
Primeiro tempo, repleto de alternativas, teve direito a gols, expulsão e jogadas bem trabalhadas
O estilo de jogo apresentado por Espanha e Chile nas duas primeiras rodadas já transmitia a certeza de que teríamos uma bela partida no estádio Loftus Versfeld, em Pretória.
Aos 2 minutos, Marcos Andrés Estrada Quinteros lançou Jean André Emanuel Beausejour Coliqueo mas o goleiro Iker Casillas foi até o limite da grande área para recolher a bola. Aos 3', Xavier Hernández Creus colocou a bola na área e Fernando José Torres Sanz cabeceou por cima. No minuto seguinte, lançamento longo de Joan Capdevila Méndez, Gary Alexis Medel Soto demora a se decidir e finalmente manda para escanteio, quase permitindo a finalização de Fernando Torres.
Na marca de nove minutos pintou a primeira jogada digna das expectativas em torno da partida: Jean Beausejour faz corta-luz em passe de Mauricio Aníbal Isla, a bola chega em Jorge Luis Valdivia Toro, que passa para Beausejour - o camisa 15 cruza rasteiro e Mark Dennis González Hoffmann chuta por cima.
Aos 11 minutos, Alexis Alejandro Sánchez rola para Marcos Estrada chutar de fora - Iker Casillas cai e defende. 2 minutos depois, Alexis Sánchez dá toque por cobertura e surpreende Casillas, que recua e consegue espalmar para escanteio.
A seleção chilena dominava a posse de bola - um feito de respeito se levarmos em consideração que a Espanha costuma ser hegemônica nesse quesito -, chegava com perigo e mantinha a forte seleção adversária acuada no campo de defesa. Mas passou a exagerar na força com que entrava na dividida, com uma seqüência de 3 cartões amarelos entre os minutos 14 e 20. Gary Medel e Waldo Alonso Ponce Carrizo, então pendurados, cumprirão suspensão nas oitavas-de-finais.
Aos 23', sem conseguir praticamente passar da linha que divide o campo, a Espanha tentou um lançamento longo de Xabier Alonso Olana para Torres e acabou contando com o talento de David Villa Sánchez para abrir o placar: o goleiro Claudio Andrés Bravo Muñoz deixou a área para cortar de carrinho, a Jabulani foi até a intermediária e lá estava David Villa para chutar de primeira e marcar um golaço.
3 minutos depois do gol, Estrada, amarelado 6 minutos antes por carrinho em Sergio Busquets Burgos, deu entrada semelhante em Andrés Iniesta Luján e teve sorte de não ser expulso.
Na marca de 28 minutos, Medel chapelou Xabi Alonso, passou para Sánchez na direita e o camisa 7 foi derrubado com falta, em mais uma das belas jogadas de efeito da Copa.
Com 33 minutos, Xavi Hernández cobrou escanteio da esquerda, Gerard Piqué Bernabéu subiu e cabeceou por cima. No mesmo minuto, o Chile saiu em contra-ataque pela esquerda, Beausejour desceu em velocidade e chutou prensado em Piqué, com a bola saindo perto da trave direita.
Na marca de 36', Gonzalo Alejandro Jara Reyes saiu jogando errado, Iniesta agradeceu, tabelou com Torres, abriu na esquerda com Villa e recebeu de volta para chutar cruzado, de primeira e cheio de consciência, no canto esquerdo do goleiro Claudio Bravo: 2a0 Espanha.
No desenrolar da jogada, a situação se complicou para a seleção chilena: Estrada tropeçou em Torres fora do lance de bola, o camisa 9 caiu e o árbitro deu a lei da vantagem. Porém, após a conclusão de Iniesta para a rede, o mexicano Marco Antonio Rodríguez Moreno expulsou Estrada de campo com o segundo cartão amarelo.
Nos instantes finais da primeira etapa, Ponce deu pisão em Xabi Alonso e, visivelmente arrependido pela entrada, deve ter dado graças a Deus por não ter deixado o Chile com nove jogadores em campo, até porque o árbitro estava perto do lance e apitou apenas a falta.
Ânimos acalmados, gol chileno e jogo de compadres a partir dos 30
Bielsa fez duas substituições no intervalo, tirando Jorge Valdivia e Mark González para colocar Rodrigo Javier Millar Carvajal e também Esteban Efraín Paredes Quintanilla.
Logo com 40 segundos, Sánchez rola atrás e Rodrigo Millar fura feio. Mas o camisa 20 já se redimiria na participação seguinte: na marca de 1 minuto, Sánchez rola de lado e Millar chuta mirando o ângulo esquerdo - a bola desvia em Piqué e vai no contrapé de Casillas.
Aos 6 minutos, Villa recebe de Iniesta na esquerda e coloca cruzado na área, fechado, com Villar segurando. 3 minutos depois, Vicente del Bosque trocou Torres por Francesc Fàbregas Soler, deslocando Villa para o centro e dando liberdade ao camisa 10 para circular pelos lados.
Na marca de 15 minutos, nova saída de bola errada chilena, mas Villa não alcança a enfiada de bola e o goleiro Villar fica com ela. 2 minutos depois, Xavi passa para Villa, que domina no peito, arma pro chute e é desarmado no momento exato. Momento exato para Ponce, que evitou o 3º gol espanhol.
Aos 19', Bielsa faz a 3ª substituição trocando Sánchez por Fabián Ariel Orellana Valenzuela.
Com 22 minutos, Xavi faz o desarme em Isla no meio do campo, Villa recebe, avança e Ponce desarma para escanteio. 5 minutos depois, a 2ª mexida na Espanha: Alonso por Javier Martínez Aginaga.
Aos 29', Esteban Paredes recebe pela direita e chuta cruzado para fora. No minuto seguinte, Fàbregas ajeita para Iniesta, que isola.
Cientes do empate sem gol na partida que ocorria simultaneamente em Bloemfontein, espanhóis e chilenos simplesmente abriram mão de sair para o jogo. Naquela altura, Espanha era líder com 6 pontos e saldo 3; Chile estava em 2º com 6 pontos e saldo 1; Suíça aparecia em 3º com 4 pontos e saldo 0; e Honduras em 4º com 1 ponto e saldo negativo de 3. Ou seja: a Suíça necessitava de dois gols nos últimos 15 minutos para fazer com que Espanha e Chile disputassem uma única vaga. Mas a equipe acostumada a se defender e que, por desígnios do destino, achou um gol e uma vitória na estréia, não era capaz de superar os hondurenhos - e até passava alguns sustos.
Foi apenas aguardar o apito final de Marco Moreno, num desperdício de tempo num jogo que reuniu duas das seleções mais vistosas de toda a primeira fase. Mas tudo ótimo! "Seria um pecado para aqueles que gostam de um bom futebol que uma delas ficasse pelo caminho". Agora, é Espanha no caminho de Portugal e Chile no caminho do Brasil. Duelos europeu e sul-americano que prometem jogos interessantes. E o que é melhor: até o último minuto de partida.
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