália)
Lateral-direito: Álvaro Arbeloa (Espanha)
Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)
Zagueiro: Gerard Piqué (Espanha)
Lateral-esquerdo: Philipp Lahm (Alemanha)
Volante: Sergio Busquets (Espanha)
Volante: Raul Meireles (Portugal)
Meia: Luka Modric (Croácia)
Meia: Petr Jiracek (República Tcheca)
Atacante: Francesc Fàbregas (Espanha)
Atacante: Antonio Cassano (Itália)
Técnico: Vicente del Bosque (Espanha)

Destaque

Nenhum gol marcado nos seis jogos da campanha triunfal espanhola. Mas nem precisava: com sua visão de jogo diferenciada, sua precisão de passe notável, sua capacidade impressionante de infiltrar na defesa adversária e, talvez principalmente, o seu poder de ditar o ritmo da partida, Andrés Iniesta foi elemento essencial para o sucesso do jogo coletivo espanhol.

Esse brilhante meio-campista de vinte e oito anos, gigante com seus cento e setenta centímetros de estatura, colaborou estatisticamente com duas assistências para gol (uma para David Silva marcar 2a0 diante da Irlanda e uma para Jesús Navas empurrar para a rede no final de um jogo disputadíssimo com a Croácia). Só que não devemos limitar a análise do futebol de Iniesta por esses números frios: seu futebol é quente, de dar dor-de-cabeça em qualquer sistema defensivo que cruze seu caminho, e seu desempenho é um dos termômetros da seleção espanhola, que, se goza de boa saúde, tem muito a agradecer a Iniesta.
Andrés Iniesta em ação na Eurocopa-2012: jogador espanhol esbanja capacidade criativa e é elemento fundamental para fazer fluir o futebol de uma seleção encantadora, merecidamente campeã no torneio continental.

sábado, 30 de outubro de 2010

E A Bola De Ouro Vai Para...

Na terça-feira, dia 26, a FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado) divlugou a lista com os 23 nomes de candidatos ao prêmio Bola de Ouro, dado àquele que é considerado o melhor jogador do mundo na temporada. O prêmio foi criado pela revista francesa "France Football" e é conhecido mundialmente como "Futebolista Europeu do Ano".

Na lista constam somente jogadores que atuam no continente europeu, abrangendo nacionalidades européias, sul-americanas e africanas. Confira a relação.
7 espanhóis: Andrés Iniesta, Carles Puyol, David Villa, Francesc Fàbregas, Iker Casillas, Xabi Alonso e Xavi Hernández;
5 alemães: Bastian Schweinsteiger, Mesut Özil, Miroslav Klose (polonês de nascença), Philipp Lahm e Thomas Müller;
3 brasileiros: Daniel Alves, Júlio César e Maicon;
2 holandeses: Arjen Robben e Wesley Sneijder;
1 argentino: Lionel Messi;
1 camaronês: Samuel Eto'o;
1 ganense: Asamoah Gyan;
1 marfinense: Didier Drogba;
1 português: Cristiano Ronaldo;
1 uruguaio: Diego Forlán.
Favoritos

Considero que há cinco jogadores que merecem destaque na corrida pelo prêmio: os espanhóis Andrés Iniesta e Xavi Hernández, o holandês Wesley Sneijder, o argentino Lionel Messi e o uruguaio Diego Forlán.

Iniesta teve alguns problemas com lesões, inclusive durante a realização da Copa do Mundo 2010. Porém, quando prestou serviço ao Barcelona e à seleção espanhola, Iniesta foi de fundamental importância para o time e para a seleção. Foi o autor do último gol do Mundial, que deu a vitória por 1a0 da Espanha sobre a Holanda, no segundo tempo da prorrogação, garantindo um título inédito para o país.

Xavi é o ponto de equilíbrio no Barça de Guardiola e na Espanha de Del Bosque. Impressiona como o meio-campista consegue manter a regularidade ao longo de toda a temporada, exibindo um futebol de alto nível em todos os torneios que disputa. Badalação e produtividade são duas grandezas inversamente proporcionais quando estamos falando desse grande jogador.

Sneijder teve uma temporada praticamente perfeita. Foi o maestro interista na conquista da inédita Tríplice Coroa, conduzindo os "nerazzurri" aos três canecos possíveis na temporada 2009-10. Como se não bastasse, se destacou na bela campanha holandesa no Mundial: fez gols, deu assistências, foi combativo quando a Holanda não tinha a posse de bola. O quarto título do ano não veio, mas o camisa 10 foi figura marcante para a conquista do vice-campeonato.

Messi, mais uma vez, jogou muita bola. A Argentina acabou caindo nas quartas-de-final do Mundial e o jogador não marcou gol no torneio. Porém, quem acompanhou as partidas da seleção argentina certamente gostou do desempenho do atleta, que conduzia a equipe ao ataque esbanjando um talento incontestável. Pelo Barça, Messi só faltou fazer chover nas quartas-de-final diante do Arsenal quando, no Camp Nou, marcou 4 gols e foi chamado pelo técnico Arsène Wenger de "jogador de PlayStation".

Forlán foi absolutamente decisivo na triunfante campanha do Atlético de Madrid na Liga Europa. Quer ver? Jogo de ida na semifinal com o Liverpool: 1a0 Atlético, gol dele. Jogo de volta na semifinal com o Liverpool: 2a1 para os ingleses, sendo que o gol da classificação espanhola foi marcado na prorrogação, por ele novamente. Na final, diante do Fulham, o placar foi de 2a1 para o Atlético. E quem marcou ambos os gols da equipe? Pois é... Na Copa, o Uruguai foi a grande surpresa. Méritos para o treinador Oscar Tabárez que, entre outras coisas, encontrou um meia-de-ligação quase inusitado na delegação: o atacante Diego Forlán! Depois de desandar a fazer gols pelo clube campeão, o jogador desempenhou a função de articulador de jogadas na Celeste com grande competência, marcando gols decisivos e dando passes precisos. Inclusive, foi escolhido por esse blógui como jogador-destaque no Mundial.

Villa, Schweinsteiger e Müller também fizeram uma grande Copa. David Villa marcou gols importantes - alguns deles belíssimos; Schweinsteiger foi um jogador que parecia ocupar vários espaços ao mesmo tempo, implacável na marcação e avassalador quando com a bola nos pés; Müller exibia um futebol de uma elegância impressionante, em alguns momentos fazendo lembrar Zinedine Zidane (a Alemanha sentiu sua falta quando cumpriu suspensão na semifinal, diante da Espanha). Porém, mesmo assim, considero que aqueles outros cinco nomes fazem mais por merecer o prêmio. Resta aguardar: a cerimônia está marcada para 10 de janeiro de 2011.

E você, tem algum palpite ou alguma preferência?

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Equipe E Jogada Da Semana

A semana para o Corinthians teve início com uma vitória sobre o Vitória (2a1, domingo) e terminou com uma goleada sobre o Goiás (5a1, sábado). Porém, o maior festejo da fiel torcida se deu por conta da comemoração do centenário de fundação do clube. Há toda uma euforia em torno da construção de um estádio de propriedade da instituição, algo que, por até hoje não existir, faz do Timão motivo de chacota nacional. Mas, é perceptível que a gestão de Andrés Sanchez vai "arrumando a casa" alvinegra após o impacto da turbulenta parceria com a MSI. E, com os recentes resultados obtidos, o Corinthians é o virtual novo líder da Série A (tem um ponto a menos que o líder mas um jogo por realizar, pois a partida com o Vasco da Gama foi adiada em função das festas pelo centenário).

Jogada da semana

As seleções européias estão de volta com os jogos oficiais. A competição? Eliminatórias para a Euro-2012. E a atual campeã européia e mundial esteve em Liechtenstein para estrear no torneio. O resultado? 4a0 Espanha, com direito a um golaço de Fernando Torres para abrir a contagem. Você verá que a jogada tem início ainda no campo de defesa e a troca de passes entre "El Niño" e Andrés Iniesta flui até o camisa 9 mandar a redonda pra rede. Caso queira, siga o vídeo e veja também os outros gols. Vicente Del Bosque, o comandante espanhol, "comemora" bem ao seu estilo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Equipe E Jogada Da Semana

Simplesmente eficiente. Assim podemos definir o que foi o Internacional nessa semana que passou. Na Ressacada, conseguiu o difícil feito de superar o Avaí, vencendo por 1a0. No Beira-Rio, acabou com a boa seqüência do Botafogo e triunfou novamente, pelo mesmo placar.

Com isso, a equipe campeã da Libertadores da América entra no G4. É algo que aparentemente não quer dizer muita coisa, pois o campeão continental já garante ingresso na próxima edição da competição. Mas abramos o olho: e se os comandados de Celso Roth cismarem de que querem também o título brasileiro? Time eles já provaram que tem. Terão é de correr atrás do prejuízo matemático, pois 10 pontos separam o Internacional - que tem um jogo a menos - do topo da tabela, hoje pertencente ao Fluminense.

Jogada da semana

Estréia do Barcelona no Campeonato Espanhol, enfrentando o Racing Santander, fora de casa. Com a vantagem de 1a0 no placar, lá ia mais uma vez o Barça ao campo de ataque. E olha de que jeito o meio-campo Andrés Iniesta pega na bola após sobra concedida pelo goleiro. Era o 2º gol da vitória por 3a0 do candidataço ao título espanhol. Está apenas começando...

domingo, 11 de julho de 2010

Da Europa Para O Mundo: Espanha Amarelo Ouro

Confesso faltarem-me palavras para descrever essa final de Copa do Mundo, vencida pela Espanha com um gol (contestável) marcado aos 10 minutos do segundo tempo da prorrogação.

É bem possível que as ponderações aqui postas possam ser levadas pelo emocional de alguém que, nesse momento, veste uma camisa laranja com as letras "KNVB" bordadas abaixo da figura de um leão.

Apesar da má atuação do árbitro inglês Howard Webb, o título foi para ótimas mãos. A seleção espanhola representou o que há de melhor no futebol atual, com um toque de bola refinado e a busca incessante por chegar ao ataque administrando a posse com paciência e lucidez.

É a primeira vez na história das Copas que uma equipe campeã do mundo inicia sua campanha com uma derrota na estréia. Naquela vitória suíça por 1a0, muitos comentaristas oportunistas - mostrando desconhecimento futebolista - cantarolavam um apocalíptico cenário para os comandados de Vicente Del Bosque. Um deles foi Walter Casagrande Júnior, que declarou ter "eterna desconfiança na Espanha", dizendo que a seleção sofria de "fragilidade emocional" (veja a postagem sobre o jogo). Curiosamente, o discurso pós-final foi outro. O meu continua o mesmo: a Espanha fez uma boa Copa do primeiro ao último minuto de bola rolando, sendo merecedora do título.

Os holandeses têm todos os motivos para saírem da África do Sul de cabeça erguida. Foram 8 vitórias em 8 jogos nas Eliminatórias, 6 vitórias em 7 jogos na Copa, com a derrota solitária acontecendo pra lá dos 115 minutos de uma partida equilibrada, onde teve chance de vencer e se tornar campeã em campanha 100%. O gesto pós-premiação de formar um corredor e cumprimentar cada membro da delegação espanhola que por ali passava já tornou-se automaticamente épico.

Pronto, acho que esses parágrafos acima deixaram o blogueiro mais relaxado para descrever os fatos do jogo. Antes de mais nada, parabéns Espanha e Holanda! Johann Cruyff, um dos destaques do "Carrossel Holandês" de 1974, implementou a filosofia do "Futebol Total" no Barcelona - time-base da seleção espanhola - e, antes da final ser jogada, declarou que "todo mundo é um vencedor" (veja matéria original). Estou de total acordo. Apitos à parte, o futebol saiu ganhando com o desenrolar da Copa do Mundo 2010.

Fotos-posadas pré-jogo: as duas melhores seleções na final, para deleite dos amantes do futebol.

Equipes jogam primeiro tempo atacando mais o corpo dos adversários do que o gol

A primeira falta da partida ocorreu com 50 segundos, numa entrada de Robin van Persie em Sergio Busquets. E não seria um lance isolado: antes do apito de intervalo, foram mostrados cartões amarelos para 5 jogadores (aos 14' para van Persie por carrinho em Joan Capdevila; aos 16' para Carles Puyol por entrada no tornozelo de Arjen Robben; aos 21' para Mark van Bommel por carrinho que derrubou Andrés Iniesta; aos 22' para Sergio Ramos após ir no corpo de Dirk Kuyt; e aos 27' para Nigel De Jong, por entrada horrorosa com a sola da chuteira no peito de Xabier Alonso). Fora tudo isso, houve também jogo de futebol.

Aos 4 minutos, Xavier Hernández levanta em lance de bola parada (por que será?) pelo lado direito, Ramos cabeceia e Maarten Stekelenburg faz bela defesa ao espalmar no canto direito. Na seqüência, Stekelenburg e Kuyt foram fechar o ângulo de Gerard Piqué e impedir uma nova finalização.

3 minutos depois, Xabi Alonso passa rasteiro atravessando o campo de defesa, Busquets não pega, Kuyt intercepta e chuta rasteiro para defesa de Iker Casillas.

Com 8 minutos, Xavi Hernández tenta lançar David Villa, mas Stekelenburg sai para recolher. Aos 10', Villa recebe na frente, passa para Iniesta, que abre na direita com Ramos: o lateral se livra de Kuyt, bate cruzado a 14 metros do gol e John Heitinga coloca o pé esquerdo mandando para escanteio. Na cobrança, Xavi manda curto para Iniesta, recebe de volta, passa mais atrás para Alonso e o camisa 14 cruza: a bola chega até o lado esquerdo para Villa, que chuta de primeira e manda na rede pelo lado de fora.

Na marca de 17 minutos, cobrando a já mencionada falta sofrida por Robben, Wesley Sneijder manda direto e Casillas consegue encaixar. 2 minutos depois, Robben avança pela direita, passa por Capdevila mas Alonso dá a cobertura e manda para escanteio - a marcação no camisa 11 holandês era dupla (quando não tripla).

O jogo teve um breve momento pingue-pongue aos 22 minutos: Casillas tentou ligar contra-ataque com Villa e a bola foi até Stekelenburg. O goleiro holandês recolocou em jogo e a Jabulani (ou Jobolani, pois a bola da final teve nome dado em homenagem à cidade de Johannesburgo) atravessou a linha final no extremo oposto do gramado do Soccer City, voltando para a posse do camisa 1 espanhol.

Com 33', um lance inusitado: a seleção holandesa ia devolvendo a posse para a Espanha numa atitude de "fair play" e o quique da bola surpreendeu Casillas, que deu um tapa para escanteio. Na cobrança, van Persie rolou para o goleiro e o jogo seguiu.

3 minutos depois, Robben faz fila pela direita, atraindo marcação de três espanhóis. Sneijder pega a sobra do desarme parcial, avança e ganha escanteio. Na cobrança, a bola desvia e chega na esquerda até Joris Mathijsen, que tenta a finalização de primeira mas acaba furando. No minuto posterior, Pedro Rodríguez recebe pouco a frente do círculo central, avança e chuta à esquerda.

Aos 42', Sneijder comete falta ao deixar a sola em Busquets: Webb apitou e dialogou com o camisa 10. Na cobrança, Alonso tentou chute direto mas não conseguiu colocar o efeito que desejava e a bola saiu à direita.

Aos 44', a Espanha tentava emplacar um contra-ataque com enfiada para o flanco direito e Giovanni van Bronckhorst fez bela interceptação, recolocando a Holanda no ataque. Mas van Persie não conseguiu escapar da marcação e Iniesta fez a proteção para ganhar tiro-de-meta. No minuto seguinte, Robben recebe passe curto de van Persie na quina direita da grande área, ganha espaço com corte curto para o centro, chuta rasteiro e Casillas vai no canto esquerdo para espalmar.

Equipes têm chances claras de gol, mas goleiros atuam brilhantemente

Em escanteio aos 2 minutos pelo lado direito, Xavi cruza, Puyol cabeceia saltando sobre Heitinga e a bola chega na esquerda em Capdevila, que, a exemplo de Mathijsen na primeira etapa, fura no movimento da finalização.

Aos 3 minutos, Iniesta passa para Alonso na esquerda, van Bommel dá o tranco e ambos caem na área: tiro-de-meta marcado. No minuto seguinte, Gregory van der Wiel desce pela direita, centra a jogada com passe rasteiro, Casillas toca na bola mas é marcado tiro-de-meta. Na marca de 6 minutos, Kuyt passa para Robben, que corta para o centro e chuta para nova defesa de Casillas no canto esquerdo.

Com 8 minutos, Ramos tenta fazer um-dois com Pedro mas é derrubado por van Bronckhorst antes de receber de volta: falta e cartão amarelo para o capitão. Na cobrança, a 27 metros, Xavi manda na rede externa e Stekelenburg acompanha de perto.

Aos 10 minutos, novo cartão amarelo para jogadores holandeses: Villa é acionado na esquerda e leva rapa de Heitinga após tocar de lado. 2 minutos depois, Sneijder recebe e é atingido por Iniesta na altura do joelho - falta marcada mas nenhum cartão mostrado. Na cobrança, Sneijder põe na área e Heitinga cabeceia cruzado à esquerda.

Na marca de 14 minutos acontece a primeira substituição da partida: Pedro por Jesús Navas. No minuto posterior, Kuyt cruza, van Persie sobe se antecipando a Puyol e cabeceia fora. Mais um minuto passado e nova chance holandesa. E não era uma chance qualquer, mas sim a mais clara da partida: Sneijder dá enfiada de bola precisa para Robben, que avança e chuta no contrapé de Casillas, mas o goleiro, situado na marca do pênalti para tentar fechar o ângulo, consegue grande defesa com a chuteira e a bola passa perto da trave direita.

Com 20', van Persie recebe, finta Capdevila em velocidade e recebe falta. Amarelo para o lateral.

Aos 24 minutos, Navas recebe de Xavi na direita, cruza rasteiro, Heitinga não afasta, a bola chega em Villa, que chuta e a defesa holandesa consegue bloqueio providencial.

No minuto seguinte, primeira substituição de Bert van Marwijk: Kuyt por Eljero Elia.

Na marca de 28 minutos, Iniesta tenta passe pelo centro, van Bronckhorst intercepta e Webb dá falta de Heitinga. Villa cobra mandando cruzado, alto, à esquerda.

Com 30 minutos, Navas recebe de Alonso, cruza pra esquerda e Villa manda de primeira, isolando. No minuto seguinte, Villa tabela com Xavi, chuta e van der Wiel bloqueia dando carrinho. No escanteio, Xavi levanta e Ramos sobe livre, cabeceando por cima do travessão.

Aos 32', Iniesta agride van Bommel sem bola. O árbitro vê, marca falta, mas nega-se a dar qualquer cartão.

3 minutos depois, Iniesta entra na área se livrando de Heitinga e é desarmado por Sneijder em carrinho limpo.

Na marca de 37 minutos, Robben ganha de Puyol na corrida após escorada de cabeça de van Persie, o zagueiro puxa o atacante, Robben segue a arrancada tentando fintar Casillas mas o goleiro fica com a bola. "Se ele cai o juíz dá pênalti", muitos diriam. Provavelmente. O fato é que Robben foi reclamar com Webb e ainda recebeu cartão amarelo.

Com 41 minutos, troca interessante na seleção espanhola: Alonso por Francesc Fàbregas.

A Espanha tinha 56% da posse de bola, mas o momento holandês era melhor. Aos 43', Sneijder tenta ligar contra-ataque com Robben dando passe esticado pro lado direito, o camisa 11 corre, chega na bola, mas não evita a saída pela lateral. Aos 47 minutos, Sneijder tem a bola em contra-ataque e decide chutar de longe, mandando à direita. Pela primeira vez na Copa, Holanda e Espanha iam disputar uma prorrogação.

Espanhóis criam chances e van Marwijk torna a Holanda mais ofensiva, "repetindo" substituição da semifinal

Aos 2 minutos, Cesc Fàbregas tabela com Iniesta, a bola sobra com Xavi e sai em escanteio - os espanhóis pedem pênalti supostamente cometido por Heitinga.

Com 4 minutos, Iniesta enfia a bola para Fàbregas, que fica cara-a-cara com o goleiro: Stekelenburg se posiciona bem e defende a finalização com a canela.

Na marca de 5 minutos a Holanda cobra escanteio pela direita e Mathijsen sobe cabeceando perto do travessão. 3 minutos depois, Fàbregas passa para Iniesta, que avança e é desarmado por van Bronckhorst.

Aos 9 minutos, Bert van Marwijk troca De Jong por Rafael van der Vaart, em mexida similar a realizada no intervalo da semifinal (naquela oportunidade, Demy De Zeeuw, substituto do suspenso De Jong, deu lugar ao camisa 23).

Com 10 minutos, Navas recebe na direita, chuta e van Bronckhorst bloqueia - a bola vai no contrapé de Stekelenburg e sai ao lado da trave esquerda, na rede externa. 3 minutos depois, Fàbregas carrega desde a intermediária e chuta da meia-lua, à esquerda.

Na marca de 14', substituição na Holanda daquelas que somente se justificam por questões físicas: sai o capitão van Bronckhorst e entra o surinamês Edson Braafheid, estreando no Mundial. A braçadeira passa para van der Vaart, que entrara há 6 minutos.

Torres entra no intervalo e, iluminado, participa do xeque-mate

A última troca do jogo colocava em campo Fernando Torres, que fazia uma Copa discreta, no lugar de David Villa, um dos artilheiros da competição e decisivo em diversas partidas.

Com 1 minuto já era explícito que Braafheid sentia a pressão do contexto em que estreava: bola cruzada a partir da esquerda e o camisa 15 dá as costas pra redonda para procurar a quem marcar. Por sorte, a bola vai na parte de trás da cabeça dele e é recolhida por Stekelenburg, num recuo absolutamente involuntário.

Aos 2 minutos, Sneijder passa na esquerda com Elia, que encara a marcação de Ramos mas sai com a bola antes de efetuar o cruzamento.

Na marca de 3 minutos, Iniesta tabela com Xavi, parte para receber e ir em direção ao gol mas é seguro por Heitinga, que recebe o segundo amarelo e é expulso.

Na final mais recheada de cartões na história das Copas, Heitinga é o único expulso.

Com 5', Iniesta recebe na esquerda, van der Wiel se aproxima e o camisa 6 aproveita para ir ao gramado. Webb vai na dele e mostra cartão amarelo para o lateral. No levantamento originado na bola parada, Stekelenburg salta e afasta.

Aos 7', Sneijder passa para Robben que, impedido, dá seqüência ao lance. Espanhóis pedem amarelo (e consqüente expulsão) mas Webb opta por dialogar com o camisa 11, ao som das vuvuzelas.

Na marca de 9', Sneijder cobra falta direto pro gol, a bola bate nas costas de Fàbregas e sai à direita do gol. A arbitragem marca, sabe-se lá como, tiro-de-meta para a Espanha. Astigmatismo? Miopia? Cegueira? Melhor nem especular...

No minuto seguinte, Torres tenta inversão para Iniesta, que receberia em posição duvidosa: Mathijsen corta parcialmente e Fàbregas passa para Iniesta, que chuta com força, cruzado, à meia-altura, uma bola que ainda foi tocada por Stekelenburg antes de ir pra rede, no canto direito. Mathijsen, revoltado, reclamou com árbitro e auxiliar. No que deu? O 8º holandês a receber cartão amarelo. Por tirar a camisa na comemoração do gol histórico, Iniesta recebeu o quarto cartão espanhol do jogo.

Iniesta vibra muito com o gol que será lembrado por muitas gerações.

Aos 12', na saída de bola pós-gol, Sneijder tentou do meio-campo e mandou à direita. A Holanda se mandou, em desespero, ao campo de ataque. Mas o abafa não teve qualquer finalização e o apito final coroou essa memorável geração espanhola, ratificando para o planeta o que todos que assistiram à Eurocopa já sabiam. E assim caiu uma invencibilidade de 25 jogos.

Casillas recebe o troféu das mãos dos presidentes da FIFA e da África do Sul: camisa já com a estrela bordada.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Espanha E Portugal Navegam Ao Descobrimento

Duas nações que cruzavam oceanos séculos atrás na busca por riquezas de além-mar hoje estão aportadas na África do Sul. O objeto cobiçado por espanhóis e portugueses é dourado, mas não pode - ou pelo menos não deve - ser conquistado através da negociação com os nativos: para alcançar o troféu de campeão mundial, Espanha e Portugal precisarão jogar bola. Muita bola.

A partida de hoje na Cidade do Cabo, extremo sul de um continente explorado e colonizado pelos "desbravadores", reúne duas seleções de respeito no futebol internacional. A portuguesa conta com o talento de Cristiano Ronaldo para avançar às quartas-de-finais e tentar, pelo menos, repetir a boa performance obtida na Copa 2006, quando terminou em 4º lugar. A espanhola, atual campeã européia, conta com um elenco deslumbrante e tem todas as credenciais para buscar o título inédito.

Se futebol fosse uma ciência exata, ficaria à vontade para cravar um triunfo espanhol - e com boa margem de gols. Mas tudo se decide em 90 minutos (às vezes precisa-de de mais tempo) e, certamente, nem espanhóis nem portugueses trocariam o sonho da Copa do Mundo pelas especiarias da Índia nem pelo ouro da África. O que eles mais querem descobrir, atualmente, é o gosto de levantar a taça: o percurso tem a etapa de hoje e ainda outras 3, mas somente um sobreviverá para seguir a viagem pelos gramados sul-africanos. Retornar para as suas pátrias? Hoje não, obrigado.

Andrés Iniesta, David Villa e Cristiano Ronaldo são algumas das atrações da partida que fecha as oitavas-de-finais com chave-de-ouro.