domingo, 15 de junho de 2014

Suíça Vira Jogo Eletrizante Com Gol Nos Acréscimos

Hoje o blogueiro viveu uma experiência inesquecível, tendo feito sua estréia de corpo presente num jogo de Copa do Mundo. Suíça e Equador proporcionaram uma bela atmosfera no estádio Mané Garrincha, em Brasília. E se dentro de campo a partida foi pra lá de interessante, com direito a um desfecho emocionante, no entorno do estádio o que se viu foi uma tremenda desorganização para o acesso aos respectivos setores. Pouquíssimos funcionários para muitíssimos torcedores e o resultado foi uma fila que andava menos do que deveria pois muitos "espertinhos" encontravam "atalhos".

Infelizmente para milhares de pessoas, só foi possível adentrar nas arquibancadas já com bola rolando. Mas consegui assistir ao pontapé inicial e aos hinos nacionais. Em breve, serão adicionadas imagens e vídeos a essa postagem.

Se alguém imaginava uma Suíça retraída, armando o famoso ferrolho e assistindo os equatorianos jogarem, foi surpreendido por uma seleção européia que procurava fazer a transição ao ataque. Criou mais e melhores chances no primeiro tempo, mas quem alcançou a rede foi o Equador, que em lance de bola parada abriu o placar.

Hitzfeld trocou Shaqiri de posição, tirando-o do flanco direito e trazendo-o para o centro. Mexida simples e eficaz: a Suíça passou a ter mais volume de jogo no campo de ataque. O resultado prático disso só viria depois do intervalo e também em lance de bola parada, quando a equipe alcançou o empate.

A partida mudou de figura, com ambas as seleções querendo o resultado positivo. Se por um lado Inler comandava o meio-campo, por outro Behrami errava mais passes do que o aceitável. O Equador levava perigo principalmente em jogadas de velocidade. Até que... lá vamos nós falar de arbitragem, pela enésima vez nesse Mundial: foi anulado um gol legítimo da Suíça, em lance que a FIFA não teve coragem de mostrar a repetição nos telões, provavelmente ciente do erro da arbitragem.

E o que por um momento parecia rumar para o empate, transformou-se em justiça nos acréscimos: Seferovic, que entrara minutos antes, completou jogada cruzada rasteira da esquerda mostrando oportunismo e posicionamento dignos de um autêntico camisa nove, dando o gol e a vitória aos suíços. O blogueiro comemorou muito e ainda teve a sorte de tocar na bola do gol, que foi chutada para a arquibancada no momento da comemoração.

Essa é uma Suíça que toma gol mas que marca em dobro. Ótimo para quem quer ver bola na rede. Algo que, apesar da arbitragem, tem acontecido bastante nessa Copa do Mundo.

Galeria de imagens e vídeos (registros exclusivos, incorporados em 26.07.2014 - perdoem a demora)
Clima muito agradável antes do início do jogo (o relógio da máquina fotográfica estava cerca de uma hora adiantado: era meio-dia e o jogo começava às 13h)
Linda tarde em Brasília: primeiros minutos de jogo no estádio Mané Garrincha.
 Telão no intervalo, mostrando a superioridade suíça que não refletia no placar parcial.
Encontramos os queijos suíços

Foi Tua Fé Que Te Curou!

Dois mil anos atrás, muito antes de qualquer registro catalogado de prática futebolística ou que possa se assemelhar a esta modalidade esportiva absolutamente apaixonante que é o futebol, passou por esse planeta aquele que pode ser apontado como o maior exemplo de ser humano. Humano pelo que é, por ser. Alguns o idolatram. Outros o veneram. Há quem busque inspiração nesse ícone (re)pensando o que ele faria se estivesse em seu lugar. Tem até os que chegam a duvidar se ele realmente existiu da forma como foi descrito. Fato é que está lá no livro sagrado cultuado pelos cristãos que aquele homem, após operar o que costumamos chamar de milagre, afirmou: "foi a tua fé que te curou".

Mas caro blogueiro, o que isso tem a ver com o jogo entre Costa do Marfim e Japão? Entrei aqui pra discutir a religião cujo templo é o estádio, onde está a relação? Estimadas leitoras e estimados leitores, a relação é completa e intrínseca. No templo de Recife, que recebeu sua primeira missa nessa Copa do Mundo 2014, marfinenses e japoneses - além, é claro, de brasileiros -, marcaram presença nas arquibancadas. Durante o ritual, viram-se danças, gritos, comemorações, lamentos. De tudo um tanto. E a celebração começou melhor para os asiáticos, que abriram o placar com um lindo chute de Honda. O transcorrer do primeiro tempo mostrou um universo de possibilidades para os dois lados. Yaya Touré aparecia pouco, de tão bem marcado que era. Mas o pouco que aparecia já criava boas situações para os africanos. Pelo lado nipônico, os avanços dos laterais Uchida e Nagatomo complicavam a defesa marfinense, já bastante ocupada para tentar deter Honda, Kagawa e Okazaki.

Foi então que veio o segundo tempo. A Costa do Marfim queria sair da situação de derrota na estréia mas não encontrava fórmulas para alcançar o objetivo. Naquela altura, seria tão simples como fazer um paralítico andar, um cego enxergar, um morto reviver. Foi então que o treinador francês Sabri Lamouchi chamou Didier Drogba para sair do banco e adentrar no altar. Aos dezessete minutos, Drogba colocou os pés no gramado. Aos dezenove, a Costa do Marfim empatou o jogo. Aos vinte e um, conseguiu a virada. Se foram dois gols de Drogba que resolveram a parada? Nada disso! Bony e Gervinho, atacantes que estavam em campo desde o apito inicial, marcaram para a seleção africana. Mas Drogba estava lá. A referência, a inspiração, o ídolo de uma nação. O que faz tudo ser diferente. Pois os marfinenses acreditam em Drogba. E, em verdade vos digo, foi a tua fé que te curou.

sábado, 14 de junho de 2014

Quando O Futebol Faz O Clima: Um Ótimo Itália E Inglaterra

Itália e Inglaterra sobreviveram a Manaus. O clima, como esperado, era severo - jogar a trinta graus Celsius quando se acostuma a jogar na metade dessa temperatura é praticamente um pesadelo, sobretudo levando-se em consideração a questão da umidade. Para piorar, o estado do gramado deixava em dúvida os rigores dos propagandeados "padrão FIFA". Quer dizer: parece que a entidade é mais exigente com as questões econômicas e financeiras do que com o espetáculo em si.

Mesmo com tudo isso, o confronto entre essas duas campeãs mundiais foi de ótimo nível. Muito, mas muito superior ao encontro entre elas em 2012, na fase quartas-de-final na Eurocopa. Conclusão: há mais fatores determinantes para a qualidade de um jogo do que todos aqueles citados no primeiro parágrafo. Talvez seja essa a magia da Copa do Mundo. Quem foi até a Arena da Amazônia testemunhou uma partida pra lá de interessante. Dinâmica, com domínios alternados, variação de jogadas e composições. Quando jogadores de talento reconhecido brilharam, as coisas ficaram ainda melhores. Por exemplo, o primeiro gol do jogo: Marchisio chutou bonito para superar Hart em jogada onde Pirlo mostrou genialidade ao tirar o corpo da bola para deixar o companheiro em condições de finalizar. A Inglaterra respondeu rapidamente para empatar, em cruzamento preciso do até então sumido Rooney para o participativo Sturridge. 1a1.

O desgaste físico era notório já no primeiro tempo. Gerrard, por exemplo, ofegava antes de cobrar escanteio. Um membro da comissão técnica inglesa deixou o entorno do gramado carregado na maca. Atletas mediam a corrida. Mas, no segundo tempo, ambos os elencos se superaram. A Itália chegou ao segundo gol com Balotelli, perfeito no tempo de bola para concluir de cabeça e recolocar a Azzurra em vantagem. Só que quem pensou que aquilo abateria os ingleses, enganou-se: foram criadas diversas ocasiões que quase recolocaram a igualdade no placar. E se a Itália lamentava a ausência de Buffon, lesionado em treinamento na véspera do jogo, pôde comemorar a atuação inspirada do também ótimo goleiro Sirigu. Suas defesas garantiram o triunfo no Amazonas. E, na próxima rodada, teremos duas situações pouco pensadas no passado recente: Inglaterra e Uruguai se enfrentam em nome da sobrevivência no torneio enquanto Itália e Costa Rica têm confronto direto para a liderança na chave, podendo inclusive render uma classificação antecipada.

Observação: destoando do padrão da competição, tivemos uma arbitragem correta. Parabéns, Kuipers. Mais uma goleada da Holanda.

Tem Zebra No Castelão: Costa Rica Esmaga O Uruguai

Pra quem gosta de zebra, há excepcionais filmagens de documentários abordando a vida selvagem na África. São animais astutos, que reconhecem a ameaça dos predadores e, estrategicamente, convivem em bando para defenderem-se uns aos outros. As próprias disposições das listras se comportam de maneira a confundir aqueles que podem tentar capturá-las.

No futebol, chamamos de zebra aquele resultado surpreendente. E a primeira aparição de uma zebra nos campos brasileiros nessa Copa do Mundo deu-se em Fortaleza, no estádio Castelão: a Costa Rica virou o jogo, se impôs e venceu o Uruguai por 3a1. Atuação fantástica coletivamente, com direito a performance sensacional de Campbell, autor do segundo gol e com participação efetiva no terceiro, dando ótima enfiada de bola para desmontar a defesa uruguaia.

Pra não dizer que não falei de árbitros (e preferia mesmo não falar), o alemão Félix Brych teve dois pesos, duas estaturas e duas caras para apitar. Deu pênalti quando um uruguaio foi agarrado na área e mandou o jogo seguir quando o uruguaio agarrava o adversário. Mas a Costa Rica foi maior que qualquer alemão nessa tarde de sábado. Maior que qualquer uruguaio. Maior que qualquer prognóstico. E largou na frente num grupo que tem três campeões mundiais. Uruguai, Itália e Inglaterra que se virem! A Costa Rica veio querendo ficar! E sabe rugir como um leão!

Colômbia 3a0 Grécia Em BH: Bogotá Horizonte

Nunca antes na história desse país vimos o estádio do Mineirão com o espanhol como idioma oficial. Até a tarde desse sábado. Desde o hino arrepiante, cantado a plenos pulmões, até os festejos pela vitória na estréia, passando pelos gritos de gol, as arquibancadas na capital de Minas Gerais foram mais colombianas do que jamais registrou-se. Lindo de ser ver e ouvir.

Dentro de campo, os seríssimos desfalques de Freddy Guarín (ausente por suspensão) e Falcao García (cortado por lesão) foram compensados por um jogo coletivo muito bem treinado pelo competente argentino José Pekerman. Cuadrado e Rodríguez foram dois dos destaques da equipe sul-americana - equipe na melhor acepção do termo, pois todos pareciam cumprir suas funções em campo.

Pelo fato da Grécia ter feito surpreendentemente um jogo aberto (ainda hoje essa seleção é estigmatizada como retranqueira, e olha que já se passaram dez anos daquela Eurocopa em Portugal), tivemos uma partida absolutamente franca. E o placar de 3a0 mascarou o que foi um confronto marcado por um equilíbrio nas chances de gol. Só que enquanto os gregos pararam no goleiro Ospina, no travessão e nos centímetros que separavam a bola da baliza, a Colômbia esbanjou eficiência. Para delírio de um público que fez do Brasil o seu país, de Minas Gerais o seu estado, de Belo Horizonte a sua cidade e do Mineirão a sua casa.

Parabéns, Colômbia e colombianos! Quinta-feira nos veremos em Brasília!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Jogando "Em Casa", Chile Passa Pela Austrália

Depois da chinelada da Holanda sobre a Espanha, chegou a vez dos chilenos estrearem no Mundial para completarem a rodada inaugural no grupo B.

E tudo começou maravilhosamente bem para o Chile. O hino nacional foi contagiante, fazendo crer que Cuiabá era Santiago por uma noite. Nos minutos iniciais, um ritmo alucinante por parte dos comandados de Jorge Sampaoli. Alexis Sánchez abriu o placar e serviu Valdívia para ampliar a contagem, jogando o fino em Mato Grosso. E isso em menos de quinze minutos.

Só que aos poucos o jogo foi equilibrando. E os australianos começaram a mostrar que não deram a volta ao mundo a passeio, podendo mostrar alguma resistência num grupo dificílimo, onde os Socceroos não têm qualquer obrigação de classificação. No estilo de jogo condizente à estatura e habilidade do time oceânico, veio o gol: cruzamento e conclusão de cabeça.

Até pintou o empate no segundo tempo, em lance parecido, mas dessa vez vimos algo pouco comum: a arbitragem acertou, anulando alegando impedimento. No final, o terceiro gol chileno (Beausejour) selou a vitória até então incerta e já trouxe uma certeza: a partida entre Espanha e Chile terá ares de confronto direto eliminatório. Ou seja: promessa de um jogaço de bola.

Laranjástico!

Aconteça o que acontecer em todos os futuros jogos, nenhum se comparará ao Espanha e Holanda. As atuais finalistas da Copa do Mundo proporcionaram um belo espetáculo em Salvador que reservou boas jogadas, lindos gols e uma grande surpresa: a goleada impactante da Oranje que jogou de azul diante da Roja que jogou de branco. 5a1 de virada com direito a um atropelamento no segundo tempo. Detalhe: o gol espanhol saiu num pênalti que não houve, mantendo o índice de jogos contaminados com erros capitais de arbitragem em... 100%.

Sensacionalistas plantonistas jornalistas já repetem discurso semelhante àquele que sucedeu a também surpreendente derrota espanhola na estréia diante dos suíços na Copa passada. Naquela ocasião, ouviu-se de tudo um pouco e se você tiver curiosidade de relembrar algumas das declarações apocalípticas, pesquise nesse mesmo blógui sobre os comentários referentes àquela partida de estréia na África do Sul. Clique para ver o resumão da Espanha na Copa do Mundo 2010.

Vejo a Espanha de 2014 com as mesmas possibilidades de título mundial que a Espanha de 2010. Um déficit grande é que Xavi não é mais aquele - embora ainda seja um jogadorzaço. Diego Costa jamais será um David Villa - embora possa ser útil em algumas variações táticas. A zaga se enfraquece sem Puyol. Mas David Silva parece melhor. Iniesta, idem (se é que isso possa ser humanamente possível). E Del Bosque tem uma grande capacidade de se reinventar sem perder o estilo. Em suma: é preciso respeitar a Espanha. Mesmo que as circunstâncias sugiram qualquer coisa diferente disso.

E o que dizer da Holanda? Só restaram sete jogadores vice-campeões mundiais - os outros dezesseis convocados são "novidades". A equipe rejuvenesceu. O ótimo Bert van Marwijk caiu após o mau rendimento na Euro 2012, quando a Laranja foi eliminada logo na primeira fase. Só que aí está a Holanda, senhoras e senhores. Firme, forte, sólida, leve, envolvente, destemida. Com personalidade. A Holanda é mais que um conjunto de bons jogadores: é uma escola de futebol. Uma escola que ensinou ao mundo o quão bonito é jogar com dois pontas, seja quando for, contra quem for. Um sistema que atravessa décadas e permanece novo, pois foge do usual. E quando você tem jogadores do nível de Sneijder, Robben e Van Persie, tudo fica mais fácil. E belo.

Entre algumas das cenas emblemáticas da partida na Bahia, destaco os gritos de "Olé" das eufóricas arquibancadas: os espanhóis, ironicamente, viveram a situação do touro. Ooooooolé!
 
O futebol deve à Holanda um título mundial. Talvez o "país do futebol" seja o lugar ideal para essa dívida ser acertada. Tivemos um bom indício de que ela poderá ser quitada em breve. Obrigado, Oranje! E boa sorte em suas viagens pelo Brasil!

P.S.: a Espanha vive e isso é bom. Principalmente para o futebol.

Apesar Da Arbitragem, México Vence Camarões

A Copa do Mundo começou catastrófica dentro e fora de campo. Nosso relato sobre os fatos que cercaram Brasil 3a1 Croácia rendeu um recorde recente de acessos (222 até o presente momento na postagem a respeito).

E o jogo que completou a primeira rodada no grupo A seguiu tônica parecida: novamente a arbitragem envolvendo a partida acabou tendo papel influente no resultado final. Pelo menos, dessa vez, a equipe prejudicada conseguiu sair com a vitória e o México passou por Camarões com o placar de 1a0.

Disputado sob chuva, o jogo em Natal foi bastante corrido e cheio de alternativas. Mais pelos esforços dos atletas do que propriamente por algum sinal de consistência tática. Mas o que vem chamando atenção até aqui não são os jogadores, cabendo a pergunta: até quando toleraremos árbitros e auxiliares como protagonistas em espetáculos futebolísticos? Eu, já há algum tempo, não aguento mais. Mais do que na bola, precisamos colocar um chip é nos árbitros. De preferência com uma tecnologia fora do "padrão FIFA", pois é aí que mora o perigo...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Brasil 3a1 Croácia? Só Pra Constar: É Feio Roubar

Começou a Copa do Mundo 2014, a segunda no Brasil. O país mudou desde a primeira edição do Mundial nesse solo, em 1950. Nesse intervalo de 64 anos, nos tornamos uma das mais robustas economias no planeta, conquistamos cinco títulos mundiais, atravessamos ditaduras militares e hoje vivemos uma democracia falsa, que defende o latifúndio e criminaliza a pobreza, concentra renda e reprime manifestante, dedica fortunas aos juros e amortizações da dívida e sucateia os serviços públicos. Toda a revolta a esse modelo excludente é justa, compreensível e legítima.

É como se o gramado em Itaquera fosse um espelho. Um espelho que refletia a imagem do quadro político brasileiro que envolve esse evento chamado Copa do Mundo. Os furtos aos direitos dos cidadãos (moradia e ir-e-vir, para só citar dois exemplos), os furtos aos cofres públicos (passarela para "VIPs" foi o cúmulo na terra da Lei Geral da Copa), os furtos à democracia (detenção arbitrária de manifestantes lembra os tempos de ditadura formal) foram refletidos nos furtos da arbitragem. Um pênalti inexistente para o Brasil ficar em vantagem no placar. Um gol legítimo anulado para evitar que a Croácia empatasse uma partida onde fazia jus à vitória. Mas o que são esses lances perto da realidade fora dos estádios? Ali dentro mesmo daquela arena em Itaquera, São Paulo, trabalhadores perderam a vida e tiveram suas tragédias encaradas com uma brutal indiferença inclusive por parte do "rei do futebol", Pelé. Nem um minuto de silêncio. Nem uma oração pelos mortos. Estão todos preocupados com a infraestrutura dos aeroportos.

Placar moral: vitória da Croácia. Mas moral está fora de moda. Queremos saber de resultados. E o saldo do primeiro dia de mundial foram truculências policiais com muita espreada de pimenta e bala de borracha. Dá para chamar isso de vitória do Brasil? Só se formos muito modinhas...

Observação: com o futebol apresentado nesse doze de junho, a única possibilidade de o Brasil ganhar o título do campeonato organizado pela FIFA de Joseph Blatter é contar com a benevolência das arbitragens. Mais ou menos como ocorreu em 2002, quando a seleção brasileira se aproveitou dos "erros" na estréia com a Turquia, nas oitavas-de-final com a Bélgica e nas quartas com a Inglaterra. Nenhuma delas com a mesma intensidade que essa partida diante da Croácia. Croatas, manifestem-se! É moral e tá na moda!

sábado, 24 de maio de 2014

Real Dança O Vira Em Portugal: "La Décima" Européia

A final madrilenha em Lisboa foi de arrepiar. O Atlético fez 1a0 e soube se comportar em campo, voltando a exibir uma equipe compacta e determinada na busca pelo triunfo. O adversário, porém, se agigantou no segundo tempo - sobretudo após a ótima entrada de Marcelo, que conseguiu dar outro ânimo ao setor esquerdo merengue.

Os colchoneros resistiram bravamente até onde puderam. Até quando puderam. Aos 48 minutos do segundo tempo, em lance de bola parada, não puderam evitar: Sérgio Ramos foi à rede com cabeceio irrepreensível, empatando a partida.

Aquilo transformou a final, elevando o moral do Real e fazendo o Atleti sucumbir no gramado. No fim, uma goleada por 4a1 - falaciosa, é verdade, porém conquistada com méritos. É estranho proferir essa frase, pois como algo pode ser falso e meritoso? Sei lá, foi assim que senti. A diferença de três gols não traduz o equilíbrio do confronto, mas o fato é que o time branco chegou lá por competência. E tem que ser muito competente para superar uma defesa como aquela que conta com Miranda e Godín.

Carlo Ancelotti conseguiu reinventar a equipe que era comandada pelo arrogante José Mourinho. Cristiano Ronaldo, apesar do gol derradeiro, foi mero coadjuvante num time liderado por Modric e Di María. Mas o que empolga mesmo é a entrega física e tática da limitada equipe comandada por Diego Simeone: faltaram pernas, mas sobrou coração aos alvirrubros. Talvez por isso a dor possa ser maior. Mas o orgulho deve ficar nas alturas.

Em poucas palavras, vão os parabéns aos finalistas - campeões e vices. Se o Real faturou a Liga dos Campeões, o Atlético conquistou a Europa. A noite foi espanhola na capital portuguesa. Quem diria isso seis séculos atrás?

sábado, 17 de maio de 2014

Ponto Final Na Agonia: Com Título, Arsenal É Só Alegria


Teve fim a seqüência de quase uma década sem títulos oficiais. Fiel ao estilo de posse de bola com velocidade e infiltração, o Arsenal demorou para acordar para o jogo. Só que, depois de despertar, partiu pra própria felicidade: virou o jogo diante de um valente Hull City e, após prorrogação, gritou "é campeão" em Wembley.

As coisas começaram altamente favoráveis aos Tigres: com duas chegadas ao ataque, a equipe aproveitou-se de vacilos na marcação adversária para já abrir 2a0 com oito minutos. Os autores dos gols foram os defensores Chester e Davies. Porém, nove minutos depois, Cazorla foi muito feliz em cobrança de falta e diminuiu o impensável prejuízo para um gol de diferença.

O que era uma partida até então frenética foi se tornando um jogo mais estudado. Ou seja, um andamento no mínimo inusitado para uma partida de futebol - sobretudo se tratando de uma final, quando costumamos ver o confronto sendo primeiro "pensado" e depois "jogado".

No segundo tempo, o Arsenal passou a mostrar quem é que manda. E subiu visivelmente de produção após a primeira mexida de Wenger: Sanogo no lugar de Podolski. O atacante francês marcou presença em campo com estilo e causou diversos transtornos a até então aparentemente tranqüila defesa do Hull. O empate veio com Koscielny, que sentiu as dores do choque com o goleiro McGregor e não pôde comemorar o gol com o entusiasmo que a ocasião merecia: era o início da redenção de um zagueiro que ficou marcado por vacilar numa final de Copa da Liga Inglesa.

O destino da final era a prorrogação. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, Wenger fez outras duas substituições: saíram Cazorla e Özil, entraram Wilshere e Rosicky. Ganhou solidez no meio a ponto de assumir quase que inteiramente o controle das ações. E o prêmio pela superioridade caiu para aquele que mais merecia: Aaron Ramsey, que, embora bastante tempo afastado por lesões, foi o grande destaque do clube na temporada. Aliás, vai saber até que ponto a saída da disputa pelo título na Premiership não tenha sido derivada exatamente da contusão do meio-campista galês. Pois foi de Ramsey o gol do título. Título que só se confirmou com o apito final de Lee Probert. Houve tempo ainda para o Hull quase empatar a partida, em lance que contou com escorregão de Mertesacker, saída em vão de Fabianski e quase-gol-contra de Gibbs após a finalização/cruzamento de Aluko, que ainda apareceu bem em finalização de média distância muito bem defendida por Fabianski.

Quem não infartou, celebrou. O Arsenal é campeão na Copa da Inglaterra 2013-4. E que venha a próxima temporada.
 Aaron Ramsey com o troféu de campeão na Copa da Inglaterra (a "FA Cup"): meia galês marcou o gol do título e foi um dos destaques na temporada.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Libertadores Da América: Bolívar Fazendo História

Na história do continente americano, um personagem de nome Simón Bolívar foi marcante para a libertação perante a opressão do império espanhol. Na América Latina, Bolívar é visto como um revolucionário e libertador. O maior torneio de futebol ao sul da linha do Equador o homenageou no próprio nome: Taça Libertadores da América.

Nessa edição da competição, os livros de História encontraram um par perfeito: o Club Bolívar, sediado na capital boliviana La Paz. Pela primeira vez na história, um clube deste país consegue avançar à fase semifinal no torneio continental. Curiosamente, o técnico que desempenha brilhante trabalho na equipe é espanhol: só que longe de repetir a opressão de seus compatriotas séculos atrás, Azkargorta está conduzindo o time azul celeste ao infinito e além, de maneira heróica a ponto de honrar o nome de Bolívar.

É absolutamente incerto fazer previsões num esporte imponderável como o futebol. Mas uma coisa pode-se dizer repleto de convicção: é por merecimento que o Bolívar chegou até esta fase e não será nenhum espanto se chegar na final e levantar o troféu de campeão. Não será espanto nenhum. Será lindo, isto sim.

Se em 1813 Simón Bolívar entrou em Mérida e lá foi proclamado El Libertador, 201 anos depois chegou a vez do Club Bolívar avançar em uma caminhada igualmente histórica. O destino final é a taça da Libertadores. Mais do que nunca, que os deuses do futebol possam caminhar ao lado da equipe boliviana. Sobretudo porque o próximo adversário será o San Lorenzo, time do papa. Vida longa, Bolívar!

Com campanha surpreendente e empolgante, o Club Bolívar passou pelo argentino Lanús em confronto sensacional e avançou para as semifinais na Libertadores da América: uma linda história está sendo escrita.